80. Por que eu sempre tive medo de expressar minha opinião?
Em março de 2024, a supervisora veio resumir os problemas e conversar conosco sobre o trabalho. Ao discutirmos um sermão juntas, fui a primeira a expressar minha opinião, mas a opinião que expressei estava errada, e então expressei mais duas opiniões seguidas que também estavam erradas. Isso me deixou muito envergonhada. “Cometi tantos erros em minha primeira interação com a supervisora. Que vergonha! A irmã com quem eu cooperava, mesmo tendo começado a desempenhar esse dever recentemente, conseguiu identificar alguns problemas, mas eu, que já vinha treinando há tanto tempo, ainda via as coisas de forma incorreta. Será que a supervisora pensaria que eu não era tão boa quanto a irmã recém-chegada? Não expressarei tão facilmente a minha opinião na próxima vez. Vou esperar até todo mundo terminar de falar e depois compartilhar minha opinião; assim será mais seguro.” No dia seguinte, quando estávamos lendo um sermão juntos, refleti cuidadosamente sobre ele e encontrei alguns problemas. No entanto, eu não tinha certeza se minha análise estava correta e pensei comigo mesma: “Dessa vez, preciso ser esperta. Vou ouvir primeiro como os outros avaliam. Depois, quando eu for compartilhar, vou juntar os pontos de vista de todo mundo. Fazer isso é mais confiável, e também vai fazer todos pensarem que consigo identificar problemas e que o meu calibre não é tão ruim assim”. Mas o tempo foi passando e ninguém disse nada. Pelo canto do olho, vi que elas ainda estavam imersas em seus pensamentos e comecei a ponderar: “Embora já tenha passado um bom tempo, não posso ser a primeira a me manifestar. Seria tão constrangedor se eu dissesse algo errado de novo!”. Então, fingi que estava refletindo seriamente sobre o problema. Só depois de muito tempo é que algumas irmãs começaram a falar. Depois que todas terminaram de compartilhar suas opiniões, juntei as opiniões delas com a minha e as expus em conjunto. Fiquei muito nervosa ao falar, com medo de que minha opinião estivesse errada e de passar vergonha de novo. Mais tarde, a análise da supervisora foi basicamente igual à minha opinião. Secretamente, fiquei feliz e senti que tinha conseguido preservar um pouco do meu orgulho. Mas, depois de dois dias, a supervisora notou que, ao discutirmos os sermões, não expressávamos ativamente nossas opiniões; procrastinávamos e perdíamos tempo. Ela expôs nossos problemas. Lembrei que eu desempenhava esse dever havia muito tempo e era a líder da equipe. Eu deveria ter me comunicado ativamente e conduzido a discussão, mas não me comuniquei quando tive opiniões. Eu não estava apenas perdendo tempo? Mais tarde, quando discutimos os sermões de novo, tomei a iniciativa de expressar minhas opiniões e falei sobre todos os problemas que identifiquei. No entanto, quando não consegui entender a fundo alguns problemas, e meus comentários foram parciais e imprecisos, senti muita vergonha. Após expressar minha opinião algumas vezes, fiquei passiva de novo, sempre esperando até ser a última a falar. Também passei a ter cada vez mais medo de discutir os sermões, sempre temendo que minhas deficiências fossem expostas. Toda vez que expressava minha opinião, eu me sentia sob uma grande pressão, e até pensava em não querer desempenhar esse dever.
Um dia, quando estávamos discutindo problemas que existiam nos sermões, a supervisora me chamou pelo nome para falar primeiro. Eu não disse nada. A supervisora disse: “Você é a líder da equipe. Por que nunca toma a iniciativa de se comunicar? Você não tem opinião nenhuma ou está sendo constrangida pelo seu caráter corrupto?”. Depois, a supervisora encontrou uma passagem das palavras de Deus: “A cooperação harmoniosa é um princípio da prática ao desempenhar o dever. Desde que dedique todo o seu coração a ele, todo o seu esforço e sua devoção e ofereça tudo o que pode fazer, você está desempenhando bem seu dever. Se você tem um pensamento ou ideia, conte aos outros; não os retenha nem os mantenha escondidos. Se você tem sugestões, ofereça-as; seja de quem for a ideia que está de acordo com a verdade, ela deve ser aceita e obedecida. Faça isso, e você terá alcançado cooperação em harmonia. É isso o que significa desempenhar seu dever com devoção. Ao desempenhar seu dever, não se exige que você assuma tudo sozinho, nem se exige que você se mate de trabalhar, nem que seja ‘a única flor a florescer’, nem que tenha comportamento independente; ao contrário, exige-se que você aprenda a cooperar com os outros em harmonia e a fazer tudo que puder, cumprir suas responsabilidades, oferecer todo o seu esforço. É isso que significa desempenhar seu dever. […] Você pode ter pouca força, mas se é capaz de cooperar com os outros, se é capaz de aceitar sugestões corretas, e se tem as motivações certas e consegue proteger o trabalho da casa de Deus, você é uma pessoa correta. Às vezes, com uma única frase, você pode resolver um problema e beneficiar a todos; às vezes, depois de você comunicar uma única declaração da verdade, todos têm uma senda adiante e são capazes de cooperar em harmonia, e todos se esforçam juntos, unidos no coração, e compartilham os mesmos pontos de vista e opiniões, e assim o trabalho é particularmente eficaz. Embora ninguém possa se lembrar de que você desempenhou esse papel e você possa achar que não fez muito esforço, aos olhos de Deus, você será uma pessoa que pratica a verdade, uma pessoa que age de acordo com os princípios. Deus Se lembrará do que você fez. Isso se chama desempenhar seu dever com devoção” (A Palavra, vol. 3: Os discursos de Cristo dos últimos dias, “O cumprimento adequado dos deveres exige cooperação harmoniosa”). A supervisora me comunicou: “Deus exige que cooperemos harmoniosamente, tenhamos as intenções certas e protejamos o trabalho da igreja ao desempenhar nossos deveres. Por exemplo, quando discutimos os sermões juntas, devemos tomar a iniciativa de falar sobre todos os problemas que identificarmos, nos abrir com sinceridade e aprender com os pontos fortes umas das outras para compensar nossas fraquezas. Mesmo que não os comuniquemos com tanta abrangência quanto os outros, pelo menos nossas intenções estão certas, e, nesse processo, estaremos praticando a verdade. Se estamos constantemente nos encobrindo e disfarçando, protegendo nossos interesses pessoais, Deus não gosta de pessoas que fazem isso. Além do mais, trabalhamos todos juntos há algum tempo e já nos entendemos. Se simplesmente continuarmos a nos encobrir e disfarçar, achando que, se ficarmos em silêncio, os outros não notarão nossas deficiências, isso é muita tolice. Não apenas deixaremos de progredir nas verdades princípios, como também comprometeremos nosso desempenho do dever. Se isso continuar por muito tempo, perderemos a obra do Espírito Santo”. Quando ouvi a comunhão da supervisora, meu rosto ardeu de vergonha, e senti uma pontada no coração. Eu desempenhava meu dever nessa equipe havia muito tempo, e, não importava quantos problemas eu conseguisse identificar, eu deveria me abrir com sinceridade e falar sobre eles, conduzindo a todos numa discussão ativa. Isso é ter consideração pelo trabalho; é também uma manifestação da prática da verdade. No entanto, eu só considerava o meu orgulho e não conseguia tratar minhas deficiências corretamente. Achava que expressar minhas opiniões e ideias primeiro exporia minhas deficiências, o que daria a impressão de que eu tinha um calibre baixo. Por isso, eu esperava até que todos terminassem de expressar suas opiniões para então juntá-las ao meu próprio entendimento. Assim, eu poderia ser mais abrangente e específica, para que as pessoas me admirassem e eu ficasse com uma boa imagem. Como líder da equipe, eu não considerava o trabalho e me sentia envergonhada quando cometia erros, então tentava de todas as maneiras possíveis encobrir meus erros e me disfarçar para que ninguém me decifrasse. Como resultado, eu apenas esperava passivamente enquanto os problemas eram discutidos, atrasando o progresso do trabalho. Eu não estava de modo algum desempenhando meu dever. Em vez disso, estava usando a oportunidade de discutir sermões para me exibir e fazer com que os outros me admirassem. Eu era sempre a última a expressar a opinião. Embora as opiniões que eu expressava fossem mais abrangentes e me impedissem de passar vergonha, eu não conseguia descobrir minhas próprias deficiências e até achava que era boa em avaliar problemas. Na verdade, todos sabiam qual era o meu calibre, mas eu continuava com o fingimento, admirando a minha própria atuação, feito uma palhaça. Eu era mesmo muito tola!
À noite, orei a Deus: “Querido Deus, durante este período, tenho vivido constantemente em função do orgulho e do status, e sempre tive medo de expressar minhas opiniões. No entanto, ainda não tenho nenhum entendimento da minha corrupção. Rogo que Tu me guies para que eu conheça os meus problemas”. Depois de orar, lembrei-me de uma passagem das palavras de Deus que eu tinha lido antes, e a procurei para refletir. Deus diz: “Algumas pessoas falam com pouca frequência por causa de seu baixo calibre ou de sua mentalidade simplória, uma falta de pensamentos complexos, mas quando os anticristos falam com pouca frequência, não é pelo mesmo motivo; é um problema de caráter. Eles raramente falam quando encontram outras pessoas e não expressam prontamente suas opiniões sobre o que os outros estão falando. Por que eles não expressam suas opiniões? Em primeiro lugar, porque com certeza lhes falta a verdade e eles não conseguem perceber bem as coisas. Se falarem, podem cometer erros e os outros podem percebê-los bem; temem ser menosprezados, então fingem ficar em silêncio e simulam profundidade, tornando difícil para os outros avaliá-los, e até agindo de modo que os outros pensem que eles são sábios e proeminentes. Desse modo, as pessoas não ousam subestimar os anticristos e, ao verem seu exterior aparentemente calmo e sereno, elas até os têm em alta consideração, absolutamente não ousando menosprezá-los. Esse é o aspecto ardiloso e perverso dos anticristos. Eles não expressam prontamente suas opiniões porque a maioria delas não está alinhada com a verdade, mas são noções e imaginações humanas, inteiramente não apropriadas para serem reveladas. Portanto, eles permanecem em silêncio. Por dentro, também esperam obter alguma luz que possam liberar para fazer com que os outros os tenham em alta estima, mas como isso lhes falta, permanecem quietos e escondidos durante a comunhão da verdade, espreitando nas sombras como fantasmas à espera de uma oportunidade. Quando encontram outros proferindo a luz, descobrem maneiras de se apropriar dela, expressando-a de outro modo para se exibir. É assim que os anticristos são astutos. Não importa o que façam, eles se empenham para se destacar e ser superiores, pois só assim se sentem satisfeitos. Se não tiverem a oportunidade, eles primeiro se mantêm discretos e guardam suas opiniões para si mesmos. Essa é a astúcia dos anticristos. Por exemplo, quando um sermão é emitido pela casa de Deus, algumas pessoas dizem que parece ser palavras de Deus e outras acham que ele parece mais uma comunhão do alto. As pessoas de coração relativamente simples falam o que pensam, mas os anticristos, mesmo que tenham uma opinião a respeito, a mantêm oculta. Eles observam e estão preparados para seguir a opinião da maioria, mas, na verdade, eles mesmos não conseguem captá-lo por completo. Será que tais pessoas tão espertas e astuciosas conseguem entender a verdade ou ter um discernimento real? O que uma pessoa que não entende a verdade pode perceber bem? Ela não consegue perceber nada bem. Algumas pessoas não conseguem perceber bem as coisas, mas fingem ser profundas; na verdade, elas não têm discernimento e temem que os outros as percebam bem. A atitude correta em tais situações é: ‘Não somos capazes de perceber bem essa questão. Como não sabemos, não devemos falar de maneira descuidada. Falar incorretamente pode ter um impacto negativo. Vou esperar e ver o que o alto diz’. Isso não é falar com honestidade? É uma linguagem tão simples, mas por que os anticristos não dizem isso? Eles não querem ser percebidos bem; eles sabem a medida que têm, mas, secretamente, ainda têm uma intenção desprezível — fazer com que os outros os considerem elevados. Não é isso o que é mais repugnante?” (A Palavra, vol. 4: Expondo os anticristos, “Item Seis”). Deus expôs que os anticristos são astutos e ardilosos. Quando não falam muito, não é porque são simplórios e não têm ideias, mas porque simplesmente não têm a verdade e não conseguem perceber bem as coisas. No entanto, fingem ser profundos para não revelar suas próprias deficiências. Eles esperam uma oportunidade para roubar as ideias e percepções dos outros para se exibir. A natureza deles é perversa demais! Meu estado era exatamente o que Deus expôs. Quando vi que, apesar de desempenhar deveres de texto por muito tempo, eu estava revelando tantas deficiências, receei que meus irmãos me menosprezassem e tive medo de cometer mais erros e passar vergonha de novo. Por isso, ao discutir problemas, eu não comunicava minhas opiniões, mesmo quando claramente as tinha, e até fingia estar refletindo seriamente, adiando de propósito para ser a última a falar e poder reunir as opiniões de todos. Desse modo, mesmo que a opinião que eu expressasse estivesse errada, todos estariam errados também, e eu não passaria vergonha. Se eu estivesse certa, então o que eu dissesse seria melhor e mais completo do que o que minhas irmãs disseram. Isso mostraria a todos que, muito embora eu seja jovem, tenho calibre bom e consigo avaliar problemas, o que me faria ter uma boa imagem. Na verdade, não vejo os problemas de forma abrangente, e meu calibre é baixo, mas eu não conseguia encarar isso corretamente. Estava sempre querendo me disfarçar como alguém de bom calibre para enganar e desorientar as pessoas. Eu era realmente muito perversa e enganosa. O que eu havia revelado era o caráter de um anticristo, que incorre na aversão e repulsa de Deus.
Durante meus devocionais espirituais, li uma passagem das palavras de Deus e ganhei certo entendimento da causa raiz por trás do meu estado. Deus Todo-Poderoso diz: “Quando os mais velhos da família lhe dizem frequentemente que ‘as pessoas precisam de seu orgulho assim como uma árvore precisa de sua casca’, é para que você dê importância a causar boa impressão, viva respeitosamente e evite fazer coisas que tragam desgraça. Então, esse ditado orienta as pessoas de uma maneira positiva ou negativa? Ele pode levar você à verdade? Ele pode levar você a entender a verdade? (Não, não pode.) Com certeza, não pode! O que Deus pede às pessoas é que sejam honestas. Quando você transgrediu, ou fez algo errado, ou fez algo que se rebela contra Deus e vai contra a verdade, você precisa refletir sobre si mesmo, conhecer seu erro e dissecar seus caracteres corruptos; somente desse jeito você pode alcançar arrependimento verdadeiro e, depois disso, agir de acordo com as palavras de Deus. Que tipo de mentalidade as pessoas precisam possuir para praticar ser honestas? Existe algum conflito entre a mentalidade requerida e o ponto de vista exemplificado com o ditado ‘as pessoas precisam de seu orgulho assim como uma árvore precisa de sua casca’? (Sim.) Qual é o conflito? O ditado ‘as pessoas precisam de seu orgulho assim como uma árvore precisa de sua casca’ diz às pessoas que deem importância a causar uma boa impressão e a fazer mais coisas que as façam parecer bem — em vez de fazer coisas ruins ou desonrosas, expondo seu lado feio — e a evitar viver uma vida que não seja respeitável ou digna. Para o bem de seu orgulho, em prol de fazer parecer bem, a pessoa não pode falar de si mesma como se não valesse nada, muito menos contar aos outros sobre seu lado sombrio e seus aspectos vergonhosos, porque é preciso viver uma vida respeitável e digna, e, para ter dignidade, é preciso ter orgulho, e, para ter orgulho, é preciso fingir e disfarçar-se bem. Isso não entra em conflito com ser uma pessoa honesta? (Sim.) Quando está sendo uma pessoa honesta, você já renunciou ao ditado ‘as pessoas precisam de seu orgulho assim como uma árvore precisa de sua casca’. Se você quiser ser uma pessoa honesta, não atribua importância a sua imagem; a imagem de uma pessoa não vale um centavo. Na presença da verdade, a pessoa deveria se expor, não fingir nem criar uma fachada. Ela deve revelar a Deus seus pensamentos verdadeiros, os erros que cometeu, os aspectos que violam as verdades princípios e assim por diante, como também desnudar essas coisas diante de seus irmãos. Não é viver pelo bem do orgulho, mas, em vez disso, viver em prol de ser uma pessoa honesta, viver em prol de buscar a verdade, viver em prol de ser um ser criado verdadeiro e viver pelo bem de satisfazer a Deus e de ser salvo. Mas quando você não entende essa verdade e não entende as intenções de Deus, as coisas que foram condicionadas em você por sua família tendem a ser predominantes no seu coração. Então, quando você faz algo errado, você encobre e finge, pensando: ‘Não posso contar isso a ninguém, e também não permitirei que ninguém que saiba disso conte aos outros. Se algum de vocês contar a alguém, não deixarei isso barato. Meu orgulho vem em primeiro lugar. Viver é só para o orgulho, que é mais importante do que qualquer outra coisa. Se uma pessoa não tem orgulho, ela perde toda a dignidade. Por isso você não pode falar a verdade, precisa fingir, precisa encobrir as coisas, caso contrário você não mais terá orgulho ou dignidade, e sua vida não terá valor. Se ninguém respeitar você, você não tem valor, você é somente lixo sem valor’. É possível ser uma pessoa honesta praticando desse jeito? É possível desnudar-se e dissecar-se? (Não, não é.) Obviamente, ao fazer isso, você está aderindo ao ditado ‘as pessoas precisam de seu orgulho assim como uma árvore precisa de sua casca’, que sua família condicionou em você. No entanto, se você largar esse ditado para buscar e praticar a verdade, ele deixará de afetá-lo e deixará de ser seu lema ou o princípio para suas ações e, em vez disso, o que você fizer será exatamente o oposto do ditado ‘as pessoas precisam de seu orgulho assim como uma árvore precisa de sua casca’. Você não viverá em prol do seu orgulho nem em prol de sua dignidade, mas, em vez disso, viverá para buscar a verdade, ser uma pessoa honesta, satisfazer a Deus e viver como um verdadeiro ser criado. Se aderir a esse princípio, você terá largado as coisas que sua família condicionou em você” (A Palavra, vol. 6: Sobre a busca da verdade, “Como buscar a verdade (12)”). Depois de ler as palavras de Deus, lembrei que minha mãe, desde que eu era criança, me ensinava que, na vida, é preciso zelar pela sua imagem, e que você não deve sair por aí mostrando seu lado ruim para os outros, ou as pessoas vão menosprezar você. Desde então, o veneno satânico de que “as pessoas precisam de seu orgulho assim como uma árvore precisa de sua casca” estava profundamente enraizado em meu coração. Eu acreditava que, na vida, as pessoas tinham que zelar pela sua reputação, e que não deviam, de jeito nenhum, expor suas próprias deficiências e insuficiências de maneira descuidada; se o fizessem, estariam se desvalorizando e perderiam a integridade e a dignidade. Controlada por esses pensamentos e opiniões, eu zelava pela minha imagem com muito cuidado, e nunca expunha minhas falhas e deficiências de forma descuidada, chegando até a tentar arranjar maneiras de encobri-las e ocultá-las. Por exemplo, quando eu estava na escola, embora claramente não entendesse muito bem algumas questões, eu tinha medo de passar vergonha e de me rebaixar se perguntasse aos outros, por isso eu não perguntava nada. Agora, acontecia o mesmo quando eu desempenhava meu dever. Quando todos nós discutimos os problemas juntos, é para trocar nossas compreensões e visões. Deveríamos falar até onde entendemos. Quanto mais nos comunicarmos, mais clareza teremos, e veremos os problemas de forma mais abrangente. Isso é benéfico para o trabalho e também pode compensar as deficiências uns dos outros. No entanto, eu temia que, se cometesse muitos erros, isso faria parecer que eu tinha um calibre baixo. Portanto, ao expressar minhas opiniões, eu tinha muito cuidado. Eu tinha que repassar a frase na cabeça várias vezes antes de falar, com medo de passar vergonha se eu não fosse cuidadosa. Obviamente, eu não conseguia ver os problemas de forma abrangente, mas não ousava expressar a minha opinião com sinceridade. Até queria roubar para mim o entendimento e as opiniões de outras pessoas, a fim de alcançar meu objetivo de ser admirada. Quando a supervisora me pedia para tomar a frente na comunhão, eu preferia desperdiçar tempo e atrasar o progresso a me comunicar de maneira proativa. Expressar minha opinião era muito doloroso, e cheguei até a pensar em abandonar meu dever. Eu valorizava mais zelar pela minha reputação do que desempenhar meu dever e praticar a verdade. Vi que viver segundo esses venenos satânicos tinha me tornado particularmente egoísta e enganosa; sempre achava que me abrir com sinceridade me colocaria em risco de passar vergonha, e que, se expressasse uma opinião incorreta, seria muito vergonhoso. No entanto, Deus não vê as coisas dessa forma. Ele quer que sejamos pessoas honestas, que exponhamos nossos pensamentos verdadeiros e que comuniquemos tudo o que entendemos, que nos conduzamos com franqueza, e somente então podemos viver com dignidade e integridade. Tenho muitas deficiências e defeitos, e por meio da comunhão de todos, minhas deficiências podem ser compensadas. Isso é, na verdade, uma boa oportunidade para eu entender a verdade. No entanto, eu sempre tentava proteger minha reputação e era negativa e passiva, perdendo muitas oportunidades de ganhar a verdade. Eu estava me prejudicando!
Mais tarde, continuei a buscar em relação aos meus próprios problemas, e uma senda de prática ficou mais clara. Li as palavras de Deus: “Para ser uma pessoa honesta, primeiro você precisa desnudar seu coração de modo que todos possam olhar para ele, ver tudo que você está pensando e enxergar sua verdadeira face. Você não deve tentar se disfarçar ou se encobrir. Somente então os outros confiarão em você e o considerarão uma pessoa honesta. Essa é a prática mais fundamental, e um pré-requisito para ser uma pessoa honesta. Se você está sempre fingindo, sempre simulando santidade, nobreza, grandeza e índole elevada, escondendo sua corrupção e suas falhas dos outros, apresentando-lhes uma imagem falsa e fazendo com que acreditem que você é íntegro, grandioso, abnegado, justo e altruísta — não há enganação e engano nisso? As pessoas não serão capazes de perceber bem quem você é, com o tempo? Então, não seja um hipócrita e não erga uma fachada. Em vez disso, seja simples e aberto, e aprenda a desnudar-se — desnudar seu coração para os outros verem. Se consegue desnudar todos os seus pensamentos e todas as coisas que quer fazer — tanto positivas quanto negativas — para os outros verem, você não está sendo honesto? […] É fácil de fazer? Isso exige um período de treinamento e também de orar e confiar em Deus com frequência. Você deve se treinar para falar as palavras em seu coração de modo simples e aberto em todas as questões. Com esse tipo de treinamento, você pode fazer progresso. Se encontrar uma dificuldade maior, você deve orar a Deus e buscar a verdade; você precisa batalhar no seu coração e triunfar sobre a carne, até que possa colocar a verdade em prática. Ao treinar aos poucos, desse jeito, seu coração se abrirá gradualmente. Você se tornará cada vez mais puro e simples, e suas palavras e ações terão efeito diferente de antes. Você mentirá e enganará cada vez menos, e será capaz de viver diante de Deus. Então, essencialmente, você terá se tornado uma pessoa honesta” (A Palavra, vol. 3: Os discursos de Cristo dos últimos dias, “A prática mais fundamental de ser uma pessoa honesta”). “Pessoas honestas conseguem assumir responsabilidade. Não consideram os próprios ganhos e perdas; apenas protegem o trabalho e os interesses da casa de Deus. Elas têm um coração bondoso e honesto que é como uma tigela de água clara que permite ver o fundo com um único olhar. Há também transparência nas suas ações” (A Palavra, vol. 5: As responsabilidades dos líderes e dos obreiros, “As responsabilidades dos líderes e dos obreiros (8)”). Pelas palavras de Deus, entendi que, ao se comunicar em reuniões ou discutir o trabalho na igreja, deve-se ser sincero e aberto, e ser uma pessoa honesta, não considerar o próprio orgulho ou interesses, nem se encobrir ou se disfarçar. Quando se identifica algum problema no dever, a pessoa deve se abrir e falar sobre ele, e não ter medo de expressar suas opiniões. Isso é benéfico para o trabalho da igreja, e os irmãos podem complementar uns aos outros. Antes, eu vivia constrangida pelo meu orgulho e não ousava expressar minhas opiniões. Toda vez que discutíamos sermões, eu sentia uma pressão grande. Tinha medo de expor minhas deficiências, então demorava em expressar minha opinião, o que atrasou o progresso repetidas vezes. Não somente não fiz nenhum progresso, como Deus me detestava. Esses foram os frutos amargos de não praticar a verdade! Pensei no que o Senhor Jesus havia dito: “Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18:3). Deus ama as pessoas honestas. Se eu não puder ser tão sincera e honesta como uma criancinha, não serei salva. Naquela época, muitas vezes orei a Deus, rogando que Ele escrutinasse meu coração e me desse fé e força. Eu estava disposta a abrir mão do meu orgulho e dos meus interesses, a praticar a verdade e ser uma pessoa honesta, falando até onde eu entendia, abrindo-me com sinceridade e não mais protegendo meu orgulho e status.
Logo depois, fui para outro lugar desempenhar deveres de texto. Certa vez, ao discutir um sermão, não consegui perceber bem um problema nele. Depois de lê-lo várias vezes, eu ainda estava um pouco confusa, por isso hesitei em expressar minha opinião. Com o passar do tempo, fui ficando cada vez mais ansiosa. Pensei comigo mesma: “Ainda não tenho muita clareza sobre essa questão. Devo dizer algo a respeito? Tem havido desvios nas opiniões que expressei ao discutir sermões ultimamente. O que vou fazer se disser algo errado de novo? O que a supervisora e a irmã com quem estou trabalhando vão pensar de mim? Será que vão pensar que meu calibre é muito baixo e que não estou à altura desse dever? Talvez eu deva esperar a irmã com quem estou trabalhando falar primeiro. Vou ouvir a opinião dela e depois decidir se devo ou não falar”. No entanto, depois pensei que, se eu demorasse mais, seria perda de tempo. Orei silenciosamente em meu coração, rogando a Deus que acalmasse meu coração para que eu me libertasse do orgulho e comunicasse tudo o que eu entendia. E me lembrei das palavras de Deus: “Não seja um hipócrita e não erga uma fachada. Em vez disso, seja simples e aberto, e aprenda a desnudar-se — desnudar seu coração para os outros verem” (A Palavra, vol. 3: Os discursos de Cristo dos últimos dias, “A prática mais fundamental de ser uma pessoa honesta”). “Pessoas honestas conseguem assumir responsabilidade. Não consideram os próprios ganhos e perdas; apenas protegem o trabalho e os interesses da casa de Deus. Elas têm um coração bondoso e honesto que é como uma tigela de água clara que permite ver o fundo com um único olhar. Há também transparência nas suas ações” (A Palavra, vol. 5: As responsabilidades dos líderes e dos obreiros, “As responsabilidades dos líderes e dos obreiros (8)”). As palavras de Deus me deram força no coração. Embora não conseguisse entender a fundo esse problema, eu tinha minha própria opinião. Eu tinha que ser corajosa e dizer o que pensava, e parar de me encobrir e me disfarçar. Portanto, compartilhei minhas opiniões e falei sobre minha confusão. A supervisora discutiu alguns detalhes sobre as minhas opiniões e, por meio disso, a questão que estava me confundindo foi resolvida, e também vi minhas próprias falhas e deficiências. Fiquei muito feliz por ter expressado minhas opiniões e pensamentos, caso contrário, eu ainda estaria confusa sobre esse problema. Embora dar esse passo tenha revelado minhas deficiências, também ajudou a compensá-las. Depois, ao me comunicar sobre o trabalho ou discutir os sermões, eu conscientemente abria mão do meu orgulho e falava tudo que eu entendia. Embora isso tenha revelado muitas de minhas falhas e deficiências, e eu tenha passado um pouco de vergonha na hora, passei a ter muito mais clareza sobre as verdades princípios relevantes, e minha eficiência no desempenho do meu dever melhorou muito. Agora entendo, pela minha experiência, que praticar a verdade e ser uma pessoa honesta me trouxe muitos benefícios. Não estou mais presa a tantos fardos ao desempenhar meu dever, e a minha mente se tornou muito mais singela. A pouca prática e a entrada que ganhei são o resultado do esclarecimento e da orientação das palavras de Deus. Graças a Deus!