Escapando da jaula da minha família

16 de Dezembro de 2022

Por Lin Xi, China

Eu aceitei a obra de Deus Todo-Poderoso nos últimos dias em 2005. Nessa época, por meio de reuniões e da leitura das palavras de Deus, eu aprendi muitas verdades e mistérios que nunca tinha ouvido antes: descobri como Deus gerencia e salva a humanidade, e soube do propósito, valor e sentido da vida humana, bem como do desfecho e destino do homem. Por meio da leitura das palavras de Deus Todo-Poderoso, fui capaz de resolver muitos dos problemas e dificuldades na minha vida. Era maravilhoso crer em Deus. Mas quando meu marido descobriu, ele foi resoluto em sua oposição à minha fé. Uma vez, meu tio foi preso pela polícia do Partido Comunista por causa de sua crença no Senhor. Meu marido sabia que o Partido Comunista proíbe a crença em Deus e temia que eu também fosse presa e que isso implicasse toda a família, por isso ele se opôs duramente à minha fé. Na época, eu era professora substituta, e ele temia que a escola descobrisse e me despedisse, por isso ele me pressionou e obstruiu muito.

Ele não me deixava ler as palavras de Deus nem ouvir hinos, muito menos me permitia participar de reuniões ou cumprir meu dever. Uma vez, ele me pegou lendo as palavras de Deus e ficou furioso. Ele disse: “Nosso governo proíbe você de crer, e ainda assim você acredita! Se um membro do comitê de educação pegar você, você não só perderá o emprego, como será presa. Não tenho dinheiro para pagar a fiança, portanto é melhor parar de crer antes que seja tarde demais!”. Depois disso, como continuei acreditando, ele me ameaçou, e disse: “Enquanto eu respirar, nem pense em praticar a sua fé!”. Quando ouvi isso, minha determinação enfraqueceu. Eu pensei: “Meu marido não permitirá que eu pratique a fé, e ainda assim eu insisto em acreditar. O que ele fará comigo?”. Nesse momento, lembrei-me de uma passagem das palavras de Deus: “Você precisa possuir Minha coragem dentro de si e precisa ter princípios quando se tratar de enfrentar parentes que não creem. Por Minha causa, porém, você também não precisa se render a quaisquer forças das trevas. Confie em Minha sabedoria para trilhar o caminho perfeito; não permita que quaisquer conspirações de Satanás se consolidem. Coloque todos os esforços em apresentar seu coração diante de Mim e Eu o consolarei e lhe trarei paz e felicidade” (A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Declarações de Cristo no princípio, Capítulo 10”). As palavras de Deus me motivaram muito. Pensei em como meu marido tinha sido levado pelo Partido Comunista a me ameaçar, a me forçar a abandonar minha fé. Na superfície, parecia que era o meu marido me pressionando e impedindo de seguir a Deus, mas, na verdade, Satanás estava trabalhando por meio dele para me forçar a trair a Deus e perder Sua salvação. Eu não podia cair na trama de Satanás nem ceder a Satanás. Eu acreditava que, contanto que confiasse em Deus e agisse segundo Suas palavras, Ele me guiaria para superar a coerção do meu marido. Depois disso, escondi meus livros das palavras de Deus e só lia, participava das reuniões ou espalhava o evangelho quando ele estava fora de casa. Foi só em julho de 2008 que o meu marido descobriu que eu ainda estava praticando minha fé e cumprindo meu dever, e ficou furioso comigo. Ele revirou a casa inteira à procura dos livros da palavra de Deus e meu aparelho MP5 que eu usava para ouvir hinos. Ele esmagou o aparelho, despedaçou-o. Para impedir que eu praticasse a fé, ele pediu licença do emprego para poder supervisionar minhas atividades durante o dia todo, em casa. Eu não podia participar das reuniões e fiquei atormentada; por isso, quando surgiu uma oportunidade, eu saí de fininho para ver meus irmãos. Mas para a minha surpresa, ele chamou a polícia para nos denunciar. Felizmente, eles não acharam os livros das palavras de Deus nem qualquer outra evidência, por isso não nos prenderam. Mais tarde, quando ele descobriu que a casa da irmã ao lado era um local de reunião, ele tirou fotos dos irmãos se reunindo e ameaçou denunciá-los. Como resultado, os irmãos não ousaram mais se reunir ali. Sempre que me pegava conversando com meus irmãos, ele me repreendia ou espancava. Ele me espancou mais vezes do que consigo contar, e eu tive um zumbido num dos ouvidos que ficou por meses.

Nessa época, eu costumava cantarolar este hino: “Darei meu amor e lealdade a Deus e completarei minha missão para glorificar a Deus. Estou determinado a permanecer firme no testemunho de Deus e jamais ceder a Satanás. Minha cabeça pode quebrar, e sangue pode fluir, mas a coragem do povo de Deus não se perderá. As exortações de Deus repousam no coração, decido humilhar Satanás, o diabo. Dor e dificuldades são predestinadas por Deus. Serei fiel e obediente a Ele até a morte. Nunca mais farei Deus chorar ou Se preocupar” (Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos, “Desejo ver o dia da glória de Deus”). Pensei em como era só com o imenso amor de Deus que eu, um ser criado, tinha a sorte de seguir a Deus e ser salva por Ele. Eu preferia morrer a ceder a Satanás, e jamais trairia a Deus. Quanto mais o meu marido me pressionasse, mais eu deveria seguir a Deus, ser firme e humilhar Satanás. Mais tarde, a igreja ficou com medo de que o meu marido continuaria me espancando se eu participasse de reuniões ou cumprisse o meu dever, e de que ele denunciaria os outros irmãos, por isso mandaram que eu parasse de participar das reuniões e só lesse as palavras de Deus em casa.

Nos três anos seguintes, eu só pude aproveitar as vezes em que o meu marido saía para ler as palavras de Deus em segredo, ou me encontrar com a irmã ao lado de vez em quando para comungar e espalhar o evangelho a amigos e parentes. Eu estava presa, como um pássaro na gaiola. Lembrei-me dos meus encontros com meus irmãos, comungando a verdade, cantando hinos em louvor a Deus, que tempos felizes foram aqueles! Também pensei em como a obra de Deus de salvar a humanidade nos últimos dias era uma ocorrência única na vida, e essa oportunidade passaria num piscar de olhos, portanto eu não podia perdê-la. Eu ansiava por uma vida de igreja normal, por espalhar o evangelho e dar testemunho de Deus com os outros, mas tudo isso já não passava de uma esperança vã. Eu estava tão deprimida e aflita, e muitas vezes eu me escondia para chorar. Eu queria gritar: “Crer em Deus é trilhar a senda certa. Eu tomei a decisão certa. Por que isso não está dando certo para mim?”. Então me lembrei de uma passagem das palavras de Deus. “Durante milhares de anos, esta tem sido a terra da imundice, é insuportavelmente suja, a miséria abunda, fantasmas correm desenfreados por toda parte, enganando e iludindo, fazendo acusações infundadas,[1] sendo impiedosos e viciosos, pisoteando essa cidade fantasma e a deixando coberta de cadáveres; o fedor da decadência cobre a terra e permeia o ar, e é fortemente vigiada.[2] Quem é capaz de enxergar o mundo além dos céus? O diabo entrelaça firmemente todo o corpo do homem, venda seus olhos e sela seus lábios com firmeza. O rei dos demônios tem causado alvoroço por vários milhares de anos até o dia de hoje, quando ainda mantém forte vigilância sobre a cidade fantasma, como se fosse um palácio de demônios impenetrável; enquanto isso, essa matilha de cães de guarda observa com olhos ferozes, com um profundo medo de que Deus os pegue desprevenidos e os extermine, deixando-os sem um lugar de paz e felicidade. Como as pessoas de uma cidade fantasma tal como essa puderam um dia ter visto Deus? Alguma vez já desfrutaram do carinho e da amabilidade de Deus? Que apreciação têm elas das questões do mundo humano? Quem entre elas é capaz de compreender a vontade ávida de Deus? Portanto, não é de surpreender que Deus encarnado continue completamente escondido: em uma sociedade obscura como esta, onde os demônios são impiedosos e desumanos, como o rei dos demônios, que mata pessoas sem piscar um olho, poderia tolerar a existência de um Deus que é amável, bondoso e também santo? Como poderia aplaudir e comemorar a chegada de Deus? Lacaios! Retribuem bondade com ódio, há muito começaram a tratar Deus como inimigo, abusam de Deus, são selvagens ao extremo, não têm a menor consideração por Deus, saqueiam e pilham, perderam toda a consciência, contrariam toda consciência e tentam os inocentes à insensatez. Ancestrais dos antigos? Líderes adorados? Todos eles se opõem a Deus! Sua interferência deixou tudo que está debaixo do céu em estado de escuridão e caos! Liberdade religiosa? Direitos e interesses legítimos dos cidadãos? São todos truques para encobrir o pecado!” (A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Obra e entrada (8)”). Por meio da revelação das palavras de Deus, eu vi a verdade da resistência a Deus dos demônios do Partido Comunista. Pensei em como, desde que o Partido Comunista tinha tomado o poder, eles propagavam o ateísmo, dizendo: “Todas as coisas evoluíram naturalmente”, “O homem evoluiu do macaco”, “Nunca houve um Salvador”, e assim por diante. Eles usavam essas teorias absurdas para enganar as pessoas, querendo levar as pessoas a negar e trair a Deus, a resistir a Deus com eles e finalmente ser destruídas por Deus e se tornar seus presentes fúnebres. Nos últimos dias, agora que Deus encarnou na carne para salvar a humanidade, o Partido Comunista tem caçado Cristo e detido e perseguido cristãos com o objetivo de reprimir a obra de Deus nos últimos dias e estabelecer um domínio ateu na China. O Partido Comunista é uma legião demoníaca que tem Deus como inimigo. É um avatar assassino de Satanás que resiste a Deus. A razão pela qual meu marido estava me pressionando e impedindo de praticar a minha fé era porque ele tinha sido convencido pela filosofia ateia do Partido Comunista. Ele não acreditava em Deus e tinha medo de ser implicado se eu fosse presa pelo Partido Comunista, por isso ele se opunha à minha crença em Deus. Todo o sofrimento que eu estava passando era feito do diabo-rei do Partido Comunista. Eu odiava essa cabala demoníaca de todo o coração. Desde que eu tinha começado a crer em Deus, meu marido tinha compactuado com o Partido Comunista para me oprimir, não permitia que eu lesse as palavras de Deus, participasse de reuniões ou cumprisse o meu dever, me espancou inúmeras vezes e até me denunciou, com os meus irmãos, à polícia. Percebendo que a natureza e a substância do meu marido eram de odiar a verdade e desdenhar a Deus, e que ele sempre me oprimiria se eu tentasse praticar a fé em casa, pensei muitas vezes em me divorciar dele e em sair de casa para praticar a fé e cumprir o meu dever. Mas sempre que pensava em sair de casa, eu ficava preocupada com o meu filho. Ele era só um adolescente — seria duro para ele perder a mãe! Em casa, eu podia ler para ele histórias da Bíblia, comungar com ele as palavras de Deus e trazê-lo para diante de Deus. Se partisse, quem o guiaria na fé? Sempre que pensava nisso, eu me sentia muito fraca e perdia a coragem de me divorciar do meu marido, e apenas suportava a minha vida em cativeiro. Quando era destruída pelo sofrimento, eu vinha para diante de Deus em oração e lia as palavras de Deus em segredo. Só então eu me sentia um pouco confortada.

Em outubro de 2011, eu saí de casa de fininho para participar de umas reuniões. Meu marido ameaçou os irmãos; disse que, se me acolhessem, ele não seria tão legal com eles da próxima vez. Ele me ameaçou também; disse: “Enquanto ficar aqui, não permitirei que acredite em Deus! Se você quiser crer, terá que sair desta casa!”. Eu fiquei muito decepcionada quando ele disse isso. Imagine, ele me expulsaria só por crer em Deus, sem nem levar em consideração todos os nossos anos juntos. Na hora, lembrei-me de uma passagem das palavras de Deus: “Por que o marido ama a esposa? Por que a esposa ama o marido? Por que os filhos são obedientes aos pais? Por que os pais amam tanto seus filhos? Que tipo de intenções as pessoas abrigam de fato? Sua intenção não é satisfazer seus próprios planos e desejos egoístas?” (A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Deus e o homem entrarão em descanso juntos”). As palavras de Deus eram tão realistas. Não existe amor verdadeiro entre as pessoas. O amor entre marido e esposa se baseia numa suposição de benefício mútuo. Antes de eu crer em Deus, meu marido nunca me tratou desse jeito. Mas quando ele começou a temer que seria implicado se eu fosse presa por crer em Deus, ele não deu importância alguma a todos os nossos anos de casamento, me espancou e até ameaçou me expulsar de casa. Ele não estava sendo cruel só para proteger os interesses dele? Quando percebi isso, eu pensei: “Já que ele está tentando me afastar, posso muito bem ir embora e ficar livre para crer em Deus e cumprir meu dever”. Mais tarde, quando meu filho estava numa aula particular com a tia, parti para uma igreja a uns cinquenta quilômetros de distância e finalmente pude ter vida de igreja e cumprir meu dever. Mas, na época, eu ainda me preocupava com o meu filho. Sempre que tinha algum tempo livre ou nos feriados, quando via as crianças voltando para os pais depois das aulas, eu pensava em como o meu filho devia estar triste por não me ter em casa e eu queria ir para casa para vê-lo. Mas eu temia que o meu marido me espancasse, me oprimisse e me repreendesse, por isso não ousava voltar. Tudo que eu podia fazer era chorar em segredo.

Então, um dia, em setembro de 2012, deparei com o meu cunhado na rua, e ele me obrigou a voltar para casa. Quando voltei para casa, meu marido convocou a família toda. Ele chamou o irmão mais novo e o irmão mais velho, meu padrasto e meu cunhado, para que tentassem me convencer. Meu cunhado me ameaçou, dizendo: “Se você não fosse minha cunhada, eu faria uma ligação e a mandaria para a Secretaria de Segurança Pública”. Meu padrasto jogou lenha no fogo, encorajou meu marido a reprimir minhas ações. Quando vi tudo isso acontecer, fiquei com medo de que, com tanta gente contra a minha crença em Deus, meu marido me oprimisse ainda mais no futuro, por isso eu disse que só estava voltando para casa para viver minha vida. Só então meus parentes se acalmaram. No terceiro dia de volta em casa, eu vi que a líder da minha igreja estava visitando a irmã ao lado, e, animada, fui para a casa dela para perguntar sobre as reuniões da igreja. Para a minha surpresa, meu marido me seguiu e gritou comigo, mandou que eu voltasse para casa. Eu não queria pôr minhas irmãs em encrenca, então corri voltar para casa. Quando a líder de igreja saiu da casa da minha irmã, meu marido a ameaçou com uma pá, dizendo: “Se você aparecer por aqui de novo, eu não serei tão legal!”. Depois pegou uma faca da cozinha e invadiu a casa da minha irmã, querendo esfaqueá-la, e o marido da minha irmã e eu tivemos que segurá-lo. Depois disso, parei de me reunir com meus irmãos, pois temia expô-los ao perigo.

Nessa época, experimentei muita angústia mental e, muitas vezes, me escondi e chorei. Uma vez, escapei de casa para conversar com uma irmã depois que o meu marido saiu, mas quando estava voltando, meu marido me viu na estrada enquanto voltava para casa. Ele gritou comigo, e disse: “Você sabia que eu poderia atropelar você com esse carro?”. Quando ouvi isso, meu coração congelou. Ele queria me atropelar com o carro só porque eu acreditava em Deus. Isso me fez ver ainda mais claramente que o meu marido era um demônio que odiava a Deus e que ele nunca deixaria de me oprimir. Eu não seria capaz de praticar minha fé naquela casa, então minha única opção era partir. Mas quando pensei em partir, fiquei muito triste. Eu tinha acabado de me reunir com o meu filho, e, se eu partisse de novo, seria muito difícil para ele! Se eu partisse, quem o guiaria a crer em Deus e trilhar a senda certa? Quanto mais pensava nisso, menos eu suportava me separar do meu filho. Tudo que podia fazer era vir para diante de Deus em oração: “Amado Deus! Meu marido não para de me oprimir e obstruir. Quero sair daqui para poder praticar a minha fé, mas não consigo deixar meu filho. Amado Deus! Não consigo decidir o que fazer e oro que Tu me esclareças e guies”. Depois disso, deparei-me com um hino das palavras de Deus: “As pessoas serão capazes de colocar de lado a sua carne durante esse breve período de tempo? Que coisas poderão cindir o amor entre o homem e Deus? Quem é capaz de romper o amor entre o homem e Deus? Os pais, os maridos, as irmãs, as esposas ou o refinamento doloroso? As sensações de consciência poderão apagar a imagem de Deus de dentro do homem? O endividamento e as ações das pessoas umas para com as outras são provocadas por elas mesmas? Elas podem ser remediadas pelo homem? Quem é capaz de se proteger? As pessoas são capazes de suprir a si mesmas? Quem são as pessoas fortes na vida? Quem é capaz de Me abandonar e viver por sua conta? Por que Deus pede repetidamente que todas as pessoas realizem a obra de autorreflexão? Por que Deus diz: ‘quem arranjou a dificuldade por suas próprias mãos?’” (Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos, “Será que o homem não consegue deixar de lado a sua carne durante esse breve período?”). As palavras de Deus tiveram um impacto profundo sobre mim, e eu me senti muito culpada. Pensei em como Deus encarnou na carne para salvar a humanidade, e expressa a verdade e realiza a Sua obra entre os homens com grande paciência, suportando humilhação profunda e oferecendo todo o Seu amor à humanidade, o objeto de Sua salvação. Pensando em todo o sofrimento que Deus suportou para salvar o homem, percebi como o amor de Deus é prático. Deus espera que nos levantemos e obedeçamos à Sua vontade, deixando tudo de lado para espalhar o evangelho e dar testemunho Dele. Esse é o amor de Deus por nós. Mas eu era egoísta, só pensava que ninguém cuidaria do meu filho se eu partisse, mas não obedecia à vontade de Deus. Eu me desprezei por ser fraca, inútil e sem consciência e incapaz de deixar tudo de lado para seguir a Deus. Já que eu era incapaz de renunciar ao meu filho, eu era obrigada a aceitar ficar presa em casa, ser espancada pelo meu marido, enjaulada e controlada sem nenhuma chance de ler as palavras de Deus e sem a chance de cumprir meu dever como um ser criado. Eu não tinha determinação alguma de buscar a verdade e amar a Deus. Abraão esteve disposto a desistir de seu único filho como sacrifício a Deus; por que eu não conseguia me separar temporariamente do meu filho para cumprir meu dever como um ser criado, buscar a verdade e receber a salvação de Deus? Eu não podia mais pôr meu dever de lado por não conseguir me separar do meu filho. Eu sabia que a obra de salvação de Deus estava terminando, e que, em breve, grandes calamidades viriam. Em casa, eu era incapaz de ler as palavras de Deus, participar das reuniões ou cumprir meu dever; se isso continuasse, eu não alcançaria a verdade e não seria capaz de preparar boas ações. Eu estava propensa a perecer em qualquer um dos desastres vindouros. Como, então, eu guiaria meu filho a trilhar a senda certa? O destino do meu filho também não estava nas mãos de Deus? Eu não tinha controle sobre quanto ele estava fadado a sofrer ou se ele trilharia a senda certa. Quando percebi isso, minha ansiedade diminuiu um pouco.

Depois disso, li mais algumas das palavras de Deus, aprendi um pouco mais da verdade e acabei parando de me preocupar com o meu filho. Eu li esta passagem. “Além do nascimento e da criação, a responsabilidade dos pais na vida de um filho é simplesmente proporcionar-lhe um ambiente formal para crescer, pois nada, exceto a predestinação do Criador, tem relação com o destino da pessoa. Ninguém pode controlar que tipo de futuro uma pessoa terá; ele é predeterminado com grande antecedência e nem mesmo os pais podem mudar o destino da pessoa. No que diz respeito ao destino, todos são independentes, e todos têm destino próprio. Logo, nenhum pai pode protelar o destino da pessoa na vida nem exercer a menor influência sequer no papel que ela desempenha na vida. Pode-se dizer que a família em que uma pessoa é destinada a nascer e o ambiente em que ela cresce nada mais são do que as precondições para o cumprimento da sua missão na vida. De modo algum eles determinam o destino da pessoa na vida nem o tipo de destino em meio ao qual ela cumpre a sua missão. E, portanto, os pais não podem ajudar a pessoa a realizar sua missão na vida, nem os parentes podem ajudá-la a assumir seu papel na vida. Como uma pessoa realiza sua missão e em que tipo de ambiente vital ela exerce seu papel são inteiramente determinados pelo destino da pessoa na vida. Ou seja, nenhuma outra condição objetiva pode influenciar a missão de uma pessoa, que é predestinada pelo Criador. Todas as pessoas amadurecem em seus ambientes específicos de crescimento; depois, gradativamente, passo a passo, tomam as próprias estradas na vida e consumam os destinos planejados para elas pelo Criador. Natural e involuntariamente, elas entram no vasto mar da humanidade e assumem seus postos na vida, onde começam a desempenhar suas responsabilidades como seres criados em prol da predestinação do Criador, em prol da Sua soberania” (A Palavra, vol. 2: Sobre conhecer a Deus, “O Próprio Deus, o Único III”). Por meio da leitura das palavras de Deus, eu percebi que o destino de uma criança não está ligado aos pais dela, mas é determinado pela soberania de Deus. O destino do meu filho estava nas mãos de Deus. Eu não podia controlar quanto meu filho sofreria ou se ele embarcaria na senda certa — tudo isso estava sujeito aos ditados dos arranjos de Deus. Eu me lembrei de José: ele tinha sido vendido como escravo no Egito ainda jovem e privado do cuidado e da orientação dos pais, mas Deus Jeová permaneceu com ele. Por mais que a esposa do capitão da guarda do faraó o seduzisse, ele nunca foi enganado. Além disso, José sofreu muitas adversidades no Egito, mas elas fortaleceram sua determinação e o ensinaram a confiar em Deus. Refleti sobre os irmãos que não deixaram seus lares para cumprir seus deveres — eles encorajavam seus filhos a praticar a fé e a trilhar a senda certa, e alguns desses filhos praticavam a fé e seguiam a Deus na senda certa, mas outros seguiam tendências mundanas malignas e ficavam cada vez mais decadentes. Eu vi que o que permitia a uma criança trilhar a senda certa não era o acompanhamento dos pais, mas se estava na natureza dela amar a verdade, e se Deus a tinha predestinado a fazer isso. Se meu filho tivesse humanidade e fosse um objeto da salvação de Deus, então, mesmo que eu não permanecesse ao lado dele, ele cresceria de forma saudável e viria a crer em Deus. Tudo isso estava nas mãos de Deus — eu não precisava me preocupar com isso. Em meus anos como crente, eu tinha desfrutado tanto da rega e do suprimento das palavras de Deus, mas era incapaz de cumprir meu dever como um ser criado por causa da minha ligação com o meu filho. Como eu era egoísta! Eu tinha que retribuir o amor de Deus espalhando o evangelho, dando testemunho Dele e trazendo mais pessoas para a casa de Deus. Em fevereiro de 2013, deixei minha família e peguei o trem para uma igreja numa cidade distante.

Quando o trem passou pela escola do meu filho, olhei para o prédio em que meu filho estava e pensei: “Quem sabe quando eu o verei de novo”. Não consegui segurar as lágrimas. Isso me fez odiar o governo autoritário do diabo Satanás ainda mais. Ele tinha me arrancado da minha família e me impedido de praticar minha fé e cumprir meu dever livremente. Nesse momento, ansiei ainda mais pelo tempo vindouro de alegria e liberdade em que Cristo reinaria supremo, e isso me impulsionou a buscar a verdade e a luz. Cantei um hino das palavras de Deus na minha mente: “Você é um ser criadovocê deveria, é claro, adorar Deus e buscar uma vida com significado. Já que você é um ser humano, você deveria se despender por Deus e aguentar todo o sofrimento! Você deveria aceitar o pequeno sofrimento a que é submetido hoje com alegria e certeza e viver uma vida significativa, como Jó e Pedro. Vocês são pessoas que buscam o caminho correto, aquelas que buscam melhoria. Vocês são as pessoas que se levantam na nação do grande dragão vermelho, aqueles a quem Deus chama de justos. Não é essa a vida mais significativa?” (Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos, “A vida mais significativa”). Ponderando sobre as palavras de Deus, eu percebi que Deus tinha predestinado que eu O seguiria e cumpriria meu dever nesse ambiente adverso — essa era a senda pela qual Deus estava me guiando. Como ser criado, eu estava pronta para me submeter aos arranjos de Deus, buscar a verdade e executar meu trabalho para satisfazer a Deus e humilhar o diabo Satanás. Quando percebi isso, me senti muito mais em paz e à vontade. Agradeci a Deus por me guiar para eu me livrar do cativeiro do meu marido, por permitir que eu cumprisse meu dever como um ser criado e trilhasse a senda certa.

Depois disso, fiquei cumprindo meu dever numa igreja longe de casa. Nesses anos, tenho experimentado as palavras e a obra de Deus, vim a entender algumas verdades e sinto que ganhei muita coisa. Graças a Deus por Sua orientação!

Notas de rodapé:

1. “Fazendo acusações infundadas” se refere aos métodos por meio dos quais o diabo prejudica as pessoas.

2. “Fortemente vigiada” indica que os métodos que o diabo usa para afligir as pessoas são particularmente perversos e controlam tanto as pessoas que elas não têm espaço para se mover.

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