Tortura de sala de interrogatório

24 de Outubro de 2019

Por Xiao Min, China

Nasci em uma parte pobre e atrasada do interior e vivi uma vida difícil e empobrecida quando criança. Para alcançar uma vida melhor assim que possível, depois que me casei, comecei a trabalhar feito louca. No entanto, acabei ficando doente devido ao excesso de trabalho, e passei de estar em forma e saudável a ser atormentada por doenças. Vivia em um estado de dor causado por minhas doenças e procurava orientação e tratamento médico sempre que podia. Acabei gastando muito dinheiro, mas minhas doenças nunca melhoraram. Na primavera de 1999, duas irmãs pregaram o evangelho da obra de Deus Todo-Poderoso dos últimos dias para mim. Ao ler as palavras de Deus Todo-Poderoso, percebi a autoridade e o poder das palavras de Deus, sabia que nenhum ser humano poderia tê-las dito, e que as palavras de Deus Todo-Poderoso são realmente a voz de Deus. Fiquei absolutamente certa de que Deus Todo-Poderoso é o Senhor Jesus retornado, e que Ele pode nos salvar de toda a nossa dor. Ao ler cada vez mais as palavras de Deus, cheguei a entender algumas verdades e a ter um entendimento profundo de muitas coisas no mundo. Meu espírito sufocado e dolorido se sentiu liberto e tive uma recuperação gradual de minhas doenças. Minha gratidão a Deus não tinha limites e comecei a pregar ativamente o evangelho e a dar testemunho da obra de Deus dos últimos dias.

Não demorou muito para que eu fosse presa três vezes seguidas pelo governo do Partido Comunista Chinês (PCC) por pregar o evangelho, e cada vez que fui presa, Deus Todo-Poderoso me guiou para vencer a perseguição de Satanás. Em 2012, no cumprimento de meu dever para com a igreja, caí mais uma vez na cova do monstro e fui submetida a tormento pelas mãos do diabo Satanás… Perto do entardecer do dia 13 de setembro de 2012, voltei para casa e, como sempre fazia, estacionei minha motoneta do lado de fora e toquei a campainha. Para minha surpresa, assim que abri a porta, quatro homens corpulentos lançaram-se sobre mim como lobos. Eles torceram meus braços atrás das minhas costas e me algemaram, depois me empurraram para uma cadeira e me imobilizaram ali. Vários policiais começaram imediatamente a vasculhar minha bolsa… Diante dessa repentina e feroz demonstração de força, fiquei pasma de medo e me senti como um cordeirinho deplorável apanhado por lobos cruéis, sem forças para resistir a tudo. Eles então me levaram para fora e me colocaram na parte de trás de um carro sedã preto. Dentro do carro, o chefe de polícia, parecendo um homenzinho patético embriagado com seu próprio sucesso, virou-se e sorriu maliciosamente para mim, dizendo: “Ah! Sabe como nós a pegamos?” Temendo que eu pudesse tentar fugir, os policiais me seguraram de ambos os lados, como se eu fosse uma criminosa perigosa. Senti raiva e pânico, e não conseguia prever como a polícia me puniria e atormentaria. Eu estava com muito medo de não conseguir suportar a tortura deles e de me tornar um Judas e trair Deus. Mas então pensei nas palavras de Deus: “Desde que orem e supliquem diante de Mim frequentemente, darei a vocês toda a fé. De fora, os poderosos podem parecer perversos, mas não temam, pois isso é porque vocês têm pouca fé. Se sua fé aumentar, nada será difícil demais” (‘Capítulo 75’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus Todo-Poderoso me deram fé e força e, gradualmente, elas me ajudaram a me acalmar. “Sim”, pensei. “Não importa o quão selvagem e feroz a polícia perversa seja, ela é apenas um peão nas mãos de Deus e está nas orquestrações de Deus. Enquanto eu orar e invocar a Deus com um coração verdadeiro, Deus estará comigo e não há nada com que me preocupar. Se esses policiais perversos me torturarem e espancarem cruelmente, será apenas Deus que quer testar minha fé. Não importa como eles possam atormentar minha carne, eles nunca poderão impedir que meu coração olhe para Deus e O invoque. Mesmo que eles matem minha carne, não podem matar minha alma, pois tudo o que sou é mantido nas mãos de Deus.” Depois de pensar nisso, eu não mais temia Satanás, o diabo, e resolvi testificar de Deus. Por isso, clamei em meu coração: “Deus Todo-Poderoso! Não importa o que eles façam comigo hoje, estou disposta a enfrentar tudo. Embora minha carne seja fraca, desejo viver confiando em Ti e não dar a Satanás uma chance sequer de me explorar. Por favor, protege-me, não deixes que eu Te traia nem que me torne um Judas vergonhoso.” Enquanto o carro se movimentava, fiquei cantando em minha mente um dos hinos da igreja: “Por Seu plano santo e soberania, passo por provações. Como posso desistir ou me esconder? O importante é Sua glória. Na adversidade, a palavra de Deus me guia, aperfeiçoa-se a minha fé. Com dedicação total, e de forma absoluta devoto-me a Deus; sem temer a morte. Sua vontade sobre tudo sempre está” (‘Só o que peço é que Deus seja satisfeito’ em “Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). Ao cantar silenciosamente, meu coração estava cheio de força e fiquei determinada a confiar em Deus para testemunhar e humilhar Satanás.

Depois que eles me levaram para a sala de interrogatório, fiquei surpresa ao ver que uma irmã que desempenhava o mesmo dever de igreja que eu e uma líder da igreja também estavam lá. Todas também haviam sido presas! Um dos policiais me viu olhando para as irmãs da igreja, fixou em mim o seu olhar e me repreendeu, dizendo: “O que você está olhando com essa cara de boba? Entre ali!”. Para nos impedir de conversar, a polícia nos trancou em salas de interrogatório diferentes. Eles me revistaram agressivamente, abriram meu cinto e passaram a mão por todo o meu corpo. Pareceu-me um insulto tão grosseiro, e vi o quão verdadeiramente malignos, desprezíveis e maus são esses subordinados demônios do governo do PCC! Fiquei furiosa, mas tive que engolir minha fúria, pois não havia espaço nesse covil de monstros para existir razão. Depois que confiscaram uma motoneta nova que pertencia à igreja e mais de 600 yuans que eu tinha comigo, começaram a me interrogar. “Qual seu nome? Qual é sua posição na igreja? Quem é seu líder? Onde ele está agora?” Como não respondi, o policial rugiu para mim: “Você acha que não descobriremos se você não nos contar? Você não tem ideia do que podemos fazer! Saiba que prendemos seus líderes de nível superior também!”. Eles então passaram a listar alguns nomes e perguntaram se eu conhecia algum deles, e continuaram a me interrogar. “Onde é guardado todo o dinheiro da sua igreja? Diga-nos!” Rejeitei tudo o que eles falaram, dizendo: “Não conheço ninguém! Não sei de nada!”. Quando viram que sua primeira rodada de perguntas havia falhado, decidiram jogar suas melhores cartas e começaram a se revezar em me interrogar e atormentar na tentativa de me desgastar. A vergonha de não haverem conseguido obter as informações que queriam de mim no primeiro dia fez com que os policiais ficassem irados e um chefe dentre eles me disse violentamente: “Não vou ceder à recalcitrância dela. Torturem-na!”. Quando o ouvi dizer isso, meu espírito vacilou e comecei a ter medo, e fiquei preocupada com já estar desmoronando sob o tormento deles. Tudo o que pude fazer foi invocar sinceramente a Deus: “Oh, Deus Todo-Poderoso! Eu me sinto tão fraca agora, e toda a força me deixou. Mas a polícia quer me torturar e eu realmente não sei se conseguirei ficar firme. Por favor, sê comigo e me dá forças”. Os policiais pegaram minhas mãos algemadas que ainda estavam nas minhas costas e as penduraram em uma mesa quebrada, depois me forçaram a ficar em posição de meio agachamento. Eles me olhavam com hostilidade e me pressionaram com perguntas. “Onde está o seu líder? Onde está todo o dinheiro da igreja?” Eles estavam ansiosos para eu quebrar sob a pressão daquela tortura e capitular para eles. Depois que os policiais perversos continuaram esse tormento por cerca de meia hora, minhas pernas começaram a doer e tremer. Meu coração estava batendo forte e meus braços doíam muito também. Eu estava no limite da minha resistência e senti que não conseguiria durar mais um momento, por isso gritei com sinceridade em meu coração: “Oh, Deus Todo-Poderoso! Por favor, salva-me. Eu não aguento mais. Não quero trair-Te como um Judas. Por favor, me dê força.” Nesse momento, essas palavras de Deus vieram à mente: “Por trás de cada passo da obra que Deus faz em vocês está a aposta de Satanás com Deus — por trás disso tudo há uma batalha. […] Quando Deus e Satanás lutam no reino espiritual, como você deve satisfazer a Deus e como você deve permanecer firme em seu testemunho a Ele? Você deve saber que tudo que acontece com você é uma grande provação e é o momento em que Deus precisa que você dê testemunho” (‘Apenas amando a Deus é que verdadeiramente se crê em Deus’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus me despertaram e me permitiram perceber que Satanás estava me atormentando dessa maneira para me fazer trair a Deus e desistir de buscar a verdade. Essa era uma batalha que estava sendo travada no reino espiritual: era Satanás tentando me tentar, e também era a maneira de Deus me provar. Esse era o exato momento em que Deus precisava que eu testemunhasse. Deus tinha expectativas sobre mim e muitos anjos estavam me observando agora, assim como Satanás, o diabo, todos esperando que eu declarasse minha posição. Eu não podia simplesmente desistir e me deitar, e não podia me render a Satanás; eu sabia que tinha que permitir que a obra de Deus fosse realizada através de mim para satisfazer a vontade de Deus. Por princípio inalterável, esse era o dever que eu deveria desempenhar como um ser criado — esse era meu chamado. Nessa conjuntura crucial, minha atitude e meu comportamento deveriam ter um impacto direto em minha capacidade de dar testemunho vitorioso de Deus, e, ainda mais, deveriam ter impacto direto em minha capacidade de me tornar um testemunho da derrota de Satanás por Deus e do fato de Deus ganhar glória. Eu sabia que não poderia causar pesar a Deus ou desapontá-Lo, e não podia permitir que os ardilosos planos de Satanás que me afligiam fossem bem-sucedidos. Tendo esses pensamentos, uma força se formou subitamente em meu coração e eu disse com convicção: “Você pode me bater até a morte, mas eu ainda não sei de nada!”. Exatamente naquele momento, uma policial entrou na sala. Ela me viu e disse: “Solte-a rapidamente. O que vocês estão tentando fazer, matá-la? Será sua responsabilidade se algo acontecer com ela!”. Eu sabia em meu coração que Deus Todo-Poderoso ouvira minhas orações e havia me mantido a salvo do mal nesse momento de perigo. Quando os policiais perversos me soltaram, desmoronei imediatamente no chão. Eu não conseguia ficar em pé, e meus braços e pernas haviam perdido totalmente todas as sensações. Eu mal tinha forças para respirar e não conseguia sentir meus quatro membros. Eu me senti tão assustada naquele momento, e lágrimas rolaram incessantemente dos meus olhos. Pensei: “Eu vou acabar aleijada?”. Apesar disso, no entanto, os policiais perversos ainda não me soltaram. Com um de cada lado, eles seguraram meus braços e me arrastaram como um cadáver para uma cadeira quebrada, e me jogaram nela. Um dos policiais disse violentamente: “Se ela não falar, pendure-a com corda!” Muito rapidamente, o outro policial perverso pegou uma corda fina de nylon e a usou para pendurar minhas mãos algemadas em um cano de aquecimento. Meus braços foram esticados imediatamente, e minhas costas e ombros logo começaram a doer. Os policiais perversos continuaram me interrogando, perguntando: “Você vai nos dizer o que queremos saber?”. Ainda assim, eu não respondi. Eles ficaram com tanta raiva que jogaram um copo de água no meu rosto, dizendo que era para me acordar. A essa altura, eu já tinha sido torturada a ponto de não ter mais um grama de força, e meus olhos estavam tão cansados que nem conseguia abri-los. Ao perceber que permanecia em silêncio, um dos policiais perversos, com maldade e sem vergonha, abriu meus olhos à força com as mãos para zombar de mim. Depois de várias horas de interrogatório e tortura, os policiais perversos haviam utilizado todos os expedientes que conheciam, mas suas tentativas de me fazer falar acabaram, mais uma vez, em fracasso.

Vendo que não conseguiam tirar nada de mim ao me interrogar, os policiais perversos decidiram empregar uma trama diabólica: eles pediram que alguém da cidade que se autodenominava “especialista em interrogatórios” lidasse comigo. Eles me levaram para outra sala e ordenaram que eu sentasse em uma cadeira de metal, depois acorrentaram meus tornozelos firmemente nas pernas da cadeira e minhas mãos nos braços da cadeira. Pouco depois, um homem de óculos e aparência refinada entrou com uma maleta. Ele sorriu largamente para mim e, fingindo ser legal, soltou as correntes que prendiam minhas mãos e tornozelos na cadeira e me permitiu sentar em uma cama de armar a um do lado da sala. Em um momento, ele me serviu um copo de água, depois me deu doces. Ele veio até mim e disse com fingida simpatia: “Por que sofrer assim? Você sofreu muito, mas na verdade não é grande coisa. Diga-nos o que queremos saber e tudo ficará bem…” Diante dessa nova situação, eu não sabia o que fazer, então orei apressadamente a Deus em meu coração e pedi a Ele que me iluminasse e guiasse. Naquele exato momento, pensei nas palavras de Deus Todo-Poderoso: “Vocês precisam estar atentos e em espera o tempo todo e precisam orar mais perante Mim. Vocês precisam reconhecer os diversos complôs e esquemas astutos de Satanás, reconhecer os espíritos, conhecer as pessoas e ser capazes de discernir todos os tipos de pessoas, acontecimentos e coisas” (‘Capítulo 17’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus me mostraram a senda da prática e me ajudaram a perceber que um diabo será sempre um diabo, e que um diabo nunca pode mudar sua essência diabólica, que resiste a Deus e que odeia Deus. Quer utilize táticas duras ou suaves, seu objetivo é sempre me fazer trair a Deus e abandonar o verdadeiro caminho. Graças à advertência das palavras de Deus, tive algum discernimento a respeito dos esquemas ardilosos de Satanás, minha mente se abriu e consegui assumir uma posição firme. O interrogador então me disse: “O governo do PCC proíbe as pessoas de acreditarem em Deus. Se você continuar acreditando em Deus Todo-Poderoso, toda a sua família será envolvida e isso afetará o futuro, as perspectivas de emprego e as perspectivas de serviço público dos filhos em sua família. É melhor você refletir sobre isso com cuidado…” Depois que ele disse isso, iniciou-se uma forte batalha dentro de mim, e eu me senti duplamente perturbada. No momento em que me sentia perdida, de repente pensei nas experiências de Pedro quando ele testemunhou com sucesso diante de Satanás; Pedro sempre tentou entender Deus em meio a todos os esquemas ardilosos que Satanás arremessou contra ele. E assim, no fundo do meu coração, olhei para Deus, confiei tudo a Ele, e busquei a Sua vontade. Sem estar ciente disso, as palavras de Deus Todo-Poderoso vieram à minha mente: “Deus criou este mundo, criou esta humanidade e, além disso, foi o arquiteto da cultura grega antiga e da civilização humana. Só Deus consola esta humanidade, e só Deus Se importa com esta humanidade dia e noite. O desenvolvimento e o progresso humanos são inseparáveis da soberania de Deus, e a história e o futuro da humanidade são indissociáveis dos projetos de Deus. Se você é um verdadeiro cristão, então certamente acreditará que a ascensão e a queda de qualquer país ou nação ocorrem de acordo com os projetos de Deus. Só Deus conhece o destino de um país ou nação, e só Deus controla o curso desta humanidade” (‘Deus preside o destino de toda a humanidade’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus me encheram de luz. “Sim!” Pensei. “Deus é o Criador e nosso destino como humanidade está nas mãos de Deus. Satanás, o diabo, é da laia que desafia a Deus. Se ele não conseguiu sequer alterar seu próprio destino de estar condenado ao inferno, como poderia governar o destino do homem? O destino do homem é predestinado por Deus, e quaisquer que sejam os empregos que meus filhos possam ter no futuro e como serão suas perspectivas, depende de Deus — Satanás não tem nenhum controle sobre essas coisas.” Pensando nisso, consegui ver com ainda mais clareza como Satanás e demônios são desprezíveis e sem-vergonha. Para me forçar a negar a Deus e rejeitá-Lo, ele estava empregando táticas insidiosas e vis — esses “jogos mentais” — para me convencer a ser enganada. Se não fosse pela oportuna iluminação e orientação de Deus Todo-Poderoso, eu já teria sido derrubada e levada cativa por Satanás. Agora que eu sabia o quão desprezível e maligno Satanás era, minha confiança em não ceder a seus ardilosos planos foi fortalecida. No final, o policial perverso ficou perplexo e não sabia mais o que fazer, então ele foi embora, desanimado.

No terceiro dia, o chefe da polícia viu que não havia conseguido nenhuma informação de mim e ficou furioso, reclamando de seus subordinados por sua incompetência. Ele veio até mim e, com um sorriso melancólico, falou sarcasticamente, dizendo: “Por que você ainda não confessou tudo? Quem você pensa que é, Liu Hulan? Você pensa que já fizemos o nosso pior, então não tem medo, né? Por que seu Deus Todo-Poderoso não vem e a salva?…” Enquanto ele falava, ele me assustou ao ficar passando um pequeno taser na frente dos meus olhos que estalava e brilhava com luz azul, daí ele apontou para um taser grande que estava sendo carregado e me ameaçou, dizendo: “Você vê aquilo? Este pequeno taser logo descarregará. Em um momento, usarei o taser grande com carga total para eletrocutá-la e depois veremos se você fala! Eu sei que você então começará a falar!”. Olhei para o taser grande e não consegui deixar de começar a entrar em pânico: “Esse policial perverso é tão feroz e diabólico. Ele vai acabar me matando? Serei capaz de suportar este tormento? Serei eletrocutada até a morte?”. Naquele momento, a fraqueza, a covardia, a dor e o desamparo que senti inundaram minha mente. Invoquei a Deus apressadamente: “Oh, Deus, por favor, protege-me e dê-me fé e força”. Então, várias linhas de um hino das palavras de Deus surgiram em minha mente: “A fé é como uma ponte de um tronco só: aqueles que se agarram abjetamente à vida terão dificuldade para cruzá-la, mas aqueles que estão prontos para se sacrificar podem atravessá-la de pé firme e sem preocupação. Se o homem abriga pensamentos tímidos e temerosos, isso é porque Satanás o enganou, temendo que cruzemos a ponte da fé para entrar em Deus” (‘O adoecimento é o amor de Deus’ em “Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). Essas palavras do Senhor Jesus também vieram à mente: “E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mateus 10:28). As palavras de Deus fizeram minhas lágrimas fluírem livremente — me senti incrivelmente emocionada. A força do meu coração parecia um fogo furioso. “Mesmo se eu morrer hoje”, pensei, “o que há para temer? É uma coisa gloriosa morrer por Deus, e eu vou desistir de tudo para lutar com Satanás até a morte!”. Nesse exato momento, algumas linhas de outro hino das palavras de Deus vieram à mente: “Na estrada para Jerusalém, Jesus estava em agonia, como se uma faca fosse torcida no Seu coração, mas Ele não tinha a menor intenção de faltar à Sua palavra; havia sempre uma força poderosa que O compelia adiante para onde seria crucificado. Finalmente, Ele foi pregado na cruz e assumiu a semelhança da carne pecaminosa, completando a obra da redenção da humanidade. Ele Se livrou dos grilhões da morte e do Hades. Diante Dele, a mortalidade, o inferno e o Hades perderam seu poder e foram derrotados por Ele” (‘Imite o Senhor Jesus’ em “Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). Cantei e cantei no meu coração, e as lágrimas caíam incessantemente pelas minhas bochechas. A cena do Senhor Jesus Cristo sendo crucificado se reproduziu diante de meus olhos: o Senhor Jesus foi escarnecido, injuriado e caluniado pelos fariseus, Seu carrasco o açoitou com um chicote com pontas de ferro até Ele ficar coberto de cortes e contusões, até que Ele finalmente foi cruelmente pregado na cruz, e mesmo assim Ele jamais emitiu um som… Tudo o que o Senhor Jesus passou foi sofrido em prol de Seu amor pela humanidade, e esse amor superou Seu amor por Sua própria vida. Naquele momento, meu coração foi inspirado e comovido pelo amor de Deus e estava cheia de uma força e fé tremendas. Não tinha medo de nada, e senti que seria glorioso morrer por Deus, enquanto ser um Judas seria a maior vergonha. Para minha surpresa, quando decidi que seria testemunha de Deus mesmo ao custo de minha própria vida, um policial perverso entrou correndo na sala, dizendo: “Há problemas na praça da cidade, temos que mobilizar a força policial para suprimi-la e manter a ordem pública!”. Os policiais perversos saíram correndo. Quando voltaram, já era tarde da noite e não tinham mais energia para me interrogar. Eles me disseram cruelmente: “Já que você não fala, nós a enviaremos para a casa de detenção!”. Na manhã do quarto dia, os policiais perversos tiraram minha foto e penduraram uma grande placa quadrada em volta do meu pescoço com meu nome escrito nela com um pincel. Eu era como uma criminosa denunciada, sendo zombada e ridicularizada pela polícia perversa. Eu senti como se estivesse sendo submetida à maior humilhação, e me senti muito fraca por dentro. No entanto, percebi que meu estado de espírito não estava certo e, assim, apressadamente invoquei Deus silenciosamente em meu coração: “Oh, Deus! Por favor, protege meu coração e me permite entender Tua vontade e a não ser vítima dos esquemas astutos de Satanás.” Depois de orar, uma passagem das palavras de Deus apareceu em minha mente: “Você é um ser criado — você deveria, é claro, adorar Deus e buscar uma vida com significado. Se você não adorar a Deus, mas viver dentro de sua carne imunda, então você não é só um animal com vestes humanas? Já que você é um ser humano, você deveria se despender por Deus e aguentar todo o sofrimento! Você deveria aceitar o pequeno sofrimento a que é submetido hoje com alegria e certeza e viver uma vida significativa, como Jó e Pedro. […] Vocês são pessoas que buscam o caminho correto, aquelas que buscam melhoria. Vocês são as pessoas que se levantam na nação do grande dragão vermelho, aqueles a quem Deus chama de justos. Não é essa a vida mais significativa?” (‘Prática (2)’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus me permitiram entender que ser capaz de buscar a verdade como um ser criado e viver para adorar a Deus e satisfazê-Lo era a vida mais significativa e valiosa. Poder ser capturada e detida, hoje, por minha crença em Deus, sofrer toda essa humilhação e dor, e ser capaz de participar das tribulações de Cristo, não foi algo vergonhoso, mas glorioso. Satanás não adora a Deus; pelo contrário, faz tudo para interromper e obstruir a obra de Deus, e é isso que é mais vergonhoso e desprezível. Pensando nisso, fiquei cheia de força e alegria. Os policiais perversos viram o sorriso no meu rosto, me olharam espantados, e disseram: “Que motivo você tem para estar feliz?”. Respondi com justiça e força: “É perfeitamente justificado crer em Deus e adorar a Deus. Não há absolutamente nada de errado em fazer isso. Por que eu não deveria estar feliz?”. Ouvindo essas palavras, eles não disseram nada. Sob a orientação das palavras de Deus, pude mais uma vez confiar em Deus para vencer Satanás.

Fui então levada para a casa de detenção. Tudo naquele lugar era ainda mais sombrio e assustador, e eu senti como se tivesse mergulhado em algum tipo de inferno. Para cada refeição, recebia um pequeno pedaço preto de pão cozido no vapor e um pouco de acelga cozida em uma tigela de sopa transparente com algumas folhas de vegetais flutuando em cima. Eu tinha tanta fome o dia todo, todos os dias, que meu estômago clamava por comida. Apesar disso, no entanto, eu ainda tinha que trabalhar como um animal de carga e, se não atingisse minha cota, era espancada ou obrigada a ficar de guarda como punição. Como esse tormento cruel continuou por dias e dias, eu estava machucada e ferida da cabeça aos pés, e ficou difícil até para andar, mas os oficiais correcionais ainda me obrigaram a carregar cargas pesadas de fio de cobre. Por causa desse trabalho pesado, minhas costas machucadas ficaram insuportavelmente dolorosas, e tudo que eu conseguia fazer no final de cada dia era rastejar à minha cama. Mas à noite, a polícia perversa me fazia ficar de guarda para as prisioneiras também, e esse trabalho excessivo e exaustivo era impossível de suportar. Uma noite, enquanto eu estava de guarda, aproveitei a ausência da polícia perversa e, furtivamente, me agachei na esperança de conseguir descansar. Inesperadamente, no entanto, um policial perverso me viu pela câmera na sala de vigilância e veio correndo até mim berrando: “Quem falou que você poderia se sentar?”. Uma das outras prisioneiras sussurrou para mim: “Apresse-se e peça desculpas a ele, ou ele fará você ‘dormir na cama de madeira’”. Com isso ela queria dizer a tortura em que uma tábua de madeira é levada à cela de uma prisioneira, suas pernas e os pés são acorrentados a ela e seus pulsos amarrados a ela com uma corda. A prisioneira é então amarrada à tábua e fica impedida de se movimentar novamente por duas semanas. Ao ouvir isso, fiquei cheia de raiva e ódio, mas sabia que não podia mostrar nem um pouquinho de resistência — tudo o que podia fazer era engolir minha raiva. Achava tal intimidação e tortura difícil de suportar. Naquela noite, deitei na minha cama gelada chorando por causa da injustiça de tudo aquilo, meu coração estava cheio de reclamações e exigências para com Deus, pensando: “Quando isso vai acabar? Um dia sequer neste lugar infernal já é um dia demais”. Então pensei nas palavras de Deus: “Se você entende o significado da vida humana e tomou a senda certa da vida humana e se, no futuro, você se submeter aos Seus desígnios sem queixas nem preferências, independentemente de como Deus lidar com você, e se você não fizer quaisquer exigências a Deus, então, dessa forma, você será uma pessoa de valor” (‘Como você deve trilhar o trecho final da senda’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus me fizeram sentir vergonha de mim. Pensei em como sempre dizia que buscaria obedecer a Deus como Pedro, independentemente da dor ou das dificuldades, e que não tomaria decisões ou demandas para o meu próprio bem. Quando a perseguição e as dificuldades me atingiram, no entanto, e eu tive que sofrer e pagar o preço, tentei pensar em uma saída. Eu não tive obediência nenhuma! Somente então finalmente entendi as boas intenções de Deus: Deus estava permitindo que essa miséria caísse sobre mim para temperar minha determinação de suportar o sofrimento e permitir que eu aprendesse a obedecer no meu sofrimento, para que eu pudesse me submeter às orquestrações de Deus e ser qualificada para receber Sua promessa. Tudo o que Deus estava fazendo comigo estava sendo feito por amor e estava sendo feito para me salvar. Depois disso, meu coração foi liberado e não me senti mais injustiçada ou magoada. Tudo o que eu queria era me submeter às orquestrações e arranjos de Deus, testemunhar e humilhar Satanás.

Um mês depois, eu fui liberado. Eles, no entanto, me rotularam com a acusação de “perturbar a aplicação da lei e de participar de uma organização ‘Xie Jiao’”, de modo a restringir minha liberdade pessoal. Durante um ano, não tive permissão para deixar a província ou o município e tive que estar à disposição da polícia sempre que eles me quisessem. Somente depois que voltei para casa, descobri que todos os pertences que mantinha na casa haviam sido roubados e levados pela polícia. Além disso, os policiais perversos haviam saqueado minha casa como bandidos e ameaçado minha família, dizendo que eles tinham que entregar 25 mil yuans antes que me libertassem. Minha sogra não aguentou o susto de tudo aquilo e sofreu um ataque cardíaco, e só se recuperou depois de ser internada no hospital e receber tratamento, ao custo de mais de 2 mil yuans. No final, minha família foi forçada a pedir a todos seus conhecidos que lhes emprestassem dinheiro para que pudessem juntar 3 mil yuans para a polícia, e só então fui libertada. Devido às torturas cruéis infligidas a mim pela polícia perversa, meu corpo sofre com efeitos colaterais graves: meus braços e pernas muitas vezes incham e ficam doloridos devido ao estresse severo imposto a eles durante o meu encarceramento; não consigo nem levantar dois quilos e meio de legumes ou lavar minhas roupas e perdi completamente a capacidade de trabalhar.

Essa experiência de ser preso e perseguido me deu uma visão clara do Partido Comunista, de seu rosto maligno e demoníaco que odeia a verdade e odeia a Deus. Intensificou meu ódio por Satanás e pelo Partido Comunista Chinês demoníaco e perverso, que é totalmente contrário ao Céu. Também tive uma experiência pessoal genuína de como é prática e sábia a obra de Deus. Ser preso e perseguido pelo Partido Comunista desenvolveu meu discernimento; também fortaleceu minha determinação e aperfeiçoou minha fé, permitindo que aprendesse a como olhar para Deus e confiar Nele. Também provei da majestade e autoridade das palavras de Deus, vendo que elas podem ser uma fonte de ajuda que está sempre ao nosso lado. Vi que só Deus ama o homem e que só Deus pode salvar o homem. Eu me aproximei de Deus em meu coração. Colhi todas essas recompensas por ter passado por adversidade e provações. Dou graças a Deus!

Próximo: Milagres da vida

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