As palavras de Deus me deram fé em tempos difíceis

04 de Fevereiro de 2022

Por Zheng Lan, China

Na época, várias irmãs foram condenadas a “reeducação por meio de trabalho”. Trabalhávamos horas extras todos os dias, no mínimo 13 horas por dia. Quando as guardas não estavam satisfeitos, eles usavam bastões elétricos para nos eletrocutar ou nos espancavam e chutavam. Passávamos cada dia num estado de ansiedade elevada, e éramos obrigadas a nos submeter a lavagens cerebrais e escrever relatos ideológicos. Esse tormento de longo prazo era terrível, e eu ansiava pelo suprimento da palavra de Deus. Durante aquele período, só tínhamos os fragmentos de hinos e palavras de Deus que lembrávamos para apoiar e ajudar umas às outras. Um dia, a vice-chefe das guardas me disse que, se eu trabalhasse muito, minha sentença seria reduzida por um mês. Francamente, eu não queria ficar naquele acampamento nem por um dia. Então trabalhei desesperadamente. Raramente bebia água, pois temia gastar tempo com a ida ao banheiro. Eu fazia trabalho manual com pinças todos os dias, e, com o tempo, este polegar começou a doer muito, mas tudo que podia fazer era tomar um analgésico. Mas por mais que trabalhasse, meu nome nunca apareceu na lista de redução. Mais tarde, desenvolvi uma tenossinovite na mão e não conseguia nem lavar minhas roupas. As condições de vida no campo de trabalho eram ruins, e eu peguei uma enterite e reumatismo. A despeito disso, tive que trabalhar. Se trabalhasse menos, eu seria repreendida e minha sentença não seria reduzida. Eu estava nada bem ali. Mais tarde, minhas irmãs souberam que eu estava doente e encontraram jeitos de me ajudar e apoiar. Uma vez, quando ninguém estava olhando, a irmã Li recitou uma passagem da palavra de Deus para mim. “Tudo, desde o ambiente à nossa volta até às pessoas, assuntos e coisas, existem todos pela permissão do Seu trono. De forma alguma, permita que queixas surjam em seu coração, caso contrário Deus não lhe concederá a Sua graça. Quando ocorre uma doença, isso se deve ao amor de Deus, e certamente Suas bondosas intenções estão abrigadas nela. Embora seu corpo possa passar por um pouco de sofrimento, não se entregue a nenhuma ideia de Satanás” (‘Capítulo 6’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus foram como um despertar. É verdade, Deus permitira que eu adoecesse. Viver em miséria e depressão por causa da doença não era nem um pouco obediência a Deus. Refleti sobre o quanto eu tinha trabalhado nesse período e como meu único desejo tinha sido sair daquele ambiente, mas eu havia sido presa e colocada ali com a permissão de Deus, portanto, devia passar por aquilo. Deus decidia quando eu sairia dali, mas eu sempre tinha meus próprios planos e exigências, que permitiram que eu fosse usada como brinquedo por Satanás. O grande dragão vermelho sempre usa essas mentiras para enganar e prejudicar as pessoas. Como pude me permitir acreditar em suas mentiras? Quando percebi essas coisas, deixei de tentar fazer as coisas do meu jeito, abandonei meus planos e exigências e deixei que Deus decidisse quando eu sairia.

Na época, só conseguíamos nos lembrar de poucas palavras de Deus, e depois de tanto tempo num ambiente tão doloroso e deprimente sem o suprimento da palavra de Deus, eu me sentia muito fraca e miserável. Ficava pensando em como eu podia ler as palavras de Deus a qualquer hora antes de ser presa, entender a verdade da palavra de Deus, achar uma senda de prática e encontrar luz e libertação no meu coração. Mas naquela prisão, eu não só estava separada da palavra de Deus, também enfrentava todo tipo de tormento e não sabia como suportaria esses três anos na prisão. Na época, todas as minhas irmãs estavam no mesmo estado. Uma noite, logo após de terminarmos nosso trabalho, uma irmã me disse em voz baixa: “Estar aqui é difícil demais, e não sei como experimentar isso. Seria maravilhoso se eu pudesse ler a palavra de Deus! Eu me arrependi de não ter lido mais das palavras de Deus antes. Queria ter decorado mesmo que fosse um único parágrafo”. Eu me sentia igual e comecei a pensar que seria maravilhoso se eu pudesse voltar a ler a palavra de Deus. Na época, várias das minhas irmãs estavam doentes. Uma sofria de pressão alta e só conseguia andar com dificuldade, outra tinha uma doença cardíaca, e a irmã Zhao, que sofria de diabetes, ainda precisava trabalhar todos os dias. Na época, eu queria que todas tivessem a palavra de Deus, pois só a palavra de Deus pode dar confiança e força às pessoas e nos guiar em meio às dificuldades. Uma noite, enquanto orava na cama, de repente, lembrei-me de que havia duas irmãs que trabalhavam na sala de visitas. Elas tinham contato com gente de fora e, provavelmente, tinham a palavra de Deus. Mas eu não sabia como entrar em contato com elas. Logo depois, Deus abriu um caminho para mim.

Um dia, a chefe das guardas veio conversar comigo e perguntou se eu queria ser uma “zeladora”. Uma zeladora serve às guardas. Lavar suas roupas, cozinhar, arrumar seus quartos e outros trabalhos sujos são feitos pelas zeladoras. No início, não quis fazer, pois seria ainda mais cansativo do que o trabalho na oficina. Quando serve às guardas, você leva bronca quando não trabalha bem. Uma vez, uma das irmãs viu que eu estava mal-humorada e conversou comigo. Ela disse: “As boas intenções de Deus estão em tudo. Você deveria buscar a vontade de Deus”. Quando ela disse isso, pensei: “Ela tem razão. Por que só penso em meus próprios sentimentos e não busco a vontade de Deus? Como zeladora, posso trabalhar do lado de fora, o que me dá a chance de encontrar as irmãs na sala de visitas. Isso não é uma senda que Deus abriu para mim? Como zeladora, posso ir e vir livremente. Posso fornecer cobertura para as irmãs quando elas comungam na cela e posso lidar com as guardas se acontecer alguma coisa. Isso não é algo bom?”. Entre as 200 prisioneiras da minha unidade, só quatro podiam ser escolhidas como zeladoras. Era uma oportunidade rara e um arranjo maravilhoso de Deus.

Mas antes mesmo de entrar em contato com as duas irmãs na sala de visitas, uma de nós recebeu a palavra de Deus. Uma noite, eu tinha acabado de me deitar, uma irmã jovem se ajoelhou e sussurrou no meu ouvido que os irmãos do lado de fora tinham enviado uma carta para nós e que ela tinha deixado na oficina. Naquela noite, a felicidade me manteve acordada. Na manhã seguinte, quando cheguei na oficina, a irmã pegou a carta secretamente. O papel era mais ou menos desta largura. Quando vi a primeira frase: “Irmãos e irmãs na prisão…” as lágrimas escorreram pelo meu rosto. Essas palavras me comoveram tanto. Eu lia e enxugava as lágrimas ao mesmo tempo. Havia muitas passagens da palavra de Deus na carta, mas havia duas que me impressionaram muito. As palavras de Deus dizem: “Fé e amor máximos são exigidos de nós neste estágio da obra. Podemos tropeçar ao menor descuido, pois este estágio da obra é diferente de todos os anteriores: o que Deus está aperfeiçoando é a fé da humanidade, que é invisível e intangível. O que Deus faz é converter palavras em fé, em amor e vida. As pessoas devem chegar a um ponto em que tenham suportado centenas de refinamentos e tenham fé maior que a de Jó. Elas devem suportar um sofrimento incrível e todos os tipos de tortura sem jamais abandonar a Deus. Quando são obedientes até a morte e têm grande fé em Deus, então este estágio da obra de Deus está completo” (‘A senda… (8)’ em “A Palavra manifesta em carne”). “Durante estes últimos dias, vocês devem dar testemunho de Deus. Não importa quão grande seja o sofrimento de vocês, devem caminhar até o fim e até mesmo até seu último suspiro, ainda assim vocês devem ser fiéis a Deus e ficar à mercê de Deus; só isso é realmente amar a Deus e apenas isso é o testemunho forte e retumbante” (‘Somente experimentando provações dolorosas é que você pode conhecer a amabilidade de Deus’ em “A Palavra manifesta em carne”). Na época, isso me comoveu e inspirou muito. Senti que Deus realmente observava o que estava em nosso coração, entendia perfeitamente o nosso estado e usava esses irmãos para nos enviar a rega e o sustento de Sua palavra. Era o amor de Deus. Contemplei a palavra de Deus e entendi que abandonar família e carreira para pregar o evangelho e cumprir nosso dever, por mais que soframos, é testemunho. Ser atormentado e não trair a Deus também é testemunho. Ainda ter fé e seguir a Deus depois de tormentos prolongados é um testemunho ainda mais poderoso. O fato de eu ter a chance de testificar de Deus diante de Satanás era exaltação de Deus e perseguição pela justiça. Quando entendi a vontade de Deus, chorei e orei a Deus. Eu disse: “Deus! Quero estar à altura do Teu amor por mim. Mesmo que esses três anos sejam muito longos, não importa como a polícia me torture nem o quanto eu sofra, permanecerei firme, testificarei de Ti e humilharei Satanás”. Elas também ficaram muito inspiradas. A irmã Liu vivia preocupada com a pressão alta dela. Ela temia que sem tratamento adequado e oportuno, ela morreria no campo de trabalho, por isso queria sair dali o quanto antes. Depois de ler a palavra de Deus, ela percebeu que não tinha fé sincera em Deus e nenhum testemunho. Ela também disse: “Vejo que tenho pouca fé e sinto que devo tanto a Deus. Mesmo que morra aqui, ainda assim quero permanecer firme e testificar de Deus”. Havia também a irmã Gao, que temia que seus parentes e amigos zombariam e a discriminariam por estar na prisão e que só fofocariam sobre ela. Depois de ler a palavra de Deus, ela entendeu que estar presa pela crença em Deus é perseguição pela justiça, o que não é algo vergonhoso e que sofrer para permanecer firme e testificar de Deus é valioso e significativo.

Depois disso, discutimos isso juntas e decidimos que devíamos repassar essas palavras de Deus para as outras irmãs, para que elas também pudessem ser supridas por Suas palavras. As regras eram muito rígidas. Não podíamos conversar nem dar coisas às prisioneiras de outras unidades. Não podíamos nem fazer contato visual. Mesmo que nos esbarássemos com elas de vez em quando, não podíamos chegar perto demais. Então, se quiséssemos passar os bilhetes para as mais de cem irmãs nas outras sete unidades, seria muito perigoso. Além disso, as guardas reviravam nossas camas e nos revistavam toda semana. Vasculhavam cada canto. Se fôssemos descuidadas e eles descobrissem qualquer detalhe, a investigação levaria a mim. Uma das guardas até me alertou: “Se você ousar espalhar as palavras de Deus Todo-Poderoso, eu lhe darei mais três anos e a enviarei para uma prisão para mulheres”. Lembro que houve uma crente religiosa que foi pega repassando Escrituras. As guardas a arrastaram pelas algemas. A arrastaram pelo asfalto por muito tempo, grande parte de sua roupa nas costas foi arrancada e sua pele ficou toda arranhada. Outra pessoa foi punida e ordenada a sentar no chão de concreto sem se mexer por mais de dez dias. Na época, pensei: “Isso não é brincadeira. Se descobrirem, sofrerei ainda mais”. Quanto mais refletia sobre isso, mais difícil parecia e fiquei um pouco com medo. Mas então me lembrei das palavras de Deus: “A fé é como uma ponte de um tronco só: aqueles que se agarram abjetamente à vida terão dificuldade para cruzá-la, mas aqueles que estão prontos para se sacrificar podem atravessá-la de pé firme e sem preocupação. Se o homem abriga pensamentos tímidos e temerosos, isso é porque Satanás o enganou, temendo que cruzemos a ponte da fé para entrar em Deus” (‘Capítulo 6’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus me deram muita coragem. As guardas não estavam também nas mãos de Deus? Se eu fosse descoberta ou não estava nas mãos de Deus Eu acreditei que nada é impossível se confiarmos em Deus. Eu tinha esses pensamentos temerosos porque Satanás me perturbava. Eu tinha medo de ser punida e torturada, e Satanás aproveitou minha fraqueza para me perturbar e impedir. Se eu desistisse por medo da tortura, eu não estaria caindo no truque de Satanás? Enquanto isso, minhas irmãs estavam naquele ambiente doloroso, e todas elas precisavam do sustento da palavra de Deus, era meu dever passar a palavra de Deus para elas. Durante nosso trabalho normal, era difícil ter qualquer contato com nossas outras irmãs. Nós só as víamos quando comíamos juntas na cafeteria grande. Então planejei repassar os bilhetes durante as refeições. O refeitório tinha muitas câmeras de segurança, e éramos proibidas de conversar ou andar por aí durante as refeições. Devíamos terminar de comer em cinco minutos. Então era muito difícil repassar a palavra de deus. Mas, no processo de repassar a palavra de Deus, eu testemunhei os feitos milagrosos de Deus. Naquele dia, eu planejava repassar os bilhetes para as irmãs das unidades 4 e 7. Enquanto lavava a louça, olhei para a irmã Min da unidade 4. Então ela também levantou a cabeça e olhou em minha direção. Usei os olhos para pedir que viesse lavar a louça dela. Eu temia que ela não entenderia o que eu queria dizer, mas, graças a Deus, ela entendeu na hora. Fomos juntas até o local em que a louça era guardada, e eu peguei o bilhete e enfiei no bolso dela. Só levei alguns segundos. Na época, agradeci muito a Deus.

Por acaso, uma irmã da unidade 7 que eu conhecia estava na minha fila, a menos de um metro do meu lugar. A regra na prisão era que devíamos esperar até que os monitores de cada unidade nos mandassem levantar antes de sair. Na época, eu temia que, se nossas unidades não se levantassem ao mesmo tempo, eu não conseguiria me aproximar dela. Então orei o tempo todo a Deus em meu coração. Logo os monitores das nossas duas unidades nos mandaram levantar ao mesmo tempo. Depois de me levantar, eu coloquei o bilhete na mão da irmã. Isso aconteceu num piscar de olhos e as guardas não perceberam nada. Graças a Deus! Com a ajuda das minhas irmãs, nossas irmãs das outras unidades receberam a palavra de Deus. Eu não esperava ser capaz de repassar a palavra de Deus tão sem problemas. Vi que nada é difícil para Deus. Por meio desse processo de repassar a palavra de Deus, minhas irmãs ganharam mais fé em Deus.

Umas duas semanas depois de repassar a palavra de Deus, a prisão exigiu que todos os crentes em Deus Todo-Poderoso escrevessem uma carta de renúncia. Devíamos prometer que deixaríamos de crer em Deus Todo-Poderoso. Alguns dias antes, as irmãs tinham lido a palavra de Deus, e todas elas tiveram a fé para permanecer firme e testificar de Deus. Nós encorajamos umas às outras a jamais ceder a Satanás. Mas uma semana depois, fiquei sabendo das irmãs em outras unidades que não tinham escrito a carta de renúncia. Algumas foram torturadas, outras foram forçadas a ficar agachadas em jaulas pequenas, ainda outras foram condenadas a mais prisão. Durante aquele tempo, a atmosfera na prisão ficou ainda mais opressiva. Sempre havia algum senso de terror, como se uma catástrofe estivesse prestes a acontecer. Era porque não sabíamos quando esse ambiente terminaria ou quais métodos as guardas usariam para nos atormentar em seguida. Então, na época, todas estavam se sentindo horríveis e deprimidas. Só podíamos continuar orando a Deus pedindo que Ele abrisse um caminho para nós. Na época, todas as irmãs estavam determinadas: Não importava o que acontecesse, não escreveríamos a carta de renúncia e deveríamos permanecer firmes. Ficamos nesse impasse com nossa guarda por duas semanas, e então, quando viu que seus métodos não funcionavam, ela cedeu. Para que executássemos as ordens dela, ela permitiu que escrevêssemos qualquer coisa, não importava o quê. Todas sabíamos que Deus tinha aberto um caminho para nós e ficamos muito gratas a Deus.

Tínhamos recebido muito pouco da palavra de Deus na primeira vez, e com o passar do tempo, nosso coração voltou a ter fome da palavra de Deus. Naquele tipo de ambiente miserável e deprimente, onde tanta coisa podia acontecer, precisávamos ainda mais do sustento da palavra de Deus. Lembro-me de uma vez em que uma irmã mais nova me procurou com lágrimas nos olhos e disse que o pai dela queria que ela completasse sua sentença fora da prisão, mas a polícia lhe disse que os crentes em Deus Todo-Poderoso não se qualificavam. Ela disse que ela só tinha 23 anos e teria que ficar na prisão por mais de mil dias e que não sabia como sobreviveria a isso. Ela só queria sair dali. Depois de ouvir o que ela disse, eu também fiquei triste por ela, então recitei uma passagem da palavra de Deus para ela. As palavras de Deus dizem: “Talvez todos vocês se lembrem destas palavras: ‘Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória’. Vocês todos ouviram essas palavras antes, mas nenhum de vocês entendeu o seu sentido real. Hoje, vocês estão profundamente conscientes de seu verdadeiro significado. Essas palavras serão cumpridas por Deus durante os últimos dias, e elas serão cumpridas naqueles que foram brutalmente perseguidos pelo grande dragão vermelho na terra na qual ele repousa enrolado. O grande dragão vermelho persegue a Deus e é inimigo Dele, e assim, nesta terra, aqueles que creem em Deus são assim sujeitos à humilhação e à opressão, e essas palavras são cumpridas em vocês, este grupo de pessoas, como resultado” (‘A obra de Deus é tão simples quanto o homem imagina?’ em “A Palavra manifesta em carne”). Depois de ouvir as palavras de Deus, ela entendeu o significado do sofrimento, encontrou fé e não pensou mais em como escapar desse ambiente. Outra vez, no dia de visitas, vi os familiares de outras pessoas visitarem a prisão e senti muita falta da minha família. Pensei nos meus pais idosos, sem saber como eles estavam. Naquele período, eu me lembrei muito de meu tempo em casa, e com o passar do tempo, aquilo me deixou negativa. Quando uma irmã da minha cela viu meu estado negativo, ela sussurrou uma passagem da palavra de Deus em meu ouvido. “A sina do homem é controlada pelas mãos de Deus. Você é incapaz de controlar a si mesmo: apesar de estar sempre correndo e se ocupando em interesse próprio, o homem continua sendo incapaz de controlar a si mesmo. Se pudesse conhecer suas próprias expectativas, se pudesse controlar sua própria sina, você continuaria sendo um ser criado? Em suma, independentemente de como Deus opera, toda a obra Dele é para o bem do homem. Tome, por exemplo, os céus e a terra e todas as coisas que Deus criou para servir ao homem: a lua, o sol e as estrelas que Ele criou para o homem, os animais e as plantas, a primavera, o verão, o outono e o inverno e assim por diante — tudo é feito em prol da existência humana” (‘Restaurar a vida normal do homem e levá-lo a um destino maravilhoso’ em “A Palavra manifesta em carne”). Eu contemplei a palavra de Deus e então entendi que o destino de cada um está nas mãos de Deus. Se minha família está bem ou não depende da soberania e dos arranjos de Deus. Se eu entregasse minha família a Deus, por que teria que me preocupar com ela? Eu realmente não deveria ficar ansiosa por causa disso. Graças à palavra de Deus, deixei de ser negativa e recebi força e percebi que não podemos ficar sem a orientação da palavra de Deus. Então orei a Deus pedindo mais da palavra de Deus e que Ele nos guiasse naquilo que estava por vir. Depois disso, eu me lembrei das duas irmãs na sala de visitas. Se eu pudesse entrar em contato com elas, havia uma chance de obter mais da palavra de Deus. Orei a Deus sobre isso e pedi que Ele fornecesse oportunidades favoráveis.

Certa manhã, a chefe das guardas me chamou: “Venha comigo, você precisa arrumar a sala de visitas”. Quando ouvi que estava indo para a sala de visitas, meu coração se iluminou. Essa era a minha oportunidade. Foi a única vez naqueles três anos que fui para a sala de visitas, então, na época, tive certeza de que era uma oportunidade arranjada por Deus. Quando chegamos na sala de visitas, a guarda foi conversar com as outras guardas. Corri até o fundo da cozinha. Vi que as duas irmãs estavam cozinhando, então perguntei às pressas se havia algo para comer. Elas entenderam imediatamente o que eu queria dizer e responderam que sim. Então, uma delas tirou uma bola de papel de uma bolsa e me entregou. Percebi que finalmente tínhamos a palavras de Deus e nem sei como descrever como me senti. Mas também um pouco preocupada, pois a bola de papel era maior do que um ovo de ganso. Eu a escondi na minha roupa de baixo, mas era aparente demais. Tentei colocar no bolso das minhas calças, mas não cabia. Vendo que não havia onde escondê-la no meu corpo, entrei em pânico. Levantei os olhos e vi câmeras de segurança por toda parte e fui tomada de ansiedade. Se eu fosse descoberta, tudo estaria acabado. As consequências seriam terríveis. Ao mesmo tempo, pensei que, se perdesse essa chance, talvez nunca teria outra chance de receber a palavra de Deus. Precisávamos tanto das palavras de Deus e não suportei devolvê-las. Naquele momento, eu estava tão nervosa que não sabia o que fazer. De repente, lembrei-me de uma linha da palavra de Deus: “Não tema, o Deus Todo-Poderoso dos exércitos certamente estará com você. Ele está atrás de vocês e é o seu escudo” (‘Capítulo 26’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). É verdade. Deus é soberano sobre todas as coisas, portanto, estava nas Suas mãos se eu seria descoberta ou não. Com Deus como retaguarda, o que eu tinha a temer? Quando percebi isso, eu me acalmei. Pensei nos irmãos que transportavam os livros da palavra de Deus. Mesmo sob o monitoramento severo do grande dragão vermelho, eles eram capazes de entregar tantos livros da palavra de Deus aos seus irmãos. Eles também não confiavam em Deus para experimentar seu ambiente? Então pensei: “Se eu confiar em Deus, Ele abrirá um caminho para mim”. Quando pensei nisso, não hesitei mais e decidi levar a palavra de Deus comigo. Então enfiei a bola de papel novamente na minha roupa de baixo, a cobri com minha blusa e inclinei minha cintura um pouco, o que tornou a bola menos visível. Eu pensei: “Devo levar a palavra de Deus primeiro até a oficina para então voltar e fazer a limpeza”. Lembro-me de que a porta que levava à oficina era vigiada pela chefe de seção Zhang. Ela costuma pedir que eu fizesse tarefas estranhas para ela, para que eu tivesse que prestar contas a ela. Naquele momento, percebi claramente que esse era o caminho que Deus tinha aberto para mim. Então, fui direto para o escritório da chefe Zhang e lhe disse em voz baixa: “Chefe Zhang, estou menstruada. Eu gostaria de voltar para o andar de cima por um momento”. Quando ouviu que eu queria subir sozinha, ela ficou séria. Disse: “Não, peça que a guarda que a trouxe a leve de volta. Onde está sua guarda?”. Ela olhou em volta procurando a guarda. Senti que algo ruim estava prestes a acontecer e fiquei nervosa. Se a guarda viesse para me levar de volta, isso seria o fim de tudo. Nossa guarda era muito severa com as prisioneiras. Se ela soubesse que eu queria voltar, ela não só não concordaria, ela verificaria se eu realmente estava menstruada. Se descobrisse que eu estava com a palavra de Deus, ela me espancaria até a morte. Naquele momento, senti meu coração bater na garganta. Fiquei clamando e orando a Deus. Naquele momento, Eu me lembrei de que tinha feito algumas bolsas de tecido para a chefe Zhang alguns dias antes. Rapidamente, perguntei a ela: “Chefe Zhang, você está satisfeita com as bolsas que fiz para você? Sinta-se à vontade para me pedir se precisar de mais alguma coisa”. Assim que eu disse isso, ela relaxou um pouco. Percebi que Deus estava abrindo um caminho para mim. Eu lhe disse: “Chefe Zhang, não se preocupe, não vou demorar nem um minuto”. Ela não respondeu, e eu corri escada acima. A caminho, lembrei-me de que teria que passar por uma porta de metal para chegar na oficina. De acordo com os regulamentos, essa porta deveria estar sempre trancada, mas, a essa altura, eu não tinha a energia para contemplar isso e também não senti muito medo, pois vi que Deus estava comigo durante todo esse processo, guiando-me passo a passo. Quando alcancei a porta de metal, para a minha surpresa, ela estava destrancada e não havia guardas no corredor do outro lado. Agradeci a Deus em meu coração. Corri até a oficina e dei a palavra de Deus à minha irmã, e era como se eu tivesse me livrado de uma pedra enorme que estivera carregando. Lembrei-me daquilo que Deus Jeová disse a Josué: “Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares” (Josué 1:9). É verdade, Deus é o Criador, tudo está nas mãos de Deus, e todas as pessoas, questões e coisas servem à obra de Deus. Essa experiência me permitiu ver os feitos milagrosos de Deus e que a autoridade de Deus está acima de tudo. Em retrospectiva, vi como Deus arranjou tudo a cada passo com esperteza. Por exemplo, é muito difícil as prisioneiras terem contato com a chefe Zhang. Entre mil prisioneiras, ela só pediu a mim para trabalhar para ela. Isso é algo que Deus preparou para mim. A chefe das guardas que sempre monitorava nosso trabalho não estava de olho em mim dessa vez e até a porta de metal normalmente trancada estava destrancada. Tudo nisso foi incomum. É como diz a Bíblia: “Como corrente de águas é o coração do rei na mão de Jeová; Ele o inclina para onde quer” (Provérbios 21:1). Essas palavras são tão verdadeiras! Eu tive que louvar o poder de Deus. Graças a Deus! Três novos capítulos da palavra de Deus, “Vocês precisam considerar seus feitos”, “Deus é a fonte da vida do homem”, “O suspirar do Todo-Poderoso”, e centenas de hinos. Em tal ambiente, estávamos sedentas espiritualmente, portanto, ver qualquer palavra de Deus foi maravilhoso, mas ler esta passagem foi especialmente bom: “Tudo deste mundo muda rapidamente com os pensamentos do Todo-Poderoso e embaixo de Seus olhos. Coisas de que a humanidade nunca ouviu falar chegam de repente, enquanto coisas que a humanidade possui há muito tempo escapam sem querer. Ninguém pode compreender o paradeiro do Todo-Poderoso, muito menos consegue perceber a transcendência e a grandeza da força vital do Todo-Poderoso. Ele é transcendente porque consegue perceber o que os humanos não conseguem. Ele é grande porque é Aquele que é abandonado pela humanidade e mesmo assim salva a humanidade. Ele conhece o sentido da vida e da morte e, mais do que isso, conhece as leis da existência que a humanidade deveria seguir. Ele é a fundação da existência humana, é o Redentor que ressuscita a humanidade outra vez. Ele sobrecarrega corações alegres com tristeza e eleva corações tristes com alegria, tudo em nome de Sua obra e em nome de Seu plano. […] O Todo-Poderoso tem misericórdia dessas pessoas que sofreram profundamente; ao mesmo tempo, está farto dessas pessoas que carecem de consciência, pois teve de esperar muito por uma resposta da humanidade. Ele deseja buscar, buscar seu coração e seu espírito, trazer-lhe água e comida, acordar você, para que você não tenha mais sede e fome. Quando você estiver enfadado e quando começar a sentir um pouco da triste desolação deste mundo, não fique perdido, não chore. Deus Todo-Poderoso, o Vigia, abraçará a sua chegada a qualquer tempo. Ele está vigiando do seu lado, esperando você voltar. Está esperando pelo dia em que você recuperará a memória de repente: quando você perceber que veio de Deus, que, em algum momento desconhecido, você perdeu a direção, em algum momento desconhecido perdeu a consciência na estrada e, em algum momento desconhecido, conseguiu um ‘pai’; quando perceber, além disso, que o Todo-Poderoso sempre esteve vigiando, esperando por muito, muito tempo, ali, pelo seu retorno. Ele esteve observando com um anseio desesperado, esperando uma resposta sem obtê-la. Sua vigília e espera estão acima de qualquer preço e são em prol do coração humano e do espírito humano. Talvez essa vigília e espera sejam indefinidas e talvez estejam no fim. Mas você deveria saber exatamente onde o seu coração e o seu espírito estão agora” (‘O suspirar do Todo-Poderoso’ em “A Palavra manifesta em carne”). Depois de ler as palavras de Deus, várias das nossas irmãs começaram a chorar. Sentimos o amor e a misericórdia de Deus pela humanidade nas palavras de Deus. Só Deus se importa conosco e se preocupa com nosso futuro e destino. Quem mais tem tamanho amor? Na época, esperei uma chance de dá-las para uma irmã que estava muito doente. Seu estado era muito sério, mas ela entendeu a vontade de Deus a partir de Suas palavras e percebeu que não havia testemunho quando ela se queixava de seu sofrimento, o que fazia o coração de Deus doer. Ela se arrependeu de suas ações e esperava buscar a vontade de Deus em sua doença e dar testemunho de Deus para consolar o coração de Deus. Na época, também fiquei muito comovida, especialmente quando li esta porção da palavra de Deus: “Desde o momento em que chega a este mundo chorando, você começa a cumprir seu dever. Para o plano de Deus e para Sua ordenação, você desempenha seu papel e começa a sua jornada de vida. Não importa o seu passado, não importa a jornada à sua frente, ninguém pode escapar das orquestrações e dos arranjos do Céu, e ninguém está no controle do próprio destino, pois apenas Aquele que governa todas as coisas é capaz de tal obra. Desde o dia em que o homem veio a existir, Deus sempre operou assim, gerenciando o universo, dirigindo as regras de mudança para todas as coisas e a trajetória de movimento delas. Como todas as coisas, o homem é silenciosa e inconscientemente nutrido pela doçura, pela chuva e pelo orvalho de Deus; como todas as coisas, o homem vive inconscientemente embaixo da orquestração da mão de Deus. O coração e o espírito do homem são guardados na mão de Deus, tudo de sua vida é observado pelos olhos de Deus. Não importa se você acredita nisso ou não, todas as coisas, vivas ou mortas, vão se transformar, mudar, se renovar e desaparecer de acordo com os pensamentos de Deus. Tal é a maneira pela qual Deus preside sobre todas as coisas” (‘Deus é a fonte da vida do homem’ em “A Palavra manifesta em carne”). Enquanto contemplava a palavra de Deus, eu não consegui parar de chorar. Pensei na preferência da minha família por filhos, e eu cresci sofrendo com solidão e discriminação. Então passei por dois casamentos fracassados e várias tentativas de suicídio. Pensei: “Dentre o vasto oceano da humanidade, Deus me escolheu para entrar na Sua casa. Agora entendo que sobrevivi porque Ele me protegeu. Ele tem uma comissão para mim, e eu tenho uma missão na vida e um papel a exercer. Abandonei minha família para pregar o evangelho, fui detida e presa num campo de trabalho, e eu me tornei zeladora, e Deus permitiu tudo isso. Tenho a chance de espalhar a palavra de Deus aqui e sou capaz de ajudar e apoiar essas irmãs. Deus me dá esse fardo, e essa é a minha missão”. Quando pensei nessas coisas, senti um calor no meu coração. Eu me senti sortuda por ser capaz de seguir Deus Todo-Poderoso, cumprir os deveres de um ser criado, experimentar a obra de Deus e ver os feitos milagrosos de Deus. Eu era tão abençoada! Eu sabia que Deus estava comigo, do meu lado. Deus é o Soberano do meu destino, que mais eu poderia pedir? Quando pensei nessas coisas, senti que estar no campo de trabalho não era tão difícil e não me senti sozinha.

Comungamos sobre a vontade de Deus, e o amor de Deus inspirou todas nós. Sentimos uma gratidão profunda, e nossa determinação de dar testemunho de Deus só aumentou. Depois disso, copiamos rapidamente a palavra de Deus. Usei meu dever no corredor como vigia para as minhas irmãs, para que pudessem copiar a palavra de Deus sem preocupação, e algumas ficaram acordadas escrevendo até meia-noite. A outra prisioneira de plantão comigo não se importava com nada. Ela fingiu não ver nada. Assim, dentro de três dias, copiamos a palavra de Deus sem incidentes, e rapidamente a entregamos a dezenas de irmãs. Naqueles dias, enquanto as irmãs compartilhavam e comungavam sobre a palavra de Deus, todas nós encorajamos umas às outras e encontramos mais fé para dar testemunho de Deus nesse ambiente difícil.

Lembro-me de cada momento do processo de espalhar a palavra de Deus na prisão e sei que jamais me esquecerei deles. Por meio dessas experiências práticas, vi e experimentei os feitos milagrosos de Deus, testemunhei a autoridade, onipotência e sabedoria de Deus e senti que a palavra de Deus é o que dá às pessoas força na vida. Sempre que me lembro dessas coisas, fico comovida e inspirada e dou graças e louvor a Deus do fundo do meu coração!

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