O resultado de não se esforçar em seu dever

27 de Fevereiro de 2022

Por Yichen, Itália

Em 2019, a irmã Zhang e eu assumimos a responsabilidade pela equipe de arte. Quando comecei nesse dever, eu não entendia muitos princípios, por isso a irmã Zhang comungou pacientemente comigo e assumiu a maior parte do trabalho. Mais tarde, eu soube que ela cumpria esse dever havia dois anos e tinha alguma experiência de trabalho, e em tudo, desde a comunhão nas reuniões até os resumos do trabalho, sua visão era mais abrangente do que a minha. Quando os irmãos levantavam perguntas, ela sempre tinha soluções boas. Em comparação com ela, eu me sentia muito inexperiente. Pensei: “Quanto terei que sofrer e que preço terei que pagar para ser igual à irmã Zhang? Já que ela é mais experiente e carrega uma parte maior do fardo, deixarei que ela trabalhe mais”.

Nos resumos de trabalho, ela pedia que eu refletisse sobre como comungar para resolver problemas, e eu só pensava: “Isso é muito trabalho. Além de resumir os problemas existentes no nosso dever, terei que encontrar palavras de Deus e princípios relevantes para comungar. Não tenho muita experiência, principalmente em questões profissionais. A fim de fornecer soluções, eu teria que procurar tantas informações e buscar comunhão sobre aquilo que não entendo. Isso exigiria muito tempo e esforço. A irmã Zhang conhece essa área, então ela pode fazer os resumos. Não vou me meter nisso”. Nunca mais dei atenção aos resumos de trabalho depois disso. Mais tarde, quando a irmã Zhang me perguntou o que eu pensava, eu disse: “Não estou familiarizada com a área; é melhor você fazer os resumos”. Às vezes, quando ela planejava nossa direção de estudo, ela perguntava se eu queria participar, para lhe dar conselhos e ajudá-la a evitar possíveis problemas. Eu pensava: “A irmã Zhang sempre foi responsável por essa área, e eu entendo menos do que ela. Para participar, eu teria que refletir e estudar as coisas que não sei. É trabalho demais! Esqueça, não vou me envolver”. E, assim, eu rejeitava a irmã Zhang.

Mais tarde, estávamos aprendendo uma nova técnica de desenho. Tínhamos muitos problemas e dificuldades, mas ela os discutiu e resolveu conosco. Já que eu não entendia muito bem essa área, eu continuei confusa, mesmo após ela me explicar duas vezes, e eu pensei: “Aprender novas habilidades nessa área é cansativo. Acho que não me envolverei desta vez. Em todo caso, temos a irmã Zhang, ela pode nos ajudar a aprender”. Mais tarde, quando estava estudando, eu não ouvia com atenção. Às vezes, eu não dizia nada; outras vezes, ia trabalhar em outras coisas. Quando a irmã Zhang pedia minhas ideias e opiniões, eu sempre respondia que não tinha nenhuma. Finalmente, passei a carregar um fardo cada vez menor em meu dever. Quanto mais achava que não era boa o suficiente, mais deixava de perceber problemas. Nesse período, eu sentia meu coração vazio todos os dias, e fui ficando cada vez mais negativa. Achava que meu calibre era baixo e que eu não era digna daquele dever. Às vezes, sentia bastante inveja da irmã Zhang. Achava que ela cumpria bem o dever dela porque ela tinha experiência e um calibre bom, mas eu era diferente. Eu tinha calibre baixo e nenhuma experiência, por isso cumprir meu dever era difícil.

Um dia, depois de discutir meu trabalho com a irmã Zhang, ela me disse: “Você vem cumprindo esse dever há algum tempo, mas você diz que não tem experiência ou que não entende. O fato é que você não quer assumir um fardo nem fazer esforço. A razão pela qual eu tenho algumas ideias boas é que eu oro com frequência, confio em Deus e busco os princípios para entender as coisas. Quando não entendemos aspectos profissionais, devemos estudá-los. Caso contrário, como podemos cumprir bem o nosso dever?”. Então ela me explicou como ela confiava em Deus e procurava encontrar soluções ao se deparar com dificuldades. Infelizmente, na época, eu não me dei conta do meu problema. Em vez disso, achei que a irmã Zhang não entendia minhas dificuldades, por isso, não levei as sugestões dela a sério nem refleti sobre mim mesma mais tarde.

Não demorou, e a irmã Zhang assumiu o controle sobre outro trabalho. Fiquei muito triste quando ela foi embora, pois, confrontada com tanto trabalho, minha mente deu branco. Eu me perguntei: “Sou responsável por esse trabalho há um ano, por que ainda sou incapaz de assumi-lo?”. Foi aí que me lembrei daquilo que a irmã Zhang me dissera. Eu não tinha mesmo assumido um fardo no meu dever? Orei a Deus para pedir a orientação Dele ao refletir sobre mim mesma. Mais tarde, li esta passagem da palavra de Deus: “Na maior parte do tempo, vocês são incapazes de responder quando questionados sobre questões de trabalho. O trabalho envolve muitas pessoas, mas vocês nunca perguntaram se está indo bem ou não, nem pensaram nisso. Dado seu calibre e conhecimento, vocês não deveriam não saber nada, porque todos vocês participaram desse trabalho. Por que, então, a maioria das pessoas não diz nada? É possível que vocês realmente não saibam o que dizer — que vocês não saibam se as coisas estão indo bem ou não. Há duas razões para isso: uma é que vocês são totalmente indiferentes, e nunca se importaram com essas coisas, e apenas as trataram como uma tarefa a ser completada. A outra é que vocês não estão dispostos a se importar com essas coisas. Se você realmente se importasse, e realmente estivesse empenhado, você teria visão e perspectiva sobre tudo. Muitas vezes, não ter perspectiva ou visão provém de ser indiferente e apático, e não assumir responsabilidade. Você não é diligente em relação ao dever que cumpre, não assume responsabilidade alguma, não está disposto a pagar um preço ou se envolver, não se empenha nem está disposto a despender mais energia; você meramente deseja ser um subalterno, o que não é diferente de quando um incrédulo trabalha para o chefe. Desempenhar seu dever dessa maneira não é amado por Deus, não é aprovado por Deus, Deus despreza isso, e mais cedo ou mais tarde essa pessoa será eliminada” (‘Somente sendo honesto é que se pode viver uma semelhança humana real’ em “As declarações de Cristo dos últimos dias”). A palavra de Deus revelou meu estado com precisão. Quando eu trabalhava e discutia com a irmã Zhang, eu nunca tinha opiniões ou ideias próprias. Eu sempre achava que era porque eu não conhecia a área nem o trabalho. Só depois de ler a palavra de Deus entendi que era por causa do meu desleixo e da minha irresponsabilidade. Lembrei-me da minha parceria com a irmã Zhang. Quando eu tinha um problema profissional, eu nunca me preocupava. Eu usava minha falta de experiência em meu dever e meu pouco entendimento dos princípios como desculpa para evitá-lo. Quando discutíamos o trabalho, eu só ouvia. Nunca refletia sobre ele com cuidado. Eu costumava dizer, na frente da irmã Zhang, que eu não entendia e que ela era mais experiente no trabalho, mas isso não passava de mentira e desculpa. Meu objetivo mesmo era ganhar a simpatia e a compreensão dela para que ela assumisse mais trabalho e eu pudesse ficar curtindo meu tempo livre. Eu era tão astuta e enganosa! Eu estava nesse dever havia um ano e tinha uma base profissional, por isso, se eu tivesse sido responsável e estudado com diligência, eu teria tido algumas opiniões próprias quando discutíamos o trabalho. Eu poderia ter sido capaz de assumi-lo quando a irmã Zhang foi transferida. Eu só tinha me virado no meu dever e sido irresponsável, como se só trabalhasse por um salário para sobreviver, vivendo um dia por vez com o menor esforço ou preocupação possível. Nunca refleti sobre como fazer as coisas corretamente, dar tudo de mim e cumprir minha responsabilidade. Eu estava só improvisando, só pensando em como evitar sofrimento carnal. Eu não considerava a vontade de Deus nem um pouco. Como podia dizer que eu tinha um lugar para Deus no meu coração? Como Deus podia não me detestar por minha atitude em relação ao meu dever?

Depois disso, li outra passagem da palavra de Deus: “O Senhor Jesus disse, certa vez: ‘Pois ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado’ (Mateus 13:12). Qual é o significado dessas palavras? O que elas significam é que, se você nem sequer cumprir ou se dedicar ao seu dever ou trabalho, Deus tirará o que outrora foi seu. O que significa ‘tirar’? Como isso faz as pessoas se sentirem? É possível que você não tenha alcançado o que seu calibre e seus dons poderiam ter lhe permitido alcançar, e você não sentiu nada e voltou ao mesmo estado que tinha quando era um incrédulo. Tudo isso foi tirado por Deus. Se, em seu dever, você for negligente, não pagar um preço e não for sincero, Deus tirará o que outrora era seu, Ele retirará o direito de cumprir seu dever, Ele não lhe concederá esse direito. Porque Deus lhes deu dons e calibre, mas você não cumpriu seu dever adequadamente, não se despendeu por Deus nem pagou um preço, e não investiu seu coração nisso, Deus não só não o abençoa, mas também tira o que você tivera antes. Deus concede dons ao homem, dando-lhe habilidades especiais e também inteligência e sabedoria. Como o homem deve usar essas coisas? (Ele deve usar esses dons para cumprir bem o seu dever.) Você deve dedicar suas habilidades especiais, seus dons, sua inteligência e sabedoria ao seu dever. Você deve usar seu coração e quebrar a cabeça para aplicar tudo que sabe, tudo que entende, tudo que pode alcançar e tudo que pensa ao seu dever. Agindo assim, você será abençoado. O que significa ser abençoado por Deus? O que isso faz as pessoas sentir? (Que existe uma senda quando elas cumprem seu dever, que foram esclarecidas pelo Espírito Santo.) Que elas foram esclarecidas e guiadas por Deus. Às pessoas, pode parecer que, dentro do escopo de suas habilidades, seu calibre e as coisas que você aprendeu são insuficientes para permitir que você faça o que deseja fazer — mas se Deus opera e ilumina você, você não só é capaz de entender, mas também de fazer melhor. Você se pergunta: ‘Eu não era tão habilidoso assim. Parece que agora há muito mais dentro de mim. Como é possível que, de repente, entendo as coisas que não tinha aprendido e que sou capaz de fazer tanto? Como me tornei tão inteligente de repente?’. Você não consegue explicar. Isso é o esclarecimento, a bênção de Deus; é assim que Deus abençoa as pessoas. Se vocês não sentem isso ao cumprir seu dever ou ao fazer seu trabalho, então vocês não foram abençoados por Deus. Se o cumprimento do seu dever sempre parece não ter sentido para você, se parece que não há nada a ser feito, e você não consegue se motivar a contribuir, se você nunca é esclarecido, se sente que não possui esperteza nem sabedoria que possa ser aplicada, isso significa encrenca: mostra que você não tem os motivos certos para cumprir seu dever, que você o cumpre de forma desleixada e descuidada, e que você não trilha a senda certa, e Deus não o aprova nem o abençoa; esse é o tipo de circunstâncias em que você caiu” (‘Somente sendo honesto é que se pode viver uma semelhança humana real’ em “As declarações de Cristo dos últimos dias”). Depois de contemplar a palavra de Deus, entendi que Deus abençoa pessoas honestas e aqueles que sinceramente se despendem por Ele. Quanto mais diligente alguém é e quanto mais ele tenta melhorar em seu dever, mais o Espírito Santo o orienta e mais eficiente ele é em seu dever. Mas se você cumprir seu dever com astúcia, não for diligente nem pagar um preço, você nunca fará progresso nem se beneficiará do seu dever e poderá até perder o que poderia ter alcançado. Nesse momento, lembrei-me de uma experiência da qual a irmã Zhang tinha me falado. No início, ela não entendia o trabalho muito bem, mas ela trazia suas dificuldades para diante de Deus, orava, buscava e contemplava, e comungava sobre elas com os outros, e, inconscientemente, era esclarecida pelo Espírito Santo e sempre tinha ideias novas. Ela continuou fazendo progresso e se tornou eficiente em seu dever. Eu, porém, tentava manter o status quo, não buscava progresso, tentava curtir o tempo livre e nunca queria sofrer ou pagar um preço. Como resultado, nunca alcancei meu potencial. Como dizem as palavras de Deus: “Ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado” (Mateus 13:12). Deus detestava minha atitude desleixada e irresponsável em relação ao meu dever. Percebi que, se não me arrependesse, eu seria rejeitada e odiada por Deus e, no fim, perderia também o meu dever. Pensando nisso, fiquei com medo, então orei a Deus imediatamente para buscar Sua orientação para encontrar uma senda de prática e dizer que queria me arrepender.

Li esta passagem da palavra de Deus: “Como as pessoas deveriam entender seus deveres? Quando o Criador — Deus — dá uma tarefa para alguém fazer, e nesse ponto, é que começa o dever dessa pessoa. As tarefas que Deus dá a você, as comissões que Deus dá a você — esses são os seus deveres. Quando as busca como suas metas e realmente tem um coração que ama a Deus, mesmo assim você consegue recusar? (Não.) Isso não é uma questão de você poder ou não — você não deveria recusá-las. Deveria aceitá-las. Essa é a senda da prática. O que é a senda da prática? (Ser totalmente devotado em todas as coisas.) Seja devotado em todas as coisas para atender a vontade de Deus. Onde está o ponto de foco aqui? Está ‘em todas as coisas’. ‘Todas as coisas’ não significa necessariamente as coisas de que você gosta ou nas quais é bom, muito menos as que lhes são familiares. Às vezes, você não é bom em algo, às vezes, você precisa aprender, às vezes, encontrará dificuldades e, às vezes, precisa sofrer. No entanto, seja a tarefa que for, contanto que seja comissionada por Deus, você precisa aceitá-la Dele, considerá-la como seu dever, ser devotado a cumpri-la e atender a vontade de Deus: essa é a senda da prática” (‘Apenas sendo uma pessoa honesta pode-se ser verdadeiramente feliz’ em “As declarações de Cristo dos últimos dias”). E outra passagem: “Quando as pessoas têm um caráter corrupto, muitas vezes elas são superficiais e descuidadas quando cumprem seu dever. Esse é um dos problemas mais sérios de todos. Para que as pessoas possam cumprir seu dever adequadamente, elas devem primeiro tratar desse problema de superficialidade e descuido. Enquanto tiverem uma atitude superficial e descuidada demais, elas não serão capazes de desempenhar seu dever adequadamente, o que significa que resolver o problema da superficialidade e do descuido é extremamente importante. Como, então, elas devem colocar isso em prática? Primeiramente, devem resolver o problema de seu estado mental; devem abordar seu dever corretamente e fazer as coisas com seriedade e com senso de responsabilidade, sem serem enganosas nem superficiais. O dever de uma pessoa é cumprido para Deus, não para uma pessoa qualquer; se as pessoas forem capazes de aceitar o escrutínio de Deus, elas terão o estado mental correto. Além disso, depois de fazerem algo, as pessoas devem examiná-lo e refletir sobre ele, e se tiverem alguma dúvida em seu coração e se, após uma inspeção detalhada, descobrirem que realmente existe um problema, então devem fazer mudanças; uma vez que essas mudanças tenham sido feitas, elas não terão mais dúvidas em seu coração. Quando as pessoas têm dúvidas, isso prova que existe um problema, e elas devem examinar diligentemente o que fizeram, especialmente em fases-chave. Essa é uma atitude responsável em relação ao cumprimento do seu dever. Quando se pode ser sério, responsável, dedicado e trabalhador, o trabalho será feito adequadamente. Às vezes, você está no estado mental errado e não consegue encontrar ou descobrir um erro que seja claro como o dia. Se você estivesse no estado mental correto, então, com o esclarecimento e a orientação do Espírito Santo, você seria capaz de identificar o problema. Se o Espírito Santo o guiasse e lhe desse tal consciência, permitindo-lhe sentir que algo está errado, mas você estivesse no estado mental errado e fosse distraído e descuidado, você seria capaz de perceber o erro? (Não.) Você não seria. O que isso mostra? (Somente quando o coração das pessoas estiver em paz diante de Deus e elas cumprirem seu dever com todo o seu coração e com toda a sua força, seu espírito será perspicaz.) Isso é correto. Isso mostra que é muito importante que as pessoas cooperem; seu coração é muito importante, e para onde direcionam seus pensamentos e intenções é muito importante” (A comunhão de Deus). A reflexão sobre essas palavras de Deus me inspirou profundamente. Meu dever era uma comissão de Deus, a tarefa de Deus para mim, e, independentemente da minha habilidade nela e da complexidade dela, ela tinha vindo de Deus, portanto, eu devia ser responsável e o mais leal possível. Só quando desse o meu melhor e cumprisse minha responsabilidade, eu receberia as bênçãos de Deus. Lembrei-me de todas as vezes em que jurei diante de Deus que eu cumpriria lealmente os meus deveres para retribuir o Seu amor. Agora que o dever era um pouco complicado e desafiador e eu devia sofrer e pagar um preço, eu improvisava e tentava fugir dele. Quando percebi isso, senti que eu devia a Deus e era indigna de desfrutar do Seu amor. Eu não podia continuar assim. Eu devia praticar de acordo com a palavra de Deus, tratar meus deveres com sinceridade e cumprir minhas responsabilidades para evitar arrependimentos no futuro.

Então comecei a investigar e a me familiarizar com o trabalho que, no passado, me confundira e não tentei mais fugir de alguns problemas complicados. Em vez disso, discutia e comungava sobre eles com meus irmãos e pedia que eles me ensinassem quando eu não entendia. Eventualmente, comecei a dominar os detalhes e fui capaz de fornecer soluções quando os outros tinham dificuldades. Quando eu resumia nosso trabalho, no início, eu não tinha ideias e queria me esquivar disso, mas eu me lembrei do que tinha lido na palavra de Deus, então renunciei à minha carne, refleti sobre os problemas no nosso dever e trabalhei para buscar princípios e buscar informações. Depois de praticar desse jeito por um tempo, senti claramente a bênção e a orientação de Deus. Comecei a dominar as coisas que não entendia ou que me confundiam, e meus resumos de trabalho alcançaram alguns resultados. Meus irmãos praticaram o que eu resumia e também fizeram progresso.

Eu achava que a minha atitude em relação ao meu dever tinha mudado um pouco, mas quando Deus arranjou outro ambiente para mim, tive uma recaída.

Em setembro de 2021, devido a necessidades do trabalho, eu me juntei com a irmã Li para regar recém-convertidos. Eu achava que esse dever não envolveria questões técnicas, que não daria tantos problemas, mas quando comecei a cumpri-lo, descobri que regar os recém-convertidos não era fácil. Eu não só era obrigada a me comunicar em inglês como devia comungar sobre a verdade para resolver rapidamente as noções e confusão deles. Vi que a irmã Li era muito competente em todos os aspectos do trabalho. Ela conseguia achar logo a verdade relevante para resolver os problemas dos recém-convertidos, mas eu não era boa nisso. Muitas vezes, eu não conseguia comungar sobre a verdade nem resolver os problemas deles. A fim de alcançar o nível da irmã Li, eu teria que estudar e me equipar por muito tempo e pagar um preço alto. Pensei: “Esqueça, a irmã Li é minha parceira, agora, não preciso me preocupar com isso”. Por isso não busquei a verdade com tanta avidez e, depois das reuniões, não interrogava os recém-convertidos sobre seus problemas. Um dia, lembrei-me de que vinha cumprindo o dever de rega havia dois meses, mas que ainda não conseguia regar os recém-convertidos sozinha. Sempre achava que não entendia, mas não me esforçava para pagar um preço. Tive que me perguntar: “Por que, assim que encontro um dever em que não sou hábil, eu uso meu desconhecimento como desculpa para improvisar no dever e não quero pagar um preço?”. Eu levei meu estado e minha confusão para diante de Deus e orei.

Um dia, durante meus devocionais, me deparei com duas passagens da palavra de Deus: “Sempre escolher os trabalhos fáceis no desempenho de seu dever, os trabalhos que não são cansativos, os que não envolvem sair e se expor ao sol ardente ou à chuva forte; esquivar-se das tarefas que são arriscadas e envolvem trabalho duro, empurrá-las para outra pessoa e encontrar uma tarefa fácil para si mesmo; procurar uma desculpa, dizer que você é de calibre pobre, que é incapaz de fazer esse trabalho, que não pôde fazê-lo, que é tolo e que não será capaz de lidar com algum problema que possa surgir — essa é uma pessoa que é preguiçosa, e é a manifestação de cobiçar o conforto da carne. […] Acontece também que as pessoas sempre reclamam enquanto cumprem seu dever, que não querem fazer esforço algum, que, assim que têm um pouco de folga, elas têm que descansar e conversar, e continuam reclamando assim que começam a trabalhar, que recuam diante de qualquer coisa difícil e tentam escapar, procurando uma razão ou desculpa, dizendo: ‘Não estou à altura disso, meu calibre é ruim demais! Fulano tem um calibre melhor do que eu, ele é mais perceptivo do que eu, mais capaz, ele pode ser bem-sucedido nesse trabalho’, e saem em busca de algum trabalho leve para que tenham mais tempo para se entreter. […] Esse é alguém que cobiça o conforto da carne, não é? São essas as manifestações de cobiçar o conforto da carne? Essas pessoas são adequadas para cumprir um dever? Mencione o tema do cumprimento do seu dever, fale sobre o pagamento de um preço e sofrer adversidades, e elas continuam balançando a cabeça: elas teriam muitos problemas, estão cheias de reclamações, são negativas em relação a tudo. Essas pessoas são inúteis, não têm o direito de cumprir seu dever e deveriam ser expulsas” (‘Identificando falsos líderes (2)’ em “Registros das falas de Cristo dos últimos dias”). “Alguns falsos líderes têm um pouco de calibre, mas não fazem trabalho real e cobiçam confortos carnais. Para Mim, aqueles que cobiçam confortos carnais não são diferentes de porcos. Os porcos passam todos os dias comendo e dormindo. O fato de você os alimentar alegremente com tantos grãos é para que você possa comer sua carne no futuro. Se os falsos líderes também são criados como porcos, criados para serem grandes e gordos, mas são um desperdício de espaço e não fazem trabalho algum, o que você está fazendo ao criá-los? Eles não deveriam ser removidos? E, portanto, criar um falso líder é inferior a criar um porco. Embora um porco não faça nada, coma e beba de graça três vezes ao dia, quando você pode comer carne no final do ano, você acha que o porco fez uma contribuição. Alimentá-lo o ano todo foi cansativo, foi muito trabalho, mas todo esse esforço não foi em vão; em seu coração, você sente que valeu a pena. Mas os falsos líderes? Eles podem ter o título de ‘líder’, podem ocupar essa posição, comer bem três vezes ao dia e desfrutar de muitas das graças de Deus, mas, no fim das contas, no final do ano, quando comeram tanto que ficaram gordos, como foi o trabalho? Veja tudo o que foi realizado em seu trabalho neste ano: que trabalhos foram frutíferos, que trabalho real você fez? A casa de Deus não exige que você faça cada trabalho perfeitamente, mas você deve fazer bem o trabalho principal — o trabalho evangelístico, por exemplo, ou o trabalho audiovisual, o trabalho do testemunho escrito, e assim por diante. Tudo isso deve ser frutífero. Após um ano, veja qual trabalho dentro do seu escopo de responsabilidade teve mais sucesso, em qual você pagou o maior preço e sofreu mais. Olhe para suas conquistas: em seu coração, você deve ter alguma ideia se, após desfrutar de um ano da graça de Deus, você fez algumas realizações valiosas. O que, exatamente, você estava fazendo enquanto comia a comida da casa de Deus e desfrutava da graça de Deus por todo esse tempo? Você alcançou alguma coisa? Se você não alcançou nada, então você é um aproveitador, um verdadeiro falso líder” (‘Identificando falsos líderes (4)’ em “Registros das falas de Cristo dos últimos dias”). Quando ponderei sobre essas palavras de Deus, foi como se elas perfurassem meu coração. Somente então entendi que eu sempre recuei diante das dificuldades em meu dever e usei a minha falta de entendimento ou de conhecimento como um escudo porque eu era preguiçosa e desejava demais o conforto da carne. No passado, quando eu era supervisora com a irmã Zhang, eu sempre escolhia tarefas simples e fáceis para mim e deixava para ela tudo em que eu não era hábil ou que exigia reflexão cuidadosa. Na rega dos recém-convertidos com a irmã Li, continuei não querendo me preocupar, sofrer ou pagar um preço. Refleti sobre por que eu me comportava desse jeito e percebi que a razão principal era que eu era controlada por filosofias satânicas. Coisas como “Cada um por si e o demônio pega quem fica por último” e “Aproveite o dia de prazer, pois a vida é curta” tinham se enraizado no meu coração. Antes eu achava que as pessoas devem viver para si mesmas e que, quando temos conforto carnal e nenhuma preocupação, estamos vivendo conforme devemos. Quando cheguei à casa de Deus para cumprir meu dever, eu ainda acreditava nisso, e quando encontrava dificuldades ou coisas em que não era boa, quando tinha que sofrer ou pagar um preço, eu recuava como uma covarde e colocava o conforto carnal em primeiro lugar. Ao viver assim, eu não era melhor do que um porco. Os porcos não pensam nem fazem nada. Só sabem comer, beber e dormir. Eu era igual, só me preocupava com o conforto carnal. Eu levava uma vida vulgar! No passado, como supervisora, e agora na rega, Deus tinha me exaltado tanto, mas eu não tentava progredir, não considerava nem um pouco meus deveres e responsabilidades. Eu era irresponsável com o trabalho da igreja e com a vida dos meus irmãos. Eu não tinha a menor consciência! Era evidente que eu não queria sofrer nem pagar um preço, eu sempre usava a desculpa de que não entendia ou não sabia para obter simpatia, para fazer com que os outros pensassem que eu conseguia admitir falhas e me vissem como sensível e honesta. A verdade é que eu usava essas palavras para encobrir minha preguiça e irresponsabilidade. Eu era tão astuta e enganosa que enganava todos os meus irmãos. Mesmo que conseguisse enganá-los por um tempo, Deus vê tudo e Deus é justo. Eu estava tentando enganar a Deus; como, então, Deus poderia não me detestar? Era por isso que eu nunca via as bênçãos nem a orientação de Deus em meus deveres naquele tempo. Quando os problemas sempre confundem você e o seu progresso não é evidente, isso é um sinal de perigo!

Depois disso, li outra passagem da palavra de Deus. Deus Todo-Poderoso diz: “Desde o momento em que Deus confiou a construção da arca a Noé, em momento algum Noé pensou: ‘Quando é que Deus destruirá o mundo? Quando Ele me dará o sinal de que fará isso?’. Em vez de ponderar sobre tais questões, Noé fez um grande esforço para gravar em sua memória cada coisa que Deus lhe dissera e então executar cada uma. Depois de aceitar o que Deus tinha confiado a ele, Noé se pôs a executar e realizar a construção da arca como se fosse a coisa mais importante em sua vida, sem nem pensar em adiar nada. Dias se passaram, anos se passaram, o tempo avançava, ano após ano. Deus nunca pressionou Noé, mas durante todo esse tempo Noé perseverou na tarefa importante que Deus lhe confiara. Cada palavra e frase que Deus tinha professado estava inscrita no coração de Noé como palavras gravadas numa tábua de pedra. Sem dar atenção às mudanças no mundo exterior, à zombaria das pessoas em sua volta, às adversidades envolvidas ou às dificuldades que encontrou, ele perseverou o tempo todo naquilo que Deus lhe confiara, jamais desesperando nem pensando em desistir. As palavras de Deus estavam inscritas no coração de Noé e tinham se tornado sua realidade cotidiana. Noé localizou e armazenou cada um dos materiais necessários para a construção da arca, o formato e as especificações da arca ordenadas por Deus aos poucos ganharam forma com cada batida cuidadosa do martelo e cinzel de Noé. Em chuva e vento, e não importando como as pessoas gozassem dele ou o caluniassem, a vida de Noé procedeu dessa maneira, ano após ano. Secretamente, Deus observou cada ação de Noé, sem jamais dirigir outra palavra a ele, e Seu coração se comoveu com Noé. Noé, porém, não sabia nem sentia isso; do início ao fim, ele simplesmente construiu a arca e reuniu cada espécie de criatura viva, em lealdade inabalável às palavras de Deus. No coração de Noé, não existia instrução mais alta que ele deveria seguir e executar: as palavras de Deus eram sua orientação e objetivo vitalícios. Assim, não importava o que Deus lhe dissesse, não importava o que Deus exigisse dele e ordenasse que ele fizesse, Noé não só não esqueceu, ele não só o gravou em sua mente, mas também fez disso a realidade de sua vida, usando sua vida para aceitar e executar a comissão de Deus. E dessa maneira, prancha após prancha, a arca foi construída. Cada gesto de Noé, cada um de seus dias era dedicado às palavras e aos mandamentos de Deus. Pode não ter parecido que Noé estava realizando um empreendimento muito importante, mas, aos olhos de Deus, tudo que ele fazia, cada passo que tomava para alcançar algo, cada trabalho executado por sua mão — todos eram preciosos, merecedores de comemoração e dignos de imitação por essa humanidade. De modo inabalável, Noé aderiu ao que Deus tinha confiado a ele. Ele era inabalável em sua crença de que cada palavra professada por Deus era verdade; ele não tinha dúvida disso. E, como resultado, a arca foi completada, e cada espécie de criatura viva foi capaz de viver nela” (‘Excurso Dois: Como Noé e Abraão ouviram as palavras de Deus e Lhe obedeceram (parte 1)’ em “Expondo os anticristos”). Quando ponderei sobre as palavras de Deus, fiquei muito comovida. Noé era obediente e era atencioso com Deus. Quando Deus instruiu Noé a construir a arca, Noé prezou a comissão de Deus e obedeceu às Suas exigências. No início, ele não sabia como construir a arca, e a dificuldade de construí-la era grande demais. Em cada fase, ele teve que sofrer e pagar um preço, mas Noé foi fiel à comissão de Deus. A fim de completar a comissão de Deus, ele sofreu, pagou um preço e construiu a arca prego por prego. Noé persistiu por 120 anos e finalmente completou a comissão de Deus. Embora Noé sofresse muito para construir a arca e não desfrutasse de conforto carnal, ele executou a comissão de Deus, O satisfez e ganhou a aprovação Dele. A vida de Noé foi uma vida muito significativa! Vi que, comparada com Noé, eu não tinha humanidade alguma. Eu não prezava a comissão de Deus e não era leal. Era preguiçosa e astuta. Eu só desejava conforto carnal e não estava disposta a sofrer nem um pouco. Eu era indigna da comissão de Deus. Eu era desprezível! Se continuasse assim e não mudasse, no fim, eu perderia meu dever de Deus e me arrependeria pelo resto da minha vida.

Nos dias seguintes, organizei meu tempo e me equipei cada dia com verdades referentes à rega dos recém-convertidos. Um dia, numa reunião, os irmãos levantaram um problema no trabalho de rega, e quando ouvi algo que não entendi, eu quis evitar aquilo. Pensei em deixar que resolvessem por conta própria. Mas dessa vez eu estava ciente de que estava querendo improvisar e não assumir responsabilidade. Pensei na atitude séria e responsável de Noé em relação à sua comissão e então corrigi conscientemente o meu estado incorreto. Ouvi com atenção como eles comungavam sobre a verdade para resolver o problema, e quando o resumiram, eu lhes dei meu conselho. Fiquei surpresa quando eles disseram que meu conselho era bom. Quando regava os recém-convertidos com a irmã Li, eu praticava resolver as dificuldades práticas dos recém-convertidos e, quando surgiam problemas que eu não conseguia resolver, eu pedia a ajuda dela na hora. Depois de um tempo, eu consegui regar os recém-convertidos sozinha. Embora ainda tenha muitas falhas e deficiências, percebo como estou crescendo e ganhando e me sinto mais à vontade. O entendimento e os benefícios que recebi são totalmente o efeito da obra de Deus. Graças a Deus!

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