Sobreviver a uma perseguição cruel fortaleceu minha fé em Deus

24 de Outubro de 2019

Por Zhao Rui, Província de Shanxi

Meu nome é Zhao Rui. Devido à graça de Deus, toda a minha família começou a seguir o Senhor Jesus em 1993. Em 1996, quando eu tinha 16 anos de idade, eu fui atraída pelo amor do Senhor Jesus e comecei a trabalhar na igreja e a dar sermões. No entanto, não demorou e comecei a observar muitas coisas na igreja que me deixaram amargamente decepcionada: colegas de trabalho se metiam em intrigas uns contra os outros, excluíam uns aos outros e competiam por poder e lucro. Era como se o ensinamento do Senhor de que devemos amar uns aos outros tivesse sido esquecido havia muito tempo. Aqueles que davam sermões pareciam não ter nada a dizer e não havia prazer em viver a vida da igreja. Muitos irmãos e irmãs tinham se tornado negativos e fracos e tinham até parado de frequentar as reuniões. Confrontada com o estado sombrio e desolado da igreja, eu me senti particularmente angustiada e impotente. Em julho de 1999, pelo arranjo e orquestração milagrosos de Deus, eu acolhi o retorno do Senhor Jesus — Deus Todo-Poderoso. Através da leitura das palavras de Deus Todo-Poderoso e do engajamento na vida da igreja, desfrutei mais uma vez a obra do Espírito Santo. Quando participava das reuniões com meus irmãos e irmãs, o estilo de vida religioso que eu levava no passado foi extinto, todos podiam dizer o que realmente sentiam, nós comungávamos sob a luz que nos era fornecida pelo esclarecimento do Espírito Santo e conversávamos sobre como experimentávamos a palavra de Deus e sobre como confiar em Deus para nos livrar da corrupção. E mais, os irmãos e irmãs viviam de maneira muito devota e dignificada; perdoavam e eram tolerantes com as falhas e as manifestações de corrupção uns dos outros e ofereciam uns aos outros ajuda amorosa. Quando alguém estava passando por dificuldades, ninguém o desprezava ou depreciava, mas buscava a verdade com ele para encontrar uma solução para os seus problemas. Essa era a vida de igreja que eu sempre desejara — o caminho verdadeiro que eu tinha procurado durante tantos anos! Finalmente, eu tinha retornado para diante de Deus após ter permanecido perdida por anos a fio! Fiz uma resolução a Deus: “Trarei aquelas almas inocentes que ainda vivem nas trevas para diante de Deus, eu as capacitarei a viver com a orientação e a benção da obra do Espírito Santo e a ser regadas pela água viva da vida de Deus. Esse é o meu chamado como um ser criado e a maneira mais significativa e valiosa de viver minha vida”. Com isso, atirei-me no cumprimento dos meus deveres.

No entanto, o governo do Partido Comunista Chinês, aquele governo ateu que odeia o Deus verdadeiro e detesta a verdade, não permitiria que seguíssemos a Deus, nem que déssemos testemunho ou propagássemos o evangelho de Deus, muito menos toleraria a existência da igreja de Deus. Na primavera de 2009, o governo do PCC executou uma campanha de prisões em grande escala que visava os principais líderes da Igreja de Deus Todo-Poderoso. Um após o outro, líderes das igrejas no país inteiro foram detidos e jogados na prisão. Em 4 de abril, por volta das nove da noite, eu e uma irmã com a qual eu estava colaborando no cumprimento dos nossos deveres tínhamos acabado de sair da nossa casa anfitriã e estávamos andando até a rua, quando três homens à paisana de repente saltaram atrás de nós e nos arrastaram à força pelos braços, gritando: “Vamos! Vocês vêm com a gente!”. Antes mesmo de termos tempo para reagir, fomos jogadas dentro de um sedã preto estacionado ao lado da rua. Foi exatamente como nos filmes, quando gângsteres vêm e sequestram alguém à plena luz do dia, só que, agora, isso estava acontecendo conosco na vida real, e foi absolutamente aterrorizante. Eu fiquei totalmente arrasada e tudo que pude fazer foi clamar a Deus em silêncio sem cessar: “Amado Deus! Salva-me! Ó Deus, por favor, salva-me”. Antes de eu recuperar minha compostura, o sedã entrou no pátio principal da Agência Municipal de Segurança Pública. Foi apenas então que percebi que tínhamos caído nas mãos da polícia. Logo depois, a irmã da nossa casa anfitriã também foi trazida. Nós três fomos levadas para um escritório no segundo andar, e um policial, sem dar quaisquer explicações, apoderou-se das nossas bolsas e nos fez ficar de pé voltadas contra a parede. Então nos obrigou a nos despirmos e revistou nosso corpo, apoderando-se, no processo, de alguns materiais sobre nosso trabalho na igreja, recibos para o dinheiro da igreja que era guardado, nossos celulares, mais de cinco mil yuans em dinheiro, um cartão de banco e um relógio, entre outros pertences pessoais que tínhamos conosco e em nossas bolsas. Enquanto tudo isso acontecia, sete ou oito policiais ficavam entrando e saindo da sala, e dois dos policiais que estavam nos monitorando até caíram na gargalhada e apontaram para mim, dizendo: “Essa aí é uma mandachuva na igreja, parece que pegamos um peixe grande hoje”. Logo depois, quatro policiais à paisana me algemaram, vendaram meus olhos e me escoltaram até uma sucursal da Agência de Segurança Pública bem longe da cidade.

Quando entrei na sala de interrogatório e vi aquela janela com grade de ferro lá no alto e aquele ‘banco de tigre’ sinistro e de aparência fria, as histórias terríveis de irmãos e irmãs que tinham sido torturados no passado me vieram à mente. Pensando nas torturas desconhecidas às quais os policiais malignos me submeteriam em seguida, fiquei extremamente assustada e minhas mãos começaram a tremer involuntariamente. Nessa situação desesperada, de repente, as palavras de Deus apareceram em minha mente: “Você ainda está carregando medo no seu coração, e o seu coração não continua cheio de pensamentos de Satanás?” “O que é um vencedor? Os bons soldados de Cristo devem ser corajosos e confiar em Mim para ser espiritualmente fortes; eles devem lutar para se tornar guerreiros e batalhar contra Satanás até a morte” (de ‘Capítulo 12’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). Aos poucos, o esclarecimento das palavras de Deus acalmou meu coração em pânico e me permitiu perceber que meu medo tinha sua origem em Satanás. Pensei comigo mesma: “Satanás quer torturar minha carne para que eu capitule diante de sua tirania. Não posso cair nesse esquema conspirador. Não importa o que possa acontecer, confio que Deus está comigo secretamente, me vigiando e protegendo. Em todos os momentos, Deus sempre será minha forte retaguarda e meu apoio eterno. Agora é um momento-chave na batalha espiritual e é imperativo que eu seja testemunha de Deus neste momento. Devo ficar do lado de Deus e não posso ceder a Satanás”. Após perceber isso, orei a Deus em silêncio: “Ó Deus Todo-Poderoso! Foi com Tuas boas intenções que hoje caí nas mãos desses policiais malignos. No entanto, minha estatura é pequena demais e estou em pânico e assustada. Peço que Tu me dês fé e coragem, para que eu possa me libertar das restrições da influência de Satanás, não me submeter a ele e resolutamente ser uma testemunha para Ti!”. Após terminar minha oração, meu coração se encheu de coragem e eu não senti mais tanto medo daqueles policiais malignos de aparência maliciosa.

Naquele momento, dois policiais me enfiaram na ‘cadeira do tigre’ e prenderam meus pés e mãos. Um dos guardas, um brutamontes alto e pesado, apontou para algumas palavras na parede, que diziam: “Aplicação civilizada da lei”, e então bateu na mesa e gritou: “Você sabe onde está? A Agência de Segurança Pública é a sucursal do governo chinês especializada em violência! Se você não confessar, você terá o que merece! Fale! Como você se chama? Quantos anos tem? De onde é? Qual é sua posição na igreja?”. Sua natureza agressiva em combinação com sua admissão franca e pessoal da natureza verdadeira dessa agência nacional de execução, a Agência de Segurança Pública, me encheu de raiva. Pensei comigo mesma: “Eles sempre alegam ser a ‘Polícia do Povo’ e que seu objetivo é ‘erradicar os perversos e permitir que aqueles que seguem a lei vivam em paz’, mas, na verdade, são apenas um bando de assassinos, bandidos e matadores do submundo. São demônios executando um ataque voltado contra a justiça e punindo cidadãos bons e íntegros! Esses policiais fazem vista grossa para aqueles que violam a lei e cometem crimes, permitindo que vivam fora do alcance da lei. No entanto, a despeito do fato de apenas acreditarmos em Deus, lermos a palavra de Deus e trilharmos a senda correta na vida, nós nos tornamos o alvo primário da violência desse bando de selvagens. O governo do PCC é verdadeiramente um inversor perverso da justiça”. Apesar de odiar aqueles policiais malignos com todo meu coração, eu sabia que minha estatura era pequena demais e que não seria capaz de resistir à sua punição e tortura cruel, então clamei a Deus sem cessar, suplicando que Ele me concedesse força. Naquele exato momento, as palavras de Deus me iluminaram: “A fé é como uma ponte de um tronco só de árvore, os que se grudam abjetamente à vida terão dificuldade para cruzá-la, mas os que estão prontos a se sacrificar podem atravessá-la sem preocupação” (de ‘Capítulo 6’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). O consolo e o encorajamento das palavras de Deus me ajudaram a me fundamentar, e pensei comigo mesma: “Hoje devo estar pronta para arriscar tudo — se acontecer o pior e eu morrer, que seja. Se esse bando de demônios acredita que arrancará algo de mim sobre o dinheiro, o trabalho ou os líderes da igreja, podem pensar melhor!”. Com isso, orei a Deus: “Amado Deus! Tu governas sobre tudo, e Satanás também está em Tuas mãos e está sujeito às Tuas orquestrações. Hoje, estás usando Satanás para testar minha fé e devoção. Mesmo que minha carne esteja fraca agora, não estou disposta a desmoronar aos pés de Satanás. Desejo depender de Ti e ficar forte. Não importa como Satanás me torture, jamais Te trairei ou Te deixarei triste!”. Por causa da orientação das palavras de Deus, não importava como me interrogassem ou tentassem extorquir informações de mim, eu não disse uma única palavra.

Quando viram que eu me recusava a falar, um dos policiais se enfureceu e, após dar um tapa na mesa, correu até mim, chutou a cadeira de tigre na qual eu estava sentada e então empurrou minha cabeça, gritando: “Conte-nos o que sabe! Não vá pensar que não sabemos de nada. Se não soubéssemos de nada, como você acha que teríamos sido capazes de capturar vocês três tão resolutamente?”. Outro policial alto rugiu: “Não teste minha paciência! Se não lhe dermos um gostinho da dor, você achará que estamos apenas fazendo ameaças vazias. Fique em pé!”. Assim que terminou de falar, ele me arrastou da cadeira de tigre até a parede sob a janela, que se encontrava lá no alto e tinha uma grade de ferro. Eles usaram um par de algemas perfurantes para cada mão, com uma ponta prendendo minhas mãos e a outra à grade de ferro, de modo que fiquei pendurada da janela pelas mãos e só conseguia tocar o chão com a bola dos pés. Um dos policiais malignos ligou o ar-condicionado para baixar a temperatura na sala e então me acertou violentamente na cabeça com um livro enrolado. Quando viu que eu continuava em silêncio, ele gritou num ataque de fúria: “Vai falar ou não? Se não falar, colocaremos você no ‘balanço’!”. Então, usou um cinturão de embalagem de qualidade militar para amarrar minhas pernas e então prendeu o cinturão na cadeira de tigre. Dois oficiais afastaram a cadeira de tigre da parede, de modo que fiquei pendurada no ar. Como meu corpo foi movido para a frente, as algemas escorregaram até a base dos meus punhos e os dentes no lado interior das algemas perfuraram o dorso das minhas mãos. Eu senti uma dor excruciante, mas mordi meus lábios com força para não gritar, pois não queria que aqueles policiais malignos rissem às minhas custas. Um deles disse com um sorriso sinistro: “Parece que não está doendo! Vou intensificar isso um pouco para você”. Ele levantou sua perna e pisou com força em minhas panturrilhas e então balançou meu corpo de um lado para o outro. Isso fez com que as algemas apertassem cada vez mais os meus punhos e o dorso das mãos. No fim, isso causou tamanha dor que não tive como não gritar em agonia, o que fez com que aqueles dois policiais caíssem na gargalhada. Só então ele parou de fazer pressão em minhas pernas, deixando-me suspensa ali no ar. Após mais ou menos vinte minutos, de repente, o policial chutou a cadeira de tigre de volta em minha direção, produzindo um terrível barulho estridente, e eu gritei quando meu corpo voltou à sua posição pendurada na parede com apenas a bola dos meus pés tocando o chão. Simultaneamente, as algemas caíram de volta para os meus punhos. O afrouxamento repentino das algemas fez com que o sangue circulasse rapidamente das mãos de volta para os braços, causando uma dor pulsante por causa da pressão do fluxo de sangue. Aqueles dois policiais malignos cacarejaram sinistramente ao verem meu sofrimento e, então, continuaram a me interrogar, perguntando: “Quantas pessoas existem em sua igreja? Onde vocês guardam o dinheiro?”. Essa última pergunta revelou claramente a motivação desprezível de Satanás: a razão pela qual estavam me submetendo a todo esse tormento e tortura, a razão pela qual estavam usando métodos tão diabólicos e impiedosos era tudo para poderem roubar o dinheiro da igreja. Esperavam descaradamente e em vão usar o dinheiro da igreja para seus próprios fins. Olhando para seus rostos gananciosos e perversos, fiquei enfurecida e continuamente implorei a Deus para que Ele não permitisse que eu me tornasse um Judas e que amaldiçoasse essa gangue de bandidos e bandoleiros. Depois disso, não importava como me questionassem, eu me recusei a falar até eles se irritarem tanto que começaram a gritar profanidades: “Maldita! Você é um osso duro de roer! Vamos ver quanto tempo você aguenta!”. Então, mais uma vez, afastaram a cadeira de tigre da parede, suspendendo-me novamente no ar. Dessa vez, as algemas se enterraram firmemente nas feridas já abertas nas costas das mãos, e minhas mãos incharam rapidamente e ficaram ingurgitadas de sangue, e parecia que estavam prestes a explodir. A dor foi ainda mais intensa do que da primeira vez. Os oficiais descreveram uns aos outros vividamente as suas “conquistas gloriosas do passado” torturando e punindo prisioneiros. Isso continuou por 15 minutos até, finalmente, chutarem a cadeira de volta e eu voltar à minha posição anterior — pendurada na janela com apenas a parte dianteira dos meus pés tocando o chão. Durante esse processo, uma dor lancinante me atravessou mais uma vez. Naquele momento, um policial baixo e rechonchudo entrou e perguntou: “Ela já falou?”. Os dois policiais responderam: “Essa aí é uma verdadeira Liu Hulan!”. Aquele policial gordo e maligno se aproximou de mim, me esbofeteou duramente e rosnou agressivamente: “Vamos ver se é realmente tão durona! Deixe-me soltar essas suas mãos”. Olhei para a minha mão esquerda e vi que ela estava muito inchada e que tinha ficado preta arroxeada. Naquele momento, o policial maligno agarrou os dedos da minha mão esquerda e começou a balançá-los para frente e para trás, esfregando e beliscando-os até a dormência desse lugar mais uma vez à dor. Então apertou as algemas ao máximo e sinalizou aos dois outros policiais para me puxarem para o alto novamente. Mais uma vez, eu estava suspensa no ar e fiquei naquela posição por vinte minutos antes de me baixarem. Ficaram me puxando para o alto e me baixando repetidas vezes, torturando-me ao ponto em que eu desejava morrer para escapar da dor. Cada vez que as algemas deslizavam pelas minhas mãos, a dor era maior do que na vez anterior. No fim, as algemas perfurantes se cravaram profundamente em meus punhos e rasgaram a pele no dorso das mãos, causando um sangramento profuso. A circulação tinha sido completamente interrompida em minhas mãos, que agora estavam inchadas como balões. Minha cabeça estava latejando devido à falta de oxigênio e parecia estar prestes a explodir. Eu realmente pensei que morreria.

Justamente quando achava que não aguentaria mais, de repente, uma passagem das palavras de Deus ecoou em minha mente: “Na estrada para Jerusalém, Jesus sentiu uma dor intensa, como se uma faca estivesse sendo torcida no Seu coração, mas Ele não tinha a menor intenção de faltar à Sua palavra; havia sempre uma força poderosa que O compelia adiante para onde seria crucificado” (de ‘Como servir em harmonia com a vontade de Deus’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus causaram um surto repentino de força e pensei em como o Senhor Jesus tinha sofrido na cruz: ele foi açoitado, zombado e humilhado pelos soldados romanos e espancado até sangrar. Mesmo assim, foi obrigado a carregar a cruz pesada, a mesma na qual O pregariam vivo. Ele ficou pendurado na cruz em dor excruciante por 24 horas, até derramar a última gota de sangue de Seu corpo. Que tortura cruel! Que sofrimento inimaginável! Mesmo assim, o Senhor Jesus suportou tudo em silêncio. Apesar da dor certamente imensa e indescritível, o Senhor Jesus voluntariamente Se colocou nas mãos de Satanás para a redenção de toda a humanidade. Pensei comigo mesma: “Recentemente, Deus encarnou pela segunda vez e veio para o país ateísta da China. Aqui, Ele enfrentou perigos muito maiores do que aquilo que enfrentou na Era da Graça. Desde que Deus Todo-Poderoso apareceu e começou a realizar Sua obra, o governo do Partido Comunista Chinês usou todos os meios possíveis para difamar, blasfemar, perseguir e capturar Cristo de forma maníaca, esperando em vão derrubar a obra de Deus. O sofrimento pelo qual Deus passou em suas duas encarnações está além daquilo que qualquer um poderia imaginar e muito menos suportar. Em comparação com aquilo que Deus suportou, o sofrimento que eu enfrento agora nem merece ser mencionado. E mais, a razão pela qual esses demônios estão me perseguindo desse jeito hoje é porque eu sou seguidora de Deus. Na verdade, é a Deus que eles realmente odeiam e estão tentando perseguir. Considerando que Deus suportou tanto sofrimento por nós, eu deveria ter mais consciência; devo satisfazer a Deus e trazer-Lhe conforto, mesmo que isso signifique a minha morte”. Naquele momento, lembrei-me trabalho árduo de todos os santos e profetas ao longo das eras: Daniel na cova dos leões, Pedro crucificado de cabeça para baixo, a decapitação de Tiago… Sem uma única exceção, todos esses santos e profetas foram testemunhas retumbantes de Deus à beira da morte, e percebi que meu objetivo deveria ser imitar sua fé, devoção e submissão a Deus. Assim, orei a Deus em silêncio: “Amado Deus! Tu és inocente de pecado, mas foste crucificado para a nossa salvação. Então, reencarnaste na China para realizar a Tua obra, arriscando Tua vida. Teu amor é tão grande que jamais poderei Te retribuir. É minha maior honra sofrer ao Teu lado hoje, e estou disposta a ser testemunha para confortar Teu coração. Mesmo que Satanás tire a minha vida, jamais professarei uma única palavra de queixa!”. Com minha mente focada no amor de Deus, a dor em meu corpo parecia diminuir significativamente. Na segunda metade daquela noite, os policiais malignos continuaram a me torturar em turnos. Apenas por volta das 9 da manhã seguinte, eles finalmente desamarraram minhas pernas e me deixaram pendurada na janela. Ambos os braços estavam completamente dormentes e sem sensibilidade, e todo meu corpo estava inchado. Àquela altura, a irmã com a qual eu estivera cumprindo deveres tinha sido trazida para a sala de interrogatório adjacente. De repente, oito ou nove policiais entraram na minha sala de interrogatório, e um policial baixo e robusto entrou irritado e perguntou aos policiais malignos que estavam lidando comigo: “Ela já falou?”. “Ainda não”, eles responderam. Assim que ouviu a resposta deles, ele saltou em mim, me esbofeteou duas vezes e gritou iradamente: “Você ainda não está cooperando! Sabemos seu nome e que é uma líder importante na igreja. Não se iluda achando que não sabemos de nada! Onde escondeu o dinheiro? Como seu trabalho é programado e arranjado?”. Quando viu que eu permanecia em silêncio, ele me ameaçou, dizendo: “Se você não confessar e nós descobrirmos por conta própria, será ainda pior para você. Considerando a sua posição na igreja, você será condenada a vinte anos na prisão!”. Esses policiais malignos estavam loucos para pôr a mão nos fundos da igreja. Quando olhei para suas feições selvagens, meu sangue ferveu de raiva e tive que pedir que Deus os condenasse aos abismos mais sombrios do Inferno. Mais tarde, eles me mostraram meu cartão do banco e perguntaram pelo nome no cartão e pela senha. Pensei comigo mesma: “Que fiquem sabendo, ninguém se importa. Minha família não transferiu muito dinheiro para essa conta. Talvez, se ficarem sabendo, eles deixarão de me importunar com os fundos da igreja”. Após decidir isso, eu lhes dei o nome e a senha.

Mais tarde, perguntei se podia ir ao banheiro, e foi somente então que, finalmente, me soltaram. Àquela altura, eu tinha perdido todo e qualquer controle sobre minhas pernas, assim, eles me carregaram até o banheiro e ficaram de vigia do lado de fora. No entanto, eu já tinha perdido toda sensibilidade nas mãos, e as ordens do meu cérebro simplesmente não as alcançavam, assim, fiquei simplesmente encostada na parede, totalmente incapaz de desabotoar as calças. Quando demorei a sair, um dos policiais abriu a porta com um chute e gritou com um sorriso lascivo: “Ainda não terminou?”. Quando viu que eu não conseguia mexer as mãos, ele se aproximou e desabotoou minhas calças e as fechou quando terminei. Um grupo de policiais tinha se reunido do lado de fora do banheiro e fazia todos os tipos de comentários sarcásticos, humilhando-me com seu linguajar imundo. A injustiça de esses bandidos e demônios humilharem uma moça inocente de vinte e poucos anos de idade como eu de repente tomou conta de mim e eu comecei a chorar. Também passou pela minha mente que, se minhas mãos realmente estivessem paralisadas e eu fosse incapaz de cuidar de mim mesma no futuro, seria melhor se morresse. Se eu tivesse sido capaz de andar naquele momento, eu teria saltado do prédio e acabado com tudo naquele mesmo instante. Em meu momento de maior fraqueza, o hino da igreja “Desejo ver o dia da glória de Deus” me veio à mente: “Darei meu amor e lealdade a Deus e completarei minha missão para glorificar a Deus. Estou determinado a permanecer firme no testemunho de Deus e jamais ceder a Satanás. Ah, minha cabeça pode quebrar, e sangue pode fluir, mas a coragem do povo de Deus não se perderá. As exortações de Deus repousam no coração, decido humilhar Satanás, o diabo. Dor e dificuldades são predestinadas por Deus, suportarei humilhação para ser fiel a Ele. Nunca mais farei Deus chorar ou Se preocupar” (de “Seguir o Cordeiro e cantar cânticos novos”). O esclarecimento e a iluminação de Deus mais uma vez me investiram de fé, e meu espírito foi fortalecido. Pensei comigo mesma: “Não posso ser enganada pelos truques de Satanás e não devo encerrar minha vida por causa de algo assim. Eles estão me humilhando e atormentando para que eu faça algo que machuque ou traia a Deus. Se eu morresse, eu simplesmente cairia em seu esquema conspirador. Não posso permitir que a conspiração de Satanás seja bem-sucedida. Mesmo que eu realmente esteja aleijada, enquanto sobrar um suspiro em mim, devo continuar a viver para dar testemunho de Deus”.

Quando retornei para a sala de interrogatório, eu estava tão exausta que desmoronei no chão. Vários policiais me rodearam e gritaram comigo, ordenando-me a ficar em pé novamente. Aquele policial baixo e gordo que tinha me esbofeteado saltou em minha direção, me chutou violentamente e me acusou de estar fingindo. Naquele momento, meu corpo começou a tremer, fiquei sem ar e comecei a hiperventilar. Minha perna esquerda e o lado esquerdo o meu peito começaram a convulsionar e a se contrair em direção um à outro. Todo meu corpo ficou frio e enrijecido e, não importava o quanto os dois policiais forçassem e puxassem, eles não conseguiam me esticar. Em minha mente, eu sabia que Deus estava usando essa dor e aflição para abrir uma saída para mim, caso contrário eles teriam continuado a me torturar cruelmente. Só quando viram o estado precário em que me encontrava, aqueles policiais malignos finalmente pararam de me espancar. Então em prenderam na cadeira de tigre e foram para a sala ao lado para torturar a minha irmã da igreja, deixando dois guardas para me vigiar. Quando ouvi os incessantes gritos horripilantes da minha irmã, eu queria tanto atacar aqueles demônios e lutar com eles até a morte, mas, do jeito que as coisas estavam, eu não passava de um monte desmoronado e totalmente exausto, de modo que só podia orar a Deus e implorar que Deus concedesse força à minha irmã e a mantivesse segura para que ela pudesse ser testemunha. Ao mesmo tempo, eu amaldiçoei rancorosamente aquele partido perverso que tinha lançado seu povo nas profundezas de sofrimento e pedi a Deus que Ele punisse essas bestas em forma humana. Mais tarde, quando me viram desabada, aparentemente dando meu último suspiro, e não querendo lidar com a morte de alguém em seu turno, eles finalmente me mandaram para o hospital. Após chegar ao hospital, minhas pernas e meu peito começaram a convulsionar e se contrair novamente, e foram necessárias várias pessoas para puxar meu corpo de volta para uma posição esticada. Ambas as minhas mãos tinham inchado como balões e estavam cobertas de sangue coagulado. As minhas mãos estavam todas dilatadas com pus, e eles não conseguiram introduzir um cateter intravenoso porque, assim que inseriam a agulha, o sangue saía da veia, invadia o tecido vizinho e sangrava pelo local da injeção. Quando o médico viu o que estava acontecendo, ele disse: “Precisamos tirar essas algemas!”. Ele também recomendou aos policiais que me levassem ao hospital municipal para fazer outros exames, pois ele suspeitava que eu tivesse um problema cardíaco. Aqueles policiais malignos não queriam fazer nada para me ajudar, mas, depois daquilo, eles não voltaram a me algemar, e eu sabia que Deus tinha operado através do médico para abrir uma saída para mim. No dia seguinte, o oficial que estava me interrogando, escreveu uma declaração cheia de blasfêmias e calúnias sobre Deus para usá-la como meu depoimento verbal e ordenou que eu assinasse. Quando me recusei a assinar a declaração, ele se exasperou, agarrou minha mão e me forçou a deixar minha digital na declaração.

No final da tarde de 9 de abril, o diretor da divisão e dois outros policiais me escoltaram até a casa de detenção. Quando o médico da casa de detenção viu que todo o meu corpo estava inchado e que eu não conseguia andar, que eu não tinha sensibilidade nos meus braços e parecia estar por um fio, eles se recusaram a me admitir, temendo que eu pudesse morrer ali. Mais tarde, o diretor da divisão negociou com o governador da casa de detenção por quase uma hora e prometeu que, se algo acontecesse comigo, a casa de detenção não seria responsabilizada, e só então o governador finalmente concordou em me levar sob custódia.

Mais de dez dias depois, mais de uma dúzia de policiais malignos foi transferida de outras delegacias e alocada temporariamente na casa de detenção para me interrogar em turnos durante todo o dia e toda a noite. Existem limites estabelecidos para o período de tempo durante o qual um prisioneiro pode ser interrogado, mas a polícia disse que esse era um caso grande e importante de natureza muito séria, de modo que simplesmente não me deixaria sozinha. Já que temiam que, se me interrogassem por muito tempo, eu, em vista de meu estado debilitado, poderia sofrer algum tipo de emergência médica, eles concluíam seu interrogatório por volta da uma da manhã e me mandavam de volta para a minha cela, convocando-me na manhã seguinte ao amanhecer. Eles me interrogavam durante umas 18 horas por dia, durante três dias seguidos. No entanto, não importava como me interrogassem, eu não disse uma palavra. Quando viram que suas táticas duras não funcionavam, eles usaram táticas suaves. Começaram a demonstrar preocupação com meus ferimentos e compraram remédios e aplicaram pomadas às minhas feridas. Confrontada com essa manifestação repentina de “bondade”, eu baixei a guarda, pensando: “Se eu lhes contar algo irrelevante sobre a igreja, talvez isso baste”. Instantaneamente, as palavras de Deus apareceram em minha mente: “Não cometam erros, mas aproximem-se mais de Mim quando as coisas acontecerem a vocês; sejam mais cuidadosos e cautelosos sob todos os aspectos para evitar ofender o Meu castigo e evitar cair nos esquemas astutos de Satanás” (de ‘Capítulo 95’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). De repente, percebi que eu tinha caído no esquema ardiloso de Satanás. Não eram essas as mesmas pessoas que, poucos dias atrás, tinham me torturado? Eles podiam mudar seu comportamento, mas sua natureza maligna era inalterável — uma vez demônio, sempre demônio. As palavras de Deus me despertaram para o fato de que eles eram apenas lobos em pele de cordeiro e que eles sempre abrigavam segundas intenções. Daí em diante, por mais que me tentassem ou interrogassem, eu não diria outra palavra. Logo depois, Deus revelou quem eles verdadeiramente eram; um policial, que eles chamavam de Capitão Wu, me interrogou ferozmente: “Você é uma líder na igreja e não sabe onde está o dinheiro? Se você não nos contar, temos nosso métodos de descobrir!”. Um policial velho e esquelético explodiu num ataque de abuso, gritando: “Maldição, nós lhe damos a mão e você quer o braço! Se você não falar, nós levamos você e a penduramos novamente. Veremos se ainda vai querer ser uma Liu Hulan e esconder informações de nós! Tenho muitas maneiras de lidar com você!”. Quanto mais ele falava desse jeito, mais determinada eu ficava a ficar em silêncio. Finalmente, ele se exasperou, se aproximou de mim e me empurrou, dizendo: “Com esse tipo de comportamento, vinte anos seriam uma sentença leve!”. Com isso, ele saiu correndo da sala em frustração. Mais tarde, um policial do Departamento Provincial de Segurança Pública encarregado de assuntos de segurança nacional veio me interrogar. Ele fez muitas declarações que atacavam e resistiam a Deus e continuamente se gabava de como ele era experiente e instruído, o que levou os outros policiais a enchê-lo de elogios. Observando sua feiura convencida e presunçosa e ouvindo todas as suas falsas acusações e mentiras fofoqueiras que pervertiam a verdade, eu senti tanto ódio como desprezo por esse policial. Eu nem suportava olhar para ele e, assim, fiquei olhando para a parede em minha frente e refutando cada um de seus argumentos em minha mente. Sua diatribe durou a manhã inteira e, quando finalmente terminou, ele perguntou o que eu pensava. Eu disse sem paciência: “Eu sou uma ignorante, por isso não tenho ideia sobre o quê você estava divagando”. Enfurecido, ele disse aos outros interrogadores: “Essa aí é um caso sem esperança. Acho que ela já foi deusada, ela está perdida!”. Com isso, ele saiu furtivamente, desanimado. Eu fiquei cheia de alegria e agradeci a Deus por me guiar para superar crise após crise.

Ao sofrer a perseguição cruel dos diabos, experimentei a infernalidade de uma vida desprovida de quaisquer direitos humanos neste país governado pelo maligno Partido Comunista Chinês. Para o governo do PCC, crentes em Deus são como farpas em seus olhos e espinhos em seu lado. Eles usaram cada truque de seu manual para me punir e torturar, na esperança vã de me matar. No entanto, Deus é minha retaguarda forte e minha salvação; Ele me resgatou repetidas vezes das garras da morte e me permitiu experimentar o verdadeiro amor de Deus e ver o carinho e a bondade do coração de Deus. Quando os policiais malignos me arrastaram para a minha cela na casa de detenção e eu vi que minha irmã da casa anfitriã estava ali na mesma cela, meu coração foi inundado de afeto. Eu sabia que isso era o arranjo e orquestração de Deus e que o amor de Deus estava cuidando de mim, e eu sabia que Deus tinha feito isso porque, na época, eu estava praticamente aleijada — meus braços e minhas mãos estavam muito inchados e dilatados com pus, eu não tinha nenhuma sensibilidade em meus dedos, que estavam gordos como linguiças e endurecidos ao toque, eu mal conseguia mexer minhas pernas e todo o meu corpo estava fraco e destruído de dor. Durante seis meses, quase nunca me levantei de minha cama de tijolos aquecida e era incapaz de cuidar de mim mesma. Só depois de seis meses recuperei algum movimento nas mãos, mas ainda não conseguia segurar nada (ainda hoje, quando tento segurar um prato, minha mão fica dolorida, fraca e dormente, e se eu não usar minha outra mão como apoio, eu nem seria capaz de levantar um prato). Durante aquele tempo, minha irmã cuidou de mim todos os dias — ela escovava meus dentes, lavava meu rosto, me banhava, penteava meu cabelo e me alimentava. Um mês depois, minha irmã foi solta, e eu fui informada que eu tinha sido presa formalmente. Quando minha irmã foi solta, pensei em como eu ainda não era capaz de cuidar de mim mesmo e que não fazia ideia do tempo que permaneceria presa, então me senti incrivelmente impotente e desolada. Eu só pude clamar a Deus: “Ó Deus, sinto-me como uma aleijada — como devo continuar assim? Imploro que guardes meu coração para que eu possa superar essa situação”. Quando eu estava sem saber o que fazer e me sentia totalmente perdida, as palavras de Deus me orientaram com uma clareza excepcional no meu interior: “Vocês já consideraram que, um dia, o seu Deus irá colocá-los em um lugar nada familiar? Vocês conseguem imaginar um dia em que Eu poderia arrancar tudo de vocês, o que seria de vocês? Sua energia naquele dia seria como é agora? Sua fé reapareceria?” (de ‘Vocês devem entender a obra — não sigam confusamente!’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus foram como um farol brilhante que iluminaram meu coração e me permitiram entender a Sua vontade. Pensei comigo mesma: “O ambiente com o qual sou confrontada agora é aquele que menos conheço. Deus quer que eu experimente Sua obra dentro desse tipo de ambiente para aperfeiçoar minha fé. Mesmo que minha irmã tenha me deixado, Deus certamente não me deixou! Lembrando a senda que tenho trilhado, Deus tem me guiado a cada passo do caminho! Com a presença de Deus, não existe dificuldade que não possa ser vencida. Com Deus, há sempre uma saída. Em vista de quão covarde eu sou e de quão desprovida de fé estou, como posso esperar compreender a sabedoria e onipotência de Deus em minhas experiências?”. Por isso, orei a Deus: “Amado Deus, estou disposta a colocar-me completamente em Tuas mãos e a me submeter às Tuas orquestrações. Não importa quais situações eu possa enfrentar no futuro, sei que Tu abrirás um caminho adiante para mim. Eu me submeterei a Ti e não me queixarei mais”. Após concluir minha oração, tive uma sensação de serenidade e calma, mas eu ainda não sabia o que Deus tinha planejado para mim ou como Ele me guiaria. Na tarde do dia seguinte, o agente penitenciário trouxe uma nova prisioneira. Quando ela viu meu estado, ela começou a cuidar de mim sem que eu tivesse sequer que pedir. Reconheci nisso a maravilha e fidelidade de Deus; Deus não tinha me abandonado — todas as coisas no Céu e na terra estão nas mãos de Deus, incluindo os pensamentos do homem. Se não fosse pelos arranjos e orquestrações de Deus, por que essa mulher que eu nunca tinha visto antes seria tão gentil comigo? Depois disso, testemunhei ainda mais do amor de Deus. Quando aquela mulher foi liberta da casa de detenção, Deus levantou uma mulher após a outra que eu nunca tinha encontrado antes para cuidar de mim, e elas repassavam o cuidado por mim como se estivessem repassando um bastão de revezamento. Houve até algumas prisioneiras que depositaram dinheiro em minha conta após sua soltura. Durante esse tempo, mesmo que meu corpo sofresse um pouco, eu pude experimentar em primeira mão a sinceridade do amor de Deus pelo homem. Não importa em que tipo de situação o homem é lançado, Deus nunca o abandona, mas serve como sua ajuda constante. Enquanto o homem não perder sua fé em Deus, ele certamente será capaz de testemunhar os feitos de Deus.

Fiquei detida durante e um ano e três meses, e então fui acusada pelo governo do PCC por “trabalhar, através de uma organização xie jiao, para obstruir a aplicação da lei” e fui condenada a três anos e seis meses de prisão. Após minha condenação, fui transferida para a Prisão Provincial de Mulheres para cumprir a minha sentença. Na prisão, éramos submetidas a mais tratamento desumano. Éramos forçadas a fazer trabalhos manuais todos os dias, e a nossa carga de trabalho diário excedia em muito o que qualquer um poderia completar sensatamente. Quando não conseguíamos terminar nosso trabalho, éramos submetidas a punição física. Praticamente todo o dinheiro que ganhávamos através do nosso trabalho ia para os bolsos dos guardas da prisão. Recebíamos apenas alguns yuans cada mês como uma suposta mesada. O discurso oficial da prisão era que ela reeducava as prisioneiras através de trabalho, mas, na realidade, éramos apenas suas máquinas de fazer dinheiro, suas escravas não remuneradas. Pelas aparências, as regras da prisão para reduzir as sentenças das prisioneiras pareciam ser bem humanas — se cumprissem determinadas condições, as prisioneiras podiam se qualificar para uma redução adequada de sua sentença. Na verdade, porém, isso era apenas uma fachada e só em prol das aparências. Na verdade, seu chamado sistema humano era nada mais do que palavras vazias no papel: as ordens dadas pessoalmente pelos guardas eram as únicas leis reais do país. A prisão controlava estritamente o total das reduções anuais de sentenças para garantir uma capacidade de “trabalho” suficiente e impedir uma redução da renda dos guardas penitenciários. A “lista de redução de sentenças” era uma técnica empregada pela prisão para aumentar a produtividade de trabalho. Dentre as várias centenas de prisioneiras da prisão, somente umas dez conseguiam ser incluídas na “lista de redução de sentenças”, fazendo com que as pessoas trabalhassem até a exaustão, envolvendo-se em intrigas umas contra as outras para conquistar um lugar naquela lista. No entanto, a maioria das prisioneiras que acabavam entrando na lista tinha conexões com a polícia e, para começar, nem tinham que fazer trabalho manual. As prisioneiras não tinham escolha senão engolir seu ressentimento sobre isso. Algumas cometiam suicídio em protesto, mas quando isso acontecia, a prisão simplesmente inventava alguma história para apaziguar a família da vítima, e assim sua morte era totalmente em vão. Na prisão, os guardas nunca nos tratavam como seres humanos; quando queríamos conversar com eles, precisávamos nos agachar no chão e levantar os olhos para eles, e se algo os deixava insatisfeitos, eles nos repreendiam e insultavam com obscenidades imundas. Quando oficiais de alta patente vinham para realizar inspeções, éramos forçadas a colaborar com seus fingimentos, pois nos ameaçavam de antemão, dizendo que tínhamos que dizer coisas positivas sobre a prisão, como, por exemplo: “Nossas refeições são deliciosas, os guardas sempre se preocupam conosco, nunca trabalhamos mais do que oito horas por dia e, muitas vezes, organizam alguma diversão para nós”. Em momentos assim, eu ficava com tanta raiva que todo o meu corpo tremia. Esses demônios eram tão hipócritas: claramente, não eram nada mais do que espíritos macabros devoradores de homens, mas insistiam em fingir que eram as pessoas mais gentis e compassivas. Eram sinistros, desprezíveis e descarados! Quando os longos três anos e meio da minha sentença finalmente chegaram ao fim e eu voltei para casa, minha família não conseguiu esconder a angústia que sentiu ao ver que eu parecia um esqueleto humano, tão fraca e esgotada, que quase não conseguiam me reconhecer, e muitas lágrimas foram derramadas. No entanto, nosso coração estava cheio de gratidão a Deus. Agradecemos a Deus por eu ainda estar viva e por Ele ter me protegido para que eu pudesse ressurgir inteira daquele inferno na terra.

Só depois de retornar para casa, eu soube que, enquanto estava presa, a polícia perversa tinha vindo duas vezes e revistado e saqueado a casa arbitrariamente. Meus pais, que ambos acreditam em Deus, tinham fugido de seu lar e passado quase dois anos em fuga para evitar a captura pelo governo. Quando finalmente retornaram para casa, o capim no jardim tinha crescida à altura da própria casa, partes do telhado tinham desmoronado e o lugar estava um caos terrível. A polícia também tinha espalhado mentiras sobre nós na nossa aldeia: disseram que eu tinha enganado alguém e roubado entre um milhão e cem milhões de yuans (entre 150.000 e 15.000.000 de USD) e que meus pais tinham roubado várias centenas de milhares de yuans para mandar meu irmão mais novo para a faculdade. Essa gangue de demônios era um bando de genuínos mentirosos profissionais, os melhores de sua liga! Na verdade, já que meus pais tinham fugido de seu lar, meu irmão teve que usar bolsas de estudo e empréstimos para pagar suas mensalidades e concluir a faculdade. E mais, quando ele saiu de casa para trabalhar, primeiro ele teve que economizar dinheiro aos poucos para as despesas da viagem vendendo os grãos que nossa família cultivava e colhendo bagas de espinheiro-branco para vender. Mas aqueles diabos agiam sem consciência, incriminando minha família com falsas acusações, rumores que circulam até hoje. Ainda hoje, sou rejeitada por minha aldeia por causa da minha reputação como ofensora política e vigarista condenada. Essa gangue de demônios que mata sem piscar os olhos, esse governo diabólico que não demonstra nenhum respeito pela vida humana, esses subalternos de Satanás que fazem acusações falsas e agitam a opinião pública — eu desprezo todos eles! Mesmo que o diabo nos acuse falsamente, nos difame e persiga, isso só me permitiu ver mais claramente a natureza maligna e perversa, que resiste a Deus e desafia o céu, e a verdadeira face repugnante do governo do Partido Comunista Chinês. Capacitou-me também a experimentar o amor e a salvação de Deus. Quanto mais o diabo nos persegue, mais ele fortalece nossa determinação de seguir Deus Todo-Poderoso até o fim. Se eu não tivesse experimentado a sujeição à perseguição cruel às mãos daqueles demônios, quem sabe quando meu espírito teria despertado ou quando eu teria vindo a realmente desprezar Satanás e abandoná-lo uma vez por todas. Lembrando os anos que passei seguindo a Deus, eu só tinha aceitado as palavras de Deus que expõem a natureza e essência demoníaca do governo do PCC num nível teórico, mas nunca as tinha realmente entendido. Visto que, desde pequena, me incutiram as doutrinas da “educação patriótica”, que me condicionaram e enganaram sistematicamente a pensar de certa maneira, eu até pensava que as palavras de Deus era um exagero — eu simplesmente não conseguia convencer a mim mesma a abandonar a idolatria por meu país, pensando que o Partido Comunista estava sempre certo, que o exército protegia nossa pátria e que a polícia punia e erradicava os elementos malignos da sociedade e protegia os interesses do público. Foi apenas através da experiência da perseguição às mãos daqueles demônios que eu vim a reconhecer a face verdadeira do governo do PCC; ele é supremamente enganoso e hipócrita e tem enrolado o povo da China e o mundo inteiro com suas mentiras há anos. Ele professa repetidamente defender a “liberdade de crença e os direitos legais democráticos”, mas, na verdade, ele persegue arbitrariamente a crença religiosa. Tudo que ele realmente defende é sua própria tirania, seu controle pela força e seu despotismo. Na China, aqueles que creem no Deus verdadeiro precisam ser extremamente cautelosos, e se baixarem a guarda um pouco, é provável que acabem na prisão. Como resultado, a fim de evitar a captura e prisão pela polícia, gastamos todo o nosso tempo nos escondendo ou fugindo e jamais podemos ficar muito tempo num mesmo lugar. Mesmo quando estamos apenas ouvindo hinos em nossa própria casa, precisamos manter o volume baixo. E quando compartilhamos a palavra de Deus com membros da família, precisamos manter a voz baixa, e quando lemos a palavra de Deus, precisamos primeiro trancar as portas, por temer que a polícia possa estar nos monitorando e espionando e possa arrombar a nossa porta a qualquer momento. Além disso, nas prisões da China, quanto mais alguém acredita em Deus, mais provável é que ele seja perseguido, intimidado e desprezado. Os gângsteres, assassinos, ladrões e vigaristas, em contraste, frequentemente têm relações privilegiadas com a polícia e agem como seus matadores e prisioneiros-chefe. Há muito tempo, esses fatos têm exposto a China como um país que admira e instiga a maldade, ao mesmo tempo em que ataca e reprime a justiça. Quanto mais maligno alguém é, mais provável é que ele receba os elogios do governo do Partido Comunista Chinês. E quanto mais moralmente bom alguém é e quanto mais ele trilhar a senda correta, mais ele será reprimido e perseguido pelo PCC. Quando Deus veio para fazer Sua obra e salvar a humanidade, Satanás certamente não se contentou em permitir que nós seguíssemos a Deus e trilhássemos a senda correta e, então, usou todos os métodos possíveis para me obstruir e perseguir. Mesmo que minha carne tenha sido gravemente ferida ao longo dessa cruel perseguição, entendo que eu estava destinada a suportar esse sofrimento porque eu sou filha de Satanás, seus muitos venenos correm por minhas veias e eu tenho sido submetida à sua enganação e ao seu tormento durante todo o tempo. É precisamente porque eu era incapaz de discernir a essência e os esquemas ardilosos de Satanás que Deus permitiu que ele me perseguisse, permitindo-me assim entender através do meu sofrimento o que esse governo chinês, que eu sempre tinha imaginado como meu “salvador”, realmente é. Isso me permitiu ver a história baixa, desprezível e corrupta por trás de suas alegações de “grandeza, glória e retidão”. Ao mesmo tempo, isso me permitiu compreender a magnitude da graça salvadora de Deus, o que, por sua vez, me motivou a buscar a verdade com diligência, a renunciar totalmente a Satanás e a voltar meu coração para Deus.

Durante aquele período mais difícil e angustiante da minha vida, o amor de Deus sempre esteve comigo mesmo quando eu estava fraca e em dor. Quando eu me sentia fraca, as palavras de Deus me iluminavam e me davam fé e força, permitindo que eu me libertasse das restrições das trevas e da morte. Quando Satanás incubava seus esquemas ardilosos, os alertas oportunos de Deus me despertavam da minha perplexidade, permitindo-me enxergar os esquemas e as tramas de Satanás para que eu pudesse ser testemunha de Deus. Quando eu estava sendo torturada cruelmente por aqueles demônios ao ponto de querer morrer, foram as orquestrações milagrosas de Deus que abriram uma saída para mim, fazendo parecer que eu estava à beira da morte e, assim, levando os demônios a parar de cometer sua violência contra mim. Quando eu estava sofrendo, impotente e incapaz de cuidar de mim mesma, Deus levantou prisioneira após prisioneira para assumirem a causa de cuidar das minhas necessidades diárias durante seis meses, como se estivessem repassando o bastão de revezamento do meu cuidado de uma para a outra. Depois disso, eu recuperei alguma sensibilidade nas mãos e fui capaz de realizar algum trabalho leve. Essa experiência única me deu um senso profundo do amor e da bondade de Deus e me permitiu enxergar claramente a essência de Satanás como inimigo de Deus. Com essas experiências, Deus me concedeu a riqueza mais preciosa da vida, fortalecendo assim minha determinação de empenhar minha vida para abandonar Satanás e seguir a Deus até o fim. É exatamente como diz a palavra de Deus: “Agora é a hora: desde muito o homem tem reunido toda a sua força, tem dedicado todos os seus esforços, tem pago cada preço para isto, para arrancar a face hedionda desse demônio e para permitir que as pessoas, que foram cegadas e suportaram todo tipo de sofrimento e dificuldade, se ergam de sua dor e deem as costas para esse velho diabo mau” (de ‘Obra e entrada (8)’ em “A Palavra manifesta em carne”). Agora, retornei para a igreja e novamente me juntei às fileiras daqueles que cumprem os seus deveres. Estou cumprindo meu dever pregando e espalhando o evangelho do reino de Deus, desejando apenas que um número ainda maior de pessoas possa escapar do tormento de Satanás e receber a salvação eterna de Deus.

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