Encarando a doença terminal do meu filho

20 de Janeiro de 2022

Por Liang Xin, China

Dois anos atrás, de repente, meu filho sentiu uma dor terrível na cintura. Fomos fazer exames, e o médico disse que os resultados eram preocupantes, que deveríamos fazer mais exames no hospital maior da província. Meu coração parou por um segundo, e eu achei que era possível que meu filho tivesse uma doença grave. Mas então pensei: “Desde que me tornei crente, eu tenho feito sacrifícios e cumprido o meu dever por Deus esse tempo todo, e sofri bastante. Mesmo quando encarei opressão e detenções frenéticas conduzidas pelo Partido Comunista, e zombaria e calúnia de amigos e parentes, eu nunca recuei, e permaneci forte no meu dever. Considerando todos os sacrifícios que eu fiz por Deus, Ele deveria proteger meu filho de algo mais sério”. Mas os resultados me chocaram. Meu filho tinha câncer de fígado e cirrose hepática. O médico disse que lhe restavam apenas de três a seis meses de vida. Esse diagnóstico foi como um golpe no estômago, e fiquei sentada ali, paralisada. Simplesmente não conseguia aceitar essa realidade. Ele só tinha 37 anos — como podia ter algo tão sério? Eu estava segurando os exames, e minhas mãos tremiam. Perguntei-me se o médico tinha feito o diagnóstico errado. Fiquei sentada na beira da cama, perplexa, totalmente ausente. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, e pensei: “Ele é tão jovem — como pode ter uma doença tão séria? Câncer de fígado e cirrose hepática? Qualquer um dos diagnósticos teria sido fatal, mas os dois? Ele é o cerne da nossa família. O que faríamos sem ele? A coisa mais dolorosa que uma pessoa pode enfrentar na vida é enterrar um filho”. Eu me sentia cada vez mais horrível. Eu estava sempre à beira de chorar e passava todos os dias atordoada. Eu estava nas trevas. Fiz uma oração: “Deus, com essa doença séria do meu filho, estou sofrendo, e não sei como lidar com isso. Por favor, esclarece-me para que eu entenda Tua vontade”.

Um dia, li isto nas palavras de Deus: “Enquanto passam por provações, é normal que as pessoas estejam fracas ou tenham negatividade dentro delas, que lhes falte clareza quanto à vontade de Deus ou quanto à senda para a prática. Mas, em todo caso, você deve ter fé na obra de Deus e não negar Deus, assim como Jó. Embora Jó fosse fraco e amaldiçoasse o dia em que nasceu, ele não negou que todas as coisas da vida humana foram concedidas por Jeová, nem que Jeová também é Aquele que tira todas elas. Não importa quanto fosse testado, ele manteve essa fé. […] Deus faz a obra da perfeição nas pessoas, e elas não podem vê-la, não podem senti-la; em tais circunstâncias, sua fé é exigida. A fé das pessoas é exigida quando algo não pode ser visto a olho nu, e sua fé é exigida quando você não consegue abrir mão de suas próprias noções. Quando você não tem clareza a respeito da obra de Deus, o que é exigido de você é ter fé e assumir uma posição firme e dar testemunho(A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Aqueles que hão de ser aperfeiçoados devem passar pelo refinamento”). Ler as palavras de Deus me mostrou que a doença grave do meu filho era um tipo de provação e teste para mim, e que eu devia confiar na minha fé para passar por isso. Lembrei-me de Jó, que perdeu todos os bens e os rebanhos, todos os seus filhos morreram, e ele ficou coberto de chagas. Mesmo diante de tal provação, ele foi capaz de se amaldiçoar antes de culpar a Deus e ainda foi capaz de louvar o nome de Jeová. Ele acabou dando um lindo testemunho de Deus. Quando estava passando por tudo isso, seus amigos zombaram dele, a esposa o criticou e até sugeriu que ele abandonasse Deus e morresse. Aparentemente, parecia que eram pessoas que o estavam criticando, mas, por trás disso, estava Satanás, tentando Jó para que ele negasse e traísse a Deus. Mas Jó não caiu nessa e até denunciou a esposa como uma mulher tola. Nesse momento, os truques de Satanás estavam por trás dos ataques dos meus amigos e parentes. Eu devia ser igual a Jó e dar testemunho de Deus. Eu não podia dar ouvidos aos absurdos deles. Ao pensar nisso, eu já não me senti tão entristecida e impotente quanto antes.

Meu filho passou por uma cirurgia algumas semanas depois e sua condição começou a melhorar. Eu pensei: “Deus poderia ter misericórdia dele por causa da minha fé. Eu espero muito que Deus possa revelar um milagre e curar a doença dele. Se ele se recuperasse totalmente, seria ótimo!”. Então me lembrei desta passagem das palavras de Deus, de repente: “O que você busca é ser capaz de ter paz depois de crer em Deus, que suas crianças estejam livres de doenças, que seu marido tenha um bom emprego, que seu filho encontre uma boa esposa, que sua filha encontre um marido decente, que seus bois e cavalos arem bem o solo, que tenha um ano de clima bom para suas colheitas. É isso que você busca. Sua busca visa tão somente viver com conforto, que nenhum acidente sobrevenha a sua família, que os ventos passem ao largo, que sua face não seja tocada pela areia, que as colheitas de sua família não sejam inundadas, que você não seja atingido por nenhum desastre, em suma, você busca viver no abraço de Deus, viver em um ninho aconchegante. Um covarde como você que sempre busca a carne — você tem um coração, tem um espírito? Você não é uma besta? Eu lhe dou o caminho verdadeiro sem pedir nada em troca, mas você não busca. Você é mesmo alguém que crê em Deus? Eu lhe concedo vida humana real, mas você não busca. Você não é nada diferente de um porco ou de um cão?(A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “As experiências de Pedro: seu conhecimento de castigo e julgamento”). As palavras de Deus revelaram minhas perspectivas equivocadas sobre a fé e os motivos por bênçãos. Senti muita vergonha. Quando acreditava no Senhor, eu buscava bênçãos e graça, esperando que toda a minha família fosse abençoada por causa da minha crença. Desde que aceitara a obra de Deus nos últimos dias, embora eu nunca tivesse pedido descaradamente a graça de Deus, eu não buscava a verdade e não entendia Deus realmente. Na minha fé, eu me agarrava ao ponto de vista de obter bênçãos de que eu “ganharia cem vezes mais nesta vida, e vida eterna na era vindoura”. Pensava que, já que tinha feito sacrifícios por Deus, Ele me honraria e abençoaria, que Ele protegeria a minha família de doença e desastres, que facilitaria a nossa vida e nos libertaria de contratempos terríveis. Por causa disso, larguei meu emprego para cumprir meu dever, feliz e disposta a suportar qualquer sofrimento. Mas quando meu filho foi diagnosticado com câncer, eu me afundei em dor e preocupação, e perdi a vontade de cumprir o meu dever. Fiz contas mesquinhas de quanto tinha me despendido, de quanto tinha sofrido, debatendo com Deus e O culpando por não proteger meu filho. A situação que eu enfrentava, bem como as palavras de revelação de Deus me mostraram que a minha perspectiva de busca na minha fé estava errada. Eu não estava renunciando a coisas para buscar a verdade nem para me livrar do meu caráter corrupto, em vez disso, eu fazia isso em troca de graça e bênçãos de Deus. Eu estava fazendo transações com Deus, usando Deus e O enganando. Minha fé era somente a minha busca pela proteção de Deus para a minha família e para que Ele nos mantivesse sãos e salvos, livres de doenças e desastres. Em que eu era diferente dos religiosos que buscam pão para satisfazer a fome? Eu vi como minha perspectiva de busca era vil. Ao entender isso, eu me senti tão endividada com Deus e vim para diante Dele em oração, disposta a colocar a saúde do meu filho nas mãos Dele e a submeter-me aos Seus arranjos.

Depois de um período de tratamento, a condição do meu filho começou a melhorar, e o estado de espírito dele estava também cada vez melhor. Ele estava se alimentando normalmente e conseguia fazer algumas atividades leves. Fiquei muito feliz, especialmente quando o vi cantando e dançando com o filho, de microfone na mão, parecendo totalmente saudável. Achei que havia mais esperança para ele, e até pensei: “De um ponto de vista humano, a doença dele era uma sentença de morte e ele não viveria mais de seis meses. Mas ele já tinha passado disso e estava se recuperando muito bem. Isso é a graça, a proteção de Deus. Se as coisas continuarem assim, ele vai se recuperar completamente”. Mas as coisas tomaram outro rumo. De repente, ele passou a vomitar tudo que engolia, o abdômen começou a inchar mais e mais a cada dia, e sentar-se ficou difícil. Ele fez um exame, e ainda que o tumor não tivesse reaparecido, a cirrose tinha piorado e ele estava desenvolvendo ascite. Senti que a morte estava se aproximando dele e caí em desespero novamente. Eu pensei: “A condição do meu filho estava melhorando claramente; por que está piorando de novo? Ele é um filho tão bom, e se dá tão bem com todos. Amigos, parentes e vizinhos só falam bem dele. Embora ele não apoie muito a minha fé, ele não me impede. Por que teria uma doença fatal? Todo o tempo em que fui crente, eu compartilhei o evangelho, disposta a fazer qualquer coisa que surge na igreja. Apesar da opressão e das detenções do Partido, e apesar da oposição e da obstrução que eu enfrento, da parte dos meus parentes, eu nunca recuo. Continuo cumprindo o meu dever. Eu renunciei a tanto, por que, então, estou enfrentando isso? É isso que eu recebo em troca de todos os meus anos de sacrifício?”. Embora eu não dissesse isso, esse sentimento de que Deus era injusto se apoderou de mim. Eu estava negativa, deprimida e atordoada o tempo todo. Estava sem esperança. Estava sofrendo muito e chorando o tempo todo.

Na minha dor, eu orei a Deus e busquei a vontade Dele nas palavras Dele. Havia essa passagem que eu li: “A justiça não é, de modo algum, imparcialidade nem sensatez; não é igualitarismo nem uma questão de lhe destinar o que você merece de acordo com o tanto de trabalho que completou, nem de pagá-lo por um trabalho qualquer que você tenha feito, nem de lhe dar o que lhe é devido de acordo com o tanto de esforço que você despendeu. Isso não é justiça, é meramente ser imparcial e sensato. Pouquíssimas pessoas são capazes de conhecer o caráter justo de Deus. Suponha que Deus tivesse eliminado Jó após este ter dado testemunho Dele: isso seria justo? De fato, seria. Por que isso é chamado de justiça? Qual é a opinião das pessoas sobre justiça? Se algo está alinhado às noções das pessoas, é muito fácil para elas dizer que Deus é justo; no entanto, se não acharem que esse algo está alinhado a suas noções — se for algo que elas são incapazes de entender —, seria difícil para elas dizer que Deus é justo. Se Deus tivesse destruído Jó naquele tempo, as pessoas não teriam dito que Ele é justo. De fato, entretanto, tendo as pessoas sido corrompidas ou não e tendo sido profundamente corrompidas ou não, Deus tem de justificar-Se quando as destrói? Deveria Ele explicar às pessoas com que base Ele o faz? Deus deve informar às pessoas as regras que Ele ordenou? Não há necessidade. Aos olhos de Deus, alguém que é corrupto, propenso a se opor a Deus, não tem nenhum valor; qualquer maneira de Deus lidar com ele será apropriada, e tudo isso são os arranjos de Deus. […] A essência de Deus é justiça. Apesar de não ser fácil compreender o que Ele faz, tudo que faz é justo; as pessoas simplesmente não entendem. Quando Deus entregou Pedro a Satanás, como Pedro respondeu? ‘A humanidade é incapaz de sondar o que fazes, mas tudo que fazes contém a Tua boa vontade; há justiça em tudo isso. Como posso não expressar louvor por Tua sabedoria e Teus feitos?’ Agora você deveria ver que a razão pela qual Deus não destrói Satanás no tempo de Sua salvação do homem é que os humanos possam ver claramente como Satanás os corrompeu e a extensão em que ele os corrompeu, e como Deus os purifica e os salva. No fim, quando as pessoas tiverem entendido a verdade, e visto claramente o semblante odioso de Satanás, e contemplado o pecado monstruoso de serem corrompidas por Satanás, Deus destruirá Satanás, mostrando-lhes a Sua justiça. A hora em que Deus destruir Satanás estará repleta do caráter e da sabedoria de Deus. Tudo que Deus faz é justo. Embora os humanos possam não ser capazes de perceber a justiça de Deus, eles não deveriam julgar a seu bel-prazer. Se algo que Ele faz parecer insensato aos humanos ou se eles tiverem quaisquer noções sobre isso, e isso os levar a dizer que Ele não é justo, eles estarão sendo muito insensatos. Você vê que Pedro achava algumas coisas incompreensíveis, mas tinha certeza de que a sabedoria de Deus estava presente e que a boa vontade de Deus estava nessas coisas. Os humanos não conseguem sondar tudo; há muitas coisas que eles não conseguem compreender. Portanto, conhecer o caráter de Deus não é algo fácil(A Palavra, vol. 3: As declarações de Cristo dos últimos dias, “Parte 3”). As palavras de Deus me mostraram que Sua justiça não é como eu imaginava — perfeitamente justa e igualitária, e não significava que você receberia exatamente o que investira. Deus é o Senhor da Criação, e Sua essência é justa. Não importa se Ele dá ou tira, se recebemos graça ou sofremos provações, tudo contém Sua sabedoria. Tudo é uma revelação de Seu caráter justo. Jó seguiu o caminho de Deus, temendo a Deus e evitando o mal durante toda a vida. Ele era uma pessoa perfeita aos olhos de Deus, e ainda assim Deus o testou. Sua fé em Deus e seu temor a Ele foram elevados por provação após provação, e, no fim, ele foi uma testemunha retumbante de Deus e derrotou Satanás totalmente. Então Deus lhe apareceu e o abençoou com muito mais. Isso revelou o caráter justo de Deus. Também me lembrei de Paulo. Ele sofreu e viajou muito para espalhar o evangelho do Senhor, mas não tinha submissão verdadeira nem temor a Deus. Ele só queria usar seu trabalho duro em troca pelas bênçãos de Deus. Depois de trabalhar bastante, ele disse: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada” (2 Timóteo 4:7-8). As contribuições e o sofrimento de Paulo estavam repletos de ambições e desejos e eram transacionais. Seu caráter não mudou, e ele estava numa senda contrária a Deus. No fim, ele foi punido por Deus. Vemos, com isso, que Deus não olha para quanto as pessoas parecem trabalhar, mas se elas realmente O amam e se submetem a Ele, e se seu caráter de vida muda. Deus é tão santo e justo. Eu pensava que seria recompensada pelas minhas contribuições, que receberia de volta algo equivalente à minha contribuição. Essa é uma perspectiva humana, transacional totalmente diferente do caráter justo de Deus. Embora eu tivesse feito alguns sacrifícios e algumas coisas boas como crente, minha perspectiva de busca na fé estava errada e eu não tinha submissão verdadeira a Deus. Eu culpei e resisti a Deus quando meu filho adoeceu. Meu caráter de vida não tinha mudado, e eu ainda resistia a Deus e pertencia a Satanás. Eu não merecia as bênçãos de Deus. Eu não entendia o caráter justo de Deus, e achava que eu tinha feito alguns sacrifícios em meu dever, Deus deveria proteger e cuidar do meu filho. Eu não estava fazendo exigências a Deus com base em uma perspectiva humana, transacional? Pensei nestas palavras de Deus: “Todos têm um destino adequado. Esses destinos são determinados de acordo com a essência de cada indivíduo e absolutamente nada têm a ver com outras pessoas. O comportamento mau de um filho não pode ser transferido para os pais, tampouco a justiça de um filho pode ser compartilhada com seus pais. O comportamento mau de um pai não pode ser transferido para seus filhos, tampouco a justiça dos pais pode ser compartilhada com seus filhos. Todos carregam seus respectivos pecados, e todos desfrutam de suas respectivas bênçãos. Ninguém pode ser um substituto para outra pessoa; isso é justiça(A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “Deus e o homem entrarão em descanso juntos”). Eu sempre achei que, visto que eu tinha sacrificado coisas na minha fé, Deus deveria curar meu filho. Caso contrário, eu O consideraria injusto. Isso era totalmente absurdo! Não importava quanto eu tinha sofrido e qual preço eu tinha pagado, esse era o meu dever e o que eu deveria fazer como um ser criado. Isso nada tinha a ver com a doença do meu filho, com seu fim ou destino. Eu não deveria usar isso como argumento para negociar, para fechar acordos com Deus.

Um dia, li outra passagem das palavras de Deus que me ajudou a entender a essência da minha perspectiva equivocada. Deus Todo-Poderoso diz: “Não importa quantas coisas aconteçam com ele, o tipo de pessoa que é um anticristo nunca tenta abordá-las buscando a verdade nas palavras de Deus, muito menos tenta ver as coisas por meio das palavras de Deus — o que se deve inteiramente a ele não acreditar que todas as linhas das palavras de Deus são a verdade. Não importa como a casa de Deus comungue a verdade, os anticristos permanecem fechados e, em consequência disso, carecem da mentalidade correta, qualquer que seja a situação que enfrentam; em particular, quando se trata de como eles abordam Deus e a verdade, os anticristos se recusam teimosamente a deixar de lado as suas noções. O Deus em que acreditam é o Deus que faz sinais e maravilhas, o Deus sobrenatural. Qualquer um que consiga fazer sinais e maravilhas — seja Bodisatva, Buda ou Mazu —, eles o chamam de Deus. […] Na mente dos anticristos, Deus deve ser adorado enquanto Ele se esconde por trás do altar, come os alimentos que as pessoas ofertam, inala o incenso que queimam, ajuda quando as pessoas estão encrencadas, mostra que é onipotente e fornece assistência imediata para elas dentro dos limites daquilo que lhes é compreensível, e satisfaz as necessidades delas quando as pessoas pedem ajuda e são sinceras em suas súplicas. Para os anticristos, somente um deus como esse é o verdadeiro Deus. No entanto, tudo que Deus faz hoje provoca o desdém dos anticristos. E por quê? A julgar pela natureza essência dos anticristos, o que eles exigem não é a obra de rega, pastoreio e salvação que o Criador realiza nas criaturas de Deus, mas prosperidade e sucesso em todas as coisas, não ser punidos neste mundo e ir para o céu quando morrerem. Seu ponto de vista e suas necessidades confirmam sua essência de hostilidade à verdade(A Palavra, vol. 4: Expondo os anticristos, “Item Quinze: Eles não acreditam na existência de Deus e negam a essência de Cristo (parte 1)”). Cada palavra de Deus acertava em cheio. Refletindo, eu entendi que sempre achei que Deus deveria me recompensar e abençoar pelos sacrifícios e contribuições que eu tinha feito na minha fé, que Ele deveria manter minha família a salvo, livre dos desastres e doenças. Quando vi que meu filho estava muito melhor, pensei que era a graça de Deus, e fiquei grata e cheia de louvor por Deus. Mas quando ele piorou, eu quis que Deus fizesse um milagre para curá-lo. Quando Deus não fez o que eu queria, eu deixei de sorrir e fiquei ressentida, com raiva de Deus por não levar os meus sacrifícios e contribuições em conta para proteger e curar meu filho. Eu até me arrependi de tudo que tinha dado e sacrificado. Todos os meus humores giravam em torno de se eu estava ganhando ou perdendo algo. Na minha fé, eu não tinha adorado nem me submetido a Deus como o Senhor da Criação, em vez de um “ídolo” para satisfazer minhas exigências e me abençoar. Em que eu era diferente dos incrédulos que adoram Buda ou Guan Yin? Eu não era uma crente verdadeira! Deus encarnou e veio para a Terra duas vezes, suportando humilhação incrível, condenação, resistência, rebeldia e equívoco das pessoas. Tudo isso para nos conceder Suas palavras e verdade para que vivamos segundo as palavras Dele e escapemos dos nossos caracteres corruptos, e por fim nos salvar. Deus pagou um preço tão alto para salvar a humanidade. Eu tinha desfrutado de tanta graça de Deus nos meus anos de fé, ganhando a rega e o sustento de tantas verdades. Mas eu não era genuína em relação a Deus. Isso era tão doloroso e decepcionante para Ele! Comecei a me sentir cada vez mais endividada com Deus e me ajoelhei diante Dele, e lágrimas de remorso e culpa escorreram pelo meu rosto. Orei a Deus e me arrependi, dizendo: “Deus, eu fui crente por todos esses anos, mas não busquei a verdade. Não fui capaz de dar testemunho de Ti na doença do meu filho, e eu Te decepcionei. Deus, quero me arrepender por Ti, e não importa se meu filho vai melhorar ou não, estou disposta a me submeter aos Teus arranjos. Por favor, dá-me fé”. Depois da oração, foi como se um peso enorme tivesse sido retirado de mim, e eu me senti muito mais leve.

Li outra passagem das palavras de Deus que me deu mais entendimento da vontade Dele. Deus Todo-Poderoso diz: “Não há correlação entre o dever do homem e se ele é abençoado ou amaldiçoado. O dever é o que o homem deve cumprir; é sua vocação providencial, e não deveria depender de recompensa, condições ou razões. Só então ele está fazendo o seu dever. Ser abençoado é quando alguém é aperfeiçoado e desfruta das bênçãos de Deus após experimentar julgamento. Ser amaldiçoado é quando o caráter de alguém não muda depois de ter experimentado castigo e julgamento, é quando não experimenta ser aperfeiçoado, mas, sim, punido. Mas, independentemente de ser abençoados ou amaldiçoados, os seres criados devem cumprir seu dever, fazer o que devem fazer e fazer o que são capazes de fazer; isso é o mínimo que uma pessoa, uma pessoa que busca a Deus, deveria fazer. Você não deve fazer o seu dever apenas para ser abençoado e não deve se recusar a agir por medo de ser amaldiçoado. Deixe-Me dizer-lhes uma coisa só: o desempenho do homem de seu dever é o que ele deve fazer e, se ele é incapaz de desempenhar seu dever, então isso é a sua rebeldia. É através do processo de fazer o seu dever que o homem é gradualmente mudado e é através desse processo que ele demonstra sua lealdade. Assim, quanto mais você for capaz de fazer o seu dever, mais verdade você receberá e mais real sua expressão se tornará(A Palavra, vol. 1: A aparição e a obra de Deus, “A diferença entre o ministério de Deus encarnado e o dever do homem”). As palavras de Deus me mostraram que cumprir o meu dever nada tem a ver com ser abençoado ou amaldiçoado. A despeito de a pessoa obter ou não bênçãos em sua fé, como seres criados, todos deveriam cumprir um dever para retribuir o amor de Deus. Isso é correto e apropriado. É igual a pais que criam seus filhos até a idade adulta — os filhos devem ser filiais. Não deveria se tratar de herdar bens, não deveria ser condicional. Isso é o mínimo que se deveria fazer enquanto pessoa. Mas eu não estava pensando em como retribuir o amor de Deus no meu dever. Em vez disso, eu queria usar o dever que Deus me deu como vantagem para fazer acordos com Ele, pedindo graça e bênçãos de Deus pelo pouco que eu tinha dado e sacrificado. Sem receber isso, eu culpei Deus. Eu não tinha consciência e decepcionei Deus. Principalmente depois que o meu filho adoeceu, eu fiquei cheia de exigências e sempre entendia Deus errado e O culpava. Essa ideia me fez odiar a mim mesma. Eu pensei: “A despeito do meu filho melhorar ou não, eu nunca mais culparei Deus de novo”. Depois disso, a condição do meu filho piorou cada vez mais. A saúde dele piorava a cada dia. Embora fosse doloroso, e eu estivesse sofrendo, eu não mais fazia exigências a Deus.

Um dia, li isto nas palavras de Deus: “Deus já planejou completamente a gênese, o advento, a duração de vida e o fim de todas as criaturas de Deus, como também a missão de sua vida e o papel que exercem em toda a humanidade. Ninguém pode mudar essas coisas; essa é a autoridade do Criador. O advento de cada criatura, sua missão de vida, quando sua vida terminará — todas essas leis foram ordenadas por Deus há muito tempo, da mesma forma como Deus ordenou a órbita de cada corpo celestial; que órbita esses corpos celestiais seguem, por quantos anos, como eles orbitam, que leis eles seguem — tudo isso foi ordenado por Deus há muito tempo, inalterado por milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares de anos. Isso é ordenado por Deus, e essa é a Sua autoridade(A Palavra, vol. 3: As declarações de Cristo dos últimos dias, “Parte 3”). Verdade. Deus é o Senhor da Criação, e a duração da nossa vida é determinada por Ele. Até quando vivemos, quanto sofremos, ao longo da vida, e quanto somos abençoados — tudo está nas mãos de Deus. Deus não estenderá a duração de vida de alguém só porque ele fez algumas boas ações nesta Terra, e Ele não encerrará sua vida só porque cometeu muito mal. Não importa se alguém é bom ou mau, a duração da vida de todos é determinada por Deus. Ninguém pode mudar isso. Há muito tempo, Deus determinou quanto tempo meu filho viveria. Tudo que Ele faz é justo, e eu só devo me submeter aos Seus arranjos e governo. Entender essas coisas aliviou parte da minha dor. Eu sabia que qualquer que fosse a condição do meu filho, eu devia cumprir o dever de um ser criado e retribuir o amor de Deus.

Em março deste ano, nós nos despedimos do meu filho para sempre. Graças à orientação das palavras de Deus, fui capaz de encarar sua partida corretamente e sofri muito menos. Ao longo desses dois anos, desde o início da doença do meu filho, embora eu tenha sofrido muito, por meio da revelação dessa dor, desse teste, eu fui capaz de ver meus objetivos e minha corrupção desprezíveis, e impurezas na minha busca por bênçãos na fé. Além disso, eu sei mais sobre o caráter justo de Deus e não mais farei exigências irracionais para Ele. Sou, agora, capaz de me submeter às orquestrações e aos arranjos Dele. Essa experiência me mostrou que, não importa o que aconteça, e não importa se algo é visto pelas pessoas como ruim ou bom, contanto que oremos a Deus e busquemos a verdade, poderemos nos beneficiar e ganhar com isso.

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