Aprendendo com tempos difíceis

20 de Janeiro de 2022

Por Li Yang, China

Eu fui preso logo depois do Ano Novo Chinês em 2020 por causa da minha fé. Durante o exame físico rotineiro ao ser preso, descobriram manchas escuras nos meus pulmões. Era a época em que a pandemia do coronavírus estava em seu auge, por isso, não ousaram me manter preso. A polícia pediu que minha família me levasse para casa. A caminho de casa, minha irmã me disse: “Papai ficou muito doente no ano passado e descobriram que ele tinha câncer de bexiga. A cirurgia demorou seis horas. Tiraram metade de um de seus rins e ele quase não sobreviveu. Conseguiram mantê-lo vivo até agora, mas precisam lavar sua bexiga com uma solução química todos os meses. Não sabemos até quando ele aguentará”. Ela chorava enquanto falava e compartilhou algumas outras coisas que tinham acontecido nos dois últimos anos. Me senti tão mal que nem consigo descrever e orei em silêncio: “Deus, tenho certeza de que aquilo que estou enfrentando contém Tua vontade. Por favor, protege meu coração e me ajuda a me submeter sem culpar a Ti”.

Quando cheguei em casa, vi que meu pai estava muito fraco e que seu rosto estava inchado. Comparado com a última vez que o vi, ele era uma pessoa totalmente diferente. Isso me fez sentir ainda pior. Vi também que um grande grupo de árvores frutíferas no nosso pomar tinha morrido por causa da seca, e quase todas as economias da minha família tinham sido gastas com o tratamento do meu pai. As árvores frutíferas, sua única fonte de renda, não produziam quase nada. Os tempos estavam difíceis. Tudo isso me deixou muito perturbado e eu não sabia como encará-lo. Comecei a culpar a Deus sem perceber. Alguns anos antes disso, eu tinha sido preso e encarcerado por um mês por causa da minha fé em Deus. Quando saí, deixei a cidade para cumprir o meu dever. Como isso pôde acontecer com minha família depois de eu ter renunciado a tudo, de ter sofrido tanto? Esse pensamento me deixou ainda mais desanimado e eu não sabia como passar por tudo isso. Não conseguia me motivar por mais que tentasse e só pensava em conseguir um emprego para completar a renda da família quando a pandemia terminasse. Depois de um tempo, recebi uma carta dos irmãos, dizendo que não era seguro em casa e que eu deveria me esconder na casa de outro membro da igreja por um tempo. Eu sabia que a pandemia era a única razão pela qual eu não estava preso, e que eles poderiam me prender a qualquer momento. Sair de casa seria mais seguro, eu poderia viver a vida da igreja e cumprir meu dever. Mas eu não queria cumprir meu dever, vendo minha família em tamanha adversidade. Respondi à sua carta dizendo que não iria. Eu me senti muito culpado depois de enviar a carta, mas não pensei muito sobre isso. No dia seguinte, numa bicicleta elétrica a caminho do trabalho nos campos, eu me acidentei e machuquei uma perna. Percebi que era Deus enviando uma mensagem. Vim para diante de Deus e orei: “Ó Deus, Não quero viver em minha corrupção satânica e lutar contra Ti. Por favor, guia-me para que eu conheça a mim mesmo para que eu consiga me submeter nesse ambiente”. Depois da oração, li isto nas palavras de Deus: “O que você busca é ser capaz de ter paz depois de crer em Deus, que suas crianças estejam livres de doenças, que seu marido tenha um bom emprego, que seu filho encontre uma boa esposa, que sua filha encontre um marido decente, que seus bois e cavalos arem bem o solo, que tenha um ano de clima bom para suas colheitas. É isso que você busca. Sua busca visa tão somente viver com conforto, que nenhum acidente sobrevenha sua família, que os ventos passem ao largo, que sua face não seja tocada pela areia, que as colheitas de sua família não sejam inundadas, que você não seja atingido por nenhum desastre, em suma, você busca viver no abraço de Deus, viver em um ninho aconchegante. Um covarde como você que sempre busca a carne — você tem um coração, tem um espírito? Você não é uma besta? […] Sua vida é desprezível e ignóbil, você vive no meio da imundície e licenciosidade e não busca nenhum objetivo; acaso sua vida não é a mais ignóbil de todas? Você se atreveria a levantar os olhos para Deus? Se você continuar a experimentar desse modo, o que adquirirá além de nada? O caminho verdadeiro foi dado a você, mas ganhá-lo ou não depende, em última análise, da sua busca pessoal” (‘As experiências de Pedro: seu conhecimento de castigo e julgamento’ em “A Palavra manifesta em carne”). “O relacionamento do homem com Deus é meramente de um interesse próprio nu e cru. É um relacionamento entre um receptor e um doador de bênçãos. Para colocar de forma mais clara, é semelhante ao relacionamento entre empregado e empregador. O empregado trabalha apenas para receber as recompensas concedidas pelo empregador. Não há afeto em tal relacionamento, apenas transação. Não há amar nem ser amado, apenas caridade e misericórdia. Não há entendimento, apenas indignação suprimida e engano. Não há intimidade, apenas um abismo intransponível. Agora que as coisas chegaram a esse ponto, quem pode reverter esse curso? E quantas pessoas são capazes de entender verdadeiramente o quanto esse relacionamento se tornou terrível? Acredito que, quando as pessoas se imergem na alegria de ser abençoadas, ninguém pode imaginar como é embaraçoso e desagradável um relacionamento assim com Deus” (‘O homem só pode ser salvo em meio ao gerenciamento de Deus’ em “A Palavra manifesta em carne”). Tudo que Deus expôs era meu estado verdadeiro. Senti vergonha. Vendo como meu pai estava doente e todas aquelas árvores mortas, e vendo minha família passando por tempos difíceis, eu entendia errado e culpava a Deus, até inventava desculpas na frente Dele. Sentia que tinha feito sacrifícios e trabalhado muito para Ele, que tinha sido preso e sofrido muito sem traí-Lo, por isso Ele deveria me proteger e abençoar minha família. Vi que, em meu dever, eu não estava buscando a verdade nem uma mudança do meu caráter, mas queria usar meus sacrifícios como maneira de negociar com Deus por bênçãos. Isso não era transformar meu dever em uma transação completa? Ter fé e cumprir meu dever desse jeito não era diferente de qualquer emprego no mundo. Era em troca de ganho pessoal sem qualquer sentimento real.

Percebi que eu era tão sortudo por receber a obra de Deus dos últimos dias, por desfrutar do sustento e da rega de Suas palavras, por ter Seu julgamento e purificação e a chance de ser salvo no fim. Que bênção incrível! Mas eu não estava pensando em como buscar a verdade e cumprir bem o meu dever para retribuir o amor de Deus. Quando vi as lutas da minha família, eu não pensei em como buscar a verdade e dar testemunho. Só pensei em ganho pessoal, calculando meus próprios ganhos e perdas. Até culpei e entendi Deus errado e não quis mais cumprir o meu dever. Isso era trair a Deus e total falta de humanidade.

Depois disso, li outra passagem das palavras de Deus: “Ninguém passa a vida toda sem sofrer. Para algumas pessoas, isso está relacionado com família, para outras, com trabalho, para outras, com casamento, e para outras, com doença física. Todos sofrem. Alguns dizem: ‘Por que as pessoas devem sofrer? Como seria bom viver a vida toda com paz e felicidade. Não podemos deixar de sofrer?’ Não — todos devem sofrer. O sofrimento faz com que todas as pessoas experimentem uma infinidade de sensações de vida física, quer sejam essas sensações positivas, negativas, ativas ou passivas; o sofrimento dá a você sentimentos e apreciações diferentes, que, para você, são todos experiência de vida. Se você puder buscar a verdade e buscar a vontade de Deus a partir destes, então você se aproximará cada vez mais dos objetivos que Deus lhe deu. Esse é um aspecto, e é também a fim de tornar as pessoas mais experientes. Outro aspecto é a responsabilidade que Deus dá ao homem. Que responsabilidade? Passar por esse sofrimento. Você deve suportar esse sofrimento. Se você puder suportá-lo, isso é testemunho. Confrontadas com doença, algumas pessoas têm medo de que outras descubram, acham que é algo vergonhoso, quando na verdade não é nada de que se envergonhar” (‘Somente ao resolver suas noções alguém pode entrar na trilha certa da crença em Deus (1)’ em “Registros das falas de Cristo dos últimos dias”). Isso me mostrou que, tanto crentes como incrédulos, enfrentam todos os tipos de lutas e adversidade na vida. Por quanto sofrimento passamos, quantos contratempos sofremos na vida, isso é determinado por Deus. Deus nos faz provar o doce, o amargo, o azedo, para nos testar na vida, para nos dar mais experiência e testar nossa determinação por meio da adversidade. E é também como Ele nos dá responsabilidade. Ver meu pai tão doente e as lutas da minha família foi muito difícil, mas Deus não estava simplesmente dificultando as coisas para mim. Estava trazendo à luz a perspectiva errada que eu tivera em anos de fé, de buscar bênçãos, para que eu pudesse dar meia-volta e trilhar a senda de buscar a verdade. Mas sem entender a vontade de Deus, eu só tentava argumentar com Deus e lutava contra Ele. Eu era tão rebelde e tinha decepcionado Deus. Eu sabia que devia parar de resmungar, submeter-me à soberania e aos arranjos de Deus e dar testemunho por meio disso.

Refleti sobre mim mesmo. Eu tinha acreditado em Deus por anos. Sabia que ter fé era natural e correto, e que não devia fazer transações com Deus. Por que, então, eu não conseguia parar de buscar bênçãos e negociar com Deus? Qual era a raiz disso? Mais tarde, li uma passagem das palavras de. As palavras de Deus dizem: “Todos os humanos corruptos vivem para si mesmos. Cada um por si e o diabo pega quem fica por último — esse é o resumo da natureza do homem. As pessoas creem em Deus por causa de si mesmas; abandonam coisas, despendem-se para Deus e são fiéis a Deus, mas ainda assim fazem todas essas coisas para si mesmas. Em suma, tudo é feito para o propósito de ganhar bênçãos para si mesmas. Na sociedade, tudo é feito pelo benefício pessoal; crer em Deus é algo que se faz apenas para ganhar bênçãos. É para ganhar bênçãos que as pessoas se desfazem de tudo e conseguem suportar muito sofrimento: tudo isso é evidência empírica da natureza corrupta do homem. As pessoas cujos caracteres mudaram são diferentes, elas sentem que sentido provém de viver segundo a verdade, que só as pessoas que cumprem os deveres de uma criatura de Deus são aptas a serem chamadas de humanas, que a base de ser humano é submeter-se a Deus, temer a Deus e evitar o mal, que aceitar a comissão de Deus é uma responsabilidade ordenanda pelo Céu e a Terra — e se elas não foram capazes de amar a Deus e de retribuir o Seu amor, elas não são aptas a serem chamadas de humanas; para elas, viver para si mesmas é vazio e carece de sentido. Elas acham que as pessoas deveriam viver para satisfazer a Deus, cumprir bem seu dever e viver uma vida de significado, de modo que, mesmo quando for sua vez de morrer, elas se sentirão contentes e não terão o menor arrependimento, e não terão vivido em vão” (‘A diferença entre mudanças externas e mudanças no caráter’ em “Registros das falas de Cristo dos últimos dias”). As palavras de Deus me mostraram por que eu só buscava bênçãos mesmo depois de anos de fé. Os venenos de Satanás como “Cada um por si só e o demônio pega quem fica por último” tinham penetrado o fundo do meu coração e me levado a colocar o ganho pessoal acima de tudo em tudo que fazia. Sempre considerava meus próprios interesses. Eu consegui continuar cumprindo meu dever quando o PCCh me caçava e eu não podia voltar para casa, mas eu não estava me despendendo de verdade por Deus nem cumprindo meu dever. Eu estava esperando ser abençoado por Deus e ter um destino maravilhoso. Quando os problemas surgiram em casa e a família estava lutando para sobreviver, minhas esperanças de ser abençoado foram destruídas, então fiquei negativo e não quis mais cumprir o meu dever. Vi que, em minha fé e dever, eu só queria receber bênçãos enormes em troca por um pouquinho de esforço. Eu estava sendo calculista, usando Deus. Eu era tão egoísta e desprezível!

O que Deus disse: “Ter um caráter inalterado é estar em inimizade contra Deus” era totalmente correto. Embora tivesse feito sacrifícios e me despendido superficialmente por anos e sofrido em meu dever, meu caráter corrupto não tinha mudado porque eu não estava buscando a verdade nem me concentrando em aceitar as palavras de julgamento e castigo de Deus. Quando aconteceram coisas que não se encaixavam em minhas noções, eu me revoltei e resisti a Deus. Eu estava em inimizade com Deus. Minha perspectiva na fé era exatamente igual à das pessoas religiosas que só querem encher a barrica e usar seus sacrifícios como passagem para o Céu. Eu estava numa senda contra Deus, igual a Paulo! Aqueles que realmente buscam a verdade e mudança de caráter não poluem seu dever com negociações, mas buscam a verdade e trabalham de todo coração para retribuir o amor de Deus. Buscam amar e satisfazer a Deus e viver uma vida de significado. São como Pedro, que buscou ter um amor supremo por Deus e obedecer até a morte. Crucificado por Deus, ele deu um lindo testemunho. Isso ganha a aprovação de Deus e é a única maneira de viver com sentido e valor.

Mais tarde, vi um vídeo de leitura das palavras de Deus. Deus Todo-Poderoso diz: “Não há correlação entre o dever do homem e se ele é abençoado ou amaldiçoado. O dever é o que o homem deve cumprir; é sua vocação providencial, e não deveria depender de recompensa, condições ou razões. Só então ele está fazendo o seu dever. Ser abençoado é quando alguém é aperfeiçoado e desfruta das bênçãos de Deus após experimentar julgamento. Ser amaldiçoado é quando o caráter de alguém não muda depois de ter experimentado castigo e julgamento, é quando não experimenta ser aperfeiçoado, mas, sim, punido. Mas, independentemente de ser abençoados ou amaldiçoados, os seres criados devem cumprir seu dever, fazer o que devem fazer e fazer o que são capazes de fazer; isso é o mínimo que uma pessoa, uma pessoa que busca a Deus, deveria fazer. Você não deve fazer o seu dever apenas para ser abençoado e não deve se recusar a agir por medo de ser amaldiçoado. Deixe-Me dizer-lhes uma coisa só: o desempenho do homem de seu dever é o que ele deve fazer e, se ele é incapaz de desempenhar seu dever, então isso é a sua rebeldia. É através do processo de fazer o seu dever que o homem é gradualmente mudado e é através desse processo que ele demonstra sua lealdade. Assim, quanto mais você for capaz de fazer o seu dever, mais verdade você receberá e mais real sua expressão se tornará. Aqueles que simplesmente agem sem se envolver ao cumprir seu dever e não buscam a verdade serão eliminados no fim, pois tais pessoas não fazem seu dever na prática da verdade e não praticam a verdade no cumprimento de seu dever. Elas são aquelas que permanecem inalteradas e serão amaldiçoadas. Suas expressões não só são impuras, mas tudo que expressam é maldade” (‘A diferença entre o ministério de Deus encarnado e o dever do homem’ em “A Palavra manifesta em carne”). Quando refleti sobre isso, vi que um dever é simplesmente algo que devemos fazer como seres criados. É uma responsabilidade da qual não devemos fugir. Não posse ser contaminado por transações nem envolver benefícios pessoais. É como piedade filial — é a ordem natural das coisas e nem precisa ser dito. Passamos pelo julgamento e castigo de Deus em nosso dever; nossa corrupção pode ser mudada e purificada. É a única maneira de ser salvo e ter um bom destino. Se não buscarmos a verdade, se acreditarmos por anos sem qualquer mudança em nosso caráter corrupto, mas nos agarrarmos à nossa mentalidade transacional e desejos extravagantes, não importa por quanto tempo acreditemos ou o quanto sacrifiquemos, jamais ganharemos a aprovação de Deus, e Ele nos eliminará. Pensei em Jó que perdeu tudo que possuía e até seus filhos, mas ele não culpou a Deus. Ele sabia que tudo é dado por Deus, e quando Deus tirou tudo dele, ele teve de obedecer incondicionalmente. Por isso Jó disse: “Jeová deu, e Jeová tirou; bendito seja o nome de Jeová” (Jó 1:21). Ele sabia em seu coração que, não importava se Deus concedia ou tirava recompensas, ele deveria adorar a Deus. Esse era o seu dever. Jó cumpriu seu dever para com Deus e deu testemunho Dele. É isso que uma verdadeira criatura de Deus deveria fazer. Eu devia seguir o exemplo de Jó. Não podia usar meus sacrifícios como recurso de troca para exigir coisas de Deus, mas devia ver meu dever como uma responsabilidade e obrigação. Somente isso é ter consciência e razão.

Mais tarde, já que a polícia voltaria para me prender de novo, eu saí de casa e fiquei temporariamente na casa de um irmão idoso. Depois disso, li isto nas palavras de Deus: “Se você puder devotar seu coração, corpo e todo o seu amor genuíno a Deus, colocá-los diante Dele, ser completamente obediente a Ele e ser absolutamente atento à Sua vontade — não pela carne, não pela família e não pelos seus desejos próprios e pessoais, mas pelos interesses da casa de Deus, tomando a palavra de Deus como o princípio e a base de tudo — então, ao fazer isso, suas intenções e suas perspectivas estarão todas no lugar certo e você então será uma pessoa perante Deus que recebe Seu elogio” (‘Aqueles que verdadeiramente amam a Deus são os que podem se submeter totalmente à Sua praticidade’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus me deram uma senda e uma direção. Eu não deveria pensar apenas na minha família e em interesses carnais, Mas devia corrigir os meus motivos e investir minha energia e pensamentos em cumprir bem o meu dever. Quando entendi a vontade de Deus, aquietei meu coração e passei meu tempo lendo as palavras de Deus na casa daquele irmão. Depois de um tempo, recebi outro dever. Graças ao julgamento e castigo de Deus, minha abordagem equivocada à minha fé foi corrigida e agora tenho o objetivo certo em minha busca.

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