O amor de Deus esteve comigo na prisão sombria do diabo

17 de Outubro de 2019

Por Yang Yi, Província de Jiangsu

Sou cristã da Igreja de Deus Todo-Poderoso e seguidora de Deus Todo-Poderoso há mais de dez anos. Durante esse tempo, uma coisa que nunca vou esquecer é a aflição terrível de quando fui presa pela polícia do Partido Comunista Chinês (PCC) dez anos atrás. Naquela época, apesar de ser torturada e pisoteada por demônios malignos e chegar perto da morte várias vezes, Deus Todo-Poderoso usou Sua mão poderosa para me guiar e me proteger, para me trazer de volta à vida e à segurança… Com isso, experimentei verdadeiramente a transcendência e a grandeza da força vital de Deus e ganhei a riqueza preciosa da vida que me foi conferida por Deus.

Era 23 de janeiro de 2004 (o segundo dia do ano novo chinês). Eu precisava sair para visitar uma irmã da igreja que estava com problemas e precisava de ajuda urgente. Como ela morava muito longe, eu tive de acordar cedo para pegar um táxi e poder voltar no mesmo dia. Saí de casa quando estava clareando. Não tinha quase ninguém nas ruas, só os trabalhadores que recolhiam o lixo. Procurei um táxi ansiosamente, mas não havia nenhum. Fui até um ponto de táxi para esperar e acenei do meio-fio quando vi um carro vindo — mas acabou que era um veículo da Agência de Proteção Ambiental. Perguntaram por que eu tinha acenado para eles. “Me desculpem, foi um engano, pensei que fosse um táxi”, eu disse. “Achamos que você estava afixando cartazes ilegais”, eles responderam. “Vocês me viram fazendo isso? Onde estão os cartazes que eu estava afixando?”, eu disse. Sem me darem chance de defesa, os três se adiantaram e revistaram minha sacola à força. Vasculharam tudo na minha sacola — uma cópia de um sermão, um bloco de anotações, carteira, celular, um pager que eu nem usava mais etc. Depois, olharam melhor a cópia do sermão e o bloco de anotações. Vendo que não havia cartazes na minha sacola, eles ergueram a cópia do sermão e disseram: “Você pode não estar afixando cartazes ilegais, mas acredita em Deus Todo-Poderoso”. Em seguida, ligaram para a Divisão de Religião da Brigada de Segurança Nacional. Logo depois, chegaram quatro pessoas da Brigada de Segurança Nacional. Assim que viram as coisas na minha sacola, souberam que eu era uma crente em Deus Todo-Poderoso. Sem me deixar dizer nada, me enfiaram no veículo deles e trancaram a porta para impedir que eu fugisse.

Quando chegamos à Secretaria de Segurança Pública, os policiais me conduziram a uma sala. Um deles fuçou no meu pager e no celular, procurando pistas. Ele ligou o telefone, mas este indicava bateria fraca e então a bateria descarregou completamente. Por mais que tentasse, não conseguiu ligá-lo. Segurando o telefone, ele parecia preocupado. Também fiquei surpresa — acabara de carregar o telefone naquela manhã. Como podia estar sem energia? De repente, entendi que Deus havia providenciado aquilo milagrosamente para impedir que a polícia descobrisse quaisquer informações sobre outros irmãos e irmãs. Também entendi as palavras ditas por Deus: “Todas e cada uma das coisas, vivas ou mortas, vão se transformar, mudar, se renovar e desaparecer de acordo com os pensamentos de Deus. Tal é a maneira pela qual Deus preside sobre todas as coisas” (de ‘Deus é a fonte da vida do homem’ em “A Palavra manifesta em carne”). É verdade, todas as coisas e todos os acontecimentos estão nas mãos de Deus. Vivas ou mortas, todas as coisas passam por mudanças segundo os pensamentos de Deus. Nesse momento, ganhei um entendimento verdadeiro de como Deus detém a soberania sobre todas as coisas e as orquestra. Além disso, ganhei a confiança necessária para contar com Deus e enfrentar o interrogatório que viria. Apontando para as coisas na sacola, o policial perguntou em tom de acusação: “Essas coisas mostram claramente que você não é um membro qualquer da igreja. Você deve ser um dos líderes seniores, alguém importante, pois os líderes juniores não têm pager nem celular. Estou certo?”. “Não entendo o que você está dizendo”, respondi. “Você está fingindo que não entende!”, ele gritou, depois mandou que eu me agachasse e começasse a falar. Vendo que eu não ia colaborar, eles me cercaram e começaram a me socar e chutar — como se quisessem me matar. Com o rosto ensanguentado e inchado, com uma dor insuportável no corpo todo, desabei no chão. Eu estava enfurecida. Queria argumentar com eles, discutir o meu caso: o que fiz de errado? Por que me bateram assim? Mas não tinha como falar sensatamente com eles, porque o governo do PCC não fala com sensatez. Estava confusa, mas não queria ceder diante da surra deles. Justamente quando me sentia perdida, de repente pensei, já que aqueles policiais malignos do governo do PCC estavam sendo tão absurdos, já que não estavam me deixando argumentar racionalmente, eu não precisava dizer nada a eles. Era melhor ficar em silêncio — desse modo, eu não seria útil para eles. Quando pensei nisso, parei de prestar atenção ao que estavam dizendo.

Vendo que aquela abordagem não funcionava comigo, os policiais malignos se enfureceram e se tornaram ainda mais bárbaros: recorreram à tortura para extrair uma confissão. Eles me algemaram em uma cadeira de metal aparafusada ao chão em tal posição que eu não conseguia nem me agachar nem ficar de pé. Um deles colocou minha mão sem algema na cadeira e bateu nela com um sapato, parando só quando o dorso da minha mão ficou preto-azulado, enquanto outro pisava nos meus pés com seus sapatos de couro, girando-os sobre os meus dedos para esmagá-los, quando então senti uma dor aguda e inacreditável que foi direto até meu coração. Depois disso, seis ou sete policiais se revezaram. Um deles se concentrou nas minhas articulações e as comprimiu com tanta força que um mês depois eu ainda não conseguia dobrar o braço. Outro agarrou meu cabelo e balançou minha cabeça de um lado para o outro, depois a puxou para trás de modo que eu ficasse olhando para cima. “Olhe para o céu e veja se existe um Deus!”, disse ele brutalmente. Eles continuaram até o anoitecer. Vendo que não arrancariam nada de mim e como era o ano novo chinês, me enviaram diretamente para a casa de detenção.

Quando cheguei à casa de detenção, um guarda ordenou que uma prisioneira tirasse todas as minhas roupas e as jogasse na lata do lixo. Depois, me fizeram vestir um uniforme da prisão sujo e fedido. Os guardas me colocaram em uma cela e então mentiram para as outras presas, dizendo: “Ela fez de tudo para acabar com a família das pessoas. Muitas famílias foram arruinadas por ela. Ela é uma mentirosa, engana pessoas honestas e perturba a ordem pública…”. “Por que ela parece uma boba?”, perguntou uma das prisioneiras. Ao que os guardas responderam: “Ela está fingindo para não ser condenada. Nenhuma de vocês teria sido suficientemente esperta para pensar em agir assim. Quem pensa que ela é uma tola é a maior idiota de todas”. Assim, enganadas pelos guardas, todas as outras presas disseram que eu estava ficando impune muito fácil e que a única coisa boa para alguém tão ruim quanto eu era o pelotão de fuzilamento! Ouvir isso me enfureceu — mas não havia nada que eu pudesse fazer. Minhas tentativas de resistir tinham sido inúteis, trouxeram só mais tortura e selvageria. Na casa de detenção, os guardas faziam as presas recitar as regras todo dia: “Confesse seus crimes e submeta-se à lei. Não é permitido incitar as pessoas a cometer crimes. Não é permitido formar gangues. Não é permitido lutar. Não é permitido ameaçar ou insultar as outras. Não é permitido fazer acusações falsas contra outras. Não é permitido pegar alimentos ou objetos de outras. Não é permitido divertir-se à custa de outras. As intimidações na prisão serão reprimidas. Qualquer violação das regras deve ser relatada imediatamente aos agentes ou inspetores penitenciários. Você não deve esconder os fatos nem tentar proteger as presas que violarem os regulamentos, e as regras da prisão devem ser implementadas de maneira humana…”. Na realidade, os guardas incentivavam as outras presas a me atormentar, permitindo que se divertissem comigo todos os dias: quando fazia 8 ou 9 graus abaixo de zero, elas molhavam meus sapatos; escondidas, jogavam água na minha comida; à noite, quando eu estava dormindo, encharcavam minha jaqueta acolchoada de algodão; me faziam dormir ao lado do banheiro e muitas vezes tiravam minha colcha à noite e puxavam meu cabelo para não me deixar dormir; roubavam meus pães cozidos a vapor; me obrigavam a limpar o banheiro e enfiavam os remédios que sobravam na minha garganta, não me deixavam fazer as minhas necessidades… Se eu não fizesse o que dissessem, elas se uniam em bando e me batiam — e em muitas dessas ocasiões os agentes ou inspetores penitenciários saíam rápido de vista ou fingiam não ter visto nada; às vezes até se escondiam por perto e observavam. Se as presas passassem alguns dias sem me atormentar, os agentes ou inspetores penitenciários perguntavam a elas: “Essa cadela estúpida ficou mais esperta nos últimos dias, não? Enquanto isso, vocês ficaram de miolo mole. Quem trouxer essa cadela estúpida ao pé terá sua sentença reduzida”. O tormento brutal dos guardas me encheu de ódio por eles. Se eu não tivesse testemunhado isso com os próprios olhos e experimentado pessoalmente, nunca acreditaria que o governo do PCC, que era para ser cheio de benevolência e moralidade, pudesse ser tão sombrio, temeroso e horrendo — eu nunca teria visto sua face verdadeira, uma face enganosa e dúplice. Toda essa conversa sobre “servir o povo, criar uma sociedade civilizada e harmoniosa” — essas são as mentiras engendradas para enganar e ludibriar o povo, são um meio, uma fraude, de embelezar-se e ganhar elogios que não merece. Naquele momento, pensei nas palavras de Deus: “Portanto, não é de surpreender que Deus encarnado continue completamente escondido: em uma sociedade obscura como essa, onde os demônios são impiedosos e desumanos, como o rei dos diabos, que mata pessoas em um piscar de olhos, poderia tolerar a existência de um Deus que é amável, bondoso e também santo? Como poderia aplaudir e comemorar a chegada de Deus? Lacaios! Retribuem bondade com ódio, há muito desdenham de Deus, abusam de Deus, são selvagens ao extremo, não têm a menor consideração por Deus, saqueiam e pilham, perderam toda a consciência, não têm nem um resquício de bondade e tentam os inocentes à insensatez. Ancestrais dos antigos? Líderes adorados? Todos eles se opõem a Deus! Sua interferência deixou tudo sob o céu em estado de escuridão e caos! Liberdade religiosa? Direitos e interesses legítimos dos cidadãos? São todos truques para encobrir o pecado!” (de ‘Obra e entrada (8)’ em “A Palavra manifesta em carne”). Comparando as palavras de Deus com a realidade, vi a substância demoníaca obscura e maligna do governo do PCC com perfeita clareza. Para sustentar seu governo sombrio, ele mantém mão firme sobre seu povo e não para diante de nada para iludi-lo e enganá-lo. Aparentemente, ele pretende oferecer liberdade religiosa — mas, em segredo, prende, oprime, persegue e assassina pessoas do país todo que acreditam em Deus. Ele até tenta executar todas elas. Como o diabo é maligno, brutal e reacionário! Onde está a liberdade? Onde estão os direitos humanos? Todos esses artifícios não servem para enganar as pessoas? As pessoas podem vislumbrar alguma esperança ou luz vivendo sob seu controle sombrio? Como elas podem ser livres para acreditar em Deus e buscar a verdade? Só então reconheci que Deus permitira que essa perseguição e tribulação me acometessem, que Ele usara isso para me mostrar a depravação e a brutalidade do governo do PCC, para me mostrar sua substância demoníaca, que é inimiga da verdade e hostil à Deus, para me mostrar que a polícia do povo, a qual o governo promove e elogia vigorosamente por punir o mal, defender o bem e promover a justiça, é a cúmplice e a assecla que ele nutriu meticulosamente, um bando de executores que têm o rosto de homens, mas o coração de bestas, e que mataria alguém sem piscar um olho. Para me obrigar a rejeitar e trair Deus e me render ao seu poder despótico, o governo do PCC não parou diante de nada nada para me torturar e me devastar — mas mal sabia ele que, quanto mais me torturava, mais claramente eu via sua face diabólica, mais o desprezava e o rejeitava das profundezas do meu coração, fazendo-me ansiar verdadeiramente por Deus e confiar em Deus. Além do mais, foi precisamente por causa da tortura dos guardas que, sem perceber, passei a entender o que de fato significa amar o que Deus ama e odiar o que Deus odeia, o que significa dar as costas para Satanás e voltar o coração para Deus, o que é ser bárbaro, o que são as forças das trevas e, além disso, o que é ser malicioso e insidioso, falso e enganoso. Fiquei grata a Deus por me deixar experimentar esse ambiente, por me permitir distinguir o certo do errado e, mais ainda, determinar a senda certa da vida a tomar. Meu coração — que fora tapeado por Satanás por tanto tempo — finalmente foi desperto pelo amor de Deus. Senti que havia um grande significado em eu ter a sorte de experimentar essa tribulação e provação, que de fato me fizeram um favor especial.

Após tentar de tudo, a polícia maligna inventou outro plano: encontraram uma judas que havia entregue a minha igreja. Ela disse que eu acreditava no Deus Todo-Poderoso e também tentou me fazer dar as costas a Deus. Vendo essa serva maligna que denunciara muitos irmãos e irmãs que espalhavam o evangelho e ouvindo todas as palavras perversas que sua boca despejava — palavras que difamavam, caluniavam e blasfemavam contra Deus — meu coração se encheu de fúria. Eu queria gritar com ela, perguntar por que era tão inescrupulosamente hostil a Deus. Por que ela desfrutou tanto da graça de Deus, mas uniu forças com demônios malignos para perseguir os escolhidos de Deus? No meu coração, havia uma tristeza e uma dor indescritíveis. Também experimentei um sentimento forte de remorso e endividamento; eu me odiava verdadeiramente por, no passado, não ter tentado buscar a verdade e nunca ter conhecido nada além do deleite da graça e das bênçãos de Deus como uma criança ingênua, sem pensar na dor e na humilhação que Deus tinha suportado para o bem da nossa salvação. Só agora, quando eu estava no fundo dessa cova de demônios, senti como era difícil para Deus operar neste país sujo e corrupto, como era grande a dor que Ele havia sofrido! É verdade, o amor de Deus pelo homem carrega muita dor. Ele faz a obra de salvar a humanidade enquanto suporta a traição do homem. A traição do homem não Lhe trouxe nada além de dor e mágoa. Não admira que Deus disse uma vez: “Podem de um dia para o outro se transformar de pessoas sorridentes e de ‘bom coração’ em assassinos repulsivos e ferozes, que subitamente tratam o benfeitor de ontem como inimigo mortal, sem mais nem menos” (de ‘A obra de Deus e a prática do homem’ em “A Palavra manifesta em carne”). Hoje, embora tivesse caído nas garras do diabo, eu não trairia a Deus, acontecesse o que fosse. Seja qual fosse a adversidade que sofreria, eu não seria uma judas para salvar a própria pele e não causaria dor e pesar a Deus. Como resultado de eu ser traída por aquela judas, a polícia maligna intensificou a tortura. Ela, enquanto isso, ficou de lado e disse: “Você não distingue o bem do mal. Você merece isso! Você não reconhece a minha bondade. Você merece ser torturada até a morte!”. Ouvir essas palavras cruéis e maldosas me enfureceu — mas também senti uma inexplicável sensação de tristeza. Eu queria chorar, mas sabia que não devia; não queria deixar Satanás ver minha fraqueza. Em meu coração, orei em segredo: “Ó Deus! Desejo que Tu ganhes meu coração. Apesar de não poder fazer nada por Ti no momento, desejo dar um testemunho vitorioso de Ti diante de Satanás e dessa pessoa perversa, envergonhando-os completamente, e com isso trazendo conforto ao Teu coração. Ó Deus! Que Tu protejas meu coração e me faças mais forte. Se tenho lágrimas, que elas fluam para dentro — não posso deixá-los ver minhas lágrimas. Eu devia estar feliz porque entendo a verdade, pois Tu sopraste a poeira dos meus olhos, dando-me a capacidade de diferenciar e ver claramente a natureza e a substância de Satanás, que se opõe a Ti e Te trai. No meio do refinamento, também vi como Tua mão sábia arranja tudo. Desejo confiar em Ti para enfrentar o interrogatório a seguir e derrotar Satanás, para que Tu possas ser glorificado em mim”. Depois de orar, houve força em meu coração para não descansar até que tivesse completado meu testemunho de Deus. Eu sabia que isso fora dado a mim por Deus, que Deus me dera grande proteção e me movia grandemente. A polícia maligna queria usar aquela mulher perversa para me fazer trair a Deus, mas Deus é um Deus sábio e empregou essa mulher perversa como um contraste para me mostrar a natureza rebelde da humanidade corrupta, estimulando assim a minha resolução e fé para satisfazer a Deus. Além disso, eu tinha certo conhecimento da obra sábia de Deus e vi que Deus governa e maneja tudo que existe a serviço do aperfeiçoamento do povo de Deus. Esse é o fato incontestável de Deus usando a sabedoria para derrotar Satanás.

Vendo que não iam conseguir que eu dissesse algo que queriam, eles não pouparam despesas — seja em termos de força de trabalho ou em recursos materiais e financeiros —, fazendo de tudo em busca de provas de que eu era uma crente em Deus. Três meses depois, todas as investidas resultaram em nada. No fim, jogaram sua carta-trunfo: encontraram um interrogador especialista. Disseram que todos que eram levados a ele eram sujeitos a suas três formas de tortura e ninguém jamais deixara de confessar. Um dia, quatro policiais chegaram e me disseram: “Hoje estamos levando você para um novo lar”. Em seguida, me empurraram para uma van de transporte de presos, algemaram minhas mãos nas costas e puseram um capuz na minha cabeça. A situação me fez pensar que estavam me levando para me executar às escondidas. Em meu coração, não pude deixar de entrar em pânico. Mas depois pensei no hino que eu costumava cantar quando acreditara em Jesus: “Desde os primórdios da igreja, aqueles que seguem o Senhor tiveram de pagar um preço alto. Dezenas de milhares de parentes espirituais se sacrificaram pelo evangelho e, assim, ganharam a vida eterna. Seja um mártir pelo Senhor, seja um mártir pelo Senhor, estou preparado para ser um mártir pelo Senhor”. Naquele dia, finalmente entendi o verso nesse hino: aqueles que seguem o Senhor precisam pagar um preço alto. Eu também estava preparada para morrer por Deus. Para minha surpresa, depois de entrar na van, sem querer, ouvi uma conversa entre os policiais malignos. Parecia que estavam me levando a outro lugar para ser interrogada. Ah! Eles não estavam me levando para ser executada — e eu estava me preparando para morrer como mártir por Deus! Enquanto pensava nisso, por algum motivo desconhecido, um dos policiais apertou os cordões do capuz na minha cabeça. Logo depois, comecei a me sentir incomodada — parecia que estava sendo sufocada. Fiquei me perguntando se eles realmente iam me torturar até a morte. Naquele momento, pensei em como os discípulos de Jesus tinham se sacrificado para espalhar o evangelho. Eu não ia ser covarde. Mesmo que morresse, eu não imploraria para que o afrouxassem, muito menos admitiria a derrota. Mas não consegui me controlar: desmaiei e caí em cima deles. Vendo o que estava acontecendo, a polícia rapidamente afrouxou o capuz. Comecei a espumar pela boca e depois não consegui parar de vomitar. Parecia que eu ia vomitar todas as entranhas. Fiquei zonza, a cabeça vazia, e não conseguia abrir os olhos. Não tinha força em nenhuma parte do meu corpo, como se eu estivesse paralisada. Parecia que havia algo viscoso na minha boca que eu não conseguia tirar. Sempre fui frágil e, depois de ser abusada assim, senti que estava em apuros e que poderia parar de respirar a qualquer momento. Em meio à dor, orei a Deus: “Ó Deus! Não importa se eu viva ou morra, estou disposta a obedecer a Ti. Confio que tudo que fazes é justo e peço que protejas meu coração, de modo que eu possa me submeter a tudo que Tu orquestrar e arranjar”. Algum tempo depois, a van chegou a um hotel. Naquela hora, meu corpo inteiro estava fraco e eu não conseguia abrir os olhos. Eles me carregaram para uma sala fechada. Tudo que eu conseguia ouvir era o som de muitos asseclas do governo do PCC parados ao redor falando sobre mim, dizendo que me ver era ver como Liu Hulan tinha sido. “Que surpreendente, que impressionante!”, eles disseram. “Ela é ainda mais durona que Liu Hulan!” Ouvindo isso, meu coração disparou de emoção. Vi que, me apoiando na fé e confiando em Deus, definitivamente haveria vitória sobre Satanás, que Satanás estava sob os pés de Deus! Agradeci e louvei a Deus. Nesse momento, esqueci a dor. Senti-me tremendamente gratificada por estar glorificando a Deus.

Logo depois, chegou o “especialista em interrogatórios” de que a polícia havia falado. Assim que entrou, ele gritou: “Onde está aquela cadela estúpida? Deixe-me dar uma olhada!”. Ele se colocou à minha frente e me agarrou. Depois de me esbofetear dezenas de vezes, me deu vários socos firmes no peito e nas costas, depois tirou um de seus sapatos de couro e bateu no meu rosto com ele. Depois de ser espancada por ele desse jeito, perdi a sensação de que havia algo que eu não conseguia tirar da boca ou do estômago. Não me sentia mais tão zonza e conseguia abrir os olhos. A sensibilidade foi voltando aos poucos nos meus braços e pernas e meu corpo começou a recuperar a força. Depois, ele me agarrou pelos ombros e me empurrou contra a parede, mandando que olhasse para ele e respondesse às suas perguntas. Vendo que eu não estava prestando atenção, ele se enfureceu e tentou conseguir uma reação minha caluniando e difamando a Deus, blasfemando contra Deus. Usou os meios mais vis e desprezíveis para me enredar e disse de modo ameaçador: “Estou atormentando você de propósito com o que é insuportável para sua carne e alma, para fazer você sofrer a dor que nenhuma pessoa normal conseguiria sofrer — você vai desejar ter morrido. No fim, vai implorar para deixá-la ir, e é aí que você vai falar com sensatez e dizer que seu destino não está nas mãos de Deus — está nas minhas. Se eu quiser que você morra, isso acontecerá na mesma hora. Se quiser que viva, você viverá, e qualquer dor que eu quiser que você sofra, é isso que você sofrerá. Seu Deus Todo-Poderoso não pode salvá-la — você só viverá se implorar para ser salva por nós”. Confrontada com esses criminosos desprezíveis, desavergonhados e vis, esses animais selvagens, esses demônios malignos, eu realmente quis lutar contra eles. “Todas as coisas no céu e na terra são criadas por Deus e controladas por Ele”, pensei. “Meu destino também está sujeito à soberania e aos arranjos de Deus. Deus é o Árbitro da vida e da morte; você acha que vou morrer só porque você quer que eu morra?” Naquele momento, meu coração se encheu de fúria. Senti que não conseguiria contê-la; eu queria gritar, lutar, declarar para eles: “Um humano nunca imploraria pela misericórdia de um cão!”. Acreditava que aquilo era eu desenvolvendo meu senso de justiça — mas, para minha surpresa, quanto mais pensava desse jeito, mais sombria eu me tornava por dentro. Vi-me sem palavras de oração, incapaz de pensar em um hino qualquer. Meus pensamentos ficaram nublados, eu não sabia o que fazer, e naquele momento comecei a sentir um pouco de medo. Rapidamente me acalmei diante de Deus. Refleti sobre mim mesma e tentei me conhecer, e naquele momento as palavras de julgamento de Deus vieram até mim: “Aquilo que você admira não é a humildade de Cristo, […] Você não ama a amorosidade ou a sabedoria de Cristo” (de ‘Você é um verdadeiro crente em Deus?’ em “A Palavra manifesta em carne”). Sim — eu vira Cristo como insignificante demais e admirei o poder e a influência, não a humildade de Cristo, muito menos admirei a sabedoria da obra oculta de Deus. Deus usa Sua sabedoria para derrotar Satanás, Ele usa Sua humildade e ocultação para revelar a verdadeira face de Satanás e para reunir provas a fim de punir os perversos. Assim também todos os atos desprezíveis que os policiais haviam cometido contra mim e todas as blasfêmias e coisas que resistem a Deus que eles disseram hoje expuseram claramente a substância demoníaca deles como inimigos da verdade e antagonistas de Deus, e essa seria a prova necessária para garantir a condenação, punição e destruição por Deus. Mas não consegui ver a sabedoria e a humildade de Cristo e, pensando que “uma pessoa gentil está sujeita a ser intimidada, exatamente como um cavalo manso é montado com frequência”, não fiquei contente em ser humilhada e oprimida. Até acreditei que lutar fosse a coisa mais justa, digna e corajosa que eu podia fazer. Mal sabia eu que Satanás queria me incitar a lutar contra eles, me obrigando a reconhecer o fato da minha crença em Deus a fim de me condenar. Se realmente os combatesse com uma coragem de momento, eu não teria sido vítima de seus esquemas enganosos? Fiquei verdadeiramente grata a Deus por Seu castigo e julgamento oportunos, que me deram proteção em meio à minha rebeldia, de modo que discerni os esquemas enganosos de Satanás, reconheci o veneno de Satanás dentro de mim e ganhei um pouco de conhecimento sobre o que Deus é e sobre a humilde e oculta essência da vida de Deus. Pensei em como Cristo encarou o fato de ser perseguido, caçado e morto pelo diabo do PCC e em como toda a humanidade O julgou, O condenou, O difamou e O abandonou. O tempo todo, Ele suportou tudo isso em silêncio, aguentando toda essa dor para realizar Sua obra de salvação, sem nunca reclamar. Vi como é benévolo, belo e honroso o caráter de Deus! Nesse meio tempo, eu — uma pessoa imunda e corrupta — quis usar uma coragem momentânea para sustentar a minha suposta dignidade, para lutar por justiça própria com base na minha vontade própria quando perseguida pelos demônios malignos. Onde estava o senso de justiça nisso? E onde estava a força de caráter e dignidade? Nisso, eu não estava mostrando a minha face feia e satânica? Não estava revelando a minha natureza arrogante? Pensando nisso, meu coração ficou cheio de remorso. Decidi imitar Cristo. Tornei-me disposta a me submeter a esse ambiente e a tentar fazer o melhor para cooperar com Deus, sem dar chance para Satanás.

Meu coração se acalmou e esperei em silêncio a rodada seguinte dessa batalha com os demônios. Minha recusa em confessar custou muito prestígio ao suposto especialista. Ele torceu furiosamente um dos meus braços atrás das costas e puxou o outro para trás do meu ombro, depois algemou com força as minhas mãos. Após menos de meia hora, grandes gotas de suor escorriam pelo meu rosto e nos olhos, impedindo-me de abri-los. Vendo que eu ainda não ia responder às perguntas, ele me jogou no chão, depois me levantou pelas algemas atrás das minhas costas. No mesmo instante, senti uma dor violenta nos braços, como se tivessem sido quebrados. Doía tanto que eu mal conseguia respirar. Em seguida, ele me atirou contra a parede e me fez ficar encostada nela. O suor embaçava os meus olhos. A dor era tanta que todo o meu corpo ficou coberto de suor — até os sapatos estavam encharcados. Eu sempre fui frágil e, nesse momento, desmaiei. Tudo que conseguia fazer era respirar pela boca, ofegante. O demônio ficou ao lado, me observando. Eu não sabia o que ele via — talvez estivesse com medo de ser responsabilizado se eu morresse —, mas rapidamente pegou um punhado de lenços de papel para limpar meu suor e depois me deu um copo de água. Ele fez isso a cada meia hora, mais ou menos. Não sei qual era meu estado naquele momento. Creio que era muito assustador, porque só conseguia respirar com a boca aberta; parecia que tinha perdido a capacidade de respirar pelo nariz. Meus lábios estavam secos e rachados, e eu precisava de todas as minhas forças só para respirar. Senti a morte se aproximar mais uma vez — talvez agora eu realmente morresse. Mas naquele momento o Espírito Santo me iluminou. Pensei em Lucas, um dos discípulos de Jesus, e em sua experiência de ser enforcado até a morte. Em meu coração, recuperei espontaneamente as forças e continuei dizendo a mesma coisa diversas vezes para me lembrar: “Lucas morreu enforcado. Eu também preciso ser Lucas, preciso ser Lucas, ser Lucas… Obedeço de bom grado às orquestrações e aos arranjos de Deus e desejo ser leal a Deus até a morte, como Lucas”. Assim que a dor se tornou insuportável e eu fiquei à beira da morte, de repente ouvi um dos policiais malignos dizer que vários irmãos e irmãs que acreditavam em Deus Todo-Poderoso haviam sido presos. Em meu coração, fiquei chocada: vários outros irmãos e irmãs seriam torturados. Eles seriam especialmente duros com os irmãos. Meu coração ficou cheio de preocupação. Continuei orando em silêncio por eles, pedindo a Deus que os protegesse e lhes permitisse dar um testemunho vitorioso diante de Satanás e nunca trair a Deus, pois não queria que nenhum outro irmão ou irmã sofresse como eu. Talvez eu tivesse sido tocada pelo Espírito Santo; orei sem parar e, quanto mais orava, mais inspirada ficava. Sem perceber, esqueci a dor. Sabia muito bem que esses eram os arranjos sábios de Deus; Deus estava atento à minha fraqueza e me guiava no momento mais doloroso. Naquela noite, não me importava mais como os policiais malignos me tratavam e eu não prestava a menor atenção às perguntas deles. Vendo o que estava acontecendo, a polícia maligna usou os punhos para bater selvagemente em meu rosto, depois enrolou meu cabelo na altura da têmpora ao redor de seus dedos e puxou com violência. As minhas orelhas estavam inchadas por serem torcidas, meu rosto estava irreconhecível, minhas nádegas e coxas ficaram feridas e laceradas quando me bateram com um pedaço grosso de madeira; meus dedos também ficaram preto-azulados após serem esmagados com um pedaço de madeira. Depois de me pendurar pelas algemas por seis horas, quando o policial maligno abriu as algemas, a carne abaixo do polegar esquerdo foi arrancada — havia apenas uma camada fina cobrindo o osso. As algemas também deixaram meus pulsos cobertos de bolhas amareladas e não havia como recolocá-las. Naquele momento, entrou uma policial aparentemente importante. Ela me olhou de cima a baixo e depois disse a eles: “Vocês não podem bater mais nessa aí — parece que está prestes a morrer”.

A polícia me trancou em um dos quartos do hotel. As cortinas ficavam bem fechadas vinte e quatro horas por dia. Uma pessoa foi designada para vigiar a porta e ninguém do pessoal de serviço estava autorizado a entrar, nem estava autorizado a ver como me torturavam e barbarizavam lá dentro. Eles se revezaram para me interrogar sem trégua. Por cinco dias e noites, não me deixaram dormir, não me deixaram sentar nem agachar, nem me permitiram comer meu suprimento de comida. Só me permitiam ficar encostada na parede. Um dia, um oficial veio me interrogar. Vendo que eu o ignorava, ele ficou furioso e, com um chute, me mandou voando para debaixo da mesa. Em seguida, me puxou para fora e me deu um soco, fazendo o sangue fluir do canto da minha boca. Para encobrir sua selvageria, ele rapidamente fechou a porta para impedir que alguém entrasse. Depois, arrancou um punhado de lenços de papel e limpou o sangue, lavando meu rosto com água e limpando o sangue do chão. De propósito, deixei cair um pouco de sangue no meu suéter branco. Quando voltei para a casa de detenção, no entanto, a polícia maligna disse às demais presas que o sangue nas minhas roupas era de quando eu estava sendo avaliada no hospital psiquiátrico, disse também que era onde eu tinha passado os últimos dias. As feridas e o sangue no meu corpo foram causados pelos pacientes — eles, os policiais, não tinham me tocado… Esses fatos cruéis me mostraram a brutalidade, a astúcia insidiosa e a desumanidade da polícia do povo, senti o desamparo e o desespero daqueles que caem em suas mãos. Ao mesmo tempo, ganhei uma apreciação profunda da justiça, da santidade, do esplendor e da bondade de Deus, senti que tudo que vem de Deus é amor, proteção, iluminação, provisão, conforto e apoio. A cada vez que a minha dor ficava pior, Deus sempre me iluminava e me guiava, ampliando a minha fé e força, me permitindo imitar o espírito dos santos que foram martirizados em nome do Senhor no decorrer dos tempos, me dando assim a coragem de defender a verdade. Quando a selvageria da polícia maligna me deixou à porta da morte, Deus me permitiu ouvir notícias da prisão de outros irmãos e irmãs, usando isso para me levar a orar ainda mais por eles, de modo que eu esquecesse a minha dor e vencesse sem perceber as pressões da morte. Graças a Satanás agir como o contraste maligno e cruel, vi que só Deus é o caminho, a verdade e a vida, e que só o caráter de Deus é o símbolo da justiça e da bondade. Só Deus governa tudo e arranja tudo, e Ele usou Seu grande poder e sabedoria para me guiar a cada passo a derrotar o cerco das legiões demoníacas, a superar a fraqueza da carne e as pressões da morte, me permitindo com isso sobreviver tenazmente naquele covil sombrio. Conforme pensava no amor e na salvação de Deus, sentia-me muito inspirada, e resolvi lutar com Satanás até o fim. Mesmo que apodrecesse na cadeia, eu continuaria firme no meu testemunho e satisfaria a Deus.

Um dia, muitos policiais malignos que eu nunca tinha encontrado antes vieram me ver e discutir o meu caso. Sem querer, ouvi o suposto especialista dizer: “De todos os interrogatórios que fiz, nunca fui tão duro com alguém como fui com aquela cadela estúpida. Eu a pendurei pelas algemas por oito horas (na verdade, foram seis horas, mas ele queria se exibir, temendo que seu superior dissesse que ele fora ineficiente) e mesmo assim ela não confessou”. Ouvi uma voz feminina dizer: “Como você pôde bater tanto nessa mulher? Você é brutal”. Resultou que, dentre todos os que foram presos, fui eu que mais sofri. Por que sofri tanto? Era mais corrupta que as outras pessoas? Aquilo que sofri era a punição de Deus para mim? Será que havia corrupção demais em mim e eu já tinha alcançado o ponto de punição? Pensando nisso, não pude segurar as lágrimas. Sabia que não devia chorar. Não podia deixar Satanás ver as minhas lágrimas — se eu fizesse isso, ele acreditaria que tinha sido derrotada. Mas não conseguia conter a sensação de ressentimento em meu coração e as lágrimas fluíram, fugindo do meu controle. Em meio ao desespero, só pude clamar a Deus: “Ó Deus! No momento, me sinto profundamente ressentida. Continuo querendo chorar. Por favor, me protejas, me impeças de curvar a cabeça diante de Satanás — não posso deixá-lo ver as minhas lágrimas. Sei que meu estado atual está errado. Estou fazendo exigências a Ti e reclamando. E sei que, seja o que for que Tu faças, é o melhor — mas minha estatura é muito baixa, meu caráter rebelde é forte demais e sou incapaz de aceitar esse fato de bom grado, assim como não sei o que deveria fazer para sair deste estado errado. Peço que Tu me guies e me permitas obedecer às Tuas orquestrações e aos Teus arranjos e que nunca mais Te interprete mal ou Te culpe”. Enquanto orava, uma passagem das palavras de Deus pairava na minha cabeça: “Você também deverá beber do cálice amargo que Eu bebi (isso é o que Ele disse depois da ressurreição), você também deverá caminhar por onde Eu caminhei, você deverá dar a sua vida por Mim” (de ‘Como Pedro chegou a conhecer Jesus’ em “A Palavra manifesta em carne”). Minhas lágrimas pararam imediatamente. O sofrimento de Cristo foi incomparável ao de qualquer ser criado e nenhum ser criado teria suportado aquilo — e aqui estava eu, me sentindo ofendida e me queixando a Deus da injustiça de sofrer um pouco de dificuldade. Onde estavam a consciência e a razão nisso? Como eu estava apta a ser chamada de humana? Logo depois, pensei no que Deus disse: “[…] mas a corrupção na natureza delas deve ser resolvida por meio de provações. Em quaisquer aspectos que você não esteja purificado, esses são os aspectos nos quais você deve ser refinado — esse é o arranjo de Deus. Deus cria um ambiente para você, forçando-o a ser refinado ali para que você possa conhecer a sua própria corrupção” (de ‘Como satisfazer a Deus em meio a provações’ em “Registros das falas de Cristo”). Ponderando as palavras de Deus e refletindo sobre mim mesma, entendi que o que foi arranjado por Deus visava minha corrupção e minhas deficiências — e era exatamente disso que a minha vida precisava. Foi só através desse sofrimento e tormento desumanos que pude perceber que me entrego demais à minha carne, que sou egoísta, baixa, que estou exigindo de Deus e não estou contente em sofrer por Deus e ser um testemunho brilhante Dele. Se não tivesse passado por esse sofrimento, teria continuado com a impressão errada de que eu já tinha satisfeito a Deus; nunca teria percebido que ainda tenho corrupção e rebeldia demais dentro de mim, muito menos teria alcançado a experiência direta de como é árduo para Deus fazer Sua obra dentre a humanidade corrupta para salvá-la. Também nunca teria verdadeiramente abandonado Satanás e voltado para diante de Deus. Essa dificuldade era o amor de Deus por mim, era a Sua bênção especial sobre mim. Tendo entendido a vontade de Deus, de repente meu coração se sentiu claro e luminoso. Meu entendimento errôneo de Deus desapareceu. Naquele dia, senti que havia um grande valor e significado em ser capaz de sofrer dificuldade!

Após tentar tudo que podia, a polícia maligna não tirou nada de mim. No fim, eles disseram com convicção: “O PCC é feito de aço, mas aqueles que acreditam em Deus Todo-Poderoso são feitos de diamante — são melhores que o PCC em todos os aspectos”. Depois de ouvir essas palavras, não pude deixar de me alegrar e louvar a Deus em meu coração: “Ó Deus, Te agradeço e Te louvo! Com Tua onipotência e sabedoria, venceste Satanás e derrotaste Teus inimigos. És a mais alta autoridade e que toda glória seja dada a Ti!”. Só nesse momento vi que, por mais cruel que o PCC seja, ele é controlado e orquestrado pelas mãos de Deus. Exatamente como dizem as palavras de Deus: “Todas as coisas nos céus e na terra devem ficar sob o domínio Dele. Elas não podem ter escolha e todas devem submeter-se às orquestrações Dele. Isso foi decretado por Deus, e é a autoridade de Deus” (de ‘O sucesso ou o fracasso dependem da senda que o homem percorre’ em “A Palavra manifesta em carne”).

Um dia, a polícia maligna veio me interrogar de novo. Dessa vez, todos pareciam meio estranhos. Olhavam para mim enquanto falavam, mas não pareciam estar falando comigo. Pareciam estar discutindo algo. Como os anteriores, esse interrogatório acabou em fracasso. Mais tarde, a polícia maligna me levou de volta à cela. No caminho, de repente, os ouvi dizendo que parecia que eu seria solta no primeiro dia do mês seguinte. Ouvindo isso, meu coração quase explodiu de emoção: “Significa que sairei daqui a três dias!”, pensei. “Finalmente posso ir embora desse inferno demoníaco!” Dissimulando a alegria em meu coração, eu esperava e aguardava cada segundo que passava. Três dias pareceram mais como três anos. Finalmente, chegou o primeiro dia do mês! Nesse dia, fiquei de olho na porta, esperando alguém chamar meu nome. A manhã passou e nada aconteceu. Pus todas as minhas esperanças em sair à tarde — mas, quando a noite chegou, nada aconteceu. Quando chegou a hora da refeição noturna, não senti vontade de comer. Tive uma sensação de perda em meu coração; naquele momento, parecia que meu coração tinha despencado do céu para o inferno. “Por que ela não está comendo?”, perguntou o agente penitenciário para as outras presas. “Ela não tem comido bem desde que voltou do interrogatório naquele dia”, respondeu uma das presas. “Ponha a mão na testa dela; ela está doente?”, falou o agente penitenciário. Uma presa veio e sentiu a minha testa. Disse que estava muito quente, que eu estava com febre. De fato, estava. A doença tinha vindo de forma muito súbita e era bem grave. Nesse momento, eu desmaiei. No transcorrer de duas horas, a febre foi piorando cada vez mais. Eu chorei! Todos, incluindo o agente penitenciário, me viram chorar. Todos ficaram desconcertados: a visão que tinham de mim era a de alguém que nem era seduzido pela cenoura nem intimidado pela vara, que não tinha derramado uma única lágrima ao enfrentar uma tortura grave e que fora pendurado pelas algemas por seis horas sem um gemido. Mas, hoje, sem tortura alguma, eu chorei. Eles não sabiam de onde vinham as minhas lágrimas — simplesmente pensaram que eu devia estar muito doente. De fato, só Deus e eu sabíamos o motivo. Era tudo por causa da minha rebeldia e desobediência. Aquelas lágrimas corriam pelo desespero que senti quando as minhas expectativas deram em nada e as minhas esperanças foram frustradas. Eram lágrimas de revolta e ressentimento. Naquele momento, eu não queria mais firmar a minha resolução de dar testemunho de Deus. Não tinha coragem de ser testada assim outra vez. Naquela noite, chorei lágrimas de angústia, porque não aguentava mais a vida na prisão e desprezava aqueles demônios — e, mais que isso, odiava estar naquele lugar terrível. Não queria passar mais um segundo ali. Quanto mais pensava nisso, mais desanimada eu ficava e mais tinha um sentimento forte de desgosto, infelicidade e solidão. Sentia-me como um barco solitário no mar, que podia ser engolido pela água a qualquer momento; mais ainda, sentia que as pessoas que me cercavam eram tão traiçoeiras e horríveis que podiam descarregar sua raiva em mim a qualquer momento. Não pude deixar de clamar: “Ó Deus! Imploro que me salves. Estou a ponto de desmoronar, poderia trair-Te a qualquer hora e em qualquer lugar. Peço que tomes posse do meu coração e me capacites a voltar para diante de Ti mais uma vez, peço que tenhas piedade de mim mais uma vez e me permitas aceitar Tuas orquestrações e Teus arranjos. Apesar de não poder entender o que estás fazendo agora, sei que tudo que fazes é bom, peço que me salves mais uma vez e permitas que meu coração se volte para Ti”. Depois de orar, parei de sentir medo. Comecei a me acalmar e a refletir sobre mim mesma e naquele momento as palavras de julgamento e revelação de Deus vieram a mim: “Você quer a carne ou quer a verdade? Você deseja o julgamento ou o conforto? Após experimentar tanta coisa da obra de Deus e após ter contemplado a santidade e a justiça de Deus, como você deve buscar? Como você deve andar por essa senda? Como você deve pôr em prática seu amor por Deus? O castigo e o julgamento de Deus tiveram algum efeito sobre você? Se você tem ou não um conhecimento do castigo e do julgamento de Deus depende do que você vive e da medida do seu amor por Deus! Seus lábios dizem que você ama a Deus, mas o que você vive é o velho caráter corrupto; você não tem temor de Deus, muito menos tem consciência. Tais pessoas amam a Deus? Tais pessoas são leais a Deus? […] Alguém assim poderia ser Pedro? Aqueles que são como Pedro teriam apenas o conhecimento, mas não o viver?” (de ‘As experiências de Pedro: seu conhecimento de castigo e julgamento’ em “A Palavra manifesta em carne”). Cada palavra de julgamento de Deus era como uma faca de dois gumes que atingia meu calcanhar de Aquiles, amontoando condenação em cima de mim: sim, foram muitas as vezes que eu fiz juras solenes diante de Deus, dizendo que abandonaria tudo e suportaria todas as dificuldades pelo bem da verdade. Mas hoje, quando Deus usou a realidade para pedir algo de mim, quando Ele precisou que de fato eu sofresse e pagasse um preço para satisfazê-Lo, não escolhi nem a verdade nem a vida, mas fui cegamente dominada pela ansiedade, angústia e preocupação por causa de interesses e expectativas da carne. Nem tive a menor fé em Deus. Como podia atender a vontade de Deus fazendo isso? Deus queria que eu vivesse para ser frutífera. Ele não queria juras floreadas e vazias. Mas diante de Deus eu tinha conhecimento, mas não realidade, e para com Deus não tinha nem lealdade nem amor verdadeiro, muito menos obediência alguma; não vivia nada além de engano, rebeldia e oposição. Nisso, não era alguém que traía a Deus? Não era alguém que partia o coração de Deus? Nesse momento, pensei em quando o Senhor Jesus foi preso e pregado na cruz. Um após outro, aqueles que tinham desfrutado tantas vezes de Suas graças o abandonaram. Em meu coração, não pude deixar de ser tomada pelo remorso. Odiei a minha revolta, odiei a minha falta de humanidade, queria me erguer mais uma vez, usar ações reais para tornar realidade as minhas promessas a Deus. Mesmo que apodrecesse na cadeia, nunca mais eu magoaria o coração de Deus. Nunca mais poderia atraiçoar o preço do sangue que Deus pagou por mim. Parei de chorar e, em meu coração, orei em silêncio a Deus: “Ó Deus, agradeço-Te por me iluminar e orientar, por me permitir entender a Tua vontade. Vejo que minha estatura é baixa demais e que não tenho o mínimo de amor nem obediência para Contigo. Ó Deus, neste momento, quero me entregar completamente a Ti. Mesmo que eu passe a vida inteira na prisão, nunca farei concessões a Satanás. Desejo tão-somente usar as minhas ações reais para Te satisfazer”.

Algum tempo depois, surgiram mais rumores de que eu estava para ser solta. Disseram que levaria só alguns dias. Por causa da lição que aprendi da última vez, agora fui um pouco mais racional e cabeça fria. Apesar de me sentir muito agitada, desejei orar e buscar diante de Deus, para nunca mais fazer escolhas por mim mesma. Só pediria a Deus para me proteger de modo que eu pudesse obedecer a todos os Seus arranjos e orquestrações. Poucos dias depois, os rumores mais uma vez deram em nada. E, pior, ouvi o agente penitenciário dizer que, mesmo que eu morresse na prisão, não me deixariam sair, pelo motivo de não ter dito a eles meu endereço de residência e meu nome — assim, eu ficaria presa para sempre. Ouvir isso foi realmente difícil, mas sabia que essa era a dor que eu precisava sofrer. Deus queria que eu desse esse testemunho Dele e eu estava disposta a obedecer a Deus e me curvar à vontade de Deus, confiando que todas as questões e todas as coisas estão nas mãos de Deus. Era Deus me mostrando uma graça especial e me erguendo. Antes, apesar de dizer que eu apodreceria na cadeia, isso era só aspirações e desejos próprios — eu não tinha essa realidade. Hoje, estava disposta a dar esse testemunho pela vida que vivi na realidade e a permitir que Deus encontrasse conforto em mim. Quando fiquei cheia de ódio por Satanás e resolvida a lutar com Satanás até o fim, para verdadeiramente dar um testemunho genuíno de apodrecer na cadeia, vi as ações onipotentes e milagrosas de Deus. Em 6 de dezembro de 2005, a van da prisão me tirou da casa de detenção e me deixou no acostamento da estrada. Assim, chegava ao fim a minha vida de dois anos na prisão.

Após experimentar essa tribulação horrível, apesar de minha carne ter suportado algumas dificuldades, eu tinha ganhado cem — mil — vezes mais: não só desenvolvi percepção e discernimento e verdadeiramente vi que o governo do PCC é a personificação de Satanás, o diabo, um bando de assassinos que mataria pessoas sem piscar um olho, como também passei a entender a onipotência e a sabedoria de Deus, assim como Sua justiça e santidade; passei a apreciar as boas intenções de Deus em me salvar e Seu cuidado e proteção para comigo, permitindo-me assim, durante a selvageria de Satanás, superar Satanás um passo de cada vez e continuar firme em meu testemunho. Desse dia em diante, desejo entregar meu ser inteiro completamente a Deus e seguirei a Deus com dedicação, para que eu possa ser ganha por Ele o mais rápido possível.

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