35. Reflexões sobre não fazer trabalho real
Em maio de 2023, fui encarregada do trabalho de texto. Em meados de outubro, um dos líderes de grupo foi dispensado por não fazer trabalho real e, depois disso, o irmão Li Zhi foi escolhido como líder de grupo. Na ocasião, o líder enviou especificamente uma carta para me lembrar de que Li Zhi tinha calibre mediano e carecia de capacidade de trabalho, e pedindo que eu lhe oferecesse mais ajuda e apoio. Então, naquele mesmo dia, escrevi uma carta para Li Zhi, colocando-o a par dos problemas urgentes do grupo e das situações específicas de cada um dos membros, e assim por diante, e pedindo que priorizasse o trabalho de acordo com isso. Li Zhi respondeu dizendo que, a princípio, achou que seu calibre era insuficiente, que tinha muitas deficiências e não estava à altura do dever de ser líder de grupo, mas que, depois que ele leu as palavras de Deus, ele reverteu seu estado incorreto e fez um plano para o trabalho que estava por vir. Pensei comigo mesma: “Li Zhi tem alguma entrada na vida. Embora ele careça de capacidade de trabalho, contanto que seja uma pessoa correta, não é preciso temer deficiências; posso lhe oferecer mais apoio e ajuda”. Achei que uma vez que ele dominasse alguns princípios e ganhasse alguma experiência de trabalho, ficaria tudo bem. Depois disso, acompanhei de perto o trabalho de Li Zhi. Ele aceitava as sugestões que eu lhe dava e fornecia feedback oportuno sobre as minúcias do trabalho.
Pouco mais de um mês depois, Li Zhi já tinha aos poucos encontrado três membros de equipe para o trabalho de texto, todos eles com algum calibre. Fiquei muito feliz, pensando: “Sempre tive dificuldade para encontrar pessoas adequadas, mas Li Zhi acabou de chegar e já as encontrou! Parece que a capacidade de trabalho de Li Zhi é até boa”. Lembrei da época em que eu era responsável pelo trabalho de três grupos e pelo cultivo de pessoas. Na época, eu vivia muito ocupada todos os dias, mas agora que Li Zhi já havia dominado em grande parte sua função, eu podia relaxar um pouco. Depois disso, não acompanhei seu trabalho tão de perto. Quinze dias depois, notei que o grupo pelo qual Li Zhi era responsável não havia enviado nenhum artigo de testemunho experiencial. Fiquei um tanto confusa: “Li Zhi disse que as três irmãs que acabaram de entrar no grupo têm algum calibre, então por que seus deveres não estão produzindo resultados? Será que é porque acabaram de começar a treinar que ainda não captaram os princípios?”. Pensando nisso, fui checar como o grupo estava se saindo com a triagem de artigos de testemunho experiencial. Eu vi que Li Zhi conseguia identificar alguns problemas com esses artigos, e que não havia desvios óbvios no trabalho. Pensei: “Os resultados do trabalho pelo qual Li Zhi é responsável sempre foram ruins. Não se pode esperar que melhorem de imediato. Talvez isso aconteça com o tempo”. Na ocasião, também pensei: “Será que devo investigar mais a fundo?”. Mas quando lembrei que teria de investir um tempo considerável resolvendo problemas caso realmente existissem e que ainda tinha o trabalho de outros dois grupos para acompanhar, percebi que ficaria exausta se tivesse que me envolver em tudo isso! Depois de muito pensar, finalmente decidi deixar que Li Zhi investigasse e resolvesse o caso. Certa vez, soube que Lu Yuan, uma irmã recém-transferida, era resistente ao acompanhamento e à supervisão de Li Zhi, por achar que os questionamentos constantes sobre o andamento do trabalho só a faziam perder tempo, e até expressou essa visão na frente dos outros. Eu sabia que sua atitude estava errada e tornaria impossível, para Li Zhi, acompanhar o trabalho, mas não investiguei mais a fundo nem tentei resolver; apenas pedi a Li Zhi que se comunicasse com ela. Mais tarde, ele relatou que Lu Yuan estava desempenhando seus deveres normalmente, então não acompanhei mais essa questão.
Quando me dei conta, já era meados de dezembro, e descobri que o grupo de Li Zhi ainda não tinha enviado muitos artigos de testemunho experiencial. Percebi que algo estava errado, então escrevi sem demora uma carta para perguntar a Li Zhi sobre a situação. Ele disse que seu estado não andava bom e que vários irmãos tinham comentado que ele não era capaz de fazer trabalho real ou resolver as dificuldades que estavam enfrentando nos deveres, por isso estavam considerando denunciá-lo. Nesse momento, fiquei chocada. Ele não tinha sido capaz de fazer algum trabalho antes? Como de repente tinha chegado ao ponto de ser denunciado? Fiquei um pouco assustada. O trabalho desse grupo ficou desse jeito pelo fato de eu não ter feito trabalho real durante esse período. Procurei logo o grupo para entender a situação. Para minha surpresa, Li Zhi sentia que seu calibre era baixo e que não podia ser o líder do grupo, então assumiu a responsabilidade e renunciou. Por mais que o líder tivesse tentado se comunicar e ajudar, não adiantou. Após a saída de Li Zhi, descobri que o grupo pelo qual ele era responsável estava cheio de problemas. Lu Yuan estava sempre dando vazão à negatividade. Ela achava que Li Zhi supervisionar e checar o trabalho era perda de tempo, o que o fez não conseguir acompanhar o trabalho, o que atrasou e obstruiu severamente o trabalho de texto. As novas irmãs que tinham acabado de começar a treinar eram incontidas, indisciplinadas e desorganizadas em seus deveres e, quando encontravam dificuldades, simplesmente as repassavam para Li Zhi. Mas ele não apontou o problema da atitude delas em relação aos deveres, nem relatou o caso aos superiores. Só deixou que continuassem enrolando na equipe e sendo descuidadas. Depois de saber de tudo isso, fiquei atônita. Li Zhi não fez diferença ao acompanhar o trabalho durante esses três meses. Os membros do grupo estavam sendo severamente perfunctórios em seu dever, e eu não fazia a menor ideia. Isso paralisou essa parte do trabalho de texto. Arrependi-me verdadeiramente de não ter sido mais diligente! Mais tarde, dispensei os membros inadequados do grupo, transferi pessoal novo, e só então o trabalho começou a melhorar aos poucos.
Depois desse incidente, senti muita culpa. Eu sabia muito bem que o calibre de Li Zhi era mediano e que sua capacidade de trabalho não era muito boa, então como pude largar as rédeas e negligenciar o trabalho desse grupo? Se tivesse me concentrado mais em acompanhar e investigar o trabalho, eu poderia ter identificado os problemas de Li Zhi mais cedo e evitado essas consequências. Eu tinha uma responsabilidade inevitável para o trabalho ter tomado esse rumo. Durante esse período, muitas vezes busquei e li palavras de Deus que expõem falsos líderes. Entre elas, havia uma passagem que se relacionava particularmente com o meu estado. Deus diz: “Os falsos líderes nunca perguntam sobre as situações de trabalho dos vários supervisores de equipe nem as acompanham. Eles também não perguntam sobre a entrada na vida dos supervisores de diferentes equipes e do pessoal responsável por vários trabalhos importantes, não a acompanham nem a captam, assim como as atitudes deles em relação ao trabalho da igreja e aos seus deveres e em relação à fé em Deus, à verdade e ao Próprio Deus. Eles não sabem se esses indivíduos passaram por alguma transformação ou crescimento, nem sabem dos vários problemas que podem existir em seu trabalho; em particular, não sabem do impacto dos erros e desvios que ocorrem em vários estágios do trabalho sobre o trabalho da igreja e a entrada na vida do povo escolhido de Deus, nem se esses erros e desvios já foram corrigidos. Eles são totalmente ignorantes em relação a todas essas coisas. Se não sabem nada sobre essas condições detalhadas, eles ficam passivos sempre que surgem problemas. Entretanto, os falsos líderes não se importam nem um pouco com essas questões detalhadas enquanto fazem seu trabalho. Eles acreditam que, depois de arranjar vários supervisores de equipe e designar tarefas, seu trabalho está feito — isso conta como trabalho bem feito, e se surgirem outros problemas, não é da conta deles. Como os falsos líderes deixam de supervisionar, direcionar e acompanhar os vários supervisores de equipe e não cumprem suas responsabilidades nessas áreas, o resultado disso é que o trabalho da igreja vira uma bagunça. É assim que esses líderes e obreiros são negligentes em suas responsabilidades. Deus pode escrutinar as profundezas do coração humano; essa é uma habilidade que falta aos humanos. Portanto, ao trabalhar, as pessoas precisam ser mais diligentes e atentas, visitar regularmente o local de trabalho para acompanhar, supervisionar e direcionar o trabalho a fim de garantir o progresso normal do trabalho da igreja. Obviamente, os falsos líderes são totalmente irresponsáveis em seu trabalho e nunca supervisionam, acompanham nem direcionam várias tarefas. Como resultado, alguns supervisores não sabem como resolver os vários problemas que surgem no trabalho e permanecem em sua função como supervisores, apesar de não serem suficientemente competentes para fazer o trabalho. Por fim, o trabalho sofre atrasos vez após vez, e eles fazem dele uma bagunça total. Essa é a consequência de os falsos líderes não perguntarem sobre as situações dos supervisores, não as supervisionarem nem as acompanharem, um desfecho totalmente causado pela negligência dos falsos líderes para com a responsabilidade” (A Palavra, vol. 5: As responsabilidades dos líderes e dos obreiros, “As responsabilidades dos líderes e dos obreiros (3)”). Deus diz que os falsos líderes são irresponsáveis em seus deveres e não fazem trabalho real. Depois que escolhem um supervisor, acham que tudo vai bem e que podem ficar de braços cruzados. Assim, não investigam nem captam as minúcias dos vários itens de trabalho. Eles nem sabem se o supervisor ou aqueles que desempenham deveres são competentes, ou se o trabalho está paralisado, causando-lhe sérios prejuízos. Esse é um autêntico falso líder. Eu era exatamente o tipo de falso líder de que Deus fala. Depois que Li Zhi foi escolhido como líder de grupo, vi que ele encontrou três membros de equipe para o trabalho de texto e sua atitude sempre era muito boa quando eu me comunicava com ele sobre o trabalho. Então achei que Li Zhi era diligente e que eu podia ficar tranquila e deixar tudo por conta dele. Tornei-me, então, uma burocrata: não supervisionava nem acompanhava seu trabalho. Como resultado, não sabia que ele estava com dificuldade para desempenhar seus deveres, nem fazia a menor ideia de que os membros do grupo estavam negligenciando tarefas apropriadas e sendo perfunctórios. Na verdade, eu sabia que o trabalho no grupo deles não gerava resultados, mas temia que, se investigasse as minúcias, teria de investir tempo e esforço na resolução dos problemas, então deixei que Li Zhi lidasse com isso. Além do mais, Lu Yuan não permitia que a supervisionassem em seus deveres. E ela ficava dando vazão à negatividade no grupo, o que obstruiu o trabalho de texto. Eu não expus os problemas dela; em vez disso, deixei que Li Zhi lidasse com eles e não acompanhei os resultados depois. Isso fez com que os problemas ficassem sem solução, o que atrasou o andamento do trabalho. Diante disso, percebi que eu estava de fato sendo uma falsa líder. Não deixei nada além de transgressões nos meus deveres.
Mais tarde, refleti: “Por que confiei tanto em Li Zhi?”. Li as palavras de Deus: “Os falsos líderes nunca investigam os supervisores que não estão fazendo trabalho real ou que não estão tratando de seu trabalho adequado. Eles acham que basta escolher um supervisor e assunto encerrado e que depois o supervisor tratará de todos os assuntos de trabalho por conta própria. Assim os falsos líderes só realizam reuniões de vez em quando e não supervisionam o trabalho nem perguntam como está indo e agem como chefes que não interferem. […] Eles são incapazes de fazer trabalho real e também não são meticulosos em relação ao trabalho dos líderes de equipe e dos supervisores — eles não o acompanham nem investigam. Sua opinião sobre as pessoas só se baseia em suas impressões e imaginações. Quando veem alguém com um bom desempenho por algum tempo, eles acreditam que essa pessoa será boa para sempre, que ela não mudará; não acreditam em ninguém que diga que há um problema com essa pessoa, e eles ignoram quando alguém os alerta sobre essa pessoa. Vocês acham que os falsos líderes são estúpidos? Eles são estúpidos e tolos. O que os torna estúpidos? Eles colocam a confiança numa pessoa displicentemente, acreditando que, porque ela fez um juramento e tomou uma resolução e orou com lágrimas escorrendo pelo rosto quando essa pessoa foi escolhida, isso significa que ela é confiável, e que nunca haverá problema algum com o fato de ela assumir o controle do trabalho. Os falsos líderes não têm entendimento algum da natureza das pessoas; eles ignoram a verdadeira situação da humanidade corrupta. Eles dizem: ‘Como alguém poderia piorar após ter sido escolhido como supervisor? Como alguém que parece ser tão sério e confiável poderia se esquivar do trabalho? Ele não faria isso, faria? Ele tem muita integridade’. Visto que os falsos líderes depositaram fé demais em suas próprias imaginações e sentimentos, no fim, isso os torna incapazes de resolver a tempo os muitos problemas que surgem no trabalho da igreja, e os impede de dispensar prontamente o supervisor envolvido e de ajustar a atribuição de seu dever. Eles são genuínos falsos líderes. […] Os falsos líderes têm uma falha fatal: eles são rápidos em confiar nas pessoas com base nas próprias imaginações. E isso é causado por não entender a verdade, não é? Como a palavra de Deus expõe a essência da humanidade corrupta? Por que eles deveriam confiar em pessoas nas quais nem Deus confia? Os falsos líderes são arrogantes e presunçosos demais, não são? O que eles pensam é: ‘Eu não poderia ter julgado mal essa pessoa, não deveria haver nenhum problema com essa pessoa que julguei adequada; ela definitivamente não é alguém que se entrega a comida, bebida e entretenimento, ou que gosta de conforto e odeia trabalho árduo. Ela é absolutamente confiável e merecedora de confiança. Ela não mudará; se mudasse, isso significaria que eu estava errado a respeito dela, não?’. Que tipo de lógica é essa? Você é algum tipo de especialista? Tem visão de raio X? Tem essa habilidade especial? Você poderia conviver com uma pessoa por um ou dois anos, mas será que conseguiria perceber quem ela realmente é sem um ambiente adequado para expor totalmente a natureza essência dela? Se ela não fosse revelada por Deus, você poderia viver lado a lado com ela por três ou até cinco anos e ainda assim teria dificuldade de perceber que tipo de natureza essência ela tem. E quanto mais isso vale quando você raramente a vê, raramente está com ela? Os falsos líderes confiam despreocupadamente em uma pessoa com base em uma impressão temporária ou na avaliação positiva que outra pessoa faz dela e ousam confiar o trabalho da igreja a essa pessoa. Nesse caso, eles não estão sendo extremamente cegos? Eles não estão agindo de forma imprudente? E quando trabalham assim, os falsos líderes não estão sendo extremamente irresponsáveis?” (A Palavra, vol. 5: As responsabilidades dos líderes e dos obreiros, “As responsabilidades dos líderes e dos obreiros (3)”). Depois de ler as palavras de Deus, entendi por que eu confiava nas pessoas facilmente. A causa principal era que eu não entendia a verdade e era muito arrogante, mensurando as pessoas segundo minhas próprias noções e imaginações. Eu achava que uma pessoa podia fazer trabalho real só porque, momentaneamente, ela mostrava um desempenho razoável. Isso me levou a confiar demais nas pessoas e a negligenciar a supervisão e o acompanhamento do trabalho. Na verdade, o líder tinha me avisado de que o calibre e a capacidade de trabalho de Li Zhi não eram muito bons e solicitou que eu acompanhasse com mais detalhe o trabalho e o orientasse e ajudasse mais na realização deste. Mas como Li Zhi havia encontrado três membros de equipe para o trabalho de texto e percebido alguns problemas com os artigos de testemunho experiencial, minha opinião a seu respeito mudou e achei que ele tinha alguma capacidade de trabalho e que seu calibre era um tanto bom. Depois disso, adotei uma abordagem omissa em relação ao trabalho e raramente o acompanhava ou perguntava sobre ele. Como resultado, não descobri nem resolvi muitos problemas, o que causou atrasos no trabalho. Na verdade, relembrando com atenção, percebi que dois dos três membros haviam sido indicados pelo líder, e Li Zhi tinha sido responsável apenas por arranjar os deveres deles. Além disso, Li Zhi era capaz de identificar alguns problemas nos artigos porque já havia praticado escrever artigos e conseguia captar alguns princípios. Mas, quando se tratava de fazer trabalho real e usar a verdade para resolver problemas, como os membros do grupo vivendo em estados incorretos e tendo uma atitude ruim em relação aos deveres, ele não conseguia. Eu não estava mensurando as pessoas de acordo com as verdades princípios e, além disso, estava me entregando ao comodismo e não me dispunha a sofrer ou pagar um preço, deixando de acompanhar ou orientar o trabalho de Li Zhi com minúcia, o que prejudicou o trabalho. Ao refletir a respeito, senti culpa e arrependimento no coração. Percebi que estava realmente cega de olhos e de coração!
Depois, procurei palavras de Deus para ler sobre como fazer trabalho real. Deus diz: “Não importando que trabalho importante um líder ou obreiro faça e qual seja a natureza desse trabalho, sua prioridade absoluta é entender e captar como o trabalho está indo. Ele deve estar no local, em pessoa, para acompanhar as coisas e fazer perguntas, obtendo informações de primeira mão. Não pode simplesmente confiar em boatos ou escutar os relatos de outras pessoas. Em vez disso, deve observar com os próprios olhos a situação do pessoal e como o trabalho está progredindo e entender quais dificuldades existem, se alguma área está contrariando as exigências do alto, se existem violações dos princípios, se existem perturbações ou interrupções, se existe falta de equipamento necessário ou de materiais instrucionais relacionados no que diz respeito ao trabalho profissional — ele deve estar a par de tudo isso. Não importam quantos relatos ouça ou quanto colete de boatos, nada disso supera uma visita pessoal; é mais preciso e confiável que veja as coisas com os próprios olhos. Uma vez que tenha se familiarizado com todos os aspectos da situação, ele terá uma boa ideia daquilo que está acontecendo. Sobretudo, ele deve ter uma compreensão clara e precisa de quem tem calibre bom e é digno de ser cultivado, pois só isso lhe permite cultivar e usar as pessoas acuradamente, o que é crucial se os líderes e obreiros quiserem fazer bem seu trabalho” (A Palavra, vol. 5: As responsabilidades dos líderes e dos obreiros, “As responsabilidades dos líderes e dos obreiros (4)”). Deus diz que, para fazer bem trabalho real, a chave é não considerar a carne, nem apenas ouvir os relatos dos outros. Devemos participar pessoalmente, aprofundar-nos no ambiente do trabalho em si e entender suas minúcias. Quando descobrimos problemas, devemos nos envolver pessoalmente na sua resolução. Também é importante acompanhar os resultados do trabalho depois de um período, não apenas implementá-lo sem acompanhá-lo. Então, orei a Deus no coração, dizendo que não seria mais burocrática e, depois disso, comecei a me concentrar em fazer um trabalho detalhado, perguntando pessoalmente sobre alguns problemas e me empenhando para resolvê-los. Naquela época, o trabalho do grupo pelo qual a irmã Su Jing era responsável não estava obtendo resultado algum, e, quando fui investigar, ela relatou que fazia trabalho real, sofria e pagava um preço. Ao ouvir seu relato, pareceu até que Su Jing fazia muitas coisas, mas isso não correspondia aos resultados do trabalho, então comecei a investigar tudo com minúcia. Descobri que ela se preocupava muito com sua reputação e seu status e, ao relatar o trabalho, só mencionava as notícias boas, e não as ruins. Quando eu perguntava sobre as minúcias do trabalho, ela sempre evitava questões importantes e, depois de investigação e questionamento, confirmei que Su Jing não tinha capacidade de trabalho e a dispensei. Como não consegui encontrar uma pessoa adequada para ser líder do grupo naquele momento, assumi eu mesma um pouco do trabalho minucioso. Depois de dois meses participando do trabalho e acompanhando-o de fato, os resultados do trabalho de artigos melhoraram, e provei a doçura de fazer trabalho real.
Sem que eu percebesse, abril havia chegado. O trabalho dos três grupos pelos quais eu era responsável aos poucos mostrou progresso e identificamos candidatos a líder de grupo. No coração, eu estava planejando: “O trabalho está finalmente entrando nos eixos e, contanto que eu o acompanhe com regularidade, deve ficar tudo bem e vou poder enfim descansar”. Aos poucos, passei a me concentrar apenas nos artigos de testemunho experiencial enviados a cada dia e não tomei mais a iniciativa de investigar as minúcias do trabalho. Num dia de junho, assisti a um vídeo de testemunho experiencial em que o irmão era o líder de igreja responsável pelo trabalho evangelístico. Ele fazia o trabalho com considerável minúcia e conhecia bem a situação de cada receptor potencial do evangelho. Em comparação a ele, percebi que eu estava muito atrás. Nos últimos quinze dias, principalmente, eu apenas me contentava com os artigos de testemunho experiencial enviados e não investigava as minúcias do trabalho de cada grupo. Percebi que havia me tornado um pouco negligente e corri reverter as coisas. Comecei a verificar o trabalho de vários grupos, e somente então descobri que um grupo tinha um enorme acúmulo de artigos que não haviam sido verificados, e que outro grupo era extremamente ineficiente em desempenhar seu dever, e os resultados do trabalho deles haviam piorado significativamente. Quanto mais eu verificava, mais problemas encontrava. Fiquei com tanta raiva de mim mesma: “Como não descobri esses problemas antes? Como pude trilhar mais uma vez a senda de uma falsa líder sem me dar conta disso?”. Então orei para buscar.
Na minha busca, li uma passagem das palavras de Deus: “Existe outro tipo de falso líder, sobre o qual conversamos com frequência enquanto comunicávamos o tópico das ‘responsabilidades de líderes e obreiros’. Esse tipo tem algum calibre, não lhe falta inteligência, em seu trabalho, ele tem modos, métodos e planos para resolver problemas e, quando recebe um item de trabalho, ele consegue implementá-lo quase de acordo com os padrões exigidos. Ele é capaz de descobrir quaisquer problemas que surgem no trabalho e também consegue resolver alguns deles; quando ouve os problemas que algumas pessoas relatam ou quando observa o comportamento, as manifestações, a fala e as ações de algumas pessoas, ele tem uma reação no coração e tem sua própria opinião e uma atitude. É claro que, se essas pessoas buscarem a verdade e tiverem um senso de fardo, todos esses problemas podem ser resolvidos. No entanto, os problemas permanecem, inesperadamente, irresolvidos no trabalho que está sob a responsabilidade do tipo de pessoa que estamos comunicando hoje. Por que isso? É porque essas pessoas não fazem trabalho real. Elas amam a tranquilidade e odeiam trabalho árduo, elas só fazem esforços perfunctórios na superfície, elas gostam de estar ociosas e de desfrutar dos benefícios do status, gostam de ficar mandando nas pessoas e só mexem a boca um pouco e dão algumas sugestões e, então, acham que seu trabalho está feito. Elas não levam a sério nada do trabalho real da igreja nem do trabalho crítico que Deus lhes confia — elas não têm esse senso de fardo, e mesmo que a casa de Deus ressalte repetidamente essas coisas, elas ainda assim não as levam a sério. […] Qual é o problema desse tipo de pessoa? (Ele é preguiçoso demais.) Digam-Me, quem tem um problema sério: pessoas preguiçosas ou pessoas com pouco calibre? (Pessoas preguiçosas.) Por que as pessoas preguiçosas têm um problema sério? (As pessoas de baixo calibre não podem ser líderes nem obreiros, mas podem ser um pouco eficazes quando desempenham um dever que está dentro de suas habilidades. No entanto, as pessoas preguiçosas não podem fazer nada; mesmo que tenham calibre, isso não tem efeito nenhum.) As pessoas preguiçosas não podem fazer nada. Resumindo em duas palavras, elas são pessoas inúteis; elas têm uma deficiência de segunda classe. Por melhor que seja o calibre das pessoas preguiçosas, não é nada mais do que enfeite de vitrine; muito embora tenham bom calibre, isso não adianta. Elas são preguiçosas demais — elas sabem o que devem fazer, mas não fazem, e mesmo que saibam que algo é um problema, não buscam a verdade para resolvê-lo, e embora saibam quais dificuldades devem suportar para que o trabalho seja eficaz, não estão dispostas a suportar essas dificuldades que valem a pena — assim, não conseguem ganhar nenhuma verdade e não conseguem fazer nenhum trabalho real. Não desejam suportar as dificuldades que as pessoas devem suportar; só sabem se refestelar no conforto, apreciar momentos de alegria e lazer e apreciar uma vida livre e relaxada. Elas não são inúteis? As pessoas que não conseguem suportar dificuldade não merecem viver. Aquelas que sempre desejam levar a vida de um parasita são pessoas sem consciência e razão; são animais, e tais pessoas são inaptas até para labutar. Visto que não conseguem suportar dificuldade, mesmo quando de fato labutam, não são capazes de fazer isso direito, e, se desejam ganhar a verdade, a esperança de isso acontecer é ainda menor. Alguém que não consegue sofrer e não ama a verdade é uma pessoa inútil, não é qualificada nem para labutar. É um animal sem um pingo de humanidade. Tais pessoas devem ser eliminadas; só isso está de acordo com as intenções de Deus” (A Palavra, vol. 5: As responsabilidades dos líderes e dos obreiros, “As responsabilidades dos líderes e dos obreiros (8)”). Lendo a exposição de Deus sobre tais falsos líderes que têm calibre, mas não desempenham seus deveres adequadamente, senti um tranco no coração. No passado, sempre achei que não era preguiçosa demais e nunca me associei à pessoa inútil exposta por Deus, mas dessa vez, diante dos fatos, tive que admitir que meu fracasso em fazer trabalho real se devia a eu amar conforto, odiar trabalho árduo, cobiçar comodidade e ser preguiçosa demais. Relembrando o tempo em que supervisionava o trabalho, no início, eu conseguia assumir certa responsabilidade, suportar alguma dificuldade e pagar um preço, e o trabalho mostrava algum progresso. Mas quando via alguns resultados no trabalho, meu desejo por conforto surgia e eu começava a empurrar o trabalho para os líderes de grupo e a desfrutar secretamente do meu lazer. Ficava satisfeita em apenas verificar os artigos todos os dias e não queria fazer o esforço mental de pensar ativamente nos problemas de cada grupo. Começava a desempenhar meu dever com ímpeto, mas não conseguia ir até o fim, e sempre pegava a senda mais fácil. Isso significava que os problemas no trabalho não podiam ser descobertos e resolvidos a tempo. Deus deu a mente às pessoas para que elas ponderem sobre questões apropriadas, mas eu sempre considerei a minha carne, e nunca quis usar a minha mente nem refletir sobre os problemas. A igreja havia arranjado para que eu desempenhasse um dever tão importante, mas eu não estava pensando em como pagar um preço para tornar o trabalho eficaz. Em vez disso, eu estava me entregando ao conforto e sendo irresponsável com os meus deveres. Eu realmente não tinha consciência nem humanidade. Não era exatamente o tipo de pessoa inútil a que Deus se refere? Então orei a Deus, disposta a me rebelar contra a minha carne, arrepender-me para Ele e fazer trabalho real.
Um dia, durante os devocionais espirituais, li duas passagens das palavras de Deus e encontrei uma senda de prática. Deus diz: “Atualmente, não existem muitas oportunidades de desempenhar um dever, portanto você deve agarrar-se a elas quando puder. É precisamente quando é confrontado com um dever que você deve investir um esforço verdadeiro; é quando você deve se ofertar e se despender por Deus, e é então que você precisa pagar um preço. Não retenha nada, não abrigue esquemas, não deixe nenhuma margem, não proveja para si um escape. Se deixar alguma margem, trapacear ou for escorregadio e negligente, você está fadado a fazer um trabalho ruim” (A Palavra, vol. 3: Os discursos de Cristo dos últimos dias, “A entrada na vida começa com o desempenho do dever”). “Se você realmente possui um calibre de certo grau, realmente tem um domínio das habilidades profissionais dentro do escopo de sua responsabilidade e não é estranho à sua profissão, então você só precisa obedecer a uma frase e você será capaz de ser leal no dever. Que frase? ‘Coloque o coração nisso.’ Se você colocar o coração nas coisas e colocar o coração nas pessoas, então você será capaz de ser leal e responsável no dever. É fácil praticar essa frase? Como você a coloca em prática? Não significa usar os ouvidos para ouvir nem a mente para pensar — significa usar o coração. Se uma pessoa realmente consegue usar o coração, então, quando os olhos virem alguém fazendo algo, agindo de alguma forma ou tendo algum tipo de reação a algo, ou quando os ouvidos ouvirem as opiniões de algumas pessoas ou discussões, ao usar o coração para ponderar e contemplar essas coisas, algumas ideias, opiniões e atitudes surgirão na mente. Essas ideias, opiniões e atitudes farão com que ela tenha um entendimento profundo, específico e correto da pessoa ou coisa e, ao mesmo tempo, gerará julgamentos e princípios apropriados e corretos. Só quando uma pessoa tem essas manifestações de usar o coração, isso significa que ela é leal ao dever” (A Palavra, vol. 5: As responsabilidades dos líderes e dos obreiros, “As responsabilidades dos líderes e dos obreiros (7)”). As palavras de Deus me fizeram entender que, para cumprir meus deveres e fazer trabalho real, devo primeiro me rebelar conscientemente contra meu caráter corrupto e colocar o coração em meus deveres. Contanto que eu coloque meu coração neles, serei capaz de descobrir problemas e realmente resolvê-los. Somente fazendo isso posso desempenhar meus deveres com devoção, e só então isso pode ser considerado fazer trabalho real. Se eu não colocar o coração e não quiser fazer esforço nem pagar um preço, não me esforçarei para buscar a verdade quando me deparar com problemas e talvez nem os identifique, que dirá os resolva, e, no final, não conseguirei cumprir meus deveres. Mais tarde, comuniquei-me com a irmã com quem eu estava trabalhando sobre os problemas do grupo, um a um. Verificamos cuidadosamente o trabalho dele e encontramos alguns desvios e lacunas; então escrevi uma carta para me comunicar de forma prática e aos poucos, o problema da baixa eficiência do grupo no desempenho dos deveres foi resolvido. Mas eu sabia que não podia somente checar e acompanhar essas tarefas uma vez e então parar por aí, que acompanhamentos e supervisão regulares seriam necessários e que esse era um trabalho que precisava ser feito em longo prazo. Às vezes, quando as tarefas se acumulavam, eu ainda revelava um estado de querer ser preguiçosa, mas conseguia me reverter, rebelar-me contra minha carne prontamente e fazer trabalho real com base nas palavras de Deus. Sem que eu notasse, o trabalho de artigos nos grupos pelos quais eu era responsável começou a mostrar resultados claros e fiquei muito feliz. Senti paz no coração ao desempenhar meus deveres dessa maneira.
Depois de experienciar isso, percebi que fazer trabalho real não é difícil. É apenas uma questão de colocar o coração nele. Quando você corrige suas intenções — sem pensar no conforto e na comodidade carnais, mas direcionando-as para considerar como fazer bem trabalho real —, seu coração fica mais focado em assuntos apropriados e você consegue experienciar a orientação e as bênçãos de Deus nos seus deveres e ver os problemas com mais clareza e precisão. O mais importante é que, por meio do trabalho real, você consegue identificar mais problemas, praticar resolvê-los com base na verdade, vindo a um entendimento de mais verdades princípios. Passei a perceber que somente fazendo trabalho real você pode desempenhar bem o seu dever e ter paz e tranquilidade no coração. Graças a Deus!