Reflexões em tempos de doença

26 de Março de 2022

Por Shiji, Estados Unidos

Tenho sido fraca e suscetível a doenças desde pequena. Minha mãe disse que eu nasci prematura e era debilitada desde que saí do ventre. Então, depois de me tornar cristã, minha saúde melhorou aos poucos. Durante sete anos, não tive de ir ao hospital nem tomar qualquer remédio. Eu estava tão grata a Deus. Então, em 2001, aceitei a obra de Deus Todo-Poderoso dos últimos dias. Eu estava entusiasmada por poder acolher o Senhor e me senti tão abençoada. Desisti do meu negócio e comecei a compartilhar o evangelho e a cumprir o meu dever. Eu tinha tanta energia para viajar em função do meu dever e dei tudo de mim. Várias vezes escapei de ser presa por um fio e confiei em Deus e nunca desisti. Também arrisquei minha segurança para oferecer apoio aos irmãos, às vezes, até ia para as montanhas, fazendo caminhadas de cinco ou seis horas. Em alguns lugares, nem conseguia encontrar um gole de água limpa, mas para mim aquilo não era uma adversidade. Sentia que, despendendo-me daquele jeito, eu ganharia a aprovação e as bênçãos de Deus.

Foi em 2015, logo após me mudar para o exterior. Comecei a me sentir cada vez pior, e, às vezes, durante a noite, suava pelo corpo todo. Estava entrando em pânico e não conseguia me concentrar. Tomei remédios chineses e fiz acupuntura, mas nada ajudou. No início, não dei muita atenção e pensei que minha saúde estava nas mãos de Deus, contanto que continuasse cumprindo bem o meu dever, Ele me vigiaria e protegeria. Mas para a minha surpresa, minha saúde continuou a piorar. Então, em julho de 2016, percebi que um lado do meu pescoço estava doendo, e, umas quatro semanas depois, a dor piorou tanto que nem consegui falar quando estava numa reunião. Estava exausta e senti frio no corpo todo. Medi a temperatura. Eu estava com 39,5 graus. Tomei um anti-inflamatório e algo para baixar a febre, mas não adiantou. Comecei a ter febre todas as noites depois disso e ficava encharcada de suor no meio da noite. Estava em tanta agonia que não conseguia fechar um olho durante toda a noite. Uma irmã me disse que eu deveria ver isso e eu disse que iria, mas eu pensei que eu ficaria bem. Eu tinha trabalhado tanto cumprindo meu dever durante todos esses anos, pensava que Deus certamente me vigiaria e protegeria, e mesmo que tivesse alguma doença, não seria algo sério. Mas algumas semanas passaram, e a febre não baixava. Perdi mais de cinco quilos e meu pescoço estava visivelmente inchado. Sentia tontura e uma fraqueza no corpo todo todos os dias, meu coração parecia vibrar, batia muito rápido, e as mãos começaram a tremer. Chegou uma hora em que eu não aguentava mais, e uma irmã me levou para a emergência no meio da noite. Lá, vários médicos se reuniram em volta da minha cama com uma expressão séria no rosto, e eu me perguntei se realmente tinha adoecido seriamente. Ele disse que seu diagnóstico preliminar era tireoidite e tirotoxicose agudas e que devia ser internada imediatamente. Disse também que havia um caroço no meu pescoço e que não podia excluir a possibilidade de se tratar de um tumor. Queriam esperar até a febre baixar para então extrair tecido para alguns exames. Na época, eu também estava com alguns sintomas de crise de tireoide, que podia ser fatal. O médico me disse sobriamente: “Se você adiar o tratamento mais uma vez desse jeito, você sabe quão sérias as consequências podem ser?”. A expressão em seu rosto era muito séria. Quando ouvi isso, fiquei sem forças e pensei: “Desisti de tudo para trabalhar para Deus e cumprir meu dever durante todos esses anos. Sofri muito por isso. Ele deveria estar me protegendo e cuidando de mim. Como poderia ter um tumor?” Durante aquele tempo, eu estava orando e buscando, e sabia, em princípio, que devia me submeter ao governo e aos arranjos de Deus, mas em meu coração ainda esperava a proteção de Deus, que Ele me livraria da doença rapidamente.

Mas ela só continuava voltando, e eu sofria surtos de febre constantes, que, às vezes, chegava aos 40 graus e eu ficava toda confusa. De noite, ficava enxarcada de suor, molhando os lençóis e o edredom. A primeira coisa que fazia todas as manhãs era tomar um banho e trocar a roupa de cama. Minhas mãos tremiam tanto que não conseguia segurar os hashis. Eu precisava ir ao hospital toda semana porque ainda estava tendo tantos surtos de febre. Mais tarde, um médico me disse, já sem esperança: “Nunca vi um caso igual ao seu”. Tudo que pôde fazer foi aumentar a dose de hormônios que estava me dando. Não havia mais nada que pudesse fazer. Mas aqueles hormônios tiveram alguns efeitos colaterais muito evidentes, como inchaço no rosto e corpo e dor nas pernas. Foi angustiante passar por tudo isso. Na época, eu não tinha mais nenhuma fé e me perguntava se realmente iria morrer. Depois de um tempo, uma líder viu como eu estava péssima e me mandou suspender meu dever de rega por um tempo, para que me concentrar em minha saúde. Eu sabia que os irmãos estavam pensando em meu bem-estar, mas aquilo foi muito difícil para mim. Pensei que, se não conseguisse nem mesmo cumprir um dever, isso significava que eu seria eliminada?

Naquela noite, tive outro surto de febre e fiquei sentada ali, olhando para o quarto vazio, sem mais ninguém ali, e de repente me senti muito sozinha e sem esperança. Pensei: “Será que realmente vou morrer aqui?”. Pensei em meu filho e em minha mãe lá em casa. Eu não sabia se voltaria a ver seus rostos antes de morrer. Era como se vivesse morta. Não podia voltar para casa, tinha perdido meu dever e me sentia como se Deus não me quisesse mais. Eu tinha desistido de tanto e sofrido tanto ao longo dos anos, como era possível que isso era tudo que eu recebia em troca? Quanto mais pensava nisso, pior me sentia, e comecei a chorar e chorar. Pensei que poderia muito bem morrer e acabar com tudo isso. Então, do nada, apareceu uma palavra na minha cabeça: Resistência! Essa palavra ficou girando na minha cabeça, sem parar, então me lembrei de algo que Deus disse: “Se uma pessoa tem uma atitude negativa em relação ao destino, isso prova que ela está resistindo a tudo que Deus arranjou para ela, que não tem uma atitude submissa” (‘O Próprio Deus, o Único III’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus injetaram vida no meu coração tão entorpecido na época. Pensei em como tinha exigido tanto de Deus desde que minha doença tinha aparecido. Sentia que Deus deveria estar me protegendo porque eu tinha abandonado meu lar e trabalho para cumprir o meu dever. Quando soube da seriedade da minha condição e que poderia até morrer, eu me senti como se tivesse perdido meu futuro e destino. Eu me arrependi de todos os anos de trabalho árduo e até quis morrer e acabar com tudo isso. Isso não era resistir a Deus o tempo todo? Onde estava minha obediência a Deus? Essa percepção foi como um despertar repentino para mim, e, finalmente, me ajoelhei diante de Deus e, em lágrimas, fiz uma oração. Eu disse: “Deus, eu estava errada! Eu não deveria Te entender errado nem reclamar e não deveria resistir a Ti. Mas estou sofrendo tanto e estou tão fraca agora. Não sei como passar por essa situação. Por favor, guia-me”. Senti como se tivesse alguma força depois da oração, então me levantei com algum esforço e abri as palavras de Deus. Essa foi a passagem que vi: “Se você sempre foi muito leal, com muito amor por Mim, mas ainda assim sofre com o tormento de doenças, pobreza e o abandono dos seus amigos e parentes, ou se você suporta qualquer outro infortúnio da vida, sua lealdade e seu amor para Comigo ainda continuarão? Se nada daquilo que você imaginou em seu coração corresponder ao que Eu fiz, como você percorrerá a sua senda futura? Se não receber nenhuma das coisas que esperava receber, você conseguirá continuar sendo Meu seguidor?” (‘Um problema muito sério: traição (2)’ em “A Palavra manifesta em carne”). Ler isso nas palavras de Deus foi muito doloroso. Pensei em todas as vezes em que tinha lido essa passagem antes e tinha jurado solenemente a Deus que eu O seguiria com firmeza até o fim e que jamais O trairia, não importava o que acontecesse. Mas quando fui confrontada com a doença, o tipo de fé que eu tive em todos esses anos foi revelado pelo que era e percebi que, durante todos os meus anos de fé, eu nunca tinha sido genuína com Deus nem tinha amor por Ele. Quando meu desejo de ganhar segurança da minha fé não foi cumprido, quando minhas esperanças de bênçãos foram destruídas, comecei a entender Deus errado e a culpa-Lo e até quis lutar contra Ele com a minha morte. Vi que tudo que eu tinha sacrificado tinha sido para mim mesma, só tinha sido para ser abençoada. Eu estava pechinchando com Deus. Eu era tão rebelde! Como ser criado, cada suspiro meu me é dado por Deus, portanto, eu deveria me submeter ao Seu governo e arranjos. Como eu tinha o direito de exigir qualquer coisa de Deus, de fazer acordos com Ele? Pensando nisso me enchi de remorso e odiei como eu era insensata e inescrupulosa.

Eu me lembrei de um hino que cantávamos muito: “Agora, não levo em consideração minhas perspectivas futuras nem estou sob o jugo da morte. Com um coração que Te ama, eu desejo buscar o caminho da vida. Todos os assuntos, todas as coisas — tudo está em Tuas mãos; meu destino está em Tuas mãos, e Tu seguras minha própria vida em Tua mão. Agora, eu busco Te amar e, independentemente de me deixares Te amar, independentemente de como Satanás interfira, eu estou determinado a Te amar. Eu mesmo estou disposto a buscar a Deus e a segui-Lo. Agora, nem se Deus quiser me abandonar, eu ainda O seguirei. Se Ele me quiser ou não, eu ainda O amarei e, no fim, devo ganhá-Lo” (‘Estou determinado a amar a Deus’ em “Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). Repetindo essas letras na cabeça, decidi em silêncio que, qualquer que fossem meu futuro e destino, sendo eu abençoada ou não, eu cumpriria meu dever e daria testemunho de Deus. Achei que mesmo com a saúde debilitada e mal conseguindo sair de casa, eu poderia cumprir um dever on-line. A partir de então, dediquei-me a compartilhar o evangelho on-line, e quando parei de pensar em meu futuro e destino e concentrei todos os meus esforços em cumprir o meu dever, fiquei em paz e tive algum êxito pregando o evangelho. Depois de um tempo, percebi que minha febre já não era mais tão alta e não precisei mais ir ao hospital com tanta frequência. Mais tarde, o médico confirmou que o que eu tinha era um nódulo na tireoide, não um tumor maligno. Precisava continuar tomando remédio e fazer exames regulares, mas eu estava muito grata a Deus.

Depois disso, tive um entendimento melhor de mim mesma, mas corrupção e adulterações estão profundamente entrincheiradas, de modo que não conseguimos mudar só porque ganhamos algum entendimento. Mais tarde, passei por mais coisas.

Dois ou três meses depois disso, recebi uma mensagem de casa, dizendo que mamãe tinha sofrido um derrame e estava de cama. Meu filho estava tentando emprestar dinheiro para o tratamento dela. Fiquei chocada quando recebi a notícia. Era inquietante. Durante toda a minha vida, minha mãe me dava um cuidado especial por causa da minha saúde frágil, mais do que aos meus irmãos. Mas agora que ela estava doente e no hospital, eu não podia ir para ficar do lado dela e cuidar dela. Eu sabia que a recuperação da minha mãe estava totalmente nas mãos de Deus e eu estava pronta para me submeter, mas ainda me agarrava àquela esperança de que, contanto que cumprisse meu dever, Deus cuidaria dela e a protegeria. Eu esperava muito que ela melhorasse e que tudo ficasse bem em casa. Mas alguns meses depois, a condição dela não só não tinha melhorado, mas estava agora totalmente paralisada no lado esquerdo e estava confusa. Parecia que não havia muita esperança de recuperação. Isso foi muito doloroso para mim. Eu ainda sofria com os meus próprios problemas de saúde. Constantemente, calafrios se apoderavam do meu corpo, e eu não suportava nenhum tipo de corrente de ar. Outros usavam ar-condicionado e esteiras de bambu para combater o calor, mas eu precisava de um edredom e minha pressão sanguínea era muito baixa, 45 por 80. Eu era anêmica, tinha hipoglicemia e minhas pernas doíam. Minha vista também deteriorou muito. Certa noite, a febre voltou. Eu estava pensando que não tinha melhorado, que precisava continuar a tomar remédios e a fazer exames, além disso, minha mãe estava péssima e não havia como saber até quando sobreviveria. Eu estava muito deprimida e não tinha nenhuma motivação em meu dever. Em minha miséria, orei a Deus, dizendo: “Deus, estou me sentindo muito fraca agora e não consigo me submeter a essa situação que Tu estabeleceste. Por favor, guia-me para que eu possa ver as coisas de acordo com Tuas palavras, para que eu não Te culpe nem Te entenda errado e possa ter algum entendimento do meu próprio estado”.

Depois disso, li isto nas palavras de Deus: “Quantos creem em Mim apenas para que Eu possa curá-los. Quantos creem em Mim apenas para que Eu possa usar Meus poderes para expulsar espíritos impuros de seu corpo e quantos creem em Mim simplesmente para que possam receber paz e alegria de Mim. Quantos creem em Mim apenas para exigir de Mim maior riqueza material. Quantos creem em Mim apenas para passar esta vida em paz e estar sãos e salvos no mundo por vir. Quantos creem em Mim para evitar o sofrimento do inferno e receber as bênçãos do céu. Quantos creem em Mim apenas em busca de conforto temporário, mas não buscam ganhar nada no mundo por vir. Quando Eu fiz descer Minha fúria sobre o homem e tomei toda a alegria e paz que ele outrora possuía, o homem se tornou duvidoso. Quando Eu dei ao homem o sofrimento do inferno e recuperei as bênçãos do céu, a vergonha do homem se transformou em raiva. Quando o homem Me pediu para curá-lo, Eu não lhe dei atenção e senti repulsa por ele; o homem apartou-se de Mim para buscar, ao contrário, a senda do curandeirismo e da feitiçaria. Quando Eu tirei tudo que o homem tinha exigido de Mim, todos desapareceram sem deixar vestígios. Assim, Eu digo que o homem tem fé em Mim porque Eu concedo graça demais e há muitíssimo mais a ganhar” (‘O que você sabe sobre a fé?’ em “A Palavra manifesta em carne”). “Os que não têm humanidade são incapazes de amar verdadeiramente a Deus. Quando o ambiente é protegido e seguro ou quando há lucros a serem feitos, eles são totalmente obedientes a Deus, mas quando o que desejam é ameaçado ou definitivamente recusado, eles imediatamente se revoltam. Podem de um dia para o outro se transformar de pessoas sorridentes e de ‘bom coração’ em assassinos repulsivos e ferozes” (‘A obra de Deus e a prática do homem’ em “A Palavra manifesta em carne”). Senti muita vergonha quando li essas palavras de Deus. Esse julgamento de Deus expôs totalmente minha motivação desprezível de buscar bênçãos em minha fé. Desde o início, eu queria saúde boa e uma família pacífica e feliz em troca pela minha fé. Quando recebia essa graça e bênção de Deus e me sentia bem era quando eu desistia de tudo para trabalhar para Deus. Mas quando fiquei doente de novo e minha mãe também estava tendo problemas com a saúde, eu reclamei de Deus e fiquei negativa e recuei. Eu nem me importava em cumprir bem o meu dever. Que tipo de crente era eu? Eu não estava apenas usando Deus para satisfazer meu desejo de bênçãos? Não estava enganando a Deus? Deus já tinha me dado tanto, e se não fosse a salvação de Deus, eu nem teria chegado até aqui. Mesmo uma pessoa incrédula, qualquer um com uma consciência sabe ser grato por um favor, mas eu tinha desfrutado da rega e do sustento de Deus durante todos esses anos sem retribuir nada, desfrutando tanto da Sua graça, mas não tinha nem um pingo de gratidão a Ele. Eu não estava abordando meu dever com sinceridade, mas estava tratando Deus como uma cornucópia de tesouros, não querendo nada Dele além de graça e bênçãos. Percebi que eu carecia da consciência e razão mais básica que uma pessoa deveria ter. Eu era egoísta, desprezível e mesquinha! Quando percebi isso, fiquei enojada comigo mesma. Eu me senti culpada e endividada e vim para diante de Deus em lágrimas para orar. Eu disse: “Deus, vi agora que tudo que investi em todos esses anos foi só para ganhar bênçãos. Eu tenho Te enganado, fazendo acordos Contigo. Isso realmente Te repugna. Peço que me guies para entender a raiz do meu impulso de buscar bênçãos para que eu possa me arrepender e mudar”.

Em minha busca, li esta passagem das palavras de Deus: “Todos os humanos corruptos vivem para si mesmos. Cada um por si e o diabo pega quem fica por último — esse é o resumo da natureza do homem. As pessoas creem em Deus por causa de si mesmas; abandonam coisas, despendem-se para Deus e são fiéis a Deus, mas ainda assim fazem todas essas coisas para si mesmas. Em suma, tudo é feito para o propósito de ganhar bênçãos para si mesmas. Na sociedade, tudo é feito pelo benefício pessoal; crer em Deus é algo que se faz apenas para ganhar bênçãos. É para ganhar bênçãos que as pessoas se desfazem de tudo e conseguem suportar muito sofrimento: tudo isso é evidência empírica da natureza corrupta do homem” (‘A diferença entre mudanças externas e mudanças no caráter’ em “As declarações de Cristo dos últimos dias”). “‘É cada um por si e o diabo pega quem fica por último’ — isso é a vida e a filosofia do homem e representa também a natureza humana. Essas palavras já se tornaram a natureza da humanidade corrupta, o retrato verdadeiro da natureza satânica da humanidade corrupta, e essa natureza satânica já se tornou a base para a existência da humanidade corrupta; durante vários milênios, a humanidade corrupta tem vivido segundo esse veneno de Satanás, até o dia atual” (‘Como trilhar a senda de Pedro’ em “As declarações de Cristo dos últimos dias”). Depois de ler isso, ganhei algum entendimento em meu coração de que a fonte da minha busca por bênçãos em minha fé era que eu tinha sido corrompida profundamente por Satanás. Eu estava vivendo segundo a lógica satânica de “cada um por si e o demônio pega quem fica por último”, de modo que tudo que eu fazia era por mim mesma. Minha fé era para o bem da minha saúde física e o bem-estar da minha família, e todos os meus sacrifícios e trabalho árduo serviam para que eu tivesse um bom destino. No momento em que minha fé não me beneficiou, quando minhas esperanças foram destruídas, eu perdi a motivação para o meu dever. Na verdade, é absolutamente normal que as pessoas desenvolvam problemas de saúde ao longo de uma vida normal. É uma lei natural. Mas eu culpei a Deus quando adoeci e até reclamei de Deus quando minha mãe ficou doente. Eu era tão insensata! Lembrei-me de Jó. Ele era reto e bondoso e nunca exigia nada de Deus. Ele acreditava que tudo tinha vindo de Deus e que devemos louvar e adorar a Deus, não importa se somos abençoados ou sofremos desastre. É por isso que, quando Satanás tentou Jó, e, de um dia para o outro, Jó perdeu seus filhos e todos os seus bens foram roubados, e depois todo seu corpo ficou coberto de chagas, ele não fez uma única queixa, mas até louvou o nome de Deus, dizendo: “Jeová deu, e Jeová tirou; bendito seja o nome de Jeová” (Jó 1:21). Por fim, ele deu testemunho e humilhou Satanás. Embora eu tivesse lido tantas das palavras de Deus, Deus ainda assim não tinha um lugar no meu coração. Minha fé era só para as minhas bênçãos, para o meu benefício. Minha humanidade era tão baixa!

Depois disso, comecei a refletir sobre as coisas enquanto lia as palavras de Deus. Qual era a vontade de Deus nesses problemas de saúde? Li algumas passagens das palavras de Deus que ajudaram. “O refinamento é o melhor meio pelo qual Deus aperfeiçoa as pessoas; só o refinamento e as provações amargas podem revelar o amor verdadeiro a Deus no coração das pessoas. Sem adversidade, as pessoas carecem do amor verdadeiro a Deus; se não forem testadas por dentro, se não forem sujeitadas verdadeiramente ao refinamento, então seu coração estará sempre flutuando do lado de fora. Tendo sido refinado até certo ponto, você verá suas fraquezas e dificuldades próprias, verá do quanto está carecendo e que é incapaz de vencer os muitos problemas que encontra, e verá como é grande a sua desobediência. Só durante as provações as pessoas são capazes de conhecer verdadeiramente o seu estado real; as provações tornam as pessoas mais capazes de ser aperfeiçoadas” (‘Só ao experimentar o refinamento o homem pode possuir o amor verdadeiro’ em “A Palavra manifesta em carne”). “Se tudo que você busca é ser aperfeiçoado por Deus e ser abençoado no fim, então a perspectiva de sua fé em Deus não é pura. Você deveria estar buscando como ver os feitos de Deus na vida real, como satisfazê-Lo quando Ele lhe revelar Sua vontade, buscando como você deve dar testemunho de Sua sabedoria e maravilha, e como dar testemunho de como Ele disciplina e lida com você. Tudo isso são coisas que você deveria estar ponderando. Se seu amor por Deus é apenas para poder compartilhar de Sua glória depois que Ele o aperfeiçoar, então esse amor ainda é inadequado e não pode satisfazer os requisitos de Deus. Você precisa ser capaz de dar testemunho da obra de Deus, satisfazer Suas exigências e experimentar a obra que Ele tem feito nas pessoas de maneira prática. Seja dor, lágrimas ou tristeza, você deve experimentar todas essas coisas na sua prática. Elas têm o propósito de aperfeiçoá-lo como alguém que dá testemunho de Deus. O que exatamente o obriga a sofrer e buscar perfeição? O seu sofrimento presente é realmente em prol de amar a Deus e dar testemunho Dele? Ou é pelo bem das bênçãos da carne, de suas perspectivas e destino futuros? Todas as suas intenções, motivações e objetivos que você busca devem ser retificados e não podem ser guiados pela própria vontade” (‘Aqueles que hão de ser aperfeiçoados devem passar pelo refinamento’ em “A Palavra manifesta em carne”). Depois de ler essas duas passagens das palavras de Deus, senti que tinha ganho alguma percepção. Vi que a vontade de Deus por trás da minha doença era revelar a corrupção e adulteração da minha fé, era me purificar e limpar. Se não fosse por isso, eu nunca teria percebido meu impulso repugnante de buscar bênçãos e não teria reconhecido que todo o meu trabalho servia para conduzir uma transação descarada com Deus. Ter fé e cumprir meu dever desse jeito era enganar a Deus e resistir a Ele. Eu sabia que, se eu não me arrependesse e mudasse, eu seria eliminada por Deus. Então entendi que minha doença era, na verdade, o amor e a salvação de Deus para mim e que eu deveria usar essa situação para refletir e conhecer a mim mesma, para buscar a verdade para resolver meu caráter corrupto. Depois de entender a vontade de Deus, jurei a Ele que, independentemente de minha mãe e eu melhorarmos ou não, eu estava pronta para me submeter, para deixar de lado meus desejos e exigências e para de buscar bênçãos. Depois disso, comecei a me dedicar ao meu dever de compartilhar o evangelho. Quando fui ao hospital para um exame alguns meses depois, o médico disse que os valores do meu sangue pareciam normais e que o ultrassom mostrava que meu nódulo tireoide tinha desaparecido. Também disse que eu poderia parar de tomar os remédios. Eu sabia que isso era totalmente a proteção de Deus e fiquei tão grata a Ele. Eu só queria cumprir bem o meu dever para compensar a dívida que eu tinha com Deus.

Minha saúde permaneceu ótima por mais de três anos, e o meu problema na tireoide não retornou. Mas em fevereiro deste ano, senti alguma dor no meu pescoço e quando olhei no espelho, vi que havia um inchaço visível ali. Naquela noite doeu tanto que fiquei me revirando na cama, incapaz de dormir, e quando me levantei e tomei água na manhã seguinte, minhas mãos tremiam quando segurei o copo. Eu senti muito medo — eram os mesmos sintomas de antes. Eu não tive certeza na época, então conversei com um terapeuta de medicina chinesa sobre meus sintomas, que disse que era meu problema na tireoide. Fiquei muito preocupada, pois havia muitas pessoas on-line que estavam investigando a obra de Deus Todo-Poderoso, e eu estava muito ocupada dando testemunho e, às vezes, tinha várias reuniões num único dia. Pensei que, se eu continuasse cumprindo meu dever desse jeito, eu poderia me esgotar e voltar a ter aquela febre, e então o que eu faria se meu estado piorasse? E com a situação do coronavírus tão ruim no momento, se eu adoecesse e tivesse de ser internada, além de não saber se meu tratamento da tireoide seria bem-sucedido, eu poderia até pegar COVID. Naquele dia, após comungar com uma irmã por apenas uma hora, meu corpo simplesmente não aguentou. Meu pescoço estava doendo, e todo meu corpo tremia, Além disso senti que não estava recebendo bastante oxigênio, e meu cérebro estava confuso. Perguntei-me se eu deveria tirar uma folga de alguns dias e voltar a cumprir o meu dever depois de melhorar. Mas então pensei em todos os obreiros em outras igrejas cristãs com os quais compartilharia testemunho no dia seguinte. Era tarde demais para encontrar outra pessoa tão rapidamente, assim, se eu não fosse, isso não atrasaria sua investigação do caminho verdadeiro? Naquela noite, meu pescoço estava inchado e doído, e não consegui fechar um olho naquela noite. Mas pensei em toda a obra que Deus tinha feito em mim, e que, quando adoeci, eu só pensava em mim — eu me senti muito mal. Eu me ajoelhei diante de Deus para orar, dizendo: “Deus, Tua boa vontade está por trás da volta da minha doença. Por favor, esclarece-me e guia-me para que eu possa entender a Tua vontade. Acredito que minha vida está em Tuas mãos, e não importa o que aconteça com minha saúde, estou disposta a me submeter ao Teu governo e arranjos”. Depois da oração, esta passagem das palavras de Deus me veio à mente: “Se, em sua fé em Deus e em sua busca da verdade, você é capaz de dizer: ‘Não importa que doença ou evento desagradável Deus permita sobrevir-me — não importa o que Deus faça —, devo obedecer e continuar no meu lugar como um ser criado. Antes de mais nada, devo colocar em prática esse aspecto — a obediência —, eu o implemento e vivo a realidade de obediência a Deus. Ademais, não devo descartar a comissão de Deus para mim e o dever que devo cumprir. Devo cumprir o meu dever até meu último suspiro’. Isso não é dar testemunho? Quando tem esse tipo de determinação e esse tipo de estado, você ainda é capaz de se queixar de Deus? Não, não é” (‘A senda vem de ponderar com frequência sobre a verdade’ em “As declarações de Cristo dos últimos dias”). Essas palavras de Deus me ajudaram a entender que meu dever era a comissão de Deus, que era minha responsabilidade e que era correto e certo executá-la. Não importava o que acontecesse, mesmo que fosse meu último suspiro, eu devia cumprir o meu dever. Então me firmei e arrisquei tudo. Mesmo se minha condição piorasse depois de compartilhar meu testemunho no dia seguinte, mesmo se eu fosse internada, eu cumpriria o meu dever. Ganhei um senso de paz depois de começar a pensar sobre isso desse jeito. No dia seguinte, eu estava pronta na frente do meu computador bem antes da hora marcada. Fiquei surpresa ao descobrir que, durante as várias reuniões daquele dia, minha mente permaneceu clara e que eu me sentia mais esclarecida quanto mais falava. Falei durante o dia inteiro e não senti nenhuma dor no meu pescoço. Desde então, meu pescoço não inchou nem doeu mais. Vendo mais uma vez a proteção de Deus, fiquei tão grata a Deus e pensei que, independentemente de o problema voltar ou não, eu estava pronta para me submeter e passar por isso.

Eu pude sentir o amor de Deus naquela experiência. Embora tivesse sofrido com minha doença, ela abriu meus olhos para a minha motivação de ser abençoada e para minha corrupção e adulteração na minha fé. As palavras de Deus transformaram minha perspectiva equivocada sobre a busca e me ajudaram a ganhar alguma submissão a Deus. E mais, ela permitiu que eu visse a autoridade e proteção de Deus e me deu mais fé Nele. Tudo isso era o amor verdadeiro de Deus e Sua salvação para mim.

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