O descaramento de se exibir

20 de Janeiro de 2022

Por Wan Xinping, China

Em março de 2020, mudei para outra igreja. Eu era uma líder na igreja antiga, e meus irmãos me admiravam muito. Sempre que tinham um problema, eles me procuravam para resolvê-lo. Mas nessa igreja nova, os irmãos não me conheciam. Eu me sentia como um peão sem nome, o que era muito decepcionante. Pensei: “Eu costumava ser muito hábil em pregar o evangelho, então, desta vez, se eu puder usar minha habilidade para levar mais pessoas a aceitarem a obra de Deus nos últimos dias, isso mostrará a todos que tenho calibre e cumpro meus deveres melhor do que os outros, e então me destacarei”. Assim, comecei a pregar o evangelho por toda parte, de cedo até tarde, às vezes, estava ocupada demais para comer. Não demorou, e, graças à minha pregação, mais de uma dúzia tinha aceitado a obra de Deus. Pensei: “Meus irmãos certamente me verão com olhos diferentes por ter cumprido bem os meus deveres”. Quando via meus irmãos, não conseguia não me exibir. Invejosos, eles diziam: “Para você é tão fácil pregar o evangelho, para nós, não é. Quando encontro alvos evangelísticos com noções, não sei o que dizer a eles”. A verdade é que eu também me deparava com frequência com tal situação e não conseguia fazer avanços com essas pessoas, mas raramente falava sobre esses problemas e fracassos ou nem os mencionava, pois temia que, se todos soubessem, eles não me considerariam capaz nem me admirariam. Eu pensava: “Devo falar sobre minhas experiências positivas de pregar o evangelho para que vocês vejam quão bem eu cumpro meus deveres”. Então eu dizia: “Pregar o evangelho não é difícil. Quando encontro alvos evangelísticos, é assim que comungo com eles…” Meus irmãos me admiravam muito quando ouviam isso. Depois disso, sempre que alguém tinha amigos ou parentes que queriam investigar a obra de Deus nos últimos dias, os outros diziam: “Peça que Zhi Ping pregue a eles. Você quer Zhi Ping”. Fiquei muito feliz quando vi que essa era a atitude de todos. Logo fui sugerida para assumir o trabalho de rega em várias igrejas. Isso me deixou ainda mais orgulhosa, e pensei que tinha um palco ainda maior para mostrar meus talentos. Quando meus irmãos tinham dificuldades compartilhando o evangelho ou regando recém-convertidos ou não queriam sofrer nem pagar um preço, eu os encorajava e falava sobre como eu tinha sofrido pregando o evangelho. Eu disse que, quando pregava o evangelho, às vezes, fazia dez graus abaixo de zero no inverno e o vento era como uma faca no rosto, mas mesmo assim eu saía para pregar. Quando chovia muito, quando os rios enchiam e meus sapatas ficavam molhados, eu espremia as palmilhas, as guardava no bolso e continuava em frente para pregar. Uma vez, quando fazia menos de dez graus abaixo de zero, fui encontrar um recém-convertido e esperei do lado de fora por mais de uma hora até ele chegar… Quando meus irmãos ouviram isso, eles me olharam com aprovação e me admiraram por ser capaz de sofrer, e isso sempre me deixava feliz.

Mais tarde, meus líderes me deram a responsabilidade pelo trabalho de rega em mais igrejas. Pensei: “Em poucos meses, fui promovida de novo, assim, meus irmãos me admirarão ainda mais!”. Naquele tempo, eu orava com frequência a Deus e buscava me equipar com aspectos da verdade referentes à rega de recém-convertidos. Aos poucos, encontrei uma senda adiante em meus deveres. Todos os meus irmãos sentiam que minha comunhão era útil para eles. Sem perceber, meu ego voltou a inflar, e eu comecei a me exibir de novo nas reuniões. Quando meus irmãos me perguntavam como resolver as noções religiosas que os recém-convertidos traziam, pensei: “Falarei com eles corretamente sobre isso para que todos vejam minha perícia nessa área”. Então lhes expliquei meus pensamentos e experiência em detalhe, e, aos poucos, todos olharam para mim de forma diferente. Ouviam com atenção a tudo que eu dizia, era acolhida pelos irmãos para onde quer que fosse, e até os irmãos que nunca tinham ouvido minha comunhão queriam me ouvir. Mais tarde, peguei os problemas comuns encontrados no evangelismo e no trabalho de rega, anotei dezessete regras, as levei para reuniões e tive uma longa conversa com os irmãos. Na época, havia uma irmã cujo marido era um oficial no vilarejo e se opunha à crença dela em Deus. Ele levantou muitas perguntas e deliberadamente dificultou as coisas para nós e pediu explicitamente pela minha comunhão. Fiquei muito ansiosa com isso, mas orando a Deus, refutei cada uma de suas perguntas e, no fim, ele ficou sem saber o que dizer. Depois, peguei as perguntas que o marido dessa irmã tinha levantado e as incluí nas perguntas mais frequentes sobre espalhar o evangelho. Em cada reunião, eu as tirava e falava sobre elas vividamente e usava minhas experiências bem-sucedidas para mostrar aos irmãos que eu era capaz e sábia. Depois das reuniões, alguns irmãos diziam: “Irmã, você pode ficar mais um dia conosco e comungar mais conosco?”. Vendo como todos me admiravam, eu senti certo orgulho. Para mostrar aos irmãos que eu era uma pessoa importante e conseguia sofrer e pagar um preço em meus deveres, eu até fingia dizer casualmente: “Sou responsável por muitas igrejas e já tenho um compromisso em outra igreja. Muitos irmãos estão me aguardando. Estou tão ocupada que não tenho tempo para descansar…” Quando falava com meus irmãos, eu também dizia deliberadamente: “Sempre que vou a uma reunião, isso requer um dia inteiro. Eu fraturei meu quadril no passado, e não consigo ficar sentada assim”. Uma irmã ouviu isso e disse com admiração: “Você realmente trabalha muito, mas deve cuidar de sua saúde”. Já que eu me exibia com frequência entre os irmãos desse jeito, eles sentiam que eu era capaz de sofrer e suportava um fardo no cumprimento dos meus deveres.

Durante aquele período, eu estava muito ocupada com reuniões e comunhões, e, às vezes, meu coração estava vazio, e eu não sabia sobre o que devia falar. Mas quando via a expectativa nos olhos dos meus irmãos, eu pensava: “Os irmãos sentem agora que eu comungo sobre a verdade claramente, e todos me admiram para onde quer que eu vá. Se eu lhes disser que não sei como comungar, a boa imagem que criei no coração deles não desmoronará?”. Então fingia estar calma e pedia que eles comungassem primeiro. Eu pensava: “Primeiro, ouvirei sobre o que todos falam, então farei um resumo daquilo que disseram e compartilharei meu entendimento. Assim, parecerá que eu recebi a verdade de forma mais compreensiva e lúcida”. No fim, os irmãos realmente sentiam que eu tinha comungado profundamente. E eu fingia modéstia ao dizer: “Por eu ter esse dever, Deus me esclareceu de modo diferente”. Quando eu dizia isso, os irmãos dependiam ainda mais de mim. Durante aquele tempo, não importava que problemas eles encontrassem na pregação do evangelho, eles não oravam nem buscavam mais, mas esperavam que eu comungasse com eles e os resolvesse. Na época, eu também refletia sobre os danos de admirar e ser admirado e me sentia um pouco incomodada, mas então pensava: “Toda minha comunhão trata de meu entendimento da palavra de Deus e de apontar algumas sendas de prática para os irmãos. Tudo é para que nosso trabalho alcance resultados. Não há nada de errado com isso”. Assim, essa ansiedade e preocupação só passavam rapidamente pela minha mente. Mas justo quando eu estava cheia de paixão e entusiasmo para cumprir o meu dever, minha psoríase que não tinha se manifestado por vários anos de repente reapareceu. Havia grandes manchas nos meus braços, pernas e até no rosto. Coçava muito e me deixava tão desconfortável que eu não podia ir às reuniões. Usei vários remédios, mas nada ajudou. Dessa vez, era pior do que antes. Percebi que não era um acidente e que devia haver lições a serem aprendidas com isso. Busquei e orei a Deus, mas, na época, não percebi qual era o meu problema.

Mais tarde, meus líderes queriam que eu comungasse com alguns irmãos que pregavam o evangelho e resolvesse seus problemas. E eu pensei: “Devo me sair bem com eles para mostrar minha capacidade de trabalhar”. Depois disso, agi como uma executiva de uma empresa apresentando um relatório. Comunguei com eles sobre como entender pontos-chave de comunhão ao pregar o evangelho, como resolver problemas comuns na pregação do evangelho. Os irmãos ouviram com atenção. Alguns até anotavam tudo para não perder nada que eu dizia, e a nossa anfitriã, uma irmã, também ouviu com cuidado, oferecendo-me água de vez em quando. Adorei ver como todos gostaram da minha comunhão. Ao mesmo tempo, porém, eu estava um pouco inquieta. Tudo isso era apenas meu entendimento pessoal, portanto, erros eram inevitáveis, era, então, apropriado que todos anotassem o que eu dizia? Mas então pensei: “Talvez os irmãos só queiram registrar algumas boas práticas, o que ajuda no cumprimento de seus deveres. Não pode haver nada de errado com isso”. Ao ver isso desse jeito, decidi permitir que as pessoas fizessem anotações nas reuniões. Na reunião no dia seguinte, uma irmã voltou e disse: “Eu não anotei a comunhão da irmã Zhi Ping ontem, então vou ouvi-la de novo hoje”. Depois da reunião, ouvi duas irmãs conversando uma com a outra. Uma disse: “Você gravou tudo?”. A outra irmã reclamou: “Por que você não gravou?”. Quando ouvi isso, fiquei com medo: “Se todos acham que minhas palavras são tão importantes, eu não estou trazendo as pessoas para diante de mim mesma?”. Quanto mais eu pensava, mais assustada ficava, então fui para casa e orei a Deus para pedir que Ele me iluminasse e eu conhecesse a mim mesma.

Li duas passagens da palavra de Deus. “Exaltar-se, testificar de si mesma, exibir-se, tentar fazer com que as pessoas a estimem — a humanidade corrupta é capaz dessas coisas. É assim que as pessoas reagem instintivamente quando são governadas por sua natureza satânica, e é algo comum a toda a humanidade corrupta. Como as pessoas costumam exaltar e testificar de si mesmas? Como alcançam esse objetivo? Uma maneira é testificar o quanto sofreram, quanto trabalho fizeram e o quanto se despenderam. Elas falam sobre essas coisas como uma forma de capital pessoal. Isto é, elas usam essas coisas como capital para se exaltar, o que lhes garante um lugar mais elevado, mais firme e mais seguro na mente das pessoas, para que mais pessoas as estimem, admirem, respeitem e até mesmo venerem, idolatrem e sigam. Esse é o efeito principal. As coisas que fazem para alcançar esse objetivo — toda sua exaltação própria e os testemunhos de si mesmas — são sensatas? Não são. Estão além do alcance da racionalidade. Essas pessoas não têm vergonha: elas testificam descaradamente daquilo que fizeram por Deus e quanto sofreram por Ele. Até exibem seus dons, talentos, experiências e habilidades especiais ou suas técnicas espertas de comportar-se e os meios que usam para brincar com as pessoas. Seu método de se exaltar e testificar de si mesmas é exibir-se e depreciar os outros. Elas também dissimulam e se camuflam, escondendo suas fraquezas, deficiências e falhas das pessoas para que estas só vejam sua excelência. Nem ousam contar a outras pessoas quando se sentem negativas; carecem da coragem de se abrir e comungar com elas, e quando cometem algum erro, fazem de tudo para escondê-lo e encobri-lo. Jamais mencionam os danos que causaram à casa de Deus durante o cumprimento de seu dever. Quando, porém, fazem alguma contribuição insignificante ou alcançam algum sucesso menor, elas são rápidas em exibi-lo. Não conseguem esperar para contar ao mundo inteiro como são capazes, como é alto o seu calibre, quão excepcionais são e quão melhores são do que as pessoas normais. Isso não é uma maneira de se exaltar e testificar de se mesmo?” (‘Eles se exaltam e dão testemunho de si mesmos’ em “Expondo os anticristos”). “Todos aqueles que vão ladeira abaixo exaltam a si mesmos e dão testemunho de si mesmos. Saem por aí se gabando e se engrandecendo e nem têm levado Deus a sério de modo algum. Vocês têm alguma experiência a respeito do que estou falando? Muitas pessoas estão constantemente dando testemunho de si mesmas: ‘Sofri desse e daquele jeito; fiz esse e aquele trabalho; Deus me tratou dessa e daquela maneira; Ele me pediu para fazer tal e tal; Ele me tem em alta conta; agora sou assim e assado’. Elas falam deliberadamente em certo tom e adotam certas posturas. Por fim, algumas acabam pensando que essas pessoas são Deus. Uma vez que chegaram a esse ponto, o Espírito Santo já as terá abandonado há muito tempo. Embora sejam ignoradas nesse entrementes, e não expulsas, sua sina está definida e tudo que elas podem fazer é esperar sua punição” (‘As pessoas fazem muitas demandas de Deus’ em “Registros das falas de Cristo dos últimos dias”). A palavra de Deus revelou meu estado. Eu sempre me exaltava e me exibia assim. Quando comecei na igreja nova, eu me sentia desconhecida e insignificante e via a pregação do evangelho como uma chance de ser admirada e seguida por outros. A fim de mostrar a todos a minha capacidade de trabalhar para que me vissem de forma diferente, eu não falava sobre minhas experiências de fracasso, em vez disso, só falava sobre como eu pregava o evangelho, quantas pessoas eu tinha convertido e como resolver problemas difíceis para fazer com que as pessoas pensassem que eu era capaz de qualquer coisa. Quando fui promovida, eu queria que mais pessoas me admirassem e tivessem um lugar para mim em seu coração, então sempre dizia aos irmãos como eu estava ocupada e que sofrimento eu suportava. Mas nunca falava sobre minha própria fraqueza e corrupção para que pensassem que eu conseguia buscar a verdade, pagar um preço, e suportar um fardo em meus deveres. Isso não era enganar meus irmãos? O grande dragão vermelho sempre prega sua imagem “grande, gloriosa e correta” para que os outros o admirem e sigam, mas sempre encobre as coisas malignas que faz em segredo como jeito de enganar as pessoas do mundo. Qual era a diferença entre o que eu estava fazendo e o grande dragão vermelho? Deus me deu dons e talentos para espalhar o evangelho, para que eu fizesse minha parte para aumentar o alcance do evangelho e trazer mais pessoas para diante de Deus para que elas ganhassem Sua salvação. Mas eu usei esses dons e talentos como capital para me exibir e me mostrar e desfrutei do respeito e da adoração dos meus irmãos por mim. Eu era tão descarada. Visto que eu me exaltava e me exibia o tempo todo para enganar meus irmãos, eles não buscavam nem oravam a Deus quando tinham problemas, mas comungavam comigo para resolvê-los. Eu não estava tentando assumir o lugar de Deus? Eu estava resistindo a Deus! Quando refleti sobre isso, fiquei com muito medo. Voltei para diante de Deus, caí de joelhos e chorei enquanto orava: “Deus, eu errei. Eu exaltei a mim mesma e me exibi para que os outros me adorassem. Trilhei a senda irredimível de resistir a ti. Quero me arrepender”.

Depois, refleti sobre mim mesma. Eu sabia que a luz em minha comunhão era o esclarecimento do Espírito Santo, por que, então, eu ainda me exibia involuntariamente? Mais tarde, li na palavra de Deus: “Algumas pessoas particularmente idolatram Paulo. Elas gostam de sair, dar palestras e trabalhar, gostam de participar de reuniões e pregar e gostam quando as pessoas as ouvem, as veneram e giram em torno delas. Elas gostam de ter status na mente dos outros e apreciam quando os outros valorizam a imagem que apresentam. Vamos analisar sua natureza a partir desses comportamentos: qual é natureza delas? Se elas realmente se comportam assim, então é o suficiente para mostrar que são arrogantes e convencidas. Elas não adoram a Deus nem um pouco; elas buscam um status mais elevado e desejam ter autoridade sobre os outros, possuí-los e ter status na mente deles. Essa é a imagem clássica de Satanás. Os aspectos de sua natureza que se sobressaem são a arrogância e a presunção, uma relutância em adorar a Deus e um desejo de ser adorado pelos outros. Tais comportamentos podem lhe dar uma visão muito clara da natureza delas” (‘Como conhecer a natureza do homem’ em “Registros das falas de Cristo dos últimos dias”). “Quando ficam arrogantes em natureza eessência, as pessoas podem frequentemente desobedecer e resistir a Deus, não atentar às Suas palavras, gerar noções sobre Ele, fazer coisas que O traem e coisas que exaltam a si mesmas e dão testemunho de si mesmas. Você diz que não é arrogante, mas suponha que tenha recebido uma igreja e que lhe foi permitido liderá-la; suponha que Eu não tenha lidado com você e que ninguém da família de Deus tenha podado você: depois de liderá-la por um tempo, você deixaria as pessoas a seus pés e as faria submeter-se a você. E por que você faria isso? Isso seria determinado por sua natureza; não seria nada além de uma revelação natural. Você não precisa aprender isso de outros, nem eles precisam ensinar isso a você. Não precisa que outros o instruam ou encorajam a fazer isso; esse tipo de situação lhe acontece de forma natural: tudo que você faz é para fazer com que as pessoas se submetam a você, o adorem, o exaltem, o testifiquem e o ouçam em todas as coisas. Permitir que você seja líder gera essa situação naturalmente, e isso não pode ser mudado. E como essa situação vem a acontecer? Ela é determinada pela natureza arrogante do homem. A manifestação da arrogância é rebeldia e resistência a Deus. Quando são arrogantes, autoimportantes e hipócritas, as pessoas tendem a estabelecer seus reinos próprios e independentes e a fazer coisas ao bel-prazer. Também trazem os outros para suas mãos, atraem-nos para seus braços. Quando as pessoas são capazes de fazer essas coisas, isso significa que a essência de sua natureza arrogante é a de Satanás, a do arcanjo. Quando sua arrogância e sua autoimportância alcançam certo nível, elas se tornam o arcanjo e Deus deve ser deixado de lado. Se você possuir tal natureza arrogante, Deus não terá lugar em seu coração” (‘Uma natureza arrogante é a raiz da resistência do homem a Deus’ em “Registros das falas de Cristo dos últimos dias”). As palavras de Deus me mostraram que minha natureza era muito arrogante e hipócrita. Eu era igual a Paulo, que gostava de ser admirado e adorado. No início, eu só queria cumprir bem o meu dever, mas eu era controlada por minha natureza arrogante e hipócrita, então, em grupos, eu me exibia e me colocava à mostra involuntariamente. Embora soubesse que minhas palavras continham meus objetivos e intenções pessoais, eu não conseguia controlar meus desejos e ambições. Sempre queria ser admirada e elogiada. Quando criança, fui mimada com atenção pela minha família e quando cresci, fui trabalhar e me tornei uma empreendedora conhecida. Em casa e no trabalho, a última palavra era sempre minha. Para onde quer que fosse, eu recebia elogios e admiração dos outros e desfrutava da sensação de ser a estrela mais brilhante no céu e de ter o apoio de todos. Depois de crer em Deus, nunca me contentei em ser comum e desconhecida na igreja. Sempre buscava oportunidades de fazer com que os outros me admirassem. A natureza de Paulo era muito arrogante, e ele sempre queria que os outros o admirassem, então, em todos os lugares, ele se gabava do trabalho que fazia e do sofrimento que suportava. Ele nunca testificava de Cristo em suas cartas. Em vez disso, exaltava a si mesmo sob o pretexto de apoiar a igreja e, mais tarde, testificou descaradamente que vivia como Cristo. Os crentes o adoravam, o exaltavam e o usavam como referência e até viam suas palavras como palavras de Deus. Isso chegou ao ponto de que, hoje, dois mil anos depois, muitos crentes religiosos se agarram às palavras de Paulo e se recusam a aceitar a obra de Deus dos últimos dias. Paulo trouxe as pessoas para diante dele, o que ofendeu o caráter de Deus, e ele foi punido por Deus. Agora, eu também era arrogante e hipócrita e vivia segundo “O homem luta para subir; a água flui para baixo”, “Destaque-se acima da multidão” e outras ideias e pontos de vista satânicos. Eu sempre queria estar acima dos outros, me exibir e ostentar o meu talento. Isso fez com que os irmãos só ouvissem a mim quando coisas aconteciam, aceitassem o que eu dizia, pensassem em jeitos de compensar quando não faziam anotações da minha comunhão e até me gravassem, porque viam minhas palavras como mais importantes do que as de Deus. Ainda assim, eu não soube refletir sobre mim mesma. Em vez disso, mergulhei no prazer de ser admirada. Eu era tão arrogante e descarada! Eu não tinha conhecimento da minha identidade. Eu não entendia que eu era um ser criado, um humano corrompido por Satanás. Descaradamente, coloquei-me num pedestal alto. Eu queria ter um lugar no coração dos outros, que eles me ouvissem e me apoiassem. E por continuar a me exibir, eu realmente tinha um lugar no coração dos meus irmãos. Quanto mais me admiravam, mais eles se afastavam de Deus. Eu não estava competindo com Deus pelas pessoas? Lembrei-me do primeiro decreto administrativo da Era do Reino: “O homem não deveria se engrandecer nem se exaltar. Ele deveria adorar e exaltar a Deus” (‘Os dez decretos administrativos que devem ser obedecidos pelo povo escolhido de Deus na Era do Reino’ em “A Palavra manifesta em carne”). As pessoas foram criadas por Deus, portanto, devemos adorar a Deus e considerá-Lo acima de tudo, mas eu fiz com que as pessoas me admirassem e me considerassem acima de tudo. Eu não estava violando esse decreto administrativo? Naquele momento, fiquei com muito medo. Percebi a natureza séria de se exibir para fazer com que os outros me adorassem e admirassem. Se eu continuasse, certamente iria para o inferno e seria punida como Paulo! Minha doença era Deus me disciplinando. Ele estava me alertando por meio da doença de que eu tinha me desviado. Isso era a salvação de Deus para mim!

Mais tarde, lembrei-me de uma passagem da palavra de Deus: “Embora Deus diga que é o Criador e que o homem é Sua criação, o que pode soar como uma pequena diferença de categoria, a realidade é que tudo que Deus fez pela humanidade excede em muito um relacionamento dessa natureza. Deus ama a humanidade, cuida da humanidade e demonstra preocupação para com a humanidade, bem como provê constante e incessantemente à humanidade. Ele nunca acha, em Seu coração, que isso é obra adicional ou algo que merece muito crédito. E não acha que salvar a humanidade, suprindo-lhe e concedendo-lhe tudo, é fazer uma enorme contribuição para a humanidade. Ele simplesmente provê à humanidade calma e discretamente, num modo Próprio e através de Sua essência e do que Ele tem e é. Não importa quanta provisão e quanta ajuda a humanidade receba Dele, Deus nunca pensa nisso nem tenta levar crédito. Isso é determinado pela essência de Deus, e é também precisamente uma expressão verdadeira do caráter de Deus” (‘A obra de Deus, o caráter de Deus e o Próprio Deus I’ em “A Palavra manifesta em carne”). Deus é o Criador e, para salvar as pessoas da escravidão de Satanás, Deus veio encarnado para operar entre as pessoas e suportou a condenação e difamação das pessoas. Deus sacrificou tudo pela humanidade, mas nunca Se exibiu. Mesmo quando interagia com as pessoas, nunca se aproveitou de sua identidade como Deus. Em silêncio, Ele nos proveu com verdade e vida. Vi que a essência de Deus é bela e boa e que Ele é humilde e oculto, sem qualquer arrogância nem orgulho. Eu, porém, era uma pessoa corrompida por Satanás que, originalmente, não tinha nada, mas Deus me elevou com meu dever, e Ele me guiou e iluminou ao longo dos meus deveres, mas eu usei isso como capital para me exibir para onde quer que fosse, para estabelecer uma imagem altiva no coração das pessoas e ganhar sua admiração e seu apreço. Eu era descarada demais e repugnante e vil demais aos olhos de Deus. Vim para diante de Deus e orei: “Deus, eu estava errada. Desejo confessor meus pecados a Ti e me arrepender. Não quero mais me exibir. Peço que Tu me guies e me mostres uma senda para resolver meu caráter corrupto”.

Li duas passagens da palavra de Deus. “O que se deveria fazer a fim de não exaltar e testificar de si mesmo? No mesmo assunto, se você se exibir, você alcançará seu objetivo de exaltar e testificar a si mesmo e inspirar veneração aos outros — mas se você se abrir e desnudar seu verdadeiro eu, a essência é diferente. Isso se resume a detalhes, não? Por exemplo, quando você desnuda suas motivações e considerações, você deve ser capaz de diferenciar entre formulações e maneiras de se expressar que são autoconhecimento e aquelas de se exibir para que os outros o venerem, o que constitui exaltar a si mesmo e dar testemunho de si mesmo. Se você contar como você orou e buscou a verdade, dando testemunho em provações, isso é exaltar e dar testemunho de Deus. Tal prática não é, de forma alguma, exibir a si mesmo e dar testemunho de si mesmo. Se você está ou não exibindo a si mesmo ou dando testemunho de si mesmo, isso depende principalmente de se você realmente experimentou o que você diz e se o efeito do testemunho a Deus foi alcançado; portanto, também é necessário analisar quais são os seus objetivos e intenções quando você fala de suas experiências e testemunho. Todas essas coisas tornam fácil saber a diferença. Sua intenção também está envolvida quando você expõe e disseca a si mesmo. Se sua intenção é mostrar a todos como sua corrupção foi evidenciada, como você mudou e permitir que os outros se beneficiem disso, suas palavras são sinceras e verdadeiras e estão alinhadas com os fatos. Tais intenções são corretas, e você não está se exibindo nem testificando de si mesmo. Se sua intenção é mostrar a todos o que você realmente experimentou e que você mudou e possui a realidade da verdade, e assim ganha a admiração e a veneração deles, essas intenções são falsas — e também devem ser trazidas à luz. Se as experiências e o testemunho que você dá são falsos, se são emendados e pretendem enganar as pessoas, para impedir que elas vejam seu lado verdadeiro, para impedir que suas intenções, corrupção, fraquezas ou negatividade sejam reveladas aos outros, então tais palavras são enganosas e fraudulentas; isso é testemunho falso, isso é enganar a Deus, isso traz vergonha para Deus e isso é o que Deus mais odeia. Há diferenças claras entre esses estados, que se diferenciam com base na motivação” (‘Eles se exaltam e dão testemunho de si mesmos’ em “Expondo os anticristos”). “Ao dar testemunho de Deus, deveriam sobretudo falar mais de como Deus julga e castiga as pessoas, que provações Ele usa para refinar as pessoas e mudar o caráter delas. Deveriam falar também de quanta corrupção foi revelada em sua experiência, quanto suportaram e como foram finalmente conquistados por Deus; falar sobre quanto conhecimento real da obra de Deus vocês têm e de como deveriam dar testemunho de Deus e retribuir-Lhe por Seu amor. Vocês deveriam pôr substância nesse tipo de linguagem, colocando-a de uma maneira simples. Não falem sobre teorias vazias. Falem de forma mais realista; falem a partir do coração. É assim que vocês deveriam experimentar. Não se equipem com teorias vazias que pareçam profundas em um esforço para se mostrar; fazer isso faz com que pareçam bastante arrogantes e insensatos. Vocês deveriam falar mais de coisas reais a partir de sua experiência atual que são genuínas e a partir do coração; isso é mais benéfico para os outros e mais apropriado para eles verem” (‘Somente buscando a verdade pode-se alcançar uma mudança no caráter’ em “Registros das falas de Cristo dos últimos dias”). As palavras de Deus me mostraram que, se eu quisesse parar de exaltar e testificar de mim mesma, eu deveria viver com frequência na presença de Deus, possuir um coração piedoso que teme a Deus, abrir meu coração na frente dos meus irmãos, revelar e analisar minha corrupção e falar sobre minhas experiências reais. Quando quisesse me exaltar e testificar de mim mesma, eu deveria renunciar a mim mesma e corrigir minhas intenções. Deveria expor e analisar a corrupção e rebeldia em mim mesma com maior frequência e comungar sobre meu conhecimento da obra de Deus depois de experimentar Seu julgamento, castigo, provações e refinamento. Deveria falar mais a partir do coração para que meus irmãos se beneficiassem disso e vissem meu lado verdadeiro. Tendo agora uma senda de prática, desnudei minha experiência e meu entendimento desse período nas reuniões com meus irmãos e lhes disse que o pouquinho de luz na minha comunhão vem totalmente do esclarecimento do Espírito Santo e não de minha estatura real. Sem a orientação de Deus, eu não podia fazer nada. Eles também perceberam que era errado me admirar e adorar, e disseram que não admirariam mais nenhuma pessoa no futuro. Disseram que orariam a Deus e buscariam Sua orientação quando tivessem problemas para receber o esclarecimento do Espírito Santo. Mais tarde, quando estava em reuniões, às vezes, eu me deparava com problemas que não entendia, mas eu conseguia renunciar ao meu ego e buscar abertamente com meus irmãos. Depois de ouvirem isso, eles conseguiram comungar sobre seu próprio entendimento e conhecimento, às vezes, sobre coisas que eu não entendia, o que foi muito útil para mim. Eles não me adoravam mais como antes e quando descobriam um problema em mim, eles eram capazes de apontá-lo diretamente. Quando tive o desejo de me exaltar e de me exibir novamente, eu orei a Deus, aceitei a inspeção de Deus e, ao mesmo tempo, abri meu coração para os meus irmãos, os informei sobre minhas deficiências e aceitei sua supervisão. Eu me senti segura e à vontade quando pratiquei desse jeito e também provei da doçura de praticar a verdade. Quando percebi minha natureza arrogante e a senda errada que tinha seguido, eu me arrependi a Deus. Aos poucos, minha psoríase desapareceu e eu me recuperei.

Depois de experimentar a disciplina e o castigo de Deus, senti que o caráter justo de Deus é tão vívido e real, e, embora tivesse suportado algum sofrimento, a intenção de Deus era salvar-me dos meus caracteres satânicos corruptos, o que me mostrou o amor muito real de Deus. Foram o julgamento, o castigo e a disciplina de Deus que me impediram de cometer o mal e me afastaram da beira do perigo. Graças a Deus!

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