Só por 300 mil yuans

13 de Março de 2024

Por Li Ming, China

Por volta das 21 horas do dia 9 de outubro de 2009, quando a minha esposa, minha filha e eu estávamos tendo uma reunião, de repente ouvimos uma batida urgente na porta. Corri esconder os nossos livros das palavras de Deus, e assim que a minha mulher abriu a porta, sete policiais invadiram a casa e um deles gritou: “Somos da Brigada de Segurança Nacional. Vocês vêm conosco!”. Forçaram-me a entrar numa viatura, e três policiais ficaram para trás para revistar a nossa casa. Descobri mais tarde que, cerca de meia hora depois de terem me levado, prenderam também a minha esposa.

No carro, eles me ameaçaram: “Seu líder já foi detido. Se nos disser tudo que sabe, não dificultaremos as coisas para você”. Eles disseram também algumas coisas caluniando a igreja. Fiquei tão irritado ao ouvir todas aquelas mentiras deles, mas também senti um pouco de medo, pois não sabia como me torturariam. Fiz uma oração a Deus no meu coração pedindo que Ele me protegesse, para que, por mais que sofresse, eu não me tornasse um judas e traísse a Deus. Levaram-me para a Brigada de Segurança Nacional, e dois policiais à paisana me levaram para uma sala no andar de cima, depois me jogaram num sofá. O capitão me perguntou: “Quando foi que você se tornou religioso? Onde faz suas reuniões? Quem é o seu líder? Quantas pessoas estão na sua igreja?”. Eu não respondi. Ele tirou algumas fotografias do bolso e me perguntou se eu reconhecia as pessoas que nelas se encontravam, ao que respondi: “Não”. Então ele disse: “O Deus Todo-Poderoso em que você acredita é expressamente proibido na China. O Comitê Central decretou há muito tempo que qualquer igreja clandestina deve ser exterminada, por isso é melhor começar a falar agora mesmo!”. Ele continuou, exigindo saber onde estavam os 300 mil yuans (cerca de 45 mil dólares) do dinheiro da igreja. Um dos policiais bateu na mesa e gritou, de olhos arregalados: “Temos os recibos e sabemos que vocês têm 300 mil yuans. Traga-nos esse dinheiro agora mesmo!”. Ao ver aquele olhar feroz no rosto dele, eu me irritei e respondi: “Esse dinheiro não é seu. Por que o exige? Por que quer apreendê-lo?”. Os dois policiais saltaram em mim e começaram a me bater no rosto, e continuaram me espancando das dez da noite à meia-noite. Meu rosto e a minha cabeça ficaram totalmente inchados, os ouvidos zumbiam, e todo o meu corpo doía. Deitei-me no chão, fechei os olhos e fiz uma oração silenciosa a Deus, pedindo que Ele me desse força e cuidasse do meu coração, para que, mesmo que fosse espancado até a morte, eu nunca entregasse o dinheiro da igreja, nunca me tornasse um judas. Os policiais viram que eu não diria nada, então me levaram para um centro de detenção e me deixaram algemado a uma grade de ferro durante a noite.

Colocaram-me numa casa de detenção, depois disso. Nos dias seguintes, os policiais me levaram para ser interrogado três vezes, para descobrir onde estava guardado o dinheiro da igreja, e eu não lhes disse nada. Pouco depois das oito da manhã do dia 17 de outubro, os policiais me levaram de volta para a Brigada de Segurança Nacional, algemaram minhas mãos e meus pés a uma cadeira de ferro, numa sala de interrogatório, e exigiram saber onde estava o dinheiro. Continuei sem dizer nada. Um policial pegou uma camada dupla de bambu finamente cortado e começou a chicotear-me na cabeça e na parte superior do corpo, para tentar forçar-me a abrir a boca. Minha cabeça foi jogada para trás e para a frente. Quando não conseguiu que eu abrisse a boca, ele torceu minhas orelhas violentamente enquanto as puxava para cima com muita força e gritava: “Eu lhe fiz uma droga de uma pergunta! Você é surdo ou o quê? Acha que pode me ignorar? Se bancar o durão, vou espancar você, e depois veremos quem é o durão!”. Dizendo isso, ele puxou meu cabelo perto dos meus ouvidos e depois puxou o cabelo no topo da minha cabeça para a frente e para trás. Achei que o meu couro cabeludo estava prestes a ser arrancado e fiquei muito tonto. Eles me atormentaram sem parar até umas dez dessa noite, e vendo que eu me recusava categoricamente a falar, me disseram cruelmente: “Já chega por hoje, mas é melhor que aproveite esta noite para pensar e nos dar umas respostas amanhã!”. Todo o meu corpo estava coberto de marcas de espancamento, e as minhas costas estavam ardendo de dor. Sem saber o que eles tinham reservado para mim no dia seguinte, eu me senti um pouco fraco, por isso orei em silêncio: “Deus Todo-Poderoso! Por favor, protege-me e dá-me fé para que eu não seja um judas nem Te traia, mesmo que isso signifique a minha morte”.

Na noite seguinte, o capitão da Brigada de Segurança Nacional veio interrogar-me. Ele me encarou furiosamente e gritou: “As provas estão bem na nossa cara, mas você não admite. Sugiro que crie juízo e fale, caso contrário pagará o preço!”. Vendo que eu ainda me recusava a falar, ele ficou tão furioso que se levantou e cerrou os punhos com um olhar demoníaco no rosto. Eu realmente não sabia como reagiria se ele começasse a me bater com aqueles punhos! Rapidamente, fiz uma oração: “Deus Todo-Poderoso! Por favor, fica comigo e afasta o meu medo de mim. Guia-me para dar testemunho”. Depois da minha oração, lembrei-me de algo que Deus disse: “De fora, os poderosos podem parecer perversos, mas não temam, pois isso é porque vocês têm pouca fé. Se sua fé aumentar, nada será difícil demais(A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Declarações de Cristo no princípio, Capítulo 75”). Por mais ferozes que os policiais sejam, eles também estão nas mãos de Deus. Não podem me fazer nada sem a permissão de Deus, por isso eu sabia que devia confiar em Deus para dar testemunho. Esse pensamento fortaleceu a minha fé, e eu já não senti tanto medo. Nesse momento, um policial careca olhou para mim e gritou: “Temos uns truques na manga, se você não falar! Vamos levá-lo ao escritório provincial, e aqueles caras certamente farão você falar”. Mas eu não disse nada, por mais que me ameaçassem.

Alguns dias depois, eles me levaram para outra sala de interrogatório da Brigada de Segurança Nacional. As quatro paredes estavam cobertas com esponjas muito espessas, e havia uma cadeira de ferro no meio da sala. Um policial me sentou na cadeira, prendeu nela minhas mãos e meus pés, e depois continuou a me interrogar sobre o paradeiro do dinheiro da igreja. Perguntou-me ferozmente: “Você vai me entregar esses 300 mil ou não? Acha que vai ficar bem se não disser nada? Tenho todo o tempo do mundo para você!”. Ele pegou um daqueles cortes de bambu e começou a me chicotear com muita força na parte superior do corpo, enquanto gritava: “Você é surdo ou o quê? Ouviu o que eu disse?”. Depois puxou minhas orelhas para cima com força e puxou meu cabelo nas têmporas. Ele agarrou o cabelo no topo da minha cabeça e o sacudiu para trás e para a frente o mais forte que pôde. Foi insuportavelmente doloroso, como se o meu couro cabeludo estivesse prestes a rasgar. Voltaram a me chicotear com o bambu depois disso, e eu fiquei inchado, com marcas de sangue em todo o corpo. A dor era realmente difícil de suportar. Eu odiei profundamente aqueles policiais e também senti um pouco de medo, pois não sabia até quando continuariam a me torturar nem se eu conseguiria suportar. Orei a Deus: “Ó Deus, Satanás está me torturando implacavelmente, tentando quebrar a minha determinação para que eu Te traia e eles possam roubar o dinheiro da igreja. Deus, temo não poder suportar fisicamente. Por favor, protege-me e dá-me fé”. Lembrei-me de um hino das palavras de Deus depois da minha oração, chamado “A dor das provações é uma bênção de Deus”: “Não fique desanimado, não seja fraco, e Eu esclarecerei as coisas a você. A estrada para o reino não é tão fácil; nada é assim simples! Vocês querem que as bênçãos venham a vocês facilmente, não querem? Hoje, todos terão provações amargas para enfrentar. Sem tais provações, o coração amoroso que vocês têm por Mim não se tornará mais forte e vocês não terão um amor verdadeiro por Mim. Mesmo se essas provações consistirem simplesmente de circunstâncias menores, todos devem passar por elas; só a dificuldade das provações é que variará de uma pessoa para outra. As provações são uma bênção Minha, e quantos de vocês vêm com frequência diante de Mim e imploram de joelhos as Minhas bênçãos? Sempre pensam que umas poucas palavras auspiciosas contam como Minha bênção, porém não reconhecem que o amargor é uma das Minhas bênçãos(A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Declarações de Cristo no princípio, Capítulo 41”). Ao contemplar as palavras de Deus, percebi que experimentar opressão e adversidade é Deus aperfeiçoando a nossa fé. Deus esperava que eu pudesse dar testemunho Dele perante Satanás. Por mais que sofresse na carne, eu não podia ceder a Satanás, e devia dar testemunho de Deus e satisfazê-Lo. Pensando assim, achei que não era tão difícil; apenas cerrei os dentes e resisti à tortura. Eles me ameaçaram quando viram que eu continuava sem falar depois de terem me espancado por dez ou quinze minutos: “Não está dizendo uma palavra — não tem medo da prisão? Se for preso, será uma mancha permanente. Seus filhos nunca entrarão no serviço público nem poderão se afiliar ao Partido. Você estará arruinando o futuro deles!”. Não fui afetado pelo que disseram, porque sabia, no meu coração, que o destino das pessoas está inteiramente nas mãos de Deus. O futuro dos meus filhos estava sujeito ao governo e aos arranjos de Deus, e a polícia não tinha uma palavra a dizer sobre isso. Nesse momento, um dos policiais chamou a minha filha, e eu ouvi a voz dela do outro lado: “Papai! Você e a mamãe estão bem aí dentro?”. Eu lhe disse: “Estamos bem, não se preocupe. Fique em casa e tome conta do seu irmão”. Os policiais tentaram outra tática quando viram que essa não tinha funcionado, dizendo: “Vou ser sincero com você. Seu cunhado e eu somos da mesma cidade e trabalhamos na mesma unidade. O secretário da sua aldeia e eu também servimos juntos no exército. Fiz perguntas sobre você, e todos disseram que é um bom sujeito, por isso apenas nos diga o que sabe e o deixamos em paz”. Certo de que isso era um truque de Satanás, orei a Deus em silêncio, pedindo que Ele protegesse o meu coração. Quando eu não respondi, ele continuou: “Sua esposa já falou, por isso apenas nos diga o que queremos saber. Onde estão os 300 mil?”. Eu disse: “Não tenho nada a dizer”. Começaram a me torturar novamente quando viram que as tentativas de me seduzir não estavam funcionando.

Uma noite, não me deixaram comer nem dormir, e no segundo em que eu fechava os olhos, eles começavam a me bater na cabeça com o bambu. Se as minhas costas se curvassem só um pouco, eles me batiam com muita força. Era outubro, por isso as noites eram muito frias, e eu só vestia uma camisa com um paletó. No fim da madrugada, fazia tanto frio que meu corpo inteiro tremia. Um dos policiais gritou: “Não pense que vai ter uma vida fácil se não falar. Vai morrer na miséria!”. Ouvir isso me enfraqueceu um pouco. Eu não sabia por quanto tempo continuariam a me torturar ou se eu seria capaz de continuar a suportar isso. Estava orando a Deus sem parar, pedindo que Ele me guiasse e cuidasse de mim. Também resolvi que, independentemente do que encarasse, eu jamais trairia a Deus. Os policiais que se revezavam usavam roupas bem quentes, e todos pegaram resfriado, mas embora eu tivesse apenas a minha camisa fina e fosse torturado por eles a noite toda, eu estava completamente bem. Agradeci a Deus pelos Seus cuidados. Um policial resmungou comigo, tossindo: “Esse resfriado que eu peguei é culpa sua!”. Então um deles veio e me bateu com tanta força no lado esquerdo do rosto que fiquei vendo estrelas. Foi como se toda a sala estivesse girando. Outro policial não parava de rir; depois se aproximou e me bateu com muita força no lado direito do rosto, gritando: “Vai falar ou não? Onde está o dinheiro? Ficamos todos doentes graças a esse interrogatório. Vamos espancá-lo até a morte e encerrar o expediente!”. Enquanto dizia isso, ele empurrou as algemas com muita força nos meus pulsos, depois acotovelou as algemas com muita força várias vezes até ficarem profundamente inseridas na minha carne. Senti que as minhas mãos estavam prestes a quebrar. Logo ficaram pretas e azuis — eu estava com dores agonizantes, todo o meu corpo tremia, e eu estava suando profusamente. Esse tipo de dor é impossível de descrever. Nesse momento, eu achei que não conseguiria suportar mais nada, por isso orei a Deus vezes sem conta, pedindo que Ele me protegesse para que eu pudesse permanecer firme. Ao ver o meu olhar doloroso, um policial zombou de mim: “Você acredita em Deus, então que seu Deus venha salvá-lo!”. Eu sabia que Satanás estava me testando. Pensei que o Partido Comunista queria usar a tortura para me levar a trair e negar a Deus, mas quanto mais ele me perseguia, mais claramente eu via a sua face maligna de odiar e se opor a Deus, e mais resoluto eu ficava para ter fé e seguir a Deus. Então orei: “Deus! A tortura brutal que o Partido Comunista me infligiu hoje é algo que Tu permitiste para que eu possa ver que é o diabo Satanás, que é Teu inimigo. Estou disposto a abandoná-lo e a rejeitá-lo de todo o coração, e estou firmemente decidido a seguir a Ti!”.

Depois disso, um oficial pisou algumas vezes com muita força nas algemas com o salto do sapato, cravando-as na carne dos meus pulsos. Foi uma dor tão intensa que nem consegui respirar. Uma hora depois, minhas mãos começaram a ficar pretas, e as veias por todo o meu corpo estavam dilatadas. Parecia que a minha cabeça estava prestes a explodir, e até o meu coração doía. Tive dores no corpo inteiro que nem consigo descrever. Tive medo de perder o uso das mãos se isso continuasse. Pensei no meu pai idoso, que precisava de cuidados, e na minha filha e no meu filho, que ainda estávamos criando. Como eu cuidaria deles, jovens e velhos, se perdesse as minhas mãos? E se eu contasse aos policiais algumas coisas sem consequências? Mas eu sabia que entregar informações significaria que eu me tornaria um pecador por todas as eras. No entanto, já não conseguia resistir a essa tortura, e só queria morrer para pôr fim ao sofrimento, e dessa forma também não trairia a Deus. Queria empalar-me no canto da mesa para morrer e acabar com aquilo. Em lágrimas, fiz a minha última oração a Deus: “Deus Todo-Poderoso! Foi por meio da Tua graça que pude experimentar a Tua obra dos últimos dias. Não quero morrer tão cedo, mas já não consigo lidar com a tortura de Satanás e tenho medo de Te trair. Não quero magoar-Te”. Durante a minha oração, algumas das palavras de Deus me vieram à mente: “Durante estes últimos dias, vocês devem dar testemunho de Deus. Não importa quão grande seja o sofrimento de vocês, devem caminhar até o fim e até mesmo até seu último suspiro, ainda assim vocês devem ser fiéis a Deus e ficar à mercê de Deus; só isso é realmente amar a Deus e apenas isso é o testemunho forte e retumbante(A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Somente experimentando provações dolorosas é que você pode conhecer a amabilidade de Deus”). As palavras de Deus fortaleceram a minha fé. Deus estava permitindo que eu passasse por essa dor para aperfeiçoar a minha fé, mas, não entendendo a vontade de Deus, eu não estava pensando em como dar testemunho de Deus perante Satanás. Estava apenas pensando em como escapar daquela situação. Como eu era egoísta! Eu sabia que não podia morrer assim — contanto que ainda tivesse um fôlego sequer em mim, eu devia dar testemunho de Deus! Orei: “Deus, a minha vida está nas Tuas mãos, e quero submeter-me ao que Tu planejas para mim. Por favor, dá-me fé e protege-me para que eu possa permanecer forte”. Os policiais viram que não conseguiriam nada de mim e disseram, em tom ameaçador: “Pense bem esta noite, e amanhã voltaremos para fazer algumas perguntas”.

A essa altura, eu tinha passado três dias e duas noites sem dormir. Estava à beira do esgotamento, meu coração estava em sofrimento, e todo o meu corpo doía demais. A ideia de que os policiais me interrogariam novamente no dia seguinte me manteve acordado a noite toda, e eu orei a Deus sem parar: “Ó Deus! Temo que os policiais continuem a me torturar amanhã e que eu não serei capaz de resistir fisicamente. Deus, por favor, protege-me e dá-me fé e força. Eu quero dar testemunho e humilhar Satanás”. Lembrei-me de algo das palavras de Deus após a minha oração: “Quando encarar sofrimentos, você deve ser capaz de deixar de lado qualquer preocupação com a carne e de não fazer reclamações contra Deus. Quando Deus Se esconde de você, você deve ser capaz de ter a fé para segui-Lo e de manter seu antigo amor sem permitir que fraqueje ou se dissipe. Não importa o que Deus faça, você deve se submeter ao Seu desígnio e estar preparado para amaldiçoar a própria carne em vez de fazer reclamações contra Ele. Quando encarar provações, você deve satisfazer a Deus, embora você possa chorar amargamente ou se sentir relutante em se separar de algum objeto amado. Somente isso é amor e fé verdadeiros(A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Aqueles que hão de ser aperfeiçoados devem passar pelo refinamento”). Refleti sobre as palavras de Deus e pude ver que Ele estava permitindo que isso acontecesse comigo para testar se eu tinha fé verdadeira ou não, e para me dar uma oportunidade de dar testemunho de Deus. Pensei em Jó, que foi testado por Satanás, perdeu todos os seus bens, seus filhos, e teve todo o corpo coberto de chagas. Mesmo assim, Jó não culpou Deus, mas louvou o Seu nome, dando um testemunho retumbante de Deus. Pedro também sofreu perseguição e estava perfeitamente disposto a ser crucificado de cabeça para baixo por amor a Deus, amando a Deus e submetendo-se a Ele a ponto de desistir da vida. Mas depois de um pouco de tortura cruel da parte de alguns policiais, eu só pensava na minha carne e queria fugir após passar apenas por um pouco de sofrimento. Eu não tinha fé e obediência verdadeiras a Deus, muito menos testemunho. Quanto mais pensava nisso, mais me sentia envergonhado, e fiz uma oração: “Deus, a minha vida não vale nada. Não importa o que a polícia faça comigo depois disso, não importa quanto sofrimento físico eu tenha que suportar, não quero mais pensar em mim. Quero colocar-me nas Tuas mãos e submeter-me aos Teus arranjos e orquestrações”. Depois dessa oração, aconteceu algo maravilhoso — toda a dor no meu corpo simplesmente desapareceu, e eu me senti como se, de repente, estivesse muito mais leve. Agradeci sinceramente a Deus. No dia seguinte, por volta das oito da manhã, os policiais voltaram para me interrogar, exigindo saber onde estava o dinheiro, mas não importava como me interrogavam, eu apenas dizia que não sabia. Eles me submeteram a vários turnos de interrogatório, e quando ainda não conseguiam obter nenhuma informação útil de mim, deixaram-me com um comentário de despedida: “Anseie pela prisão!”. Pensei que, mesmo que ficasse na prisão até o fim dos meus dias, eu nunca trairia a Deus.

Depois de um mês de detenção, acabaram me sentenciando a um ano de reeducação através de trabalho, acusando-me de “usar uma organização de culto para minar a aplicação da lei”. Ao ver quanto o Partido Comunista odeia as pessoas de fé, lembrei-me de algo que Deus disse: “Portanto, não é de surpreender que Deus encarnado continue completamente escondido: em uma sociedade obscura como esta, onde os demônios são impiedosos e desumanos, como o rei dos demônios, que mata pessoas sem piscar um olho, poderia tolerar a existência de um Deus que é amável, bondoso e também santo? Como poderia aplaudir e comemorar a chegada de Deus? Lacaios! Retribuem bondade com ódio, há muito começaram a tratar Deus como inimigo, abusam de Deus, são selvagens ao extremo, não têm a menor consideração por Deus, saqueiam e pilham, perderam toda a consciência, contrariam toda consciência e tentam os inocentes à insensatez. Ancestrais dos antigos? Líderes adorados? Todos eles se opõem a Deus! Sua interferência deixou tudo que está debaixo do céu em estado de escuridão e caos! Liberdade religiosa? Direitos e interesses legítimos dos cidadãos? São todos truques para encobrir o pecado! […] Por que erguer um obstáculo tão impenetrável para a obra de Deus? Por que usar diversos truques para enganar o povo de Deus? Onde estão a verdadeira liberdade e os direitos e interesses legítimos? Onde está a justiça? Onde está o conforto? Onde está a ternura? Por que usar esquemas ardilosos para enganar o povo de Deus? Por que usar força para suprimir a vinda de Deus? Por que não permitir que Deus circule livremente pela terra que Ele criou? Por que perseguir Deus até que Ele não tenha mais onde descansar a Sua cabeça? Onde está o calor entre os homens?(A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Obra e entrada (8)”). O Partido Comunista tenta se apresentar como cheio de virtude e moralidade, discursando sobre liberdade religiosa, ao mesmo tempo que emprega secretamente táticas para prender e perseguir o povo escolhido de Deus, pensando em vão que pode aniquilar os crentes. A humanidade foi criada por Deus, e a nossa fé e a adoração a Deus são corretas e naturais, mas o Partido Comunista está loucamente nos prendendo e oprimindo, tentando levar-nos a negar e a trair a Deus. Pude ver que ter o Partido Comunista no poder era ter Satanás no poder — o Partido odeia a verdade e odeia Deus. É, em essência, Satanás, o diabo, que é hostil a Deus. Antes, eu nunca conseguia ver a essência demoníaca do Partido Comunista, mas essa prisão me deu certo discernimento e eu me tornei capaz de renunciar a ele e rejeitá-lo de coração. Também me tornei mais resoluto na minha confiança para seguir a Deus.

Fui levado para um campo de trabalho em 9 de novembro de 2009, onde a polícia conseguiu que dois outros prisioneiros ficassem de olho em mim. Nunca saíam do meu lado, e eu tinha de me reportar a eles até para usar o banheiro. Os guardas penitenciários não me deixavam falar com ninguém, com medo de que eu compartilhasse o evangelho com alguém, e eu tinha de recitar as regras da prisão todos os dias. Se cometia erros ao recitá-las, eu era obrigado a ficar de pé, como castigo. Eu fazia um trabalho extremamente árduo desde a manhã até a noite, dia após dia, e se não conseguisse terminar as minhas tarefas eu era xingado, espancado e era obrigado a ficar de pé, como castigo. O que me davam de comida era pior do que a gororoba que se dá a um porco. Toda refeição só consistia em um pequeno pãozinho cozido a vapor e um pouco de sopa aguada com só um pedaço de cenoura do tamanho de um dedo mindinho. Eu sempre trabalhava de estômago vazio. Sempre que me sentia entristecido e deprimido, eu orava a Deus ou cantarolava silenciosamente alguns hinos das palavras de Deus para mim mesmo. Foi assim que passei aquele ano de vida na prisão.

Depois de sair da prisão, o policial me alertou: “Você não pode se afastar da sua casa por um ano inteiro. Deverá estar pronto para comparecer quando o chamarmos”. Depois de voltar para casa, eu soube que, depois de prenderem a minha esposa, os policiais também a interrogaram sem parar sobre onde estava guardado o dinheiro da igreja. Ela não lhes disse nada e foi libertada de uma casa de detenção depois de ficar detida por 23 dias. Como não conseguiram obter informação alguma sobre o paradeiro do dinheiro, os policiais foram à nossa casa para revistá-la duas vezes, até abriram o teto e interrogaram nossos dois filhos sobre a nossa fé. Foram até à escola do nosso filho para assediá-lo. Nossos filhos ficaram tão assustados que viviam constantemente no limite e nunca se sentiam seguros. Ver como aqueles policiais nem sequer deixavam um par de crianças em paz só para colocar as mãos num dinheiro encheu-me de ódio daqueles demônios do Partido Comunista. Depois da minha libertação, a vigilância policial me impediu de ler as palavras de Deus e de assistir a reuniões. Não tive escolha senão sair da cidade para compartilhar o evangelho e cumprir o meu dever. A polícia ainda me persegue até hoje e continua pressionando os meus familiares e irmãos e irmãs com quem eu costumava estar em contato para obter informações sobre o meu paradeiro.

Passei por um pouco de sofrimento físico por causa dessa perseguição e dessa adversidade, mas experimentei verdadeiramente o amor de Deus. Quando estava sendo torturado, sempre que eu não aguentava mais, foram as palavras de Deus que me deram fé e força e me mostraram o caminho para permanecer forte. Foram também as palavras de Deus que me levaram a enxergar os truques de Satanás e a superar as tentações de Satanás, uma após a outra. Por meio de tudo isso, pude ver o poder e a autoridade das palavras de Deus e que só Deus pode salvar a humanidade. Minha fé em Deus cresceu. Eu vi, também, claramente o rosto maligno do Partido Comunista, que odeia Deus e trabalha contra Ele. Consegui abandoná-lo e rejeitá-lo do fundo do meu coração. Por mais perseguição e sofrimento que possa sofrer no futuro, cumprirei sempre o meu dever de satisfazer a Deus!

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