Servir desta maneira é verdadeiramente desprezível

28 de Julho de 2019

Por Ding Ning, Província de Shandong

Nos últimos dias, a igreja providenciou uma mudança no meu trabalho. Quando recebi essa nova tarefa, eu pensei: “Preciso aproveitar essa última oportunidade para convocar uma reunião com meus irmãos e irmãs, discutir as questões claramente com eles, e deixar uma boa impressão”. Assim, eu me reuni com vários diáconos e, ao final da reunião, eu disse: “Pediram-me para sair dessa igreja e passar para um trabalho diferente. Espero que vocês aceitem a líder que está chegando para me substituir e trabalhem com ela como um só coração e uma só mente”. Assim que me ouviram dizer essas palavras, algumas das irmãs presentes empalideceram, e os sorrisos sumiram de seus rostos. Algumas seguraram minhas mãos, algumas me abraçaram, e disseram, choramingando: “Você não pode nos deixar! Você não pode nos deixar de lado e ignorar as nossas necessidades!”. Sobretudo a irmã da família anfitriã relutava em me deixar partir. Ela me disse: “É tão bom ter você aqui conosco. Você é uma pessoa que consegue suportar as dificuldades, e você é boa em comungar a verdade. Sempre que precisamos de você, você esteve presente para nos ajudar pacientemente. Se você for embora, o que nós vamos fazer?”. Vendo a relutância dela em me deixar partir, meu coração se encheu de alegria e satisfação. Eu as confortei dizendo: “Confiem em Deus. Quando puder, eu voltarei para visitá-las”.

Mas depois, a cada vez que eu me lembrava da minha despedida dos meus irmãos e irmãs, meu coração ficava inquieto. Eu me perguntava: “Aquelas expressões de tristeza foram só algo rotineiro? Por que eles agiram como se a minha partida fosse uma coisa terrível? Por que, afinal, a igreja queria que eu trocasse de cargo?”. Eu simplesmente não conseguia entender, e muitas vezes procurei Deus buscando as respostas. Um dia, eu estava lendo um sermão e encontrei essa passagem: “Aqueles que querem servir a Deus devem sempre exaltar a Deus e dar testemunho de Deus. Somente assim podem chegar ao fruto de levar outros a conhecerem Deus. E somente exaltando a Deus, e dando testemunho Dele, podem levar outras pessoas à presença de Deus. Esse é um dos princípios de servir a Deus. O último fruto da obra de Deus que deve ser alcançado é levar pessoas diante de Deus, fazendo-as conhecer a Sua obra. Se aqueles que servem como líderes não exaltam a Deus nem dão testemunho de Deus, mas, em vez disso, estão constantemente se exibindo, […] eles, na verdade, estão se opondo a Deus. Eles se sentam no lugar de Deus e fazem as pessoas os tratarem como Deus. Seu trabalho se torna uma disputa com Deus pelas pessoas. Não é exatamente assim que Satanás resiste a Deus? Agora, há muitos líderes que possuem um séquito de seguidores abaixo deles, e esses líderes estão promovendo e treinando pessoas como bem desejam. No final, Deus não ganhou ninguém que conheça o Seu coração. Para quem as pessoas fazem todo o seu trabalho? Quantas pessoas eles treinaram que são de uma só mente com Deus? Quantas pessoas eles levaram a realmente conhecer e amar a Deus? Portanto, se o serviço das pessoas não exalta a Deus nem dá testemunho de Deus, então elas certamente estão se exibindo. Embora aleguem servir a Deus, na verdade, estão trabalhando para seu próprio prestígio e para o prazer da carne. Não estão de modo algum trabalhando para exaltar a Deus nem para dar testemunho de Deus. Se alguém violar esse princípio de serviço a Deus, isso prova que essa pessoa está desafiando a Deus” (“Anais selecionados dos arranjos de trabalho da Igreja de Deus Todo-Poderoso”). Quanto mais eu lia, mais meu coração ficava atribulado. Quanto mais eu lia, mais amedrontada eu ficava. Meu sentido de autocensura multiplicou-se muitas vezes. Pela atitude que os meus irmãos e irmãs tinham demonstrado comigo, eu podia ver que o meu trabalho não tinha sido exatamente levar meus irmãos e irmãs à presença de Deus, e sim levá-los à minha própria presença. Agora eu não conseguia deixar de reexaminar diversas cenas do tempo passado com meus irmãos e irmãs. Muitas vezes eu tinha dito à irmã da família anfitriã: “Veja o quanto todos vocês são afortunados. Sua família toda é de crentes. Quando eu estou em casa, meu marido me maltrata o dia inteiro. Quando ele não está me agredindo, está me xingando. Cumpri o meu dever da melhor forma, e veja quanta amargura eu sofri por minha crença em Deus”. Quando meus irmãos e irmãs encontravam dificuldades, eu não lhes falava da vontade de Deus; eu não agia como testemunha da obra e do amor de Deus. Em vez disso, constantemente punha a carne em primeiro lugar e tentava fazer com que as pessoas pensassem que eu era gentil e atenciosa. Sempre que via um irmão ou irmã fazendo algo contrário aos princípios, eu temia repreendê-los. Por isso, eu não oferecia ajuda nem orientação. Estava sempre tentando proteger os relacionamentos entre as pessoas. Em tudo que fiz, eu me importava mais com a minha posição e a minha imagem no coração das pessoas. Meu principal propósito era sempre ganhar a simpatia e a admiração dos outros: isso se tornou minha maior satisfação, o que, na verdade, revela que eu estava me exaltando, servindo de testemunha a mim mesma. Tudo que eu fazia estava, de fato, em oposição a Deus. Eu pensava nas palavras Dele, que dizem: “Agora, quando estou operando entre vocês agora, vocês se comportam dessa maneira — se chegar o dia em que não houver ninguém para vigiar vocês, vocês não serão como bandidos que se declararam reis? Quando isso acontecer e vocês causarem uma catástrofe, quem estará lá para arrumar as coisas que vocês fizeram?” (‘Um problema muito sério: traição (1)’ em “A Palavra manifesta em carne”). Novamente, as palavras de Deus me trouxeram uma consciência de como o meu serviço a Ele na verdade estava prestando testemunho de mim mesma e exaltando a mim mesma, e me ajudaram a ver as sérias consequências desse comportamento. As palavras de Deus me ajudaram a ver que a minha natureza, como a natureza do arcanjo, poderia me levar ser uma bandida tirânica, e que eu poderia causar uma grande catástrofe. Pensei sobre como meu serviço a Deus não estava sendo realizado de acordo com os princípios certos de serviço; não estava exaltando a Deus nem prestando testemunho a Ele, eu não estava cumprindo o meu dever. Em vez disso, eu passava os meus dias me exibindo, prestando testemunho a mim mesma, atraindo meus irmãos e irmãs à minha presença. Esse tipo de serviço não é desprezível? Não é simplesmente o “serviço” do anticristo? Se não fosse pela tolerância e misericórdia de Deus, eu já teria sido amaldiçoada por Ele e abatida.

Naquele momento, eu tremi de medo e vergonha; uma sensação da minha enorme dívida encheu o meu coração, e eu me prostrei no chão, chorando amargamente e implorando a Deus: “Ó Deus! Se não fosse pela Tua revelação e iluminação, eu não sei até onde teria caído. Eu realmente devo a Ti mais do que jamais poderei pagar. Obrigada pela salvação que Tu me ofereces! Obrigada por me ajudares a ver a pessoa feia e desprezível nas profundezas da minha alma. Obrigada por me mostrares que o meu serviço a Ti na verdade era resistência a Ti. Se eu fosse julgada pelos meus atos, eu não mereceria nada além da Tua maldição, mas Tu abriste os meus olhos, me orientaste, e me deste a chance de me arrepender e começar de novo. Ó Deus, estou disposta a levar essa experiência como lição pelo resto da minha vida. Que o Teu castigo e julgamento sempre me acompanhem, e me ajudem o quanto antes a me livrar das velhas caraterísticas satânicas em mim e a me tornar uma verdadeira serva de Deus para que eu possa começar a pagar a grande dívida que tenho Contigo”.

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