Depois que minha mãe foi diagnosticada com câncer
Por Yang Chen, China Em junho de 2023, eu deveria ter saído de casa para desempenhar meu dever por causa das necessidades do trabalho do...
Damos as boas-vindas a todos os buscadores que anseiam pela aparição de Deus!
Meu pai era famoso na nossa região por ser um filho muito dedicado. Quando eu era mais jovem, muitas vezes o ouvia dizer à mesa: “Piedade filial é uma virtude que deve ser defendida acima de tudo. Na sua conduta pessoal, você deve primeiro ser dedicado aos seus pais; isso é fundamental. Veja, até mesmo um cordeiro recém-nascido sabe se ajoelhar para mamar, então, quem não é dedicado aos pais é pior que um animal! Quando sua avó estava doente, eu passava a noite em claro com ela, noite após noite. Na verdade, para cuidar dos seus avós, nem sequer pensei em me casar até que ambos tivessem falecido”. Isso plantou a semente da dedicação aos pais em meu jovem coração, e decidi que, quando crescesse, eu tinha de ser boa para os meus pais, ou então seria uma pessoa sem consciência. Quando eu tinha dezessete anos, meu pai foi preso pelo Partido Comunista Chinês e condenado a dois anos de reeducação por laboro por acreditar em Deus Todo-Poderoso. Na época, eu estava trabalhando longe de casa. De vez em quando, eu visitava meu pai no campo de trabalhos forçados e levava comida para ele, e enviava o que sobrava do meu salário para casa para ajudar. Depois que me casei, eu comprava roupas, comidas especiais e outras coisas para os meus pais a cada Ano-Novo Chinês. Mais tarde, passei a acreditar em Deus e fui desempenhar meu dever longe de casa. Meus pais me apoiavam muito e até me davam dinheiro. Eu me sentia muito mal com isso, pensando: “Meus pais me criaram, então sou eu quem deveria estar cuidando deles agora. Em vez disso, eles ainda estão cuidando de mim…”. Na época, eu sempre torcia para que o PC Chinês desabasse, para eu poder voltar para casa e cuidar bem dos meus pais na velhice deles. Mas a perseguição do PC Chinês aos cristãos ficava cada vez mais severa. Nossa família era muito conhecida na região por nossa fé em Deus, e meu pai tinha ficha na polícia, por isso nossa família se tornou um alvo principal do PC Chinês. Em 2016, fugi para um país democrático no exterior para acreditar em Deus e desempenhar meu dever. Sempre que tinha um momento tranquilo, eu me lembrava dos meus pais se despedindo de mim quando saí do país. Essa lembrança sempre me dava um aperto no peito. Eu me sentia muito culpada por não poder estar lá para cuidar bem deles, especialmente à medida que envelheciam.
No verão de 2019, escrevi para uma líder de igreja do meu país para perguntar sobre a minha família. Um tempo depois, recebi uma resposta dizendo que meu pai havia falecido de uma doença alguns anos antes. Eu simplesmente não conseguia acreditar. As lágrimas escorriam pelo meu rosto incontrolavelmente. A líder de equipe leu para mim algumas passagens das palavras de Deus sobre Sua soberania, mas minha mente estava cheia de lembranças do cuidado amoroso do meu pai lá em casa, e não consegui absorver nada da comunhão dela. Quando saí da sala, o céu estava nublado, e era como se todas as cores tivessem desaparecido do mundo. Voltei para casa sentindo como se a minha alma tivesse me deixado. Minha mente estava cheia do rosto amoroso do meu pai, ele me perguntando: “O que está com vontade de comer? Como estão as coisas por aí?”. Mas eu nunca mais ouviria sua voz. Quanto mais eu pensava nisso, mais infeliz me sentia, e não pude evitar desabar e chorar. Nesses dias, as lembranças da bondade do meu pai para comigo não paravam de inundar a minha mente. Quando eu estava no ensino fundamental, meu pai costumava me dar dinheiro para comprar doces e nunca me deixava fazer nenhum serviço de casa. Depois que me casei, meu pai pregou o evangelho de Deus Todo-Poderoso para mim. Cantávamos hinos e comunicávamos a nossa compreensão experiencial juntos. Depois que saí de casa para desempenhar meu dever, meus pais me apoiaram muito e frequentemente me ajudavam financeiramente. Sempre que eu voltava, eles preparavam todo tipo de refeição nova e deliciosa para mim e me mimavam. Meu pai tinha sido tão bom para mim, e se foi antes que eu tivesse a chance de lhe retribuir. Senti tanta culpa e autorreprovação. Cheguei a me arrepender de ter me casado tão cedo e de estar tão ocupada com meu dever a ponto de não estar lá para ser dedicada a ele. Agora ele havia partido, e eu tinha perdido qualquer chance de compensar isso. Meu coração se encheu de arrependimento, culpa e autorreprovação, e eu não tinha mais ânimo para o meu dever. Estávamos ensaiando uma peça, na época. Era para eu abrir uma porta e gritar: “Tio, cheguei!”. Mas, durante o ensaio, abri a porta e gritei: “Pai, cheguei!”. As lágrimas escorreram pelo meu rosto na mesma hora, e não conseguimos continuar o ensaio. Durante esse período, embora desempenhasse o dever todos os dias, eu sentia meu coração vazio. Eu andava distraída em tudo o que fazia e simplesmente não conseguia encontrar energia para ensaiar. Percebi que meu estado estava incorreto, então orei a Deus: “Deus, meu pai faleceu, e sinto como se tivesse perdido minhas raízes. Meu coração está cheio de tristeza. Não sei como experienciar isso. Por favor, guia-me para eu entender a Tua intenção”.
Enquanto eu buscava, li uma passagem das palavras de Deus que me ajudou a ver a morte do meu pai com clareza. Deus Todo-Poderoso diz: “Se o nascimento de uma pessoa foi destinado por sua vida anterior, então sua morte marca o fim desse destino. Se o nascimento de uma pessoa é o início de sua missão nesta vida, a morte marca o fim dessa missão. Já que o Criador estabeleceu um conjunto fixo de circunstâncias para o nascimento de cada pessoa, é certo que Ele também arranjou um conjunto fixo de circunstâncias para sua morte. Em outras palavras, ninguém nasce por acaso, a morte de ninguém é repentina, e tanto o nascimento quanto a morte estão necessariamente conectados com a vida anterior e presente. Como são as circunstâncias do nascimento de uma pessoa, e quais são as circunstâncias de sua morte, isso está relacionado à preordenação do Criador; esse é o destino da pessoa, sua sina. Já que há muitas explicações para o nascimento de alguém, deve haver também, necessariamente, várias circunstâncias especiais para sua morte. Assim, as variadas expectativas de vida e os diferentes modos e momentos da morte das pessoas vieram a existir em meio à humanidade. Algumas pessoas são fortes e saudáveis, ainda assim morrem jovens; outras são fracas e doentes, mas vivem até a velhice e falecem serenamente. Algumas perecem de causas não naturais, outras, de causas naturais. Algumas morrem longe de casa, outras fecham seus olhos pela última vez tendo os entes queridos ao seu lado. Algumas pessoas morrem em pleno ar, outras, embaixo da terra. Algumas afogam-se na água, outras perecem em desastres. Algumas morrem de manhã, outras, à noite… Todos querem um nascimento ilustre, uma vida brilhante e uma morte gloriosa, mas ninguém pode ultrapassar o próprio destino, ninguém pode escapar da soberania do Criador. Essa é a sina humana” (A Palavra, vol. 2: Sobre conhecer a Deus, “O Próprio Deus, o Único III”). Pelas palavras de Deus, entendi que a vida e a morte de todos já foram pré-ordenadas por Ele há muito tempo; cada um tem seu próprio destino. O falecimento do meu pai não foi repentino. Sua hora havia chegado. Quando chegou a hora de ele partir, ele partiu. Essa é uma lei preordenada por Deus que ninguém pode mudar, e eu não poderia ter mudado esse fato, mesmo se tivesse estado sempre ao seu lado. Na verdade, não é só o meu pai. A partir do momento em que nascemos, todos nós estamos destinados a deixar este mundo um dia. Acontece que o tempo e a maneira como cada pessoa parte são diferentes. Alguns morrem de velhice, outros se afogam, e outros morrem de uma doença repentina. Essas são coisas que ninguém pode prever ou evitar. São todas preordenações de Deus. Devemos nos submeter à soberania de Deus e tratar a vida e a morte de forma correta. Entender isso trouxe um pouco de paz ao meu coração, e aos poucos consegui acalmar meu coração e desempenhar meu dever.
Em outubro de 2022, soube, por uma irmã do meu país, que a minha mãe também havia falecido alguns anos antes. Fiquei com o coração partido. Lembrei-me do que minha mãe perguntou quando saí do país: “Minha querida filha, será que não vou ver você antes de morrer?”. Nunca imaginei que essas palavras se tornariam realidade. Embora eu tivesse lido algumas das palavras de Deus sobre como tratar a morte quando meu pai faleceu e conseguisse aceitar a partida deles, aquele sentimento de que “o filho quer cuidar dos pais, mas os pais já não estão lá” ficava cada vez mais forte. A culpa que eu sentia em relação aos meus pais era como um nó no meu coração que eu simplesmente não conseguia desatar. Em especial, quando pensava que não estive lá para cuidar deles quando ficaram doentes, eu me sentia muito culpada, mesmo não podendo ter feito muita coisa. Talvez apenas estar com eles e ler as palavras de Deus para eles pudesse ter aliviado um pouco a solidão e a dor que sentiam. Mas eles se foram antes que eu tivesse a chance de realmente cuidar bem deles, e não puderam me ver uma última vez antes de morrerem. Eu não estava com meus pais quando eles morreram, então meus parentes certamente me chamariam de ingrata miserável e diriam que os meus pais haviam desperdiçado seu amor comigo. Quanto mais pensava nisso, mais infeliz eu ficava. As lembranças ficavam passando na minha mente, uma após a outra, como um filme. Na época, estávamos fazendo um filme. Havia duas cenas simples nas quais eu basicamente não conseguia entrar na personagem, e no fim tivemos de parar de filmar. Os irmãos e as irmãs viram que o meu estado estava incorreto e me lembraram: “Uma cena como essa não deveria ser difícil para você. Tire um tempo para ajustar seu estado, e tentaremos de novo mais tarde”. Durante esse período, o falecimento dos meus pais se tornou a coisa que mais doía no meu coração. Às vezes, ver irmãos e irmãs com mais ou menos a idade dos meus pais me fazia pensar neles. Eu sentia um aperto no peito e começava a chorar sem perceber. Chegava até a sonhar com eles e acordava chorando no meio da noite. Então ficava acordada por horas, com o rosto e a voz deles surgindo na minha mente, e sentia como se estivesse devendo muito a eles. Esse remorso pesava no meu coração como uma pedra imensa, até que, um dia, Deus comunicou a verdade sobre ser dedicado aos pais, e meu coração finalmente se iluminou.
Deus Todo-Poderoso diz: “Alguns pais têm a bênção e o destino de ser capazes de desfrutar da felicidade doméstica e de um lar cheio de filhos e netos. Essa é a soberania de Deus e uma bênção que Deus lhes concede. Alguns pais não têm esse destino; Deus não arranjou isso para eles. Eles não são abençoados para desfrutar uma família feliz ou para ser cercados por seus filhos. Essa é a orquestração de Deus, e as pessoas não podem forçar isso. Não importa o que aconteça, no fim das contas, quando se trata de piedade filial, as pessoas devem pelo menos ter uma mentalidade de submissão. Se o ambiente permitir e você tiver os meios para fazê-lo, você pode demonstrar respeito filial a seus pais. Se o ambiente não permitir e você não tiver os meios, então não tente forçar isso. Isso é submissão. Como surge essa submissão? Qual é a base para a submissão? Ela se baseia no fato de todas essas coisas serem arranjadas por Deus e estarem sob a soberania de Deus” (A Palavra, vol. 3: Os discursos de Cristo dos últimos dias, “O que é a verdade realidade?”). “Se você realmente acredita que tudo está nas mãos de Deus, você deveria acreditar que a questão de quanta adversidade eles sofrem e quanta felicidade desfrutam ao longo da vida também está nas mãos de Deus. Se você é filial ou não, isso não muda nada — seus pais não sofrerão menos porque você é filial, e não sofrerão mais porque você não é filial. Deus preordenou o destino há muito tempo, e nada disso mudará por causa da sua atitude em relação a eles ou de quão profundos são os sentimentos de vocês. Eles têm o destino deles. Não importa se são ricos ou pobres a vida inteira, se as coisas andam bem para eles ou não, nem de que tipo de qualidade de vida, benefícios materiais, status social e condições de vida desfrutam, nada disso tem muito a ver com você. […] A maioria das pessoas escolhe sair de casa para desempenhar seu dever, por um lado, por causa das circunstâncias objetivas mais amplas, que exigem que elas deixem seus pais e fazem com que não possam ficar ao lado dos pais para cuidar deles e acompanhá-los. Não é que elas escolham deixar os pais de bom grado. Essa é uma razão objetiva. Por outro lado, em termos subjetivos, você sai para desempenhar seu dever não para evitar suas responsabilidades para com seus pais, mas por causa do chamado de Deus. A fim de cooperar com a obra de Deus, de aceitar Seu chamado e de desempenhar o dever de um ser criado, você não teve escolha senão deixar seus pais; você não pôde ficar ao lado deles para acompanhá-los e cuidar deles. Você não os deixou para evitar responsabilidades, certo? Deixá-los para evitar suas responsabilidades e ter que deixá-los para aceitar o chamado de Deus e desempenhar seu dever — essas não são duas naturezas diferentes? (Sim.) No coração, você tem preocupação com seus pais e tem saudade deles; seus sentimentos não são vazios. Se as circunstâncias objetivas permitissem e você pudesse ficar ao lado deles e, ao mesmo tempo, desempenhar seu dever, você estaria disposto a fazer-lhes companhia, cuidar deles regularmente e cumprir suas responsabilidades. Mas por causa de circunstâncias objetivas, você deve deixá-los e não pode ficar ao lado deles. Não é que você não queira cumprir suas responsabilidades de filho, mas que você não pode. Isso não é diferente em natureza? (Sim.) Se você saísse de casa para evitar ser filial e cumprir suas responsabilidades, isso seria não filial e careceria de humanidade. Seus pais criaram você, mas você mal pode esperar para abrir as asas e logo sair voando sozinho. Você não quer ver seus pais e não quer dar nem um pouco de atenção quando fica sabendo de alguma dificuldade que encontraram. Mesmo que tenha os recursos para ajudar, você não ajuda; simplesmente se finge de surdo e deixa que os outros digam o que queiram sobre você — você simplesmente não quer cumprir suas responsabilidades. Isso é ser não filial. Mas é esse o caso, agora? (Não.) Muitas pessoas deixaram seu município, sua cidade, sua província e até seu país para desempenhar seus deveres; já estão muito distantes de sua cidade natal. Além disso, por várias razões, não é conveniente que elas entrem em contato com a família. Ocasionalmente, elas se perguntam sobre a situação atual de seus pais a pessoas que vieram da mesma cidade natal e ficam aliviadas quando ouvem que seus pais estão saudáveis e indo bem. Na verdade, você não é não filial. Não é o caso de você ter chegado ao ponto de não ter humanidade, em que você nem quer se importar com seus pais nem cumprir suas responsabilidades para com eles. É por causa de várias razões objetivas que você é incapaz de cumprir suas responsabilidades — isso não quer dizer que você é não filial” (A Palavra, vol. 6: Sobre a busca da verdade, “Como buscar a verdade (16)”). As palavras de Deus me ajudaram a entender que os pais poderem ou não desfrutar do cuidado dedicado dos filhos se deve à preordenação de Deus. Todos esperam ter os filhos ao seu lado e aproveitar os últimos anos de vida cercados por filhos e netos. Mas alguns pais conseguem desfrutar da companhia e do cuidado dos filhos, e tê-los ao seu lado quando falecem, enquanto, em outros casos, os filhos não podem estar lá para cuidar deles por vários motivos, como trabalho ou casamento, e os pais vivem a velhice sozinhos. Esse é o destino que Deus arranja para cada um. Ninguém pode forçar isso, e ninguém pode mudar isso. Era o destino dos meus pais que eu não pudesse estar lá para cuidar deles antes de morrerem, e eu deveria me submeter às orquestrações e aos arranjos de Deus. Mas como não entendia a verdade a esse respeito, eu vivia cheia de remorso e tristeza por não estar lá com eles. Cheguei a pensar que, se pudesse voltar no tempo, teria ficado ao lado deles e nunca teria partido. Eu acreditava que, se estivesse lá para cuidar deles quando ficaram gravemente doentes e faleceram, eu poderia ter diminuído sua dor. Eu era tão ignorante! Sou apenas um ser criado; não tenho absolutamente nenhum poder para mudar o destino dos meus pais. Alguns pais desfrutam do cuidado dos filhos, mas ainda assim sofrem com doenças constantes, tomam remédios todos os dias e vivem em sofrimento. Outros pais são saudáveis, conseguem cuidar de si mesmos e vivem muito bem, mesmo sem os filhos por perto. Pensei na minha avó. Meu pai cuidava tão meticulosamente dela, mas isso não diminuiu nem um pouco a dor da doença dela, e ela acabou falecendo da doença, no final. Então pensei nas doenças que meus pais tiveram e na forma como morreram — tudo isso já havia sido preordenado por Deus muito antes. Mesmo se eu estivesse lá, eles não teriam suportado menos sofrimento, e o meu cuidado não teria prolongado sua vida nem por um segundo. Ao mesmo tempo, também entendi a diferença entre ser e não ser dedicado aos pais: se as circunstâncias permitem, mas os filhos fogem de suas responsabilidades e ignoram os pais quando eles estão doentes ou em apuros, isso é falta de dedicação. Mas se você não pode cuidar dos seus pais devido a circunstâncias objetivas fora do seu controle, isso não é falta de humanidade nem falta de dedicação. Quando eu estava em casa, fazia o que podia para aliviar o fardo dos meus pais. Não é que eu não queria ser dedicada; tive de fugir para o exterior por causa da perseguição do PC Chinês. Isso foi causado e forçado por circunstâncias objetivas; não é que eu não era dedicada. Entender isso trouxe muita luz ao meu coração, e parei de me culpar e de me sentir triste por não ter cuidado dos meus pais.
Mais tarde, ponderei: “Por que eu sempre me sentia tão em dívida com os meus pais?”. Enquanto buscava, li as palavras de Deus: “Por fora, parece que seus pais tiveram você, e que foram seus pais que lhe deram sua vida carnal. Mas, a partir da perspectiva de Deus e a partir da raiz dessa questão, sua vida carnal não foi dada a você por seus pais, pois as pessoas não conseguem criar vida. Em termos simples, ninguém consegue criar o fôlego do homem. A razão pela qual a carne de cada pessoa é capaz de se tornar uma pessoa é que ela tem esse fôlego. A vida do homem está nesse fôlego, e ele é o sinal de uma pessoa viva. As pessoas têm esse fôlego e vida, e sua fonte e sua origem não são seus pais. Acontece apenas que as pessoas foram produzidas por meio de seus pais, que as conceberam — na raiz, isso é arranjo de Deus, ordenação de Deus. Portanto, seus pais não são os senhores de sua vida; o Senhor de sua vida é Deus. Deus criou a humanidade, Ele criou a vida da humanidade, e Ele deu à humanidade o sopro de vida, que é a origem da vida do homem. Portanto, não é fácil entender a frase ‘seus pais não são os senhores de sua vida’? Seu fôlego não foi dado a você por seus pais, muito menos sua continuação lhe é dada por seus pais. Deus cuida de, e tem soberania sobre cada dia de sua vida. Seus pais não podem decidir como cada dia de sua vida transcorre, se cada dia é feliz e transcorre tranquilamente, quem você encontra a cada dia, nem em que ambiente você vive a cada dia. Acontece apenas que Deus cuida de você por meio de seus pais — seus pais são simplesmente as pessoas que Deus enviou para cuidarem de você. Quando você nasceu, não foram seus pais que lhe deram vida, então, foram seus pais que lhe deram a vida que permitiu que você vivesse até agora? Não foram. A origem de sua vida ainda é Deus, não seus pais” (A Palavra, vol. 6: Sobre a busca da verdade, “Como buscar a verdade (17)”). “Deus escolhe uma família para você; seu contexto familiar, seus pais, seus ancestrais — tudo isso Deus decide de antemão. Portanto, Deus não toma essas decisões por capricho; Ele começou essa obra há muito tempo. Uma vez que Deus escolheu uma família para você, Ele então escolhe a data em que você vai nascer. Então, Deus observa como você nasce e vem ao mundo chorando. Ele observa sua chegada, observa quando você aprende a balbuciar, observa quando você tropeça aprendendo a andar, passo a passo. Agora você consegue correr, pular, falar e expressar seus sentimentos… À medida que as pessoas crescem, o olhar de Satanás está fixo em cada uma delas, como um tigre espreitando sua presa. Mas, ao fazer Sua obra, Deus nunca esteve sujeito a nenhuma limitação que surgisse de alguma pessoa, evento ou coisa, do espaço ou do tempo; Ele faz o que deveria e pretende fazer. No processo de crescer, você pode encontrar muitas coisas indesejáveis, incluindo enfermidade e obstáculos na estrada. Mas enquanto você trilha essa senda, sua vida e seu futuro estão sob o cuidado atento de Deus. Deus lhe provê uma garantia verdadeira para sua vida inteira, pois Ele está bem ao seu lado, protegendo você e cuidando de você” (A Palavra, vol. 2: Sobre conhecer a Deus, “O Próprio Deus, o Único VI”). “Tudo o que Deus faz para todo indivíduo está acima de dúvida; Ele conduz todo mundo pela mão, cuida de você a cada momento que passa e não saiu do seu lado uma única vez. À medida que as pessoas crescem neste tipo de ambiente e com este tipo de experiência, poderíamos dizer que as pessoas de fato crescem na palma da mão de Deus? (Sim.)” (A Palavra, vol. 2: Sobre conhecer a Deus, “O Próprio Deus, o Único VI”). O principal motivo pelo qual eu me sentia em dívida com meus pais era que eu acreditava que eles haviam me dado a vida, e me criado e cuidado de mim, então eu tinha de ser dedicada a eles. Eu achava que, se não fizesse isso, estaria falhando com a bondade deles em me criar e seria uma ingrata miserável. Pelas palavras de Deus, entendi que a minha vida vem de Deus. Deus provê a todos luz do sol, chuva, ar e o próprio fôlego da vida. Se Deus tirasse qualquer uma dessas coisas, eu não poderia sobreviver. E mesmo antes de eu vir a este mundo, Deus já havia escolhido meus pais e minha família, e preordenado o ambiente em que eu cresceria. Da infância à idade adulta, passando pelo casamento e por ter filhos, Deus esteve ao meu lado, cuidando de mim em cada passo do caminho. Meus pais apenas me deram a vida e cumpriram sua responsabilidade de cuidar de mim, mas não tinham controle sobre a minha vida. Por exemplo, quando eu tinha dezoito anos, sofri envenenamento por monóxido de carbono porque não sabia como queimar carvão, e desmaiei. Meus pais não estavam em casa, e foi um vizinho que me carregou para fora, e quando a ambulância chegou, eu já estava começando a recobrar a consciência. Não fossem o cuidado e a proteção de Deus, eu teria morrido há muito tempo. Entender isso trouxe luz ao meu coração. Tudo o que tenho vem de Deus, e é ao Seu amor que devo retribuir acima de tudo. Também percebi que a causa principal da minha dor era que eu não havia percebido bem os afetos familiares carnais. Na verdade, no âmbito espiritual, pais e filhos são indivíduos separados, sem nenhum relacionamento. Acontece que Deus não quer que as pessoas vivam solitárias neste mundo, então Ele arranja famílias, pais e filhos para nós. Quando uma pessoa falece, esse relacionamento carnal se vai. E eu não sou apenas a filha dos meus pais; eu sou um ser criado. Cumprir o dever de um ser criado é a minha responsabilidade e a minha missão. Entender essa verdade me fez sentir meu coração muito mais liberto.
Mais tarde, li mais das palavras de Deus e ganhei um pouco de discernimento sobre a ideia cultural tradicional de que a “piedade filial é uma virtude que deve ser defendida acima de tudo”. Deus diz: “Devido ao condicionamento da cultura tradicional chinesa, nas noções tradicionais dos chineses, eles acreditam que se deve praticar a piedade filial para com os pais e que qualquer um que não respeita a piedade filial é um filho rebelde. Essas ideias foram incutidas nas pessoas desde a infância e são ensinadas em praticamente todos os lares, bem como em todas as escolas e na sociedade em geral. Quando a cabeça de uma pessoa foi preenchida com coisas desse tipo, ela pensa: ‘A piedade filial é mais importante que qualquer coisa. Se eu não fosse filial, não seria uma boa pessoa; eu seria um filho rebelde, seria condenado pela opinião pública. Eu seria uma pessoa sem consciência’. Essa opinião é correta? As pessoas viram tantas verdades expressadas por Deus — Deus exigiu que se mostre piedade filial em relação aos pais? Essa é uma das verdades que os crentes em Deus precisam entender? Não, não é. Deus só comunicou alguns princípios. […] Satanás usa essas culturas tradicionais e essas noções de moralidade para amarrar seu coração e sua mente, fazendo com que suas opiniões sobre as coisas se tornem absurdas e com que você negue e resista a Deus em seu coração, assim deixando-o incapaz de aceitar as palavras de Deus; você foi possuído por essas coisas de Satanás, e elas o deixaram incapaz de aceitar as palavras de Deus. Se você quiser praticar as palavras de Deus, essas coisas se manifestarão e causarão perturbações em você e farão com que você resista à verdade e às exigências de Deus. Mesmo que você queira se livrar do jugo da cultura tradicional, você não terá o poder para fazer isso. Depois de lutar por um tempo, você fará concessões. Acreditará que as noções tradicionais de moralidade estão corretas e de acordo com a verdade, e assim você rejeitará ou duvidará das palavras de Deus, não as aceitará como a verdade e não se importará se você pode alcançar a salvação, achando que, afinal de contas, ainda vive neste mundo e que você só pode ter um caminho adiante na vida se confiar nessas coisas. Incapaz de suportar a condenação da opinião pública, você prefere abrir mão da verdade e das palavras de Deus e, em vez disso, agarrar-se às noções de moralidade da cultura tradicional, passando para o lado de Satanás e permanecendo com ele, preferindo ofender a Deus a aceitar a verdade. Digam-Me, o homem não é lamentável? Ele não precisa da salvação de Deus? Algumas pessoas têm acreditado em Deus por muitos anos, mas ainda não conseguem perceber bem a questão da piedade filial. Não importa quanta verdade seja comunicada, elas não conseguem entendê-la. Elas nunca conseguem superar essa relação mundana; não têm coragem, nem fé, muito menos determinação, por isso não conseguem amar nem se submeter a Deus” (A Palavra, vol. 3: Os discursos de Cristo dos últimos dias, “Só ao conhecer as próprias opiniões erradas pode-se realmente se transformar”). Por meio da exposição das palavras de Deus, percebi que outro motivo pelo qual eu sempre me sentia em dívida com os meus pais era que eu havia adotado, como meus princípios de conduta pessoal, ideias como “piedade filial é uma virtude que deve ser defendida acima de tudo” e “uma pessoa não filial é mais baixa do que um animal”. Eu achava que apenas aqueles que eram dedicados aos pais tinham consciência e humanidade, mas essa visão não se alinha com a verdade de forma alguma. Pensei nos santos, ao longo da história, que renunciaram a seus pais e famílias para seguir a Deus e propagar Seu evangelho. As coisas que eles fizeram foram os atos mais justos da humanidade, e são aprovadas e lembradas por Deus. Mas eu havia sido corrompida e condicionada pela cultura tradicional, e havia tratado a dedicação aos meus pais como a coisa mais importante de todas. Vir para o exterior para desempenhar meu dever como um ser criado e fazer a minha parte em espalhar o evangelho do reino é claramente uma coisa positiva, no entanto, por não ter cuidado dos meus pais, eu me via como uma ingrata miserável e uma filha sem dedicação. Minha consciência frequentemente me repreendia, e eu até me arrependia de ter saído de casa tão cedo para desempenhar meu dever. Vi como essas noções culturais tradicionais haviam distorcido completamente o meu senso de certo e errado. Sou um ser criado, e é perfeitamente natural e justificado que eu desempenhe bem o meu dever. Mas depois de saber que meus pais haviam morrido, fiquei presa em um estado de culpa. Andava distraída no meu dever, não conseguia entrar na personagem ao atuar e não sentia autorreprovação por atrasar o progresso do filme. Isso sim era uma verdadeira falta de consciência! Na verdade, o falecimento dos meus pais foi algo muito normal. Todos passam por nascimento, velhice, doença e morte. Mas eu fiquei presa em um estado de desânimo e não conseguia me libertar, o que era uma reclamação silenciosa contra Deus. Só então vi claramente que a cultura tradicional é uma inimiga de Deus. É um veneno. Viver segundo ela só me tornaria mais rebelde e resistente a Deus. Ao perceber isso, vi como essas verdades expressas por Deus são preciosas. Somente a verdade pode me libertar das amarras e dos danos de Satanás. Depois disso, orei a Deus: “Ó Deus, fui tão profundamente corrompida por Satanás. Fui amarrada e presa pela ideia errada de que ‘piedade filial é uma virtude que deve ser defendida acima de tudo’. Fiquei presa em um estado de culpa em relação aos meus pais, incapaz de desempenhar meu dever com seriedade. Agora entendo que esse é um dos truques de Satanás para corromper as pessoas. De agora em diante, desejo ver as pessoas e as coisas de acordo com as Tuas palavras, buscar a verdade em todos os assuntos e me apegar ao meu dever”.
Agora, o falecimento dos meus pais não me afeta mais. Dedico todo o meu tempo e energia ao meu dever. Pondero cuidadosamente sobre cada papel que interpreto e não deixo mais que meu estado pessoal ou meus sentimentos atrapalhem o meu dever. Embora vivenciar o falecimento dos meus pais tenha sido muito doloroso, passei a entender algumas verdades. Para mim, isso foi graça e salvação de Deus. Graças a Deus!
Tendo lido até aqui, você é uma pessoa abençoada. A salvação de Deus dos últimos dias virá até você.
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