Depois do meu diagnóstico de câncer

20 de Janeiro de 2022

Por Qin Lin, China

Um dia em outubro de 2018, eu estava indo de bicicleta elétrica para uma reunião quando, de repente, um carro arrastando um tubo de aço se aproximou por trás e bateu em mim e na bicicleta, jogando-me no chão. Desmaiei bem ali no chão. Quando acordei, senti uma dor no lado esquerdo do peito e não conseguia respirar. O motorista culpado me levou para o hospital, e o médico me disse que minha sexta costela estava fraturada, mas, sorrindo, me disse: “Esse acidente parece ser uma coisa ruim, mas foi uma grande sorte”. Ele continuou: “Tem um tumor no seu pulmão esquerdo. Sem o acidente, eu não teria descoberto. Sugiro que faça uma cirurgia num hospital maior imediatamente. Se esperar, o câncer se espalhará, e será tarde demais”. Ouvir isso me deixou chocada. Fiquei lânguida na cadeira, totalmente sem força. O médico me consolou, dizendo: “Você ficará bem. Pode ser um tumor benigno. Hoje temos uma medicina avançada para tratar disso”. Pensei: “Claro, não será maligno. Venho cumprindo meu dever em todos esses anos de fé. Deus me protegerá”. Eu me acalmei um pouco com esse pensamento. Depois, meu marido também me consolou: “Não fique nervosa. Esse hospital não tem o melhor equipamento. Pode ter sido um diagnóstico errado. Vamos para um hospital grande para verificar. Talvez não seja nada. Além disso, você não acredita em Deus? Deus cuidará de você, se tiver algo”. Na época, achei que o médico devia estar enganado, que Deus não permitiria que eu tivesse câncer.

Dois dias depois, meu irmão caçula e minha irmã me levaram para o hospital grande, mas fiquei chocada ao descobrir que os testes confirmavam que era um tumor maligno e que já estava em estado semiavançado. O médico sugeriu que eu ficasse no hospital para fazer a cirurgia e a químio. Disse que, se eu esperasse e o tumor avançasse, não haveria nada que pudessem fazer. Na época, simplesmente não pude aceitar o fato. Eu tinha cumprido o meu dever durante todos os meus anos de fé e nunca tinha permitido que nada atrasasse o meu dever, por mais que eu sofresse. Estava sempre pronta para ajudar com qualquer dificuldade dos irmãos. Eu tinha me despendido por Deus de todo o coração; como, então, podia ter uma doença tão grave? Por que Deus não estava me protegendo? Fiquei cada vez mais miserável à medida que pensava nisso. Depois, ouvi outro paciente dizer: “A minha cirurgia foi há mais de um ano, mas a ferida da incisão ainda dói tanto. Não só é cara, como é triste demais para mim”. Ele também disse que havia uma pessoa idosa na sua ala que levantou da cama e andou por aí três dias após a cirurgia, quando de repente desmaiou e não pôde ser salva. Ouvi-lo dizer isso foi muito desanimador, e era como se meu último resto de esperança tivesse sido destruído. Se a minha cirurgia não fosse bem-sucedida, eu morresse e nós gastássemos todo o nosso dinheiro, como a minha família sobreviveria? Em minha tristeza, vim para diante de Deus em oração, pedindo que Ele me guiasse para entender a Sua vontade. Então me lembrei de algo das palavras de Deus: “Se o homem abriga pensamentos tímidos e temerosos, isso é porque Satanás o enganou, temendo que cruzemos a ponte da fé para entrar em Deus” (‘Capítulo 6’ das Declarações de Cristo no princípio em “A Palavra manifesta em carne”). É verdade. Vida e morte estão nas mãos de Deus, então, não importando qual fosse o resultado da cirurgia, eu devia ter fé em Deus e encará-la confiando Nele. Fui internada para a cirurgia, que levou quatro horas. Quando acordei, a enfermeira me disse, feliz: “Sua cirurgia foi um sucesso total”. Eu não tinha dúvida de que Deus tinha me protegido e Lhe agradeci em silêncio. Recebi alta depois de uns vinte dias.

Quando cheguei em casa, fiquei surpresa ao descobrir que era difícil respirar depois de me tirarem do oxigênio tão depressa. Era como se só conseguisse expirar, mas não inspirar, e a incisão começou a secretar um líquido amarelo. Eu estava com muita dor. Se eu tossisse ao comer ou beber, tinha de chamar alguém em casa para me ajudar a cobrir a incisão. Se dormisse de costas, não conseguia respirar, então tinha de dormir sentada. Cada dia demorava para passar. Eu me perguntava por quanto tempo esses dias de miséria continuariam e por que Deus não estava me protegendo, por que eu estava sofrendo tanto. E pensei que, se tivesse de fazer químio, provavelmente seria ainda pior. Fiquei tão fraca que perdi parte da minha fé em Deus. Quando lia Suas palavras, não conseguia me aquietar diante Dele e não tinha nada a dizer para Ele em oração.

Um dia, uma líder da igreja me visitou e leu uma passagem das palavras de Deus para mim. Está no último parágrafo de “Só ao experimentar o refinamento o homem pode possuir o amor verdadeiro”, “Para todas as pessoas, o refinamento é excruciante e muito difícil de aceitar — mas é durante o refinamento que Deus deixa claro Seu caráter justo para o homem, torna públicas Suas exigências para o homem e oferece mais esclarecimento e mais tratamento e poda reais; por meio da comparação entre os fatos e a verdade, Ele proporciona ao homem um conhecimento maior de si mesmo e da verdade, e proporciona ao homem um entendimento maior da vontade de Deus, permitindo, assim, que o homem tenha um amor a Deus mais verdadeiro e mais puro. Tais são os objetivos de Deus ao executar o refinamento. Toda a obra que Deus faz no homem tem seus objetivos e significados próprios; Deus não faz uma obra sem sentido nem uma obra que não beneficie o homem. O refinamento não significa remover pessoas da frente de Deus e não significa destruí-las no inferno. Antes, significa mudar o caráter do homem durante o refinamento, mudar suas intenções, seus pontos de vista antigos, mudar seu amor a Deus e mudar sua vida inteira. O refinamento é um verdadeiro teste para o homem e uma forma de treinamento real, e é só durante o refinamento que seu amor pode servir à sua função inerente” (“A Palavra manifesta em carne”). A líder compartilhou esta comunhão: “Quando enfrentamos uma doença séria, isso é algo que Deus permite. Ele quer purificar e mudar nossos caracteres corruptos e nossas adulterações e motivos equivocados. Quando nos sentimos bem fisicamente como crentes, cumprimos nosso dever com entusiasmo. Mas quando adoecemos e sofremos, entendemos Deus errado e O culpamos. Isso não é uma atitude transacional em relação a Deus? Que submissão a Ele é essa?”. Fiquei muito envergonhada ao ouvir as palavras de Deus e a comunhão da líder. Eu não estava passando pela doença porque Deus queria que eu sofresse, mas para me purificar e transformar. Eu não estava aprendendo uma lição nem refletindo sobre mim mesma. Em vez disso, estava culpando a Deus por não me proteger. Vi que eu era realmente insensata.

Mais tarde, li isto nas palavras de Deus: “Deus os via como membros da família, contudo eles O tratavam como um estranho. Porém, após um período da obra de Deus, os humanos passaram a entender o que Deus estava tentando alcançar, e sabiam que Ele era o verdadeiro Deus; e passaram a saber também o que poderiam obter de Deus. Como as pessoas consideravam Deus nessa época? Elas o viam como uma corda salva-vidas, e esperavam obter graça, bênçãos e promessas. Nessa época, como Deus considerava o homem? Deus o via como o alvo de Sua conquista. Deus queria usar palavras para julgar o homem, testar o homem, dar provações ao homem. No entanto, no que diz respeito às pessoas, nessa época, Deus era apenas um objeto que elas podiam usar para alcançar os próprios objetivos. As pessoas viam que a verdade emitida por Deus podia conquistá-las e salvá-las, que elas tinham uma oportunidade de obter as coisas que queriam de Deus, bem como obter o destino que queriam. Por causa disso, um pouquinho de sinceridade se formou em seu coração, e elas se dispuseram a seguir esse Deus. […] Com relação à presente condição do homem, qual é a atitude de Deus para com ele? O único desejo de Deus é dar essas verdades ao homem e imbuir o Seu caminho no homem e, então, arranjar várias circunstâncias a fim de provar o homem de diferentes maneiras. Seu objetivo é pegar essas palavras, essas verdades e a Sua obra e criar um desfecho em que o homem possa temer a Deus e evitar o mal. A maioria das pessoas que Eu vi apenas pega a palavra de Deus e a considera como doutrina, meras letras no papel, regulamentos a serem observados. Em suas ações e em seu discurso, ou quando enfrentam provações, elas não consideram o caminho de Deus como o caminho que devem observar. Isso é verdade principalmente quando as pessoas se deparam com grandes provações; não vi nenhuma dessas pessoas praticando na direção de temer a Deus e evitar o mal. Por isso, a atitude de Deus para com o homem está repleta de abominação e aversão extremas!” (‘Como conhecer o caráter de Deus e os resultados que Sua obra alcançará’ em “A Palavra manifesta em carne”). As palavras de Deus revelaram com precisão o meu estado. Eu não era uma crente para buscar a verdade nem para alcançar temor e obediência a Deus, era para ganhar Sua graça e bênçãos em troca de meu sofrimento e trabalho árduo. Em retrospectiva, desde que me converti, eu vinha tratando Deus como um tipo de talismã mágico, achando que, contanto que me despendesse por Deus, Ele me protegeria e abençoaria. Quando tinha saúde e minha família estava bem, eu estava disposta a aceitar qualquer dever que a igreja arranjasse para mim. Eu suportava tudo e transbordava de fé. Mas quando descobri que estava com câncer de pulmão, eu me lancei em negatividade e culpei Deus e O entendi errado, pensando que Ele deveria me proteger por causa do meu trabalho árduo, que eu não deveria ter uma doença séria. Vi que estava usando meus sacrifícios para negociar com Deus, para lutar contra Ele. Que tipo de reverência era essa? Deus me acolheu em Sua família, me fez objeto de Sua salvação, mas eu O tratava como meu bote salva-vidas, só querendo me beneficiar Dele. Que tipo de crente era eu? Isso nada era senão fazer acordos com Deus, usá-Lo e enganá-Lo. Eu era tão egoísta e desprezível! Ao longo de todos esses anos de fé, eu tinha recebido tanta paz e tantas bênçãos Dele e tinha desfrutado da rega e do sustento de Suas palavras. Ele tinha me concedido tanto. Eu não só não estava retribuindo o Seu amor, eu estava exigindo coisas Dele a cada passo. Quando não recebia o que queria, eu O entendia errado e me queixava. Eu realmente carecia de consciência e razão. Então percebi que tinha adoecido para que Deus pudesse corrigir minha perspectiva errada sobre buscar bênção em minha fé e para que eu me tornasse capaz de buscar a verdade e me livrar dessas corrupções e impurezas. Era o amor de Deus! Eu me senti muito culpada e não queria mais frustrar os esforços minuciosos de Deus. Eu me senti pronta para obedecer aos arranjos e orquestrações de Deus. Depois de entender isso, me senti muito mais em paz e consegui aquietar meu coração para ler as palavras de Deus. E, aos poucos, a minha dor diminuiu.

A hora da minha primeira químio chegou num piscar de olhos. Os outros pacientes da minha ala estavam todos enjoados e vomitando, mas, embora sentisse um pouco de náusea, eu não estava tão miserável quanto eles. Todos me invejavam e diziam que eu era sortuda. Eu sabia em meu coração que Deus estava me vigiando. Mas depois de três sessões, eu estava cada vez mais fraca e não conseguia nem andar direito. Estava sem apetite e comer me vazia vomitar. Na quarta químio, assim que a infusão começou, comecei a me sentir fraca e dolorida no corpo inteiro, meu estômago estava se revirando, e eu estava regurgitando bílis o tempo todo. Minha visão embaçou e eu estava vendo tudo dobrado. Era como se o mundo estivesse girando. Nem consigo descrever como me senti miserável. Eu não me sentia bem nem deitada nem sentada. Tonta, consegui arrancar a seringa de algum jeito. A enfermeira-chefe veio e gritou com meu marido: “Esse medicamento não pode ser contaminado. Se isso acontecer, tudo que fizemos até agora foi em vão e poderia até custar uma vida. Quem assume responsabilidade por isso?”. Quando ouvi que isso poderia arruinar tudo, pensei: “Bem, gastamos o dinheiro e ainda não estou melhor. Minha família precisa cuidar de mim todos os dias — tornei-me um fardo para ela e nem sei se esse tratamento funcionará. Viver assim é horrível”. Naquela época, eu estava desesperada e até pensava que seria melhor morrer e acabar com tudo. Fugi da ala quando meu marido não estava olhando e me sentei junto a uma janela do 12o andar, pensando: “Seria melhor pular e pôr um fim nisso do que continuar sofrendo desse jeito”. Esse pensamento me fez chorar muito. Naquele momento, meu marido apareceu, me abraçou e me afastou da janela. Ele me acalmou: “Por que acreditar no que uma pessoa diz? Não deveria confiar no Deus em que você crê?”. Suas palavras me deixaram envergonhada. É verdade — como crente, por que eu não sabia confiar em Deus? Lembrei-me disso das palavras de Deus: “Além disso, a duração de vida de todos foi predeterminada por Deus. Se uma enfermidade parece terminal em sua superfície, mas, do ponto de vista de Deus, seu tempo ainda não chegou e sua missão ainda não está completada, então Ele não o levará. Se não é para você morrer, então mesmo que você não ore ou se cuide, ou leve sua condição a sério, ou a veja como uma questão grave o suficiente para buscar tratamento, não há como você morrer. Se Deus lhe confiou uma comissão e sua missão não está completada, então Ele não permitirá que você morra, mas o manterá vivo até o momento final” (‘Só buscando a verdade pode-se conhecer os feitos de Deus’ em “Registros das falas de Cristo dos últimos dias”). As palavras de Deus são muito claras. Há muito tempo, Deus determinou quanto tempo eu viveria e quando eu morreria. A despeito de estar com câncer, se a missão de Deus para mim não estivesse cumprida, Ele não me deixaria morrer. Se Sua missão para mim estivesse completa, então, mesmo sem doença, eu morreria na hora determinada. Isso era a predestinação de Deus. Mas eu não entendia o governo e a predestinação de Deus, por isso não fui nada obediente diante da doença. Eu até tinha medo de desperdiçar dinheiro num tratamento não funcionasse e quis escapar daquela situação por meio da morte. Eu era tão rebelde! Eu me senti melhor quando me dei conta disso e pensei: “Não importa o que aconteça, estou disposta a me submeter aos arranjos e orquestrações de Deus”. Então, depois de algumas sessões, eu me recuperei muito bem, e quando recebi alta, o médico disse: “Venha fazer um check-up em três meses. Se tudo estiver bem, não precisará fazer radioterapia”. Em casa, eu me sentia melhor a cada dia e pude assumir um dever novamente. No meu primeiro check-up, o médico me disse que eu estava me recuperando bem e que tudo parecia estar bem. Chorei de alegria e agradeci a Deus no meu coração. Eu sabia que devia cumprir bem o meu dever para retribuir o amor de Deus, e talvez ele afastaria meu câncer e me libertaria daquela miséria. Eu me senti energizada em meu dever e minha fé também cresceu.

No segundo check-up, o médico me contou que o câncer tinha se espalhado para a parte de trás da cabeça. Não consegui acreditar. Imediatamente, perdi todas as forças, e lágrimas escorreram pelo meu rosto. Como o câncer pôde se espalhar? Eu já tinha vindo a me conhecer por meio dessa doença. Eu tinha fixado minhas perspectivas na busca e estava investindo tudo em meu dever. Por que Deus não tinha tirado meu câncer? Eu me senti muito culpada quando tive esses pensamentos. Eu não estava culpando Deus de novo? Então aquietei meu coração e refleti sobre a razão de não conseguir deixar de culpar a Deus no momento em que o médico disse que o câncer tinha voltado. Qual era a raiz do problema? Um dia, vi um vídeo de uma leitura de algumas das palavras de Deus. Deus Todo-Poderoso diz: “Primeiro, quando as pessoas começam a acreditar em Deus, qual delas não tem seus próprios objetivos, motivações e ambições? Mesmo que uma parte delas acredite na existência de Deus e tenha visto a existência de Deus, sua crença em Deus ainda contém essas motivações, e seu objetivo final em acreditar em Deus é receber Suas bênçãos e as coisas que elas querem. […] Toda pessoa constantemente faz tais cálculos em seu coração e elas fazem exigências a Deus que trazem em si suas motivações, ambições e uma mentalidade transacional. Isto quer dizer que, em seu coração, o homem está constantemente colocando Deus a prova, constantemente concebendo planos sobre Deus e constantemente argumentando a favor do seu próprio fim individual com Deus, e tentando extrair uma declaração de Deus, vendo se Deus pode ou não dar a ele o que ele quer. Ao mesmo tempo em que busca a Deus, o homem não trata Deus como Deus. O homem sempre tentou fazer acordos com Deus, fazendo exigências incessantes a Ele, e até mesmo pressionando-O a cada passo, tentando tomar um quilômetro depois de receber um centímetro. Ao mesmo tempo em que tenta fazer acordos com Deus, o homem também discute com Ele, e há até mesmo pessoas que, quando as provações lhes sobrevêm ou se encontram em certas situações, frequentemente se tornam fracas, passivas e negligentes em Sua obra, e cheias de reclamações sobre Deus. Desde o tempo em que o homem começou a acreditar em Deus, ele tem considerado que Deus é uma cornucópia, um canivete suíço, e considera-se o maior credor de Deus, como se tentar receber bênçãos e promessas de Deus fosse seu direito intrínseco e obrigação, enquanto a responsabilidade de Deus fosse proteger e cuidar do homem e prover para ele. Essa é a compreensão básica da ‘crença em Deus’ de todos aqueles que acreditam em Deus, e tal é sua compreensão mais profunda do conceito de crença em Deus. Da natureza e essência do homem à sua busca subjetiva, não há nada que se relacione ao temor de Deus. O objetivo do homem em acreditar em Deus não poderia ter nada a ver com a adoração a Deus. Ou seja, o homem nunca considerou nem entendeu que a crença em Deus requer temer e adorar a Deus. À luz de tais condições, a essência do homem é óbvia. Qual é essa essência? É que o coração do homem é malicioso, abriga traição e engano, não ama a equidade e a justiça nem o que é positivo e é desprezível e ganancioso. O coração do homem não poderia estar mais fechado para Deus; ele não o entregou absolutamente a Deus. Deus nunca viu o verdadeiro coração do homem, nem jamais foi adorado pelo homem” (‘A obra de Deus, o caráter de Deus e o Próprio Deus II’ em “A Palavra manifesta em carne”). Eu era exatamente o tipo de pessoa que Deus descreve, sempre motivada em minha fé por receber bênçãos, pensando em como ser abençoada e encontrar paz em Deus. Nunca pensava em como praticar a verdade e obedecer a Deus. Minha família foi agraciada por Deus desde que me converti, e eu estava feliz por ter encontrado alguém em quem pudesse confiar. Eu me lancei em meu dever, esperando ser abençoada ainda mais por Deus. Mas me enchi de queixas depois de ter câncer, pensando que tinha dado tanto em meu dever que Deus deveria me abençoar com saúde. Quando o médico disse que meu câncer tinha migrado, comecei a fazer exigências insensatas a Deus de novo. Achava que, já que cumpria o meu dever mesmo estando doente, Deus tinha de me livrar da doença. Percebi que não estava tratando Deus como Deus, mas que estava agindo como se Ele me devesse algo. Estava sempre exigindo algo Dele. Eu tinha trabalhado e feito alguns sacrifícios, mas não estava tentando satisfazê-Lo. Estava apenas apresentando uma fachada para enganar a Deus, para conquistar o Seu favor para que Ele fizesse o que eu queria. Os venenos de Satanás como “cada um por si e o demônio pega quem fica por último” e “nunca mexa um dedo sem recompensa” eram as máximas da minha vida. Eu queria grandes bênçãos por uma contribuição pequena. Eu acreditava em Deus, mas não Lhe entregava meu coração. Eu era tão egoísta e astuta. Era uma pessoa descarada, gananciosa e mesquinha! Pensei em como Deus Se tornou carne para nos salvar, suportando a busca e perseguição pelo Partido Comunista e nossos equívocos, queixas, rebeliões e resistência como crentes. Ele sofreu humilhação incrível, enquanto continuava em silêncio a expressar verdades para nos purificar e salvar sem exigir nada de nós. O amor de Deus é incrivelmente altruísta! Eu sabia que Deus estivera comigo durante toda a doença. Sempre que eu estava em desespero e dor, Deus usou Suas palavras para me guiar e conduzir. A essência de Deus é tão linda e boa, e Seu amor por mim é incrível. Então percebi que não tenho nenhuma consciência e que tudo que eu fazia era tão ofensivo a Deus. Também pensei em Paulo, em como ele sofreu e pagou um preço por espalhar o evangelho, mas ele só queria ser coroado, ser recompensado. Até disse que a coroa da justiça deveria ser reservada para ele. O que quis dizer era que, se ele não fosse abençoado, Deus não seria justo. Paulo teve fé, mas nunca conheceu a si mesmo, e seu caráter nunca mudou. No fim, ele foi punido por Deus. Minha perspectiva sobre a busca era igual à de Paulo. Pensava que era normal acreditar em Deus pelas bênçãos, e quando não as recebi, culpei a Deus. Eu estava numa senda contrária a Deus. Sabia que devia corrigir minha busca ou acabaria sendo eliminada por Deus, igual a Paulo. Então me ajoelhei diante de Deus e orei: “Ó Deus, eu estava errada. Estou pronta para abandonar minha perspectiva errada sobre a busca, e não importa o que aconteça com meu câncer, eu me submeterei aos Teus arranjos”. Depois disso, li as palavras de Deus todos os dias e aquietava meu coração diante Dele. Meu estado melhorou constantemente.

Então, num dia em dezembro de 2019, o hospital me notificou que eu devia fazer a radioterapia. Os outros pacientes diziam que a radiação era a pior coisa, que ela queima a carne e você perde os cabelos, além disso, você vomita, fica tonto e perde o apetite. Fiquei tão assustada. Eu não queria passar por tudo aquilo de novo. Pensei que, se Deus tirasse o câncer, eu não teria de passar pela radioterapia. Então percebi que estava fazendo exigências a Deus de novo, e orei a Deus, renunciando às minhas intenções. Então li uma passagem das palavras de Deus, uma passagem em “A obra de Deus, o caráter de Deus e o Próprio Deus II”, “Jó não falava de barganhas com Deus e não fazia pedidos ou exigências a Deus. Seu louvor ao nome de Deus era por causa do grande poder e autoridade de Deus em governar todas as coisas, e não dependia de se ele recebesse bênçãos ou fosse atingido por um desastre. Ele acreditava que, independentemente de Deus abençoar as pessoas ou trazer desastre sobre elas, o poder e a autoridade de Deus não mudarão e, portanto, independentemente das circunstâncias de uma pessoa, o nome de Deus deve ser louvado. O fato de o homem ser abençoado por Deus é por causa da soberania de Deus, e quando o desastre acontece ao homem, também é por causa da soberania de Deus. O poder e a autoridade de Deus governam e arranjam tudo concernente ao homem; os caprichos da sorte do homem são a manifestação do poder e autoridade de Deus e, independentemente do ponto de vista da pessoa, o nome de Deus deve ser louvado. Foi isso que Jó experimentou e conheceu durante os anos de sua vida. Todos os pensamentos e ações de Jó alcançaram os ouvidos de Deus e chegaram diante de Deus e foram vistos como importantes por Deus. Deus apreciou esse conhecimento de Jó e valorizou Jó por ter tal coração. Esse coração aguardava a ordem de Deus sempre, e em todos os lugares e, não importava a hora ou o lugar, recebia de bom grado o que quer que acontecesse com ele. Jó não fez exigências a Deus. O que ele exigia de si mesmo era esperar, aceitar, encarar e obedecer a todos os arranjos que vieram de Deus; Jó acreditava que esse era seu dever, e era exatamente o que era desejado por Deus” (“A Palavra manifesta em carne”). Fiquei muito comovida ao ponderar sobre as palavras de Deus. Jó tinha reverência verdadeira por Deus. Não importava se ele recebia bênçãos ou desastres de Deus, ele obedecia aos arranjos de Deus sem fazer exigências ou requerimentos. Foi um teste para ele — todo seu corpo se cobriu de chagas, ele sofreu dores terríveis, mas ele amaldiçoou o dia de seu nascimento em vez de culpar a Deus, dando testemunho de Deus e humilhando Satanás. Eu queria seguir o exemplo de Jó e dar testemunho para satisfazer a Deus. Não importava o quanto eu sofresse por causa da radiação, se eu melhorasse ou piorasse, eu estava pronta para me submeter ao que Deus arranjava e não me queixaria mesmo se morresse.

Depois do primeiro tratamento, senti um pouco de náusea, mas ainda conseguia levar a vida como sempre, comendo e me locomovendo. Todos os outros pacientes se surpreenderam, e um disse: “É incrível. Todos estamos recebendo o mesmo tratamento, por que você parece não ser afetada?”. Em silêncio, dei graças a Deus ao ouvir isso. Depois de 45 dias de radioterapia, meu médico olhou para os resultados dos exames e, surpreso, disse: “Parece que seu câncer sumiu. Será que meus olhos estão me enganando?”. Ele chamou o chefe do departamento para dar uma olhada. Alguns outros médicos também vieram ver e todos se maravilharam. Não havia traço de câncer nem qualquer inchaço. Eles me disseram que eu poderia voltar para casa para me recuperar no dia seguinte. Fiquei comovida, meus olhos se encheram de lágrimas e mal conseguia enxergar. Estava muito claro para mim que isso era um milagre de Deus. Também vi que minha vida e morte estão nas mãos de Deus.

Passei por todo esse refinamento da doença, sofri muito e derramei muitas lágrimas e tive alguns equívocos e queixas sobre Deus. Mas foi por meio dessa doença que vim a entender como minha busca por bênçãos estava manchando minha fé e que desenvolvi alguma obediência a Deus. Também vi os feitos milagrosos de Deus e sua salvação para mim, e foi por meio da minha doença que experimentei o amor e as bênçãos de Deus. Sou tão grata a Deus! Não importa se o que me aguarda for bênção ou desastre, estou pronta para me colocar nas mãos de Deus e aceitar o que Ele arranjar, para cumprir o dever como um ser criado para retribuir o amor de Deus.

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