O Próprio Deus, o Único III (Trecho VII)

Quem passar a vida em busca de fama e fortuna ficará perplexo em face da morte Devido à soberania e à predestinação do Criador, uma alma solitária que começou sem possuir nada ganha pais e uma família, a chance de se tornar membro da raça humana, a chance de experimentar a vida humana e ver o mundo; e ela também ganha a chance de experimentar a soberania do Criador, de conhecer a maravilha da criação feita pelo Criador e, acima de tudo, de conhecer e tornar-se sujeito à autoridade do Criador. Mas a maioria das pessoas não aproveita de fato essa oportunidade rara e fugaz. Esgota-se a energia de uma vida inteira brigando com o destino, passa-se todo o tempo trabalhando intensamente, tentando alimentar a família e indo e vindo entre a riqueza e o status. As coisas que as pessoas têm em alta estima são família, dinheiro e fama; para elas, essas são as coisas mais valiosas na vida. Todo mundo se queixa de seu destino, mas empurra para o fundo da mente as questões que são mais prementes para analisar e compreender: por que o homem está vivo, como o homem deve viver, qual é o valor e significado da vida. Durante a vida inteira, seja qual for o número de anos, as pessoas correm em busca de fama e fortuna, até a juventude ir embora, até elas ficarem grisalhas e enrugadas; até verem que a fama e a fortuna não podem parar seu deslizar rumo à senilidade, que o dinheiro não pode preencher o vazio do coração; até entenderem que ninguém está isento da lei do nascimento, do envelhecimento, da enfermidade e da morte, que ninguém pode fugir ao que o destino lhe reserva. Só quando são forçadas a fazer face à conjuntura final da vida é que elas compreendem de fato que mesmo se alguém for dono de milhões em propriedades, mesmo que seja privilegiado e de elevada posição social, ninguém pode escapar à morte, pois toda pessoa retornará à sua posição original: uma alma solitária que nada possui. Quando uma pessoa tem pais, ela acredita que seus pais são tudo; quando tem propriedade, pensa que o dinheiro é seu esteio, que ele é seu trunfo na vida; quem tem status aferra-se a ele e é capaz de arriscar a vida por ele. Só quando estão prestes a abandonar este mundo as pessoas se dão conta de que as coisas que passaram a vida a perseguir são apenas nuvens fugidias, que não podem se agarrar a nenhuma delas, que não podem levar nenhuma com elas, que nenhuma pode livrá-las da morte, que nenhuma pode proporcionar companhia nem consolo a uma alma solitária no seu caminho de volta e, menos ainda, que nenhuma pode dar-lhes a salvação, permitir-lhes transcender à morte. A fama e a fortuna ganhas no mundo material dão satisfação temporária, prazer passageiro e uma falsa sensação de sossego e fazem a pessoa se perder. E por isso, enquanto se debatem no vasto mar da humanidade, ansiando paz, conforto e tranquilidade no coração, as pessoas são subsumidas muitas vezes sob as ondas. Quando as pessoas ainda têm de entender as questões que são mais cruciais de entender — de onde elas vêm, por que estão vivas, para onde vão e assim por diante —, são seduzidas pela fama e a fortuna, iludidas e controladas por elas, perdendo-se irrevogavelmente. O tempo voa; os anos passam num piscar de olhos; antes de se dar conta, a gente já se despediu dos melhores anos da vida. Próximo a partir do mundo, a gente aos poucos chega a perceber que tudo no mundo está se afastando, que já não pode se prender às coisas que possuía; então a gente sente verdadeiramente que ainda não tem coisa nenhuma, como um bebê chorão que acaba de surgir no mundo. Nesse momento, a pessoa é forçada a ponderar o que tem feito na vida, qual o valor de estar viva, o que isso significa, por que veio ao mundo; e, a essa altura, quer cada vez mais saber se realmente existe uma vida após a morte, se o Céu realmente existe, se realmente há punição… Quanto mais perto da morte está, mais quer entender o que é realmente a vida; quanto mais perto da morte, mais vazio o coração parece; quanto mais perto da morte, mais desamparada se sente e, por isso, seu medo da morte cresce a cada dia. Há duas razões pelas quais as pessoas se comportam dessa maneira quando se aproximam da morte: primeiro, porque estão a ponto de perder a fama e a riqueza das quais suas vidas dependeram, estão a ponto de deixar para trás tudo o que é visível no mundo; segundo, porque estão prestes a se defrontar, completamente sozinhas, com um mundo não familiar, um reino misterioso e desconhecido em que têm medo de pôr os pés, onde não têm entes queridos nem meios de apoio. É por essas duas razões que toda pessoa que enfrenta a morte sente inquieta, experimenta o pânico e uma sensação de desamparo que jamais conhecera. Só ao chegarem realmente a este ponto as pessoas percebem que o primeiro que devem entender ao pisar nesta terra é de onde os seres humanos vêm, por que as pessoas estão vivas, quem dita o destino humano, quem provê à existência humana e tem soberania sobre ela. Esses são os verdadeiros trunfos na vida, a base essencial para a sobrevivência humana, e não aprender como prover à família nem como conseguir fama e riqueza, nem aprender como se sobressair na multidão nem a viver uma vida mais opulenta, muito menos aprender como se destacar e a ter sucesso ao competir com outros. Embora as diversas habilidades de sobrevivência que as pessoas passam a vida aprendendo a dominar possam oferecer conforto material em abundância, elas nunca trazem verdadeira paz e consolo para o coração, mas, em vez disso, fazem com que as pessoas percam seu rumo constantemente, tenham dificuldade em controlar-se, percam toda oportunidade de aprender o significado da vida; além disso, elas criam uma tendência subjacente a problemas para como encarar a morte corretamente. Assim, a vida das pessoas é arruinada. O Criador trata todo mundo equitativamente, dando a todos uma vida de oportunidades para experimentar e conhecer a Sua soberania, mas eles só começam a ver a luz quando a morte se aproxima, quando o espectro da morte paira sobre eles, e então já é tarde demais.

As pessoas passam a vida correndo atrás de dinheiro e fama; elas tentam se agarrar a isso, pensando serem seus únicos recursos, como se pelo fato de tê-los pudessem continuar a viver, pudessem livrar-se da morte. Mas só quando estão a ponto de morrer elas percebem quão distantes delas estão essas coisas, quão impotentes elas são em face da morte, quão facilmente se estilhaçam, quão solitárias e desamparadas estão, sem ter para onde se voltar. Elas percebem que não se pode comprar vida com dinheiro e fama, que por ricas que elas forem, por elevada que for a sua posição social, todas são igualmente pobres e não importantes diante da morte. Elas se dão conta de que o dinheiro não pode comprar vida, que a fama não pode suprimir a morte, que nem o dinheiro nem a fama podem prolongar a vida de ninguém nem um só minuto, nem um só segundo. Quanto mais as pessoas se sentem assim, mais elas anseiam continuar vivendo; quanto mais elas se sentem assim, mais temem a aproximação da morte. Só então elas de fato percebem que suas vidas não lhes pertencem, que não lhes cabe controlá-las, que elas não decidem se vivem ou morrem, que tudo isso fica fora de seu controle.

Extraído de “A Palavra manifesta em carne”

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