Despertando da minha arrogância

27 de Fevereiro de 2022

Por Xiangxin, Itália

Comecei a espalhar o evangelho em 2015. Não demorou, e, com a orientação de Deus, tive algum sucesso. Às vezes, eu encontrava pessoas dominadas por noções religiosas, que não queriam investigar a obra de Deus dos últimos dias. Então eu confiava em Deus e, com paciência, comungava sobre a verdade, e elas a aceitavam rapidamente. Depois de realizar algumas coisas, comecei a me sentir bastante capaz, como se fosse um talento indispensável.

Então o irmão Liu e eu assumimos cada um o trabalho de rega numa igreja. A que eu assumi era uma igreja grande, com muitos membros, então, quando comecei, eu estava sempre orando a Deus e discutindo assuntos com os irmãos. Não demorou, e as coisas começaram a correr bem. A maioria dos membros da igreja participava normalmente das reuniões e era proativa em seus deveres. Eu estava bastante satisfeito comigo mesmo. Pensava que, mesmo numa igreja tão grande e com tantos membros, eu estava obtendo resultados rapidamente, portanto devia ter algum calibre. Também vi que o trabalho de rega do irmão Liu não estava indo tão bem, que alguns dos obreiros de sua igreja precisavam ser substituídos e alguns precisavam de comunhão porque estavam num estado negativo. Eu o desprezei um pouco. Achei que eu faria melhor. Depois disso, comecei a me envolver no trabalho dele, resumindo erros em reuniões, comungando sobre as palavras de Deus para ajudar com os estados negativos dos outros, mudando os deveres dos que faziam rega onde quer que fosse necessário. O trabalho entrou no ritmo rapidamente. Achei que tinha resolvido nossos problemas com presteza, por isso acreditei ainda mais que eu era muito talentoso. Minha arrogância só aumentou. Quando resumi nosso trabalho, eu vi muitos de seus descuidos e deficiências e os repreendi. Eu disse: “O trabalho de rega está muito atrasado. Existe alguma pessoa que está tentando fazer a vontade de Deus e resolver isso? Todos vocês têm sido irresponsáveis. Ainda bem que houve algum progresso nestas últimas semanas, caso contrário, quem se responsabilizaria por esse atraso?”. Na época, ninguém abriu a boca. Cheguei a me perguntar se a minha reação tinha sido exagerada. Mas então pensei que, se eu não usasse uma voz forte, eles não se importariam.

Eu os menosprezei bastante e lidei com eles por seus erros, mandando que fizessem o que eu dizia. Assim, com o tempo, percebi que eles se distanciavam de mim e mal conversavam comigo sobre outra coisa senão assuntos relacionados ao trabalho. Às vezes, eles conversavam e riam juntos, mas assim que eu aparecia, eles se dispersavam, como se tivessem medo de mim. E já que tinham medo de errar e ser criticados, eles sempre me perguntavam quando algo surgia e aguardavam a minha decisão. Eu me senti desconfortável quando vi a situação. Eu me perguntei se eu estava sendo arbitrário e autoritário. Mas então pensei que eu devia ser firme no trabalho. Ninguém me ouviria se eu não fosse um pouco duro com eles. E, então, como obteríamos resultados? Achei que apontar os problemas diretamente significava que eu tinha senso de justiça. Depois disso, minha arrogância aumentou ainda mais, e eu queria ter a última palavra em assuntos grandes e pequenos. Eu estava arranjando sozinho cada parte do nosso trabalho porque achava que ninguém na equipe era tão capaz quanto eu. Mesmo quando eu discutia coisas com eles, sempre acabávamos fazendo o que eu queria, e eu pensava que, se decidisse desde já, pouparíamos tempo. Mesmo quando um líder vinha para uma reunião, eu não dava muita atenção e pensava: “Você é um líder, e daí? Você consegue compartilhar o evangelho e dar testemunho? Consegue fazer esse trabalho? Apenas comungar verdade nas reuniões não é fazer trabalho prático. Você não chega à minha altura”. Então, sempre que a líder me perguntava como estava indo o trabalho, eu compartilhava mais quando estava a fim, caso contrário desconversava. Achava que não havia necessidade de conversar, pois, no final das contas, era eu a pessoa que iria fazer. A líder me repreendeu por ser arrogante, dizendo que eu sempre tinha a última palavra e não trabalhava bem com os irmãos. Ao ser criticado assim, admiti na cara dela que eu era arrogante, mas, no fundo, não dei muita atenção. Eu achava que tinha calibre bom e era capaz, então contanto que fizesse o meu trabalho, quem se importava se eu era um pouco arrogante? Além disso, era eu que comandava a maior parte do trabalho da igreja, portanto o que podiam fazer — me demitir? Eu não aceitei nem um pouco o feedback da líder e continuei cumprindo meu dever exatamente como queria, controlando tudo. Então, uma vez, uma nova igreja precisava de mais pessoas para fazer a rega, e, sem discutir isso com mais ninguém, arranjei que uma irmã fosse ajudá-los. Pensei que, já que geralmente concordavam com as minhas sugestões, eu poderia muito bem decidir isso por conta própria. Mas fiquei surpreso quando, mais tarde, descobri que aquela irmã não entendia a verdade suficientemente e não sabia fazer trabalho prático, o que era um obstáculo sério. Mesmo assim não refleti sobre mim mesmo. E por causa da minha arrogância implacável e por não buscar os princípios da verdade nem orientar os outros a seguir os princípios em seu dever, todos ficaram correndo para lá e para cá, sem obter nenhum resultado real. Isso realmente impediu o nosso progresso. Ainda assim, eu não via meus próprios problemas, só culpava os outros por não assumirem um fardo. Por um tempo pareceu que eu estava resolvendo as coisas, mas eu tive um pressentimento estranho, como se algo terrível estivesse prestes a acontecer. Eu não sabia o que dizer nas reuniões ou orações, e eu ficava com sono nas reuniões de trabalho e não tinha nenhuma percepção. Eu me sentia confuso e não tinha energia para nada, eu só queria descansar. Percebi que eu tinha perdido a obra do Espírito Santo, mas não sabia por quê. Orei a Deus, pedindo que Ele me ajudasse a entender a mim mesmo.

Uma líder veio para uma reunião e me repreendeu por como eu vinha me comportando. Ela disse: “Você tem sido arrogante no seu dever. Você sempre repreende as pessoas altivamente, as restringe, e você se gaba da sua senioridade. É difícil trabalhar com você, e você nunca discute nada com os outros. Você faz o que quer, é arbitrário e autocrático. Esse é o caráter de um anticristo. Com base na sua conduta, decidimos demitir você”. Cada palavra dela perfurou meu coração. Pensei em como eu tinha agido. Eu nunca discutia as coisas com ninguém, seguia meu próprio caminho e era ditatorial. Eu não era igual a um anticristo? Isso realmente me assustou. Deus estava usando essa situação para me expor e eliminar? Seria assim que meus anos de fé terminariam? Durante alguns dias, eu me senti igual a um zumbi. Eu sentia medo desde o momento em que acordava e não sabia como encarar o dia. Fiquei orando a Deus, dizendo: “Deus, sei que Tua vontade benevolente está nisso, mas não sei como passar por isso. Ó Deus, estou tão deprimido e em tanta dor. Por favor, esclarece-me para que eu conheça a Tua vontade”. Então li isto nas palavras de Deus: “Deus não está preocupado com o que acontece com você a cada dia, com quanto trabalho você faz, com quanto esforço você faz — o que Ele olha é qual é sua atitude em relação a essas coisas. E a que estão relacionadas a atitude com a qual você faz essas coisas e a maneira com que você as faz? Estão relacionadas a se você busca ou não a verdade e também à sua entrada na vida. Deus olha para sua entrada na vida, para a senda que você trilha. Se você trilha a senda da entrada na vida, então, no cumprimento do seu dever, você embarcará na senda da aceitabilidade. Mas se, ao cumprir o seu dever, você ressalta constantemente que tem capital, que entende seu tipo de trabalho, que tem experiência, e está atento à vontade de Deus e busca a verdade mais do que qualquer outra pessoa, e então se você pensa que, por causa dessas coisas, você deve ter a última palavra, e não discute nada com ninguém, e é sempre sua própria lei, e tenta administrar uma operação própria, e sempre quer ser ‘a única flor que floresce’, você trilha a senda da entrada na vida? (Não.) Não — isso é a busca de status, é trilhar a senda de Paulo, não é a senda de entrada na vida” (‘Qual o desempenho adequado do dever?’ em “As declarações de Cristo dos últimos dias”). “Havia alguém que era talentoso em espalhar o evangelho. Ele sofreu muitas adversidades ao espalhar o evangelho, e foi até mesmo encarcerado e condenado a muitos anos de prisão. Depois de sair, continuou espalhando o evangelho e converteu várias centenas de pessoas, algumas das quais se revelaram talentos significativos; algumas foram até escolhidas como líderes ou obreiros. Como resultado, essa pessoa acreditava ser digna de grandes elogios e usava isso como capital, do qual se gabava para onde quer que fosse, exibindo-se e testificando de si mesma: ‘Fiquei na prisão por oito anos e permaneci firme em meu testemunho. Converti muitas pessoas, algumas das quais agora são líderes ou obreiros. Na casa de Deus, mereço crédito; eu fiz uma contribuição’. Não importava onde estivesse espalhando o evangelho, esse indivíduo não falhava em se gabar diante dos líderes ou obreiros locais. Ele também dizia: ‘Vocês devem ouvir o que eu digo; até mesmo seus líderes seniores são educados quando falam comigo. A quem não for, eu ensinarei uma lição!’. Esse sujeito é um valentão, não é? Se alguém como ele não tivesse espalhado o evangelho e convertido aquelas pessoas, será que ousaria ser tão pomposo? Essa é a sua natureza, sua essência: tão arrogante que não possui um pingo de bom senso. Depois de espalhar o evangelho e converter algumas pessoas, sua natureza arrogante infla, e ele se torna ainda mais pomposo. Essa pessoa se gaba de seu capital aonde quer que vá, tenta reivindicar mérito aonde quer que vá, e até mesmo pressiona os líderes em vários níveis, tenta ficar em pé de igualdade com eles, e até mesmo pensa que ela mesma deveria ser um líder sênior na casa de Deus. Com base no que é manifestado pelo comportamento de uma pessoa como essa, devemos todos ter clareza sobre que tipo de natureza ela têm e sobre qual será o seu fim provável. Quando um demônio se infiltra na casa de Deus, ele presta um pequeno serviço antes de mostrar suas verdadeiras cores; ele não escuta, não importa quem lide com ele ou o pode, e persiste em lutar contra a casa de Deus. Qual é a natureza de suas ações? Aos olhos de Deus, ele está se entregando à morte, e não descansará até que se mate. Essa é a única maneira apropriada de dizer isso” (‘Propagar o evangelho é o dever a que todos os crentes estão moralmente obrigados’ em “As declarações de Cristo dos últimos dias”). Essa leitura infundiu medo no meu coração. Senti que Deus estava me expondo, face a face, revelando meu estado e os segredos que eu nunca tinha contado a ninguém. Eu tinha me dado bem nesses anos de compartilhar o evangelho, por isso achava que tinha feito uma contribuição enorme, que era indispensável, e eu estava contando os pontos de tudo que tinha feito. Acreditava que tinha um lugar de honra na igreja, que eu era um pilar. Tomei isso como capital pessoal, menosprezando com arrogância todos os outros. Eu também gostava de repreender as pessoas, o que constrangia os irmãos. Eu não era cooperativo no meu dever, era autocrático e fazia o que queria, atrasando seriamente o trabalho da igreja. Até mesmo quando a líder lidou comigo, não dei importância. Até exibi minhas qualificações. Eu acreditava que ela não era melhor do que eu, e não queria aceitar nenhuma ajuda. Eu queria decidir tudo por conta própria. Eu dava uma bronca nos irmãos quando eles não me ouviam, os ameaçava com demissão se não cumprissem bem o seu dever. Isso os deixou obcecados com a realização de tarefas e com medo de perder seu dever se errassem, e eles viviam em dor. Como isso era cumprir um dever? Não era cometer o mal, resistir a Deus? Isso realmente me assustou. Nunca imaginei que cometeria tamanho mal, que feriria e restringiria tanto os meus irmãos, que impediria nosso trabalho nessa medida. Eu estava lutando contra Deus, mas achava que estava cumprindo meu dever para satisfazê-Lo. Estava sendo irracional! Vi nas palavras de Deus que agir desse jeito é matar a si mesmo. Ouvir o tom das palavras de Deus, sobretudo a expressão “matar a si mesmos”, me deu uma noção de como Deus se enoja com esse tipo de pessoa. Era de partir o coração, como se Deus tivesse me condenado à morte. Eu achava que era capaz de sacrificar tudo pelo meu dever, que sempre teria sucesso nele, de modo que Deus me aprovaria, e que um pouco de arrogância não importava. Mas então percebi que, se eu não buscasse a verdade, por mais que alcançasse no meu dever ou por mais experiência que acumulasse, isso era repugnante para Deus. Ele não o reconheceria. O julgamento e castigo das palavras de Deus me mostraram Seu caráter justo, que não tolera ofensa. Deus segue princípios perfeitos em Suas ações. Se eu realizar algumas coisas lá fora, no mundo, eu posso ter algum capital e influência. Mas na casa de Deus, a verdade e a justiça imperam. Usar capital e influência é matar a si mesmo e ofende o caráter Dele.

Mais tarde, eu me perguntei por que eu achava que tinha tanta influência após alcançar algumas coisas no meu dever e por que comecei a ser tão ditatorial. Que tipo de natureza me controlava? Li algo nas palavras de Deus. “Se, em seu coração, você realmente entender a verdade, você saberá como praticar a verdade e obedecer a Deus e naturalmente embarcará na senda de buscar a verdade. Se a senda que você trilha for a correta e estiver alinhada com a vontade de Deus, então a obra do Espírito Santo não o abandonará — caso em que haverá uma chance cada vez menor de você trair a Deus. Sem a verdade, é fácil praticar o mal, e você o praticará a despeito de si mesmo. Por exemplo, se você tem um caráter arrogante e presunçoso, então ser ordenado a abster-se de se opor a Deus não faz diferença nenhuma, você não pode impedir, está fora de seu controle. Não faria isso de propósito; você o faria sob o domínio de sua natureza arrogante e vaidosa. Sua arrogância e vaidade fariam com que você desprezasse a Deus e O visse como um ser sem importância; fariam você se exaltar, colocar-se constantemente na vitrine; levariam você a desprezar os outros, não deixariam ninguém em seu coração além de você mesmo; fariam você se achar superior a outras pessoas e a Deus e, no fim, levariam você a se sentar no lugar de Deus e a exigir que as pessoas se submetessem a você, venerando seus pensamentos, ideias e noções como a verdade. Veja quanto mal é feito pelas pessoas sob o domínio da natureza arrogante e vaidosa delas!” (‘Somente buscando a verdade pode-se alcançar uma mudança no caráter’ em “As declarações de Cristo dos últimos dias”). “A arrogância é a raiz do caráter corrupto do homem. Quanto mais arrogantes, mais sujeitas as pessoas ficam a resistir a Deus. O quanto esse problema é sério? As pessoas com caráter arrogante não só consideram todas as outras inferiores a elas, como também, o pior de tudo, são até condescendentes para com Deus. Embora algumas pessoas, externamente, pareçam acreditar em Deus e segui-Lo, elas não O tratam como Deus de modo algum. Sempre sentem que possuem a verdade e pensam que elas são tudo no mundo. Essa é a essência e a raiz do caráter arrogante, e ele vem de Satanás. Portanto, o problema da arrogância precisa ser resolvido. Sentir que um é melhor que os outros — esse é um caso trivial. A questão crítica é que o caráter arrogante de uma pessoa a impede de se submeter a Deus, Seu governo e Seus arranjos; tal pessoa se sente sempre inclinada a competir com Deus pelo poder sobre os outros. Esse tipo de pessoa não reverencia a Deus nem um pouco, sem falar de amar a Deus ou submeter-se a Ele. Pessoas que são arrogantes e convencidas, sobretudo aquelas que são tão arrogantes que perderam o senso, não podem se submeter a Deus em sua crença Nele, nem exaltar e dar testemunho por si mesmas. Tais pessoas resistem o máximo a Deus” (A comunhão de Deus). As palavras de Deus me ensinaram que a raiz da rebelião contra Deus é a arrogância. Quando alguém tem uma natureza arrogante, ele não tem como não resistir a Deus. Meu comportamento era o resultado de ser controlado por minha natureza arrogante. Eu andava nas nuvens depois de alcançar algumas coisas, pensando que tinha calibre, que era capaz e indispensável, que a igreja não sobreviveria sem mim. Eu menosprezava os outros, usava minha posição para repreender e constrangê-los, não dando valor a mais ninguém. Eu era arbitrário e ditatorial no meu dever, não discutia as coisas com mais ninguém. Eu me sentia bem sozinho e podia tomar decisões unilateralmente. Eu não valorizava meu parceiro. Eu era muito arrogante e não tinha reverência alguma por Deus. Quando a líder lidou comigo, eu admiti minha arrogância, mas não me importei de verdade. Até achei que a arrogância não era algo tão ruim, que ser chamado assim significava que eu tinha algumas habilidades, caso contrário o que faria de mim arrogante? Eu era muito insensato e totalmente descarado. Eu vivia segundo o veneno de Satanás de “Eu reino soberano em todo o universo”, agia como o rei da colina na igreja, sem dar valor a ninguém. Como eu era diferente do Partido Comunista? O Partido Comunista é arrogante e criminoso, recorre a meios sem precedentes de repressão violenta contra todos que não o ouvem. Eu era ditatorial e intratável na igreja, não aceitava a supervisão de ninguém. Isso não era igual ao grande dragão vermelho? Então percebi como eu era arrogante, que eu não me importava com mais ninguém, nem mesmo com Deus, que eu estava numa senda contra Deus. Se eu não me arrependesse, eu acabaria sendo amaldiçoado e punido por Deus. Então eu vi como eram sérias as consequências da minha natureza arrogante, que meu problema não era mais sério do que um pouquinho de corrupção. Isso me lembrou de como eu tinha menosprezado os outros e elevado a mim mesmo, que eu falava e me apresentava como se não houvesse igual a mim no mundo. Senti nojo e repulsa de mim mesmo. Concluí que eu devia começar a buscar a verdade, os princípios, em tudo, parar de viver em arrogância e de resistir a Deus.

E mais tarde, enquanto buscava como abordar corretamente quaisquer sucessos que pudesse ter, li uma passagem das palavras de Deus. “Durante o cumprimento do seu dever, vocês são capazes de sentir a orientação de Deus e o esclarecimento do Espírito Santo? (Sim.) Se vocês são capazes de perceber a obra do Espírito Santo e ainda se têm em alta estima e acreditam que possuem a realidade, o que está acontecendo aqui? (Quando o desempenho no nosso dever deu alguns frutos, aos poucos começamos a pensar que metade do mérito pertence a Deus e a outra metade pertence a nós. Exageramos nossa cooperação em medida ilimitada, acreditando que nada é mais importante do que a nossa cooperação e que o esclarecimento de Deus não teria sido possível sem ela.) Então, por que Deus esclareceu você? Deus pode esclarecer também outras pessoas? (Sim.) Quando Deus esclarece alguém, isso é a graça de Deus. E o que é esse pouquinho de cooperação da sua parte? É algo pelo que você merece mérito — ou é seu dever, sua responsabilidade? (É dever e responsabilidade.) Quando você reconhece que é dever e responsabilidade, esse é o estado de espírito correto, e você não pensará em ficar com o mérito. Se o que você acredita é sempre: ‘Esse é o meu capital. O esclarecimento de Deus teria sido possível sem a minha cooperação? Isso precisa da cooperação das pessoas; a cooperação das pessoas representa a maior parte disso’, isso está errado. Como você poderia ter cooperado se o Espírito Santo não o tivesse esclarecido, e se Deus não tivesse feito nada, e se ninguém lhe tivesse comunicado os princípios da verdade? Você não saberia o que Deus exige; você nem mesmo conheceria a senda de prática. Mesmo que quisesse obedecer a Deus e cooperar na obra de Deus, você não saberia como fazê-lo. Essa sua ‘cooperação’ não passa de palavras vazias? Sem cooperação verdadeira, você só está agindo de acordo com suas próprias ideias — nesse caso, o dever que você desempenha poderia estar à altura do padrão? (Não.) Não, o que indica um problema. Que problema isso indica? Não importa que dever uma pessoa desempenhe, alcançar resultados para satisfazer a Deus e ganhar Sua aprovação e desempenhar seu dever à altura dos padrões depende das ações de Deus. Se você executar suas responsabilidades, se fizer seu dever, mas Deus não agir e Deus não lhe disser o que fazer, então você não conhecerá sua senda, nem sua direção, nem seus objetivos. O que afinal resulta disso? Seria desperdício de esforço, você não ganharia nada. Assim, fazer seu dever à altura do padrão e ser capaz de permanecer firme dentro da casa de Deus, fornecendo edificação para os irmãos e irmãs e ganhando a aprovação de Deus depende totalmente de Deus! As pessoas só podem fazer aquelas coisas que são pessoalmente capazes de fazer, que devem fazer e que estão dentro de suas capacidades inerentes — nada mais. Portanto, os resultados obtidos em última análise de seu dever são determinados pela orientação das palavras de Deus e pelo esclarecimento do Espírito Santo, que lhe permitem entender a senda, os objetivos, a direção e os princípios providenciados por Deus” (‘Os princípios que devem guiar a conduta da pessoa’ em “As declarações de Cristo dos últimos dias”). As palavras de Deus me mostraram que o sucesso em algumas coisas no meu dever se devia totalmente à graça de Deus e ao esclarecimento do Espírito Santo. Devia-se também à comunhão de Deus para nós sobre a verdade e os princípios, não ao meu bom calibre ou à minha capacidade de fazer algum trabalho. Sem a orientação das palavras de Deus ou do esclarecimento do Espírito Santo, não importava qual fosse meu calibre nem quão eloquente eu fosse, eu nunca alcançaria nada. E esse pouquinho de trabalho que fazia era eu cumprindo meu dever como ser criado. É minha responsabilidade. Qualquer que seja o dever, é o que um ser criado deve fazer. O que realizamos não é nosso capital nem contribuição pessoal. No entanto, eu não conhecia meu valor. Achava que algumas conquistas significavam que eu era bom naquilo que fazia e via isso como algo que podia usar como influência. Eu estava tão satisfeito comigo e tentava roubar a glória de Deus. Eu era tão arrogante e insensato! Tudo que alcançamos em nosso dever provém do esclarecimento do Espírito Santo e das palavras de Deus. Não podemos fazer nada por conta própria. Em retrospectiva, eu não só não consegui fazer nada quando trabalhava a partir da minha arrogância, mas também atrasei nosso trabalho. Como quando coloquei a pessoa errada numa posição de rega, o que impediu que muitos irmãos recebessem o apoio de que precisavam. Isso interrompeu seriamente o trabalho da casa de Deus. E eu não estava buscando os princípios da verdade nem conduzindo os outros a seguir princípios no seu dever. Isso significava que não estávamos realizando coisas em nosso dever, e isso atrasou o progresso do nosso trabalho. Mas eu não refletia sobre nada disso. Em vez disso, eu me parabenizava e me tornava mais arrogante, como se a igreja não pudesse abrir mão de mim. Mas se Deus podia me esclarecer, é claro que Ele podia esclarecer os outros, de modo que o trabalho da igreja podia continuar como sempre depois da minha demissão. Eu acreditava que a igreja não conseguiria me dispensar porque eu me achava tanto. Lembrei-me de Paulo na Era da Graça. Ele achava que tinha algum capital após fazer algum trabalho, por isso não deu valor aos outros. Ele disse explicitamente que não era menor do que os outros discípulos, e ele desprezou Pedro e o degradou com frequência. No fim, tentou usar seu trabalho para pedir uma coroa a Deus. Ele foi arrogante a ponto de perder a razão. Eu vi que eu era igual a Paulo, que eu estava na mesma senda. Sem o julgamento e castigo rígido de Deus, eu ainda ignoraria meus problemas, pensando que era o maior. Quando vi tudo isso, eu me odiei muito. Eu quis confessar e me arrepender a Deus.

Então li isto nas palavras de Deus: “Alguém sabe há quantos anos Deus tem operado entre toda a humanidade e todas as coisas? Ninguém conhece o número exato de anos até agora pelos quais Deus tem operado e gerenciado toda a humanidade; Ele não informa tais coisas à humanidade. Mas se Satanás fosse fazer isso por um tempo, ele o anunciaria? Ele certamente o anunciaria. Satanás quer se exibir, para que ele possa enganar mais pessoas e fazer com que mais pessoas lhe deem crédito. Por que Deus não informa esse empreendimento? Existe um aspecto na essência de Deus que é humilde e oculto. Quais coisas estão em oposição à humildade e ocultabilidade? Arrogância, impudência e ambição. […] Orientando a humanidade, Deus executa uma obra tão grande, e Ele preside sobre todo o universo. Seu poder e autoridade são tão vastos, mas Ele nunca disse: ‘Minha habilidade é extraordinária’. Ele permanece oculto entre todas as coisas, presidindo sobre tudo, nutrindo e provendo para a humanidade, permitindo que toda a humanidade continue geração após geração. Veja, por exemplo, o ar e o brilho do sol ou todas as coisas materiais visíveis necessárias para a existência humana — todas elas jorram sem cessar. Não há dúvida de que Deus provê para o homem. Então, se Satanás fizesse algo bom, ele permaneceria em silêncio e seria um herói anônimo? Jamais. É como o fato de que existem alguns anticristos na igreja que, no passado, fizeram trabalho perigoso ou realizaram trabalho que prejudicou seus interesses, que podem até ter ido para a prisão; há também aqueles que, no passado, contribuíram para um aspecto do trabalho da casa de Deus. Eles nunca se esquecem dessas coisas, acham que merecem crédito vitalício por elas, acreditam que são o capital de sua vida — o que mostra como as pessoas são pequenas! As pessoas são pequenas, e Satanás é descarado” (‘Eles são malignos, insidiosos e enganosos (parte 2)’ em “Expondo os anticristos”). “Deus ama a humanidade, cuida da humanidade e demonstra preocupação para com a humanidade, bem como provê constante e incessantemente à humanidade. Ele nunca acha, em Seu coração, que isso é obra adicional ou algo que merece muito crédito. E não acha que salvar a humanidade, suprindo-lhe e concedendo-lhe tudo, é fazer uma enorme contribuição para a humanidade. Ele simplesmente provê à humanidade calma e discretamente, num modo Próprio e através de Sua essência e do que Ele tem e é. Não importa quanta provisão e quanta ajuda a humanidade receba Dele, Deus nunca pensa nisso nem tenta levar crédito. Isso é determinado pela essência de Deus, e é também precisamente uma expressão verdadeira do caráter de Deus” (‘A obra de Deus, o caráter de Deus e o Próprio Deus I’ em “A Palavra manifesta em carne”). Ponderei as palavras de Deus e vi como são benevolentes Seu caráter e Sua essência. Deus é o Criador que governa e sustenta absolutamente tudo. Ele se tornou carne mais uma vez, expressando verdades para salvar a humanidade, pagando um preço alto por nós. Mas Ele nunca achou que é uma contribuição enorme para a humanidade. E Ele nunca elogiou nem se gabou de nada. Ele só faz toda a Sua obra em silêncio, sem jamais se exibir de forma arrogante. Ele é mais do que digno do nosso amor e louvor eterno. Sou um humano tão inútil, não sou nada, mas eu era tão arrogante. O menor sucesso me deixava confuso, como se fosse uma obra-prima, uma contribuição incrível. Eu menosprezava todos e tinha que ter as coisas do meu jeito. Eu era tão insensato, maligno e superficial! Deus é tão humilde e oculto e tem uma essência tão benevolente. Senti ainda mais como meu caráter arrogante é repugnante e ansiei por aprender a verdade para me livrar dele logo, para viver uma semelhança humana.

Então, durante uma reunião, li esta passagem nas palavras de Deus. Deus Todo-Poderoso diz: “Hoje, Deus os julga, castiga e condena, mas saiba que o sentido da sua condenação é para que você possa se conhecer. Ele condena, amaldiçoa, julga, castiga para que você se conheça, para que seu caráter possa mudar e, além disso, para que você possa conhecer seu valor e ver que todas as ações de Deus são justas e de acordo com Seu caráter e as necessidades de Sua obra, que Ele opera de acordo com Seu plano para a salvação do homem, e que Ele é o Deus justo que ama, salva, julga e castiga o homem” (‘Vocês deveriam pôr de lado as bênçãos do status e entender a vontade de Deus de trazer a salvação ao homem’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus me comoveram, e eu entendi Sua vontade um pouco melhor. Eu estava cumprindo meu dever por arrogância, causando problemas para o trabalho da casa de Deus, por isso fui demitido com base nos princípios. Pensei que Deus estava usando a situação para me expor e eliminar, achei que Ele estava me condenando e que eu não poderia ser salvo. Finalmente percebi que Deus tinha me demitido do meu dever e usado o julgamento das Suas palavras para que eu visse minha corrupção e que eu estava na senda errada. Era Deus me salvando! Sofri um pouco com esse julgamento e castigo, mas isso foi tão valioso e significativo, e me protegeu. Era o amor mais genuíno de Deus por mim. Não importa como Deus nos disciplina; é tudo Sua salvação e Seu amor.

Depois disso, eu me abri numa reunião sobre como eu tinha sido arrogante em meu dever, sobre como tinha ferido os irmãos e sobre o que eu tinha refletido depois de ser demitido. Pensei que os outros ficariam com nojo de mim por ser tão desumano e não desejariam mais ter nada a ver comigo, mas, surpreendentemente, não me atacaram. Eu me senti ainda mais endividado com eles. Eu tinha machucado todos com a minha arrogância, e eu fui tão desumano. Quando voltei a assumir um dever com os irmãos, eu fui mais sutil. Parei de menosprezar as pessoas por suas falhas e tive uma abordagem melhor das coisas. Fiz um esforço consciente de ouvir as sugestões dos outros e parei de confiar tanto em mim mesmo. Quando os líderes vieram verificar meu trabalho, eu cooperei e aceitei isso com humildade. Tive uma boa mudança em meu estado depois de um tempo e voltei a ser supervisor. Eu sabia que Deus estava me elevando e agraciando com isso. Antes, eu tinha sido tão arrogante e disruptivo em meu dever, mas Deus não me eliminou. Ele me deu outra chance de cumprir um dever tão importante. Experimentei a misericórdia e clemência de Deus conosco. Depois disso, no meu dever, parei de agir arbitrariamente por arrogância, e tive algum temor de Deus e orava constantemente a Ele. Quando algo me deixava confuso, eu discutia com os outros para que buscássemos a verdade juntos. Depois de fazer isso por um tempo, percebi que o desempenho de toda a nossa equipe melhorou muito. Quando fazia tudo por conta própria, isso me deixava exausto. Eu não levava tudo em consideração e não obtinha resultados bons. Mas agora que discuto com os irmãos os problemas que surgem, e nós nos ajudamos, é muito mais fácil resolver os problemas. E ao cooperar com os outros, eu pude ver que eles realmente têm alguns pontos fortes. Alguns trabalham muito e se esforçam. Alguns podem não ter tanto calibre, mas são diligentes e defendem o trabalho da casa de Deus. São pontos fortes que eu não tenho. Também pude aprender coisas com os irmãos para compensar minhas falhas. Tem sido um jeito muito mais livre e fácil de viver.

Mais ou menos um ano depois, um líder de igreja arranjou uma reunião geral para que todos compartilhassem o que tinham aprendido e experimentado ao longo do ano. Eu tive um tempo de reflexão em silêncio, refletindo sobre tudo que eu tinha aprendido. Então percebi que Deus salvou a minha vida me demitindo, que esse era meu ganho maior. Sem isso, eu ainda não estaria vendo como era séria a minha arrogância, que eu era presunçoso e arbitrário só porque tinha alguns dons. Foram a disciplina, o julgamento e o castigo de Deus que me mostraram minha natureza satânica. Isso também me ensinou um pouco sobre a justiça de Deus e me deu algum temor de Deus. Sou tão grato pela salvação de Deus!

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